Fire & Rain
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Fire & Rain
Era realmente um dia comum em Nova York. Isso, claro, se a quantidade absurda de neve e pessoas nas ruas e nos aeroportos fosse descontada. Kurt e Blaine realmente apenas queriam um pouco de paz e tranquilidade após um sábado agitado de compras natalinas de última hora. Uma festa de amigo oculto na Vogue.com havia sido organizado por Isabelle e o casal havia sido convidado, causando os mesmos a comprarem mais presentes, e se lembrarem de pessoas do passado que poderiam passar para dar um ‘oi’.
Claro, ninguém para quem Kurt e Blaine compraram presentes (Tina, Mercedes, Sam, Mike, Artie, Puck e Quinn) realmente apareceriam. Mas qual desculpa seria melhor do que aquela para comprar um novo aspirador de pó e um abajur extremamente lindo? Daí vem o cansaço de passar por três shoppings lotados de uma metrópole no dia 22 de Dezembro (um sábado, ainda por cima).
Então, naquele domingo, dia 23, o que o par mais queria era um dia de descanso enquanto seus convidados não chegavam. Filmes foram alugados, refeições foram preparadas e bebidas foram feitas. E tudo ia às mil maravilhas, para falar a verdade. Até o alarme de incêndio tocar.
O par correu pela escada de incêndio do segundo andar até o térreo, e conseguiu sair sã e salvo. A janela do terceiro andar, no apartamento acima deles, era onde o fogo estava concentrado, e fumaça escura saía pela janela. Kurt virou para Blaine, abraçou o mesmo e disse, olhando em seus olhos:
— Eu preciso pegar o livro de receitas da minha mãe.
— Não. — Blaine protestou, automaticamente, lágrimas já enchendo seus olhos.
— Eu vou ficar bem. O fogo é só no terceiro andar e tem bombeiros vindo. — O castanho beijou rapidamente o noivo e, antes que Blaine pudesse o impedir, Kurt correu até o edifício em chamas com determinação, empurrando de leve alguns moradores que saíam com celulares, computadores e bolsas nas mãos. Blaine começou a soluçar imediatamente, já pensando o pior.
Kurt não voltou para seus braços depois que entrou.
Kurt foi retirado do segundo andar em uma maca, depois que o fogo havia cessado, com o livro de receitas de Elizabeth agarrado a seu peito.
Blaine não se lembra de desmaiar, ele só se lembra do amor de sua vida entrando em uma ambulância, inconsciente.
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Burt e Carole pegaram o primeiro vôo para Nova York quando souberam do incêndio. Blaine os ligou chorando do hospital.
— E-Eu não sei o que fazer, Burt, ele só voltou para o incêndio correndo. Eu não o vi mais acordado. — A voz abafada falava entre soluços e fungadas do outro lado da linha. — Kurt tinha que ter voltado com o livro e direto para mim!
— Merda, Kurt. — Burt grunhiu por dentes cerrados, lágrimas rolando por sua face. Carole estava soluçando. — Nós estamos indo para o aeroporto.
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Blaine estava chorando baixinho agora, depois de quase ter que ser internado por não conseguir respirar e quase ter um ataque cardíaco e ter recebido um calmante. Uma moradora do prédio do casal estava lendo uma revista a seu lado, esperando pelo próprio filho sair da sala de raio x. Ela passava a mão pelo braço de Blaine numa forma maternal, confortante. O moreno suspirou e secou ainda mais lágrimas em vão.
Quando um homem alto de cabelos grisalhos anunciou o nome de Kurt na sala de espera, a cabeça do moreno se levantou num estalo, puxando o corpo junto. Blaine andou trêmulo até o médico, olhando-o com medo de más notícias. Pelo visto, seu medo estava se tornando realidade.
— Você é família do paciente? — Perguntou Dr. Moore, como dizia seu crachá.
— E-Eu sou o noivo dele, senhor.
— Eu creio que tenho más notícias, senhor...?
— Ah, senhor Anderson. Mas me chame de Blaine, por favor.
— Blaine. Kurt inspirou muita fumaça e gases tóxicos que o deixaram inconsciente.
— Mas ele está bem, agora?
— Ele continua inconsciente, sem previsão para quando ele vai acordar. Sinto muito, Blaine, seu noivo está em coma. — O mundo de Blaine caiu. Seus joelhos ficaram bambos e ele sentiu seu estômago dando piruetas. Nenhuma palavra ou som saía dos lábios do moreno. Com isso, Dr. Moore se virou e adentrou o hospital, e o moreno rapidamente o seguiu.
— Eu não posso nem ao menos vê-lo, doutor? — O médico se virou, olhando para baixo e encontrando os olhos dourados que pediam silenciosamente.
— Sim, venha comigo. — Instruiu Dr. Moore, mais uma vez virando de costas para Blaine. Os dois chegaram rapidamente ao quarto de Kurt, no primeiro andar. — Você gostaria de um momento à sós? — Ao assentir de Blaine, o médico deixou que o moreno entrasse sozinho no local. Lágrimas frescas encheram as esferas escuras mais uma vez ao ver seu noivo ali, deitado, com o estável “bip” dos aparelhos em volta.
— Kurt... por que é que você tinha que voltar lá? — Blaine suspirou, sentando-se na beira da cama e pegando a mão do castanho. — Você parece que está dormindo. Eu não sei se isso me acalma ou não... — O moreno respirou fundo. — Sabe, eles me entregaram o livro. Você conseguiu. Ele está lá na sala de espera, com a senhora Geller. Você se lembra dela, não é? Ela vai levar ele com ela e me devolver quando eu voltar para casa. Não, quando nós voltarmos para casa, porque eu não vou sair daqui sem você, Kurt. E quanto à isso, não ouse nem pensar em me deixar aqui, ok? Eu sei exatamente o que eu faria, e eu tenho certeza que você tem uma ideia. Então... aguente firme, por mim. Seus pais estão vindo para cá, eles já estão nas nuvens, no avião. — O moreno se abaixou e pressionou um beijo casto nos lábios do mais alto. — Eu te amo, Kurt. Você é o amor da minha vida. — Com isso, Blaine tirou os sapatos e deitou-se ao lado do noivo no pequeno colchão, permitindo-se fechar os olhos e esquecer de tudo aquilo por alguns instantes.
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— Blaine? — O moreno acordou com mãos fortes em seus ombros, o chacoalhando de leve. Kurt ainda estava a seu lado, respirando num vai e vem calmo. — Blaine, kiddo, vamos lá, levante-se. — Burt o puxou para fora da cama pela mão, e num instante o Blaine estava enterrando a cabeça no ombro do sogro, soluçando. — Shhh, eu sei, eu sei. Vai passar, garoto, vai passar. — Os olhos do próprio Hummel estavam vermelhos e inchados, com lágrimas nunca deixando os mesmos.
— E-Ele está e-em c-c-coma, B-Burt! — Exclamou o moreno, falando sempre as mesmas coisas, sentindo sempre as mesmas coisas. O homem afagou suas costas amorosamente enquanto acompanhava-o no choro, e Carole entrou no quarto pouco depois, indo diretamente até o moreno e o abraçando enquanto Burt fitava o filho. Carole estava soluçando, também, mas mais controladamente. Naquele momento, o médico responsável por Kurt entrou no quarto, e Blaine imediatamente se endireitou, secando os olhos.
— Vocês devem ser os pais do paciente? — Perguntou Dr. Moore, estendendo a mão pra Burt, que assentiu. — O filho de vocês está em um coma devido à inalação de uma quantidade quase que letal de carbono e outros gases tóxicos. Nós não temos previsão ou mesmo a certeza de que Kurt irá acordar, mas, caso aconteça, ele não deve ter nenhuma lesão cerebral grave.
— Isso quer dizer que ele pode ter alguma lesão menor? — Quis saber Burt, dando um passo à frente.
— Pode, como perda de memória temporária ou ausência momentânea de um dos sentidos corporais. Mas nada permanente. Se o paciente acordar-
— Quando. — Corrigiu Blaine. — Quando... o paciente acordar.
— Quando o paciente acordar, — Prosseguiu. — Nós poderemos saber imediatamente de acordo com seus monitores, e alertaremos a família. Algum de vocês tomará o lugar de acompanhante? Em casos de coma, é opcional para a família, devido à falta de necessidade.
— Kurt precisa de todos nós agora. — Interviu Burt. — Eu posso dormir aqui hoje. Tudo bem por você, Blaine?
— E-Eu acho que sim. — Concordou o moreno, colocando as mãos nos bolsos. Ele só queria Kurt ao seu lado.
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Kurt corria pelos corredores do hospital, sob luzes pálidas e frias à procura de seu noivo. Blaine não estava em lugar algum e, por algum motivo, todos no local o ignoravam. Seria sua aparência? Sua vestimenta hospitalar? Ou talvez ele estivesse realmente irritando todos à sua volta.
O castanho apenas lembra de ter acordado numa cama de hospital, o pequeno, breve, som eletrônico acompanhando seus batimentos cardíacos estavelmente. Kurt retirou o aparelho de seu dedo indicador, cessando o barulho e andando pé ante pé até as portas do quarto onde estava.
Perguntas e mais perguntas sobre como, por quê, quando e onde passavam por sua mente como raios. Ele estava completamente perdido e, se alguém tinha as respostas para Kurt, esse alguém sempre era Blaine.
Apesar de não achar nenhum rosto conhecido pelo hospital, Kurt volta e meia ouvia as vozes de seu pai e Blaine. Às vezes, ouvia até trechos de frases como “aguente firme”, “eu te amo” e “vai ficar tudo bem, eu prometo” vindos de seus pais e seu noivo. Quando ele começou a ouvir a voz de Blaine falando com ele, aparentemente à beira de lágrimas e... ele soava tão quebrado... Kurt foi ao chão. Ele caiu de joelhos e tapou os ouvidos, depois levantou-se e começou a correr, batendo em um homem alto que segurou seus ombros.
— Woah, irmãozinho, mais devagar. — A voz disse, abafada devido às outras vozes em sua cabeça. Kurt nunca deixara de escutar aquele timbre: Finn. O castanho olhou para cima, vendo Finn com uma camiseta de sua banda favorita e seus jeans mais antigos, além de uma... aquilo era uma auréola? — Surpreso em me ver, huh?
— U-Um p-pouco... Eu- Blaine- É que- — Gaguejou o mais novo, percebendo a voz de Blaine se esvair. Respirando fundo, Kurt recomeçou: — O que está havendo? Isso é tipo meu subconsciente? E... por que é que Blaine parece tão triste?
— Eu não tenho a mente mais brilhante, Kurt, mas acho que é pelo fato de você estar em um coma? — Os olhos do castanho dobraram de tamanho. — Pera, você não sabia? Merda, meu chefe vai me matar, eu deveria ter te contado melhor. Desculpe, Kurt. — Hummel, porém, continuava de olhos arregalados e queixo caído. — Ok, vamos lá. Você se lembra do incêndio no seu prédio, não é?
— S-Sim.
— E o que você fez depois de sair do lugar?
— E-Eu voltei para pegar o livro de receitas da minha mãe.
— E depois?
— Eu... eu não me lembro.
— Você respirou um bando de coisa tóxica e tal, daí você entrou em um coma. Um coma bem grave, se você quer saber. Tipo, eles nem sabem quando você vai acordar, e daí tá todo o mundo achando que você vai morrer e- — Finn parou abruptamente no meio da fala ao perceber a expressão histérica do irmão. — Foi mal. Ok, agora... vamos ver... — Ele arregaçou a manga do casaco e leu em seu pulso qual era o próximo passo. — Ah! Sim, é, tipo, eu sou seu anjo da guarda.
— E por que você me deixou entrar em um coma?!
— Ah, isso não é comigo. Tipo, eu não poderia só entrar na sua frente, até porque eu não posso descer pra Terra quando quiser. Você tem que fazer decisões próprias. Meu trabalho é te proteger sem intervir na sua decisão principal, por pior que ela seja.
— E você me deixou num coma.
— Não! Você teria morrido se eu não tivesse mandado um outro anjo pra lá ficar te abanando e tirando todos aqueles gases da sua cara. — Kurt massageou a ponta do nariz com dois dedos.
— E como eu saio dessa?
— Olha, você tem que querer muito, tipo, mais que tudo mesmo. E você tem que ter uma razão muito boa.
— Eu- Eu quero mais que tudo!
— Não me entenda mal, irmãozinho, mas se você quisesse mais que tudo, eu estaria te ajudando a voltar para o seu corpo nesse momento.
— Eu quero! Eu quero ver Blaine novamente e me casar com ele e beijar ele e- e eu quero ver papai bem velhinho ao lado de Carole, ver meus filhos, e ver o mundo! Além do mais, eu não estou pronto, Finn, simplesmente não estou.
— Das sete coisas que você falou, quatro são ver alguma coisa. Você pode fazer isso do céu barra inferno.
— Por que diabos você está fazendo isso?!
— Kurt, está no protocolo, desculpe. Confie em mim, quando você realmente quiser voltar mais que tudo, eu vou voltar e te levar para o seu corpo.
— Espera... quando você voltar?! Você vai embora de novo?!
— Eu tenho, Kurt. Eu ainda estou em treinamento e, se eu não terminar essa fase até o final do mês, vou repetir.
— Que fase? Esse treinamento é uma escola pra anjos, por acaso?!
— Meio que sim. É, você pode chamar isso assim. Agora me dê um abraço antes que eu vá. — Kurt se lançou mais uma vez nos braços longos do irmão, sentindo seu cheiro e enterrando o rosto em seu peito. — Seja forte, ok? Vai dar tudo certo. Eu te amo, irmãozinho, e eu sei o quão corajoso você é. Não desista.
— Eu n-não vou, F-Finn. Eu senti tanto a sua falta, eu te amo muito.
— Até mais, Kurtie. Nos vemos depois.
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Kurt passou o resto do dia tentando achar motivos fortes o suficiente para o mandar de volta para seu corpo, quando o ambiente mudou completamente. Era o mesmo hospital, porém as luzes eram mais amareladas, e algumas pessoas estavam o encarando: uma menina com uma cicatriz horrível na testa, um menino de mais ou menos quatro anos completamente careca, e um homem velho com rugas e manchas na pele. A menina da cicatriz andou até ele com as mãos nos bolsos.
— Quem é você?
— Kurt. Kurt Hummel, e você?
— Mayara, mas você pode me chamar de May. Eu estou em cirurgia agora, devo ter entrado em algum tipo de transe.
— Como você sabe? E se você está em cirurgia, como você-
— Eu já tive um coma induzido, — Interrompeu a menina. — e parei nesse mesmo lugar.
— O hospital?
— Sim, mas como meu espírito apenas. Aquela moça na recepção? — Mayara apontou para uma enfermeira checando uma papelada. — Ela não consegue ver nem eu, nem você, nem qualquer um que consiga falar conosco.
— E-Então nós somos... fantasmas?
— Tipo isso. Você é Kurt Hummel, certo? — O castanho assentiu, e ela o puxou até a recepção, olhando por cima do ombro da mesma enfermeira para a papelada. — Quarto 106. Deu sorte, meu quarto é no sétimo andar.
— E-Eu acho que- que vou ir andando.
— Falou. Nos vemos por aí, Kurt Hummel.
— Até... — Curioso e nervoso, o castanho seguiu as placas indicando os números dos quartos nos corredores até ficar de frente à uma porta branca com uma placa de plástico na mesma escrita “106”. Ao tentar abrir a porta, Kurt percebeu que não conseguia empurrá-la, apesar de conseguir sentir a maçaneta gelada em mãos.
Para sua sorte, havia uma enfermeira indo para o quarto também, e ela abriu a porta com força, dando tempo e espaço para que o castanho entrasse junto com ela.
A cena em sua frente fez seu coração se quebrar em milhões de pedaços: Blaine estava adormecido em uma cadeira de plástico com a mão entrelaçada à de Kurt (o corpo de Kurt, em coma), com os olhos inchados e o cabelo bagunçado. O castanho lentamente andou até o moreno e encostou em seu rosto, traçando o mesmo com a ponta dos dedos. Blaine nem se mexeu.
Kurt se sentou no colo do noivo, com os braços ao redor de seu pescoço e a cabeça deitada no ombro do moreno. Então, Kurt se permitiu, finalmente, e chorou, e chorou...
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Blaine acordou em um pulo, ao pensar que sentiu os lábios de Kurt nos seus... O ombro de sua camiseta estava completamente molhado, como se seu cabelo estivesse encharcado apenas de um lado. Mas era um círculo perfeito, no ombro de sua camiseta. Estranho. O moreno esfregou os olhos inchados e soltou a mão de Kurt, levantando-se da cadeira e sentindo como se um peso o impedisse de sair dali.
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Kurt mal percebeu que havia adormecido até ele pular em seu sono. Blaine ainda dormia, sua mão ainda ligada na sua. Sem querer, o castanho havia deixado uma bola de lágrimas na camiseta de seu noivo. Ele provavelmente nem perceberia... Kurt suspirou, e pressionou um beijo de leve na boca de Blaine, que acordou repentinamente. Kurt se agarrou ao braço da cadeira. Quando o moreno foi levantar, o castanho percebeu que seu peso atrapalhava o mais baixo e saiu de cima do mesmo, observando enquanto ele saía do quarto evidentemente preocupado com o corpo do mais velho.
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Com o tempo, Kurt passou a seguir Blaine e fazer tudo a seu lado. Eles dormiam na mesma cama, e tomavam banho juntos, e comiam juntos, mas Blaine apenas não o via. Aquilo fazia Kurt querer voltar, e ele achava que era mais que tudo, mas Finn nem dava sinais.
Já haviam passados seis meses, e Kurt estivera estável desde então.
Seis meses depois
Dia 23 de Dezembro. Há um ano, Kurt estava vivo e bem. Hoje, os médicos discutiam desligar as máquinas. Kurt estava desesperado, ele não podia ficar sem Blaine. E Blaine não podia ficar sem ele! O moreno não havia ficado com mais ninguém, nem mesmo admitido para outra pessoa que queria. Sam apareceu no dia 4 de Julho, quando ele estava em Nova York visitando a mãe, e encorajou Blaine a ficar com outros caras. O moreno negou, dizendo que Kurt acordaria. Kurt acordaria, ele dizia para todos. Sua esperança era uma das poucas coisas que faziam Kurt não desistir.
Burt e Carole voltaram ao hospital naquele dia. Eles se encontraram com Blaine (e Kurt) e foram até o hospital. Para a surpresa do castanho, Finn estava em seu quarto. Seus olhos brilharam e ele voou no irmão, sorrindo e abraçando-o. Burt e Carole estavam do lado de fora, esperando o médico, e Blaine estava em sua cadeira de plástico habitual.
— Finn, você está aqui porque eu vou voltar? É isso? — Questionou o mais baixo, esperançoso.
— Na verdade, eu estou aqui para te ajudar caso desliguem as máquinas. Sinto muito, irmãozinho. — Finn colocou uma mão pesada no ombro do irmão, que engoliu o nó na garganta e sentou-se no colo do noivo, como de hábito.
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Dr. Moore entrou no quarto de Kurt exatamente 36 minutos após a chegada de todos. Burt e Carole se levantaram de seus lugares no sofá enquanto Blaine apenas virou a cabeça para o médico e rezou para que as máquinas continuassem ligadas. Ele sabia que Kurt conseguiria. O castanho jamais seria capaz de deixar todos ali, sozinhos. Os ouvidos de Kurt se aguçaram para ouvir as palavras do médico.
— Eu acho que a melhor opção é desligar tudo. Sinto muito, mas o paciente não demonstra nenhum sinal há um ano. Acho que se ele fosse acordar, talvez ele já houvesse nos dado alguma coisa. — Kurt sentiu seu sangue gelar. Ele se virou para Finn, como se perguntando “É isso?”. O mais alto apenas deu de ombros: não havia nada a se fazer se aquela era a resposta final.
— Eu me lembro, — Começou Kurt, preparando-se para deixar aquele mundo. — que quando eu era criança, e eu ia para o campo com meus pais, meu pai e eu costumávamos soprar a Lua da janela do carro. Ele dizia que levava muito tempo até nosso ar chegar à Lua, mas que um dia o ar sempre enchia a Lua. E minha mãe gargalhava da minha inocência, e dos olhos que eu arregalava durante os períodos de Lua cheia. Meu pai apontaria e falaria “Ei, kiddo, olhe lá: nosso ar chegou na lua”. Quando eu conheci Blaine, eu o contei isso, e ele começou a fazer comigo. Mas era de um jeito diferente, sabe? Ele só apontava para a Lua, cheia ou não, e dizia “aposto que sua mãe está enchendo a lua para você agora mesmo”. E quando... quando você se foi, ele me dizia que minha mãe tinha uma ajuda extra.
“Isso me deixava muito feliz. Eu sabia que não era ar que enchia a lua, e eu sabia – ou pelo menos achava – que minha mãe não estava mais em condições de encher uma lua. Mesmo assim, eu sorria, e deitava a cabeça no ombro dele. Ele beijava meus cabelos e afagava minha mão. Eu acho que era tão confortante quanto a forma que meu pai fazia comigo. O que eu mais vou sentir falta daqui, são as pequenas diferenças das pessoas que fazem tudo parecer igual. Eu sempre tive uma dificuldade muito grande para dizer adeus, e todos a quem eu amei e que me amaram de volta sempre fizeram diversas coisas para torná-las iguais às que eu tive que dizer adeus para. É disso que eu vou sentir mais falta.”
Naquele momento, uma luz encheu a sala apenas aos olhos fantasmagóricos e Finn imediatamente se levantou, indo até o irmão.
— Você conseguiu, irmãozinho! Você quer voltar mais que tudo! — Finn comemorou, e Kurt mal teve tempo de processar o que estava acontecendo antes que Finn o desse um abraço muito apertado e um “eu te amo!” antes de empurrá-lo em direção à sua cama e tudo começar a girar.
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Burt e Carole soluçavam enquanto Dr. Moore estava prestes à desligar tudo, e Blaine estava... Blaine estava dormente. Aquilo não estava acontecendo. Era um pesadelo, só isso. De repente, alguma coisa na atmosfera da sala mudou, não se sabia dizer o que era. O médico parou e os soluços do pai do paciente cessaram e o segurar que Blaine tinha na mão de Kurt ficou mais forte.
Kurt estava apertando sua mão. Kurt estava apertando sua mão!
— Ele- Ele está apertando minha mão! — Exclamou o moreno, gaguejando. Burt e Carole deram um passo à frente. O cenho de Kurt começou a ser franzido. — Kurt? Kurt, baby, vamos lá! Você consegue! — Encorajava, e, nesse momento, duas esferas azuis encontraram as de Blaine, que engasgou na própria saliva e imediatamente foi para o lado do castanho, distribuindo pequenos beijos por sua face. Burt e Carole não acreditavam no que viam, e chegavam mais perto pé ante pé.
— Oi. — Kurt disse, com a voz rouca. Blaine sorriu de orelha à orelha em meio à lagrimas, apertando a mão do castanho.
— Oi, Kurt. Bom dia. — Castanho lhe ofereceu um sorriso fraco.
— Filho? — Kurt virou a cabeça para o pai, sem soltar a mão de Blaine, e cuidadosamente estendeu uma mão para o homem. — Oh, meu deus, Kurt. Eu achei- eu achei que você tinha nos deixado. — O castanho sacudiu a cabeça.
— Nunca, papai. — Os Hummels estavam completamente envoltos em um abraço apertado que nem perceberam a volta de Dr. Moore (que aparentemente também havia saído do quarto) até o médico cutucar Burt no ombro. Os dois adultos se desvencilharam do abraço, deixando o filho ser examinado. Uma lanterna fora apontada para suas pupilas, gargantas e ouvidos.
— Está tudo normal com você, Kurt. — Anunciou o doutor, e um suspiro aliviado coletivo ecoou pelo quarto. — Claro que, depois de ficar parado por um ano, nós precisaremos te manter aqui apenas por uns três dias até que tudo esteja comprovadamente normalizado e, depois, quero te recomendar fisioterapia. Tudo bem com você?
— Tudo, claro. Muito obrigado, doutor.
— Não há de quê. Eu volto aqui amanhã, à princípio, mas me chame caso precisar de alguma coisa além do que as enfermeiras podem te dar. — Ele sorriu galanteador e fechou a porta do quarto.
— Ele- Ele estava flertando? — Questionou Kurt, olhando para Blaine. O moreno apenas riu, e secou ainda mais lágrimas. Burt e Carole rapidamente tapearam os bolsos dos casacos e calças.
— Escuta, eu... eu deixei meu celular no carro! Uau, Burt, querido, venha comigo, ok? — Carole puxou o marido pela mão para fora. Kurt pegou a mão do noivo.
— Tudo bem?
— Tudo! Tudo, é só que... uau, eu mal acredito que você está acordado. Eu senti tanto a sua falta. — Blaine respirou fundo. — Posso me deitar aí com você?
— Claro que pode, Bee. Vem cá. — O castanho tirou as cobertas do corpo enquanto seu noivo retirava seus sapatos. Kurt alcançou o botão ao lado da cama, fazendo com que ele ficasse menos deitado. Blaine se juntou ao mesmo, passando os braços por sua cintura. Quando o moreno olhou para Kurt, ele juntou seus lábios em um muito esperado beijo. Blaine suspirou, gentilmente colocando uma mão no maxilar do mais alto. — Eu te amo, Blaine.
— Eu também te amo, Kurt.
— Então, o que eu perdi?
— Bom, Sam voltou para cá no dia 4 de Julho. Eu o convidei para o natal também, mas ele não sabe se vai conseguir vir. Ah, e sabe aquele professor estranho de NYADA? — Kurt assentiu, já sabendo o que o moreno ia falar, mas feliz de ouvir a voz do mesmo. Ele respirou fundo. — Tudo bem?
— Ah, sim, sim, continue. — Blaine beijou sua bochecha rapidamente antes de prosseguir, e Kurt podia apenas observar suas mãos, gesticulando animadamente. E seus olhos brilhando... era bom estar de volta, ele pensou. Era definitivamente bom.
Notas finais
O que acharam?
Beijos, até a próxima! :*
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