Fire Starter

3 Queen Of Disaster


What you do to me is indescribable. Got me sparkling just like an emerald. Send my soul on fire. And make me wild like the deep blue sea

Alguma coisa atiçou a vontade da Rachel em se casar o mais rápido possível, nos encontramos na terça, e em três dias ela já havia escolhido a data do jantar de noivado e estava separando os temas do casamento.

Isso significava uma coisa: Teria que me adiantar em algumas coisas, principalmente em Percy e na Calypso.

– Ainda não estou acostumada com esse seu novo estilo — a ruiva balançou a cabeça. Passar o dia em um shopping fazendo compras com uma viciada em compras era um esporte um tanto... Cansativo — É claro que eu prefiro você assim, é mil vezes melhor... Mas é que, você voltou a tão pouco tempo e eu não estou acostumada com essa sua nova versão.

Com a neve tomando conta de Chicago, não poderia me arriscar e ficar doente, então coloquei uma blusa de manga longa com uma lua cinza e uma saia curta prata. Coloquei uma meia com o fio trinta preta e um peep toe da mesma cor, porém sua sola era vermelha.

– Morar em Londres fez bem a mim... Minha tia me ensinou muita coisa que me fez bem — sorri para ela. A ruiva me encarou da mesma forma e sorriu — Ainda não me disse o motivo desse repentino interesse pelo casamento... Até três dias atrás não se importava com isso.

– A ideia foi dos meus pais... Eles disseram que com um relacionamento como o meu e o do Percy, quanto mais rápido nos casarmos, melhor vai ser para ambos.

– Como assim? O que tem seu relacionamento com ele?

– O nosso relacionamento é bem instável, na verdade, mas não conta para ninguém disso okay? Nem mesmo a Calypso sabe — ela mordeu o lábio — No início eu até curtia ele, mas você sabe que eu nunca sonhei em me casar e tudo mais... Isso realmente não faz o meu tipo...

Eu era esperta. Antes de perguntar a ele sobre o seu relacionamento, fingi responder uma mensagem no celular, quando na verdade, eu apenas estava ligando o gravador.

– Na época que conheci ele, Percy era o tipico pegador da universidade e eu não dei muita bola, até porque eu realmente queria me focar na faculdade — ela parou e encarou um vestido na vitrine — Mas meus pais descobriram que ele estudava comigo e ele é tipo... O único filho de um dos maiores magnatas do país, então me aproximar dele, foi apenas por aparência e por que eu queria fazer o meu nome... O resto você já sabe, como me aproximei dele de verdade.

– Então não estava naquela palestra por causa do assunto?

– Não! Eu só me coloquei lá por pedido dos meus pais, foi tudo programado — ela disse — O casamento é apenas para enriquecer a minha família e fazer com que meu nome seja significativo, porém ele não sabe disso.

Se eu achava que torturar a Rachel como vingança era ser horrível, o que ela estava fazendo com o Percy era mil vezes pior. O pobre coitado estava obrigado a se casar com ela, e nem sabia que isso iria acontecer apenas por dinheiro.

– Você só se enriquece se ele morrer, a junção dos bens só vale totalmente em caso de morte — comentei — Caso ele não morra, a junção é parcial, você apenas vai ficar com aquilo que ele comprou após o com casamento.

– Eu sei disso, tanto que Luke vai me ajudar a matá-lo sem deixar pistas, seria como um ataque cardíaco.

– Ele tem vinte e três anos, Rachel — respondi — As pessoas normalmente não tem ataques cardíacos aos vinte e três.

Ela pareceu refletir sobre aquilo, era visível em seu rosto enquanto caminhavamos para cima e para baixo com várias sacolas de lojas finas e chiques, até que ela disse:

– Sei lá o que vai acontecer com ele! Overdose, assassinato, acidente no trabalho ou acidente de carro — revirei meus olhos. Ela sempre se superava — Ele apenas vai morrer e eu serei milionária.

Não respondi, apenas salvei o áudio e respondi uma mensagem de Thalia. Essa era a deixa perfeita para me livrar de Rachel, porém não podia, ainda tinha algumas coisas para descobrir.

– Por que Calypso não sabe?

– Ela não guarda a língua dentro da boca, simples — disse indiferente — Cansei, os shoppings já estiveram em melhor estado fashion.

Concordei com a cabeça, tendo a noção de que o melhor estado fashion estava em Paris, nas passarelas. Achei melhor não atiçar a Rachel e me despedi dela, sendo o mais rápida possível. De fato consegui ser, era fácil enganar a Rachel, sempre foi.

O clima tempestuoso não me assustava, ao contrário, me reconfortava, me fazia voltar para Londres e me fazia sentir saudades de casa... Como será que as coisas estavam por lá? Fiquei tentada a ligar para saber.

O frio nunca me encomodou, ao contrário, ele me fez ser forte. O inverno era a estação mais chique, mas fina e também a estação mais triste e sem cor... Hera não gostava das minhas palavras, mas o inverno me resumia muito bem. Elegante, porém sombria e sem cor.

A faixada do prédio era moderna, porém não deixava de lado a elegância do período colonial e da época em que a arquitetura greco-romana era predominante, eu adorava esse prédio por isso, quem o projetou soube buscar corretamente o melhor do período colonial e da arquitetura greco-romana... Era incrivelmente incrível.

Parei meu carro na vaga da minha cobertura e caminhei com passos rápidos e com sacolas na mão, o barulho do meu salto contra o concreto ecoava por todo estacionamento subterrâneo mórbido.

– Hey! Segura o elevador para mim! — o grito ecoou bem no segundo em que a porta de metal começava a se fechar. Coloquei meu salto na frente, fazendo a mesma voltar a se abrir e esperando a pessoa que fez o pedido aparecer. Foi preciso três segundos até que Percy aparecesse com uma gravata frouxa, o paletó em uma mão e uma pasta negra na outra, ofegante — Obrigado.

– Disponha — sorri, dando um passo para trás e encostando minhas costas na parede gélida. Ele retribui o sorriso e apertou o andar do seu apartamento.

Um trovão ecoou alto e as minhas experiências com trovões e elevadores não eram muito boas, eu sempre conseguia ficar presa dentro de um quando havia um temporal, principalmente sozinha e cansada.

Encarei o moreno, que tinha agora a respiração calma e o corpo tranquilo. As luzes pisaram e o elevador ameaçou parar, nos ainda estávamos no terceiro andar e faltava mais vinte para que o elevador parasse para ele.

– Estive com sua noiva hoje — disse por fim. As luzes pisaram mais duas vezes e finalmente o elevador parou, porém parou na divisa do quarto para o quinto andar, logo em seguida as luzes se apagaram e o cubículo ficou parcialmente escuro, nossos rostos ainda eram visíveis — Ela já começou os preparativos para o casamento não?

– Começou... Mas é meio complicado saber se isso vai para frente — ele me olhou com um sorriso gentil, retribui com o mesmo sorriso — Não concordamos com nada... O tema, a cor, a data ou o lugar da lua de mel.

Isso é perfeito! Acho que não vou precisar sujar minhas mãos para fazer os dois terem um desentendimento.

– Rachel sempre foi bem complicada. Se as coisas não são do jeito que ela quer, não tem outra opção ou qualquer outra coisa que a faça mudar de ideia — mordi meu lábio, deixando as sacolas caírem no chão — É bem complicado saber o por que ainda somos amigas, nunca concordamos com absolutamente nada.

– É complicado saber o por que nós ainda estamos juntos, não concordamos com nada desde... Sempre — ele riu e eu acompanhei de forma mais elegante — Resolvi deixar nas mãos dela, desde que não seja nada escandaloso ou grande... Queria algo mais íntimo.

– Pode esquecer... Íntimo para a Rachel significa de seiscentos a oitocentos convidados com direito a imprensa e a capa de revista — dei uma piscadela para ele — Mas mudando de assunto... Trabalha com o que?

– Advocacia... E você?

– Me formei em arquitetura, porém levo a vida de socialite — respondi com sinceridade — E até um ano atrás era dançarina de Strip Tease para despedida de solteiro... Bons tempos.

Ele riu novamente, dessa vez foi mais sincero e descontraído. Seu corpo relaxou e ele afroxou ainda mais a gravata verde clara, esse cara era putamente sexy, estaria sendo louca se não me aproveitasse dele e do que ele poderia me proporcionar.

– Strip Tease? — ele arqueou a sobrancelha, logo em seguida desceu o olhar para o meu corpo e umedeceu os lábios com a língua. Ri e revirei os olhos, empurrando as sacolas com o pé para um canto, deixando o elevador com mais espaço.

– Sim... Os homens iam a loucura com o meu rebolado — disse dando uma pequena rebolada enquanto falava — Se casaram feliz com a despedida.

– Pode repetir o que fez?

– Isso? — rebolei de novo, dessa vez mais devagar e com mais sensualidade. Ter as minhas pernas cobertas pela meia não estavam ajudando muito.

Seus olhos verdes brilharam e eu ri, repetindo o movimento até o chão dessa vez, com cuidado para não rasgar minha saia favorita... Por que mesmo havia colocado ela para sair com a Rachel?

– Tem um bom rebolado — disse por fim. Concordei com a cabeça sem tirar o sorriso do rosto.

– Não é apenas o rebolado que é bom... Os noivos acabavam a noite bem tranquilos e sem a consciência pesada — dei uma piscadela, inclinando meu corpo para frente — E não, eu não transava com eles.

– Não? Como eles saiam tranquilos e sem a consciência pesada?

– Ver o corpo semi-nu de uma loira e ainda ver ela rebolar em um poste de pole dance é bem sastifatorio... Eu também já sai de bolos gigantes, fiz shows particulares e é claro, me masturbei para deixar os noivos felizes... Me tira um dúvida?

Ele me encarou e desceu o olhar pelo meu corpo novamente. Se eu estivesse com algo mais provocativo, diria que ele está tentando imaginar tudo o que eu acabei de dizer, homens são assim mesmo.

– Diga.

– Se vocês amam ver diferentes tipos de mulheres quase nuas na despedida de solteiro, por que então decidem se casar?

Eu sabia a resposta, mas fingi que não, afinal, eu tinha que me aproximar dele, fazer dele meu melhor amigo e algo a mais. Era visível que o Percy não era lá muito santo, mas também estava na cara que ele não estava disposto a trair a Rachel com a melhor amiga dela.

– Por que essa vai ser a última vez que veremos o corpo de uma mulher diferente nu... Depois do casamento, será apenas a mesma mulher toda santa noite, por que acha que as vezes traímos? O sexo cansa, o corpo já conhecido cansa e principalmente, a esposa cansa.

Não respondi, dei um sorriso maroto e me aproximei mais dele, me colocando a sua frente e com nossos corpos a poucos centímetros de distância. Talvez cinco ou menos.

– Hm... — respondi por fim, segurando sua gravata com força. O corpo do moreno ficou tenso com a proximidade — Por acaso ainda gosta do corpo da Rachel? Pelo o que ela me falou, estão juntos a muito tempo.

Pensei no que poderia ter acontecido depois que sai e fiz as contas. Eles estavam juntos a quase cinco anos, era muito tempo para alguém como a Rachel, é obvio que ela estava cansada do sexo do Percy e precisava achar outro brinquedo. Era tão haver com ela, não me surpreendia, ela costumava ter a fama de fácil no segundo ano, quando as espinhas sumiram e seu corpo ganhou forma.

– Eu... Er... Quem sabe — soltou em um suspiro. Meu sorriso antes maroto, agora era mais malicioso, porém não deixava de ser discreto.

Mordi meu lábio inferior e o encarei por cima dos cílios, tentando fazer a tímida enquanto abria os botões da sua camiseta. Não fazia nem meia hora que estávamos ali e eu sabia que iriamos ficar bem mais, pelo menos mais uma ou duas horas presos, caso contrário, a luz estaria piscando.

Quando finalmente abri o último botão da sua camiseta, sorri ao ter a visão do seu abdômen definido. Era visível que ele era bem forte, a social marcava bem seus bíceps definidos e seu abdômen definido.

– Admirando a visão? — ele perguntou, me fazendo levantar o olhar e sorrir timidamente. Ele prendeu seus olhos nos meus, fazendo disso a oportunidade perfeita para terminar de tirar a sua camiseta por completo sem que ele se desse conta logo no começo.

Soltei um riso baixo e voltei meu foco para sua camiseta, vendo ela passar por seus braços e com um pedaço de tinta preta chamando a minha atenção na parte interna do seu braço direito. Era o traço de uma de uma tatuagem e eu terminei de me livrar o mais rápido possível da sua camiseta e a joguei não chão, segurando o seu braço em seguida, de modo que eu podia ter a perfeita visão da sua tatuagem.

Uma caveira em chamas, era linda, não comum. Toda preta, até mesmo suas chamas, fazendo com que a pele pálida do moreno.

– O que significa? — perguntei admirada com os traços perfeitos, sem erros e fazendo com que a caveira com olhos de rubi ficasse esbelta e com que suas chamas negras com fino traço avermelhado com volta parecesse surreal.

Eu parecia uma criança que tinha acabado de abrir seu presente de natal.

– Igualdade... Meus pais tinham muito esse preconceito com as classes inferiores e com os negros. Fui uma coisa de adolescência, eu tinha acabado de atingir os dezoito e queria contrariar eles, a tatuagem foi uma irresponsabilidade que funcionou. Eles ficaram bem putos — ele soltou um riso. Eu acompanhei ele e logo dei um passo para trás, tirando minha blusa de dentro da saia e a puxando pelos braços.

Depois de alguns anos em Londres, perdi toda a minha timidez. Eu tinha que aproveitar do corpo que eu tinha, em Chicago eu me deixava privada disso, deixando todo o charme e sensualidade para a Rachel, mas eu sempre fui bem mais gostosa que ela, meu corpo sempre foi mais definido e com mais curvas, meus seios eram maiores que o dela e minha cintura fina.

Não tinha vergonha de exibir meu Victória Secrets para o Percy. O moreno pareceu interessado nos meus seios.

– Tenho vontade de fazer uma também, nas costas, bem na linha da coluna — falei me virando de costas. Depois de um muxoxo baixo, o moreno passou o dedo indicador pela minha coluna.

– Aqui? — ele deslizou o dedo por toda a minha coluna. Com os braços em cima da cabeça para segurar meu cabelo eu virei meu rosto e o encarei pelo canto do olho, concordando com a cabeça. Ele não podia se aproveitar muito da minha pele, a saia era de cinta alta — O que deseja desenhar na sua pele pálida e por quê?

– As fazes da Lua... Porquê significa as mudanças, as mudanças que são constantes durante a vida — soltei meu cabelo sobre a sua mão e me virei de novo.

Por um segundo me perdi na imensidão esverdeada dos seus olhos. Lindos e com um brilho hipnotizante.

– Começa com a lua vazia e termina com a lua minguante — falei sorrindo — Tendo no centro a Lua Cheia.

– Criativo — ele falou depois de uns minutos. Me aproximei novamente, não deixando nenhum espaço entre nós dois, e agarrei sua gravata, que ainda estava no seu pescoço — As mudanças da vida...

– Sim — fiquei na ponta dos pés. Mesmo com o salto, o moreno ainda era alguns centímetros mais alto do que eu — Na minha opinião, devemos sempre estar abertos para novas mudanças e aceitar tudo que a vida nos proporciona... Temos apenas uma vida e devemos aproveitar dela o máximo possível. Seja para amar, trair, adorar ou até mesmo vingar — não esperei resposta. Colei meus lábios nos dele.

Notas finais
TRAILER: https://www.youtube.com/watch?v=lESk-epz6UU&feature=youtu.be Esperando ansiosamente por comentários maiores e de melhores qualidades, também espero um numero maior de comentarios, parece que não esta valendo a pena. Quem lê Unconditionally sabe o motivo da minha demora, pc formatou, trabalhos de escola e semana de prova chegando... Tentarei não demorar tanto. O que acharam do trailer??? Beijos ♥