So if you must faultler be wise. Your minds is in disturbia. It's like the darkness is the light. Disturbia.

Quando não se tem absolutamente nada a perder, vai ter medo do que?

Bem, eu teria de expor meu passado e a minha vida... São meus, qualquer coisa que alguém descubra sobre mim pode me destruir em poucos minutos, por isso criei muralhas. Não me apaixonar, não me envolver, não brincar e acima de tudo, não me deixar levar.

– Vem — indiquei com a cabeça o corredor, tirando a echarpe do meu pescoço para ver se a minha respiração se normalizava. Eu estava tensa e ela entre-cortada.

Ele me seguiu, com as mãos nos bolsos da calça de moletom e com o tronco ainda nu. Se o prédio não fosse aquecido durante o inverno, ele iria pegar uma bela gripe.

Percy continuou a me seguir até o meu closet, aonde abri a parede falsa do espelho de corpo e puxei de lá a caixa de metal leve, porém resistente a qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo.

Dei um sorriso tenso para ele e indiquei a poltrona comprida do closet, me sentei nela com a caixa no colo e acariciei com a ponta dos dedos a grande Lua Minguante que ali tinha, deslizando ele até o indicador liso e precionando ele ali. A luz rosada piscou e o click indicou que ela estava aberta, empurrei a tampa para cima e prendi a minha respiração, vendo os olhos esverdeados do moreno se perderem na caixa organizada.

Passei os olhos e puxei o álbum preto da beirada, fechando a caixa e dando um sorriso para Percy, quando ele me encarou confuso. Talvez, a mudança não fosse apenas o significado da Lua para mim.

– A caixa se abre apenas com a sua digital? — ele arregalou os olhos, surpreso e ao mesmo tempo assustado. Concordei com a cabeça, abrindo o álbum e vendo uma foto tão conhecida ali, meus pais, sorrindo e felizes, acima de tudo jovens e tão cheios de vida... O casamento deles — Vai me mostrar um album.

– Não é apenas um álbum, Percy — cruzei meu braços visivelmente irritada com ele — Se não quiser saber sobre a minha vida pode ir embora, eu não me importo não, só estava te dando um chance de me conhecer um pouco mais.

– Desculpe — ele falou levantando ambas as mãos para o alto, como sinal de rendição e eu suspirei, virando a página do álbum e estendendo a ele. Não iria ver aquilo novamente, sempre que via acabava de apenas uma maneira: cicatrizes.

– Leia a partir daqui, vai descobrir muita coisa — disse indicando o papel amarelado pelo tempo a ele. Percy concordou e começou a ler com atenção, franzindo o cenho hora ou outra e as vezes umedecendo os lábios com a ponta da língua.

Isso levou algumas horas, eram noticiais cortadas de jornais de mais, durante os sete anos de morte dos meus pais, eu juntei todas. Não necessariamente eu, mas sim meu Tio Zeus e, a três anos atrás, ele me entregou esse álbum contendo a verdade e agora sou eu quem está completando ele.

Teve um momento que eu simplesmente não aguentei mais ver o Percy passar seus olhos pelas páginas e mais páginas que ali continha, então retirei meus sapatos e os coloquei no lugar deles, depois fiquei andando pelo meu próprio closet, organizando meus vestidos e percebendo que precisava começar a pensar em qual usaria na festa da Vogue, mas simplesmente não estava com cabeça no momento.

Passei os dedos pela raiz do meu cabelo e os levando até a metade do seu comprimento, ansiosa e com medo. Não continha nada que indicasse a minha vingança ali, mas continha a minha dor e muitas outras coisas.

Quando Percy finalmente falou algo, eu senti um alívio em ouvir a preocupação na sua voz.

– Os pais da Rachel mataram os seus? — concordei com a cabeça, soltando o ar que havia prendido quando ele levantou a cabeça — Por quê?

– Poder... A empresa dos meus pais eram poderosas e mundialmente conhecida, enquanto a deles estava decaindo cada vez mais na época — mordi o interior da minha bochecha, sentindo o gosto do sangue em seguida. Forte demais — Eles são gananciosos e viciados em dinheiro, a forma mais fácil de roubar o reconhecimento e o dinheiro dos meus pais eram dando um fim na empresa deles, mas como? Muitos boatos saíram da boca deles, todos abafados pelos meus pais, eu me lembro disso... Não era o suficiente para fazer a clientela da empresa diminuir, apenas estava aumentando. Foi quando surgiu a ideia: E se o prédio da empresa fosse explodido com os donos dentro? Quem restaria para assumir?

– Você? — ele arqueou a sobrancelha. Neguei.

– Eu tinha quase quinze anos, Percy, era jovem e muito, mas muito medrosa mesmo... Até minha sombra me assustava, eu me escondia sob roupas largas e não me importava com a minha aparência, dando a Rachel todo o glamour — fui obrigada a me sentar novamente, sentindo meu chão se perder — Então veio a explosão, meus pais e uma boa parte dos sócios deles, junto com outros funcionários, morreram na hora... Não sobrou nada além de pedaços de corpos queimados para contar a história — fiz uma pausa, engolindo o choro e encarando seus olhos atentos — Mas sobrou a mim, a única filha de Atena Minerva e Frederick Chase... Sabe o que me perguntaram? Se eu tinha alguma ideia de quem havia feito isso e eu neguei mil vezes.

Algumas lágrimas infelizmente caíram, mostrando a minha fraqueza para o Percy da maneira mais simples do mundo. Ele tentou tocar em mim, mas me afastei e enxuguei as lágrimas.

– Meus pais não levavam problemas do trabalho para casa, mas três anos antes e alguns dias depois ouvi eles falando sobre as várias tentativas dos Dare de destruí-los. Depois de quase dois meses me recordei disso e contei ao delegado que ainda comandava a investigação... Os Dare negaram e mostraram que eles não tinham provas para incrimina-los, que era uma menininha abalada pela morte dos pais querendo incriminar a primeira pessoa que aparecesse na sua frente e bem, eu fui diagnosticada com depressão e mais um par de doenças mentais, me tirando do jogo.

Levantei as mangas da minha blusa e virei meu braço para ele. A iluminação do closet misturada com a luz do dia mostrava algumas cicatrizes que restaram da minha época suicida.

Percy arregalou os olhos.

– Porém os Dare me consideraram um perigo e tentaram colocar um fim em mim, me prendendo dentro do carro de um garoto que havia me levado a transar com ele e depois de adormecida colocaram fogo no carro... Eu fiquei presa la dentro, vendo as chamas ao meu redor, gritando por ajuda e chorando... Eu me lembro de chorar muito — ergui meus olhos para o teto alto. Respirei fundo e o encarei — Não sei quanto tempo fiquei lá dentro, depois de alguns minutos respirando gás tóxico da fumaça das chamas eu desmaiei e quando acordei estava em um quarto de hospital, respirando com a ajuda de aparelhos e com queimaduras de segundo grau por quase todo o meu corpo... A primeira pessoa que apareceu foi a Rachel, com um sorriso diabólico e para piorar, com um vídeo daquela noite na internet...

Ele me abraçou e eu deixei que as várias lágrimas caíssem, sufocando os soluços e tentando voltar a tranquilidade.

– Ainda não acabou — falei me afastando, depois de alguns longos minutos — Ela riu de mim e bateu palmas com descrença, falando que eu era um filha da puta bem puta que, infelizmente, não havia morrido naquele incêndio explosivo... E ela tentou me matar, desligou meu aparelho respiratório e depois precionou um travesseiro contra o meu rosto, eu me lembro de lutar contra ela e quando o ar me faltou eu desmaiei... Ela achou que eu havia morrido e falou algo como trabalho terminado, depois saiu.

– Chega — ele pediu com os olhos arregalados. Neguei.

– Eu fiquei desacordada por muito tempo até que alguém aparecesse para cuidar de mim. O delegado pensou que era tentativa de suicídio e isso logo se espalhou, a filha traumatizada queria se matar ela não havia morrido. Quando voltei para casa a Rachel apareceu novamente e dessa vez a Calypso foi acompanhar ela, e eu novamente quase morri... Elas me jogaram dentro da banheira cheia e me fizeram ficar lá dentro até desmaiar, só que dessa vez não podia apenas desmaiar, eu tinha que morrer — levantei meu cabelo e me virei, indicando com o dedo aonde ele deveria passar o dele. Senti uma pequena pontada quando ele precionou o lugar — Elas me bateram com algo na cabeça e eu entrei em coma, dessa vez o delegado suspeitou da tentativa de homicídio e plantou dois guardas na porta do meu quarto por meses e mais meses, foram quase nove meses para que eu voltasse a mim.

– Chega!

– Quando voltei decidi ir para Londres e recomeçar do zero, mas nunca desconfiei que meu tio havia contratado um detetive particular da CIA e quando descobri já estava quase recuperada de toda humilhação, de toda dor e de todo medo que a Rachel havia me causado — joguei minha franja para o outro lado — E esse álbum surgiu, contando toda a verdade sobre a morte dos meus pais e as várias tentativas de homicídio.

– E por que não prenderam os pais da Rachel?

– O caso havia sido abandonado depois da minha partida, como se eu fosse ontem único motivo deles continuarem a persistir em algo — dei de ombros — E vindo de mim, eles poderiam achar que havia inventado, plantado ou alucinado todas essas provas. Deixei quieto.

– E agora vai ficado agindo como se a Rachel nunca tivesse tentado te matar? Isso é loucura, Annabeth! Já pensou na possibilidade deles tentarem acabar com o que começaram a sete anos atrás?

– Eles não vão, não sou mais o alvo deles, Percy — peguei o álbum e abri a caixa novamente, guardando aquele e pegando um outro, incompleto — Você e a sua família é o alvo deles agora, que a empresa está perdendo tudo... A Rachel não é mais tão rica, a empresa só tem decaido mais a cada mês e bem, juntar uma Dare com um Jackson pareceu uma forma menos complicada de voltar a se reerguer.

– Depois disso que ouvi da Rachel, não vou mais ficar com ela — ele disse convicto. Revirei meus olhos e o fiz me encarar.

– Se terminar esse noivado, vai acontecer com seus pais e com você a mesma coisa que aconteceu com os meus pais e comigo... Dessa vez eles não vão deixá-lo fugir, como me deixaram — dei uma piscadela para ele, seria — Esse noivado é a sua vida e a da sua família. Se ele acabar, sangue vai voar para todos os lados em um simples e objetivo "Cabum".

...

Deixei Percy decidir por si só qual era o caminho mais correto a se seguir, nem em mil vidas eu iria querer que os pais dele morressem da mesma maneira do que os meus morreram, isso era horrível demais.

Passei o resto do dia sozinha, repensando e repassando tudo pela minha cabeça por várias horas. Ao fim da tarde Silena apareceu saltitante com o meu convite para a festa da Vogue, dourado e com um V prateado bem no centro, isso deixaria a Rachel maluca.

Quando acordei meu corpo estava menos dolorido e os hematomas de ontem não iriam me impedir de fazer a tatuagem, nem em meus sonhos isso impediria, mas que iria ter perguntas iria.

Coloquei uma roupa simples: calça de couro preta, camiseta regata branca e uma jaqueta do mesmo material e da mesma cor que a calça. Nos pés optei por botas de cano médio também pretas e prendi meu cabelo em um coque frouxo e não quis colocar joias demais, apenas um par de brincos minúsculos e meu colar de Lua.

Thalia ainda dormia — no sofá — quando passei pela sala, mas pude notar que o seu MacBook estava ligado e aberto com algumas imagens sendo exibidas. Peguei ele e o levei para a cozinha comigo, olhando para as imagens enquanto preparava meu café da manhã. Resumido em suco industrializado e torradas prontas com geleia de uva.

As imagens eram claras e de vários pontos diferentes, mas todas da casa e empresa dos Dare. O que me chamou a atenção foi ver Rachel dormindo no quarto dela, como se nunca estivesse saído do país.

Isso chamou a minha atenção, mas teria que fazer o que planejava outra hora, tinha compromissos nesse momento. Escovei meus dentes e dei uma última olhada na minha maquiagem, dando-a como ótima e pegando a minha bolsa. Sai de casa em um silêncio mudo, percebendo que Thalia dormia agitadamente.

Encontrei Percy no estacionamento e ele me deu um beijo na bochecha, meio apreensivo e ainda duvidoso. Mas sorri de maneira reconfortante, eu acho, e acariciei seu braço.

– Vamos — ele deu um sorriso mínimo, passando o mesmo braço que acariciei pelo meu ombro e me puxando para o carro dele — Temos o dia todo.

Sorri em agradecimento pelo cavalheirismo e entrei no carro, quando ele deu a volta e também entrou, senti um arrepio percorrer a minha espinha e francamente, fiquei apreensiva sobre o que ele poderia fazer.

– Não vai terminar com a Rachel, vai? — encarei ele, deixando a apreensão transparecer.

– Não... Não por enquanto, preciso de uma desculpa válida — ele falou apertando os dedos no volante — Falar que o motivo é você ter falado a verdade vai deixa-la com vontade de se vingar de você... Novamente.

Arregalei meus olhos, surpresa pela atitude dele. Percy Jackson, o cara que no dia anterior havia dito que não iria mais transar comigo, estava tentando me proteger da Rachel. Era surpreendente.

– E a sua família?

– Também vou achar um jeito de não prejudicá-los.

A partir dai esse assunto morreu, foi substituído por perguntas sobre coisas que eu gostava. Como a minha cor favorita, respondi que era azul e cinza, Percy riu e disse quem também adorava azul. Quando perguntou a minha comida preferida eu fiquei em uma enroscada, adorava muita coisa ao mesmo tempo, mas acabei respondendo que tinha uma queda por comida francesa e italiana.

Perguntei também qual era a dele, Percy riu e falou que trocava qualquer coisa por uma pizza. Convidei ele para comermos pizza qualquer dia e o moreno gostou da ideia.

Quando perguntou sobre meu filme favorito eu ri e respondi todos os da coleção de Velozes e Furiosos e também disse que adora V de Vingança. Já ele disse que preferia filmes como A Órfã e outros filmes de terror do capeta.

– Você é louco! Se eu assisto um filme desses passo noites observando as estrelas com as luzes acesas — exclamei tampando meus olhos com as mãos, mas retirei elas dali em seguida. Percy riu — Não ria! Eu tenho traumas tá?

– Tudo bem, tudo bem — ele disse tentando controlar a risada, revirei meus olhos e encarei o grande estúdio de tatuagem a minha esquerda. Sorri esperando o carro parar e desci, sentindo o vendo gelado bater no meu rosto quente.

Quando Percy apareceu do meu lado e sorriu eu caminhei para a entrada, percebendo que o lugar era o mais punk e terrível possível. Se a Thalia não fosse policial, poderia trabalhar aqui, iria se sentir em casa.

Ares, o tatuador com pinta de lutador de UFC estava entediado atrás do balcão, folheando um álbum cheio de desenhos de tatuagens. Ele era gigante, com várias tatuagens e alguns piercings. Bati minhas unhas no balcão e ele me encarou, depois encarou o Percy.

– Olha só! O Jackson voltou para fazer outro rabisco — ele disse se inclinando para trás, com um sorriso aberto.

– Na verdade é ela que vai fazer, Ares — Percy e ele tocaram um aperto de mão, depois os olhos de Ares caíram sobre mim.

– O que a princesinha quer rabiscar?

– As fases da Lua, começando com a nova no fim do pescoço e finalizando com a nova no início do quadril — sorri estendendo o desenho a ele. Seu olhos brilharam e seu sorriso se ampliou — E eu quero aqueles passarinhos minúsculos aqui — disse indicando o meu ombro e seguindo com o dedo até o início do pescoço, onde não tinha nenhum chupão.

– O tipo de trabalho que eu gosto, demorado e bem caro — ele sorriu pegando o desenho da minha mão e assoviando, logo uma garota com olhos castanhos intensos e com os fios também castanhos presos em um rabo alto. Ela tinha apenas um piercing no septo — Passe esse desenho para mim, quero ele para hoje ainda.

– Olá, Percy — ela acenou, encarando o desenho por uns minutos.

– Clarisse — ele inclinou apenas a cabeça, cruzando os braços enquanto a tal Clarisse me encarava. Levei um minuto para lembrar-me dela da época de escola.

– Annabeth Chase? — ela arregalou os olhos e eu concordei — Meus deuses! Pensei que estava morta depois de tudo aquilo... O carro pegando fogo, a tentativa de asfixia e o afogamento... Você sumiu!

– Londres — resumi, não querendo voltar a etapa zero — Podemos começar com os pássaros?

– Claro — Ares me guiou até uma sala grande e bem higienizada. Deu as instruções e nelas incluíam tirar minha jaqueta e a minha blusa, não me importei com isso, mas seus olhos se arregalaram com os outros hematomas em meus braços, seios e na barriga. Expliquei que a noite tinha sido boa e me deitei na maca, encarando por baixo dos cílios o rosto sem expressão alguma do Percy. Estranhei, ele normalmente não era assim...

– Com medo? — arqueei a minha sobrancelha, encarando ele enquanto abaixava a alça do meu sutiã.

– Você teve medo? — perguntei enquanto ele tirava minha franja dos meus olhos, ele riu em seguida.

– Não foi essa a pergunta — respondeu e eu revirei os olhos, me apoiando nos cotovelos enquanto Ares preparadas as coisas. Esperei uma resposta dele, analisando atentamente seu rosto — Não.

– Está mentindo — disse me deitando novamente — Toda vez que mente, você respira fundo e pisca duas vezes...

– Como sabe disso?

– Sou atenta e perfeccionista — dei de ombros — E da para ver que está em dúvida sobre muita coisa... Sobre ontem, sobre a Rachel e sobre a minha e a sua vida.

– É verdade — ele riu nervosamente — Atenta...

– Se não confia na minha história, pergunte a Calypso... A mãe dela morreu junto com a minha.

Notas finais
Hei hei hie, olha quem está aqui! Okay, não estou tão animada assim haha Bem Juuh Lerman, esse capítulo é dedicado a você... Acho que tem bastante emoções hein?? Sigam a decisão dela e recomendem, minha imaginação agradece ^^ Bem é isso, o que acharam? A fotos das tatuagens da Annie estão no blog! ENTÃO ACESSEM!!! SÓ POSTO DE TIVER 15 COMENTÁRIOS OU MAIS, SORRY NOT SORRY. Beijos^^