Fire Dragon Social Club
14 Uma sereia de águas ocidentais — Parte II
Notas iniciais

— Obrigada, senhor Mayu. Agora pode se retirar — Lady Matsubara dispensou o senhor Mayu.
— Com licença — Ryu se curvou um pouco, depois se levantou e se retirou dali.
Então, Lady Matsubara falou com Hoji e Shido.
—Boa noite, Hoji querido. Boa noite, Shido — Lady Matsubara os cumprimentou.
— Boa noite, Lady Matsubara — Hoji a cumprimentou— Cumprimente-a, Shido.
— Boa noite, Lady Matsubara — Shido balbuciou.
Lady Matsubara então se levantou da cadeira, deu a volta na mesa e foi até onde Hoji e Shido estavam.
Ela então se aproximou de ambos, tirou a piteira da boca soltando a fumaça do cigarro para o alto, e a segurou na mão.
— Então, essa é a sua primeira vez aqui? — Lady Matsubara quis saber.
Hoji deu um "empurrãozinho" em Shido para que este respondesse a pergunta.
— Sim.
Lady Matsubara fitou Shido por um tempo.
— Você é um rapaz muito bonito, sabia?
— Obrigado — Shido balbuciou.
Shido estava bastante nervoso devido a pressão de seu pai e de Lady Matsubara.
— Hmm...eu tenho certeza de que devo ter a garota ideal para você. Não sei se o seu pai falou sobre esse clube, mas eu trabalho com garotas de todas as partes do mundo — Lady Matsubara insinuou.
— Lady Matsubara — Hoji a cortou — Eu tenho uma pergunta.
— Diga, querido — Lady Matsubara continuou olhando para Shido.
— O que aconteceu com aquela garota, como é o nome dela mesmo, Sayuri? — Hoji ficou curioso.
Sayuri, a última acompanhante do clube.
— Bem, o bebê que ela tinha em seu ventre foi mandado para a adoção. A mãe foi vendida para outra casa. Ela...já deu o que tinha que dar, digamos assim — Lady Matsubara revelou.
— Ah, que pena...eu lembrei dela e então pensei que ela seria uma boa garota para o meu filho — Hoji fez uma cara de tristeza.
—Ela já estava com os quilometros rodados. Eu tenho certeza de que tenho uma garota melhor para o seu filho — Lady Matsubara retrucou.
— Isso é maravilhoso! — Hoji exclamou.
— Façamos o seguinte, vamos até o porão e quem sabe nós encontraremos a garota ideal para o seu filho — Lady Matsubara sugeriu.
— Genial! — Hoji aplaudiu a ideia de Lady Matsubara — Vamos, vamos!
[...]
O porão era um enorme salão com paredes e colunas de tijolos a vista. No centro haviam seis gaiolas de vidro blindado completamente a prova de balas e de som. Em cada uma das gaiolas havia uma mulher completamente nua, pois cada garota antes de entrar para o grupo passava por um "treinamento". Elas eram alimentadas dia sim, dia não através de uma pequena fenda na frente da caixa com uma porta que os guardas levantavam, e depois eram subjugadas para que ficassem abertas a qualquer ordem. No lado esquerdo da caixa havia uma porta que era ativada por um painel eletrônico na frente da caixa, dificultando assim a chance de fuga, pois somente os guardas e a chefe do clube poderiam abrir a porta, acessando o painel com o seu cartão de associado/membro do clube e digitando o número de série no cartão.
Abaixo, no piso branco quadriculado da jaula havia um ralo por onde saia e escoava a água. Uma alavanca numa caixa de força que ficava em uma das colunas do salão, cheia de botões e as especificações de cada botão controlava a água que entrava e saia pelo ralo.
Em uma das jaulas estava uma mulher estrangeira. Ela tinha cabelos loiros e olhos azuis, seios médios com mamilos grandes, bem esguia, pelos pubianos raspados, o corpo limpo e puro.
Lady Matsubara guiou Hoji e Shido até a jaula da estrangeira (Gaijin).
Ela tirou o seu cartão de membro do clube, o introduziu numa fenda no painel eletrônico, e apertou um botão no painel. Luz brancas de LED se acenderam, iluminando a caixa de vidro.
A mulher estrangeira olhou para cima e depois voltou o olhar para os visitantes. Ela se sentia como se fosse uma aberração de um circo de horrores.
— Essa garota é nova. Eu a comprei pela internet. Ela estava vendendo a virgindade num leilão da internet. Parece que os pais a expulsaram de casa por não arrumar um namorado, ou coisa assim...— Lady Matsubara comentou.
—E qual é o nome dessa bela garota? — Hoji ficou interessado.
—Kassia Kovalenko, 30 anos — Lady Matsubara replicou — Ela é polaca. A transação demorou meses, meus homens me enformaram.
— Que maravilha! Eu gostei dos seios dela. Dá vontade de mamar neles — Hoji falou com malícia.
Shido se aproximou do vidro e ficou olhando para Kassia.
— Afaste-se do vidro, Shido — Lady Matsubara o aconselhou como se a mulher fosse um cão raivoso — Ela ainda é selvagem, pois ainda não passou pelo treinamento.
— Eu não ligo. E ela é uma pessoa, não um animal para ficar trancada nessa caixa. Eu sinto pena dela — Shido retrucou olhando para Lady Matsubara e depois para Kassia.
Kassia se aproximou do vidro, colocou a mão no vidro perto de onde estava o braço esquerdo de Shido.
Com um olhar triste no semblante, Kassia suplicou em inglês por ajuda. Provavelmente acabara percebendo que entrara em uma enrascada quando leiloara a sua virgindade.
— Me ajude — Kassia falou com os lábios trêmulos.
— Desculpa. Eu não consigo te ouvir — Shido disse em japonês.
A voz de Kassia e Shido eram abafados pelo vidro resistente ao som.
— Me ajude! — Kassia disse em inglês mais uma vez — Por favor?
Hoji voltou o olhar para Shido. Ele logo suspeitou do comportamento do filho.
— Shido...você não está raciocinando direito. Se apaixonar por essa "Gaijin", isso é errado! Além disso, ela está aqui para atender as necessidades dos membros desse grupo — Hoji exclamou.
— Eu não estou apaixonado por ela — Shido contestou — Eu só acho que é desumano colocar um ser humano em uma jaula e tratá-lo como se fosse um animal de estimação!
— Shido, cuidado com essa sua língua! — Hoji repreendeu o filho.
— Por que? Porque eu digo a verdade, pai? — Shido o questionou.
— Shido, se continuar assim eu terei que matá-lo.
— Então me mate! — Shido o desafiou — Vamos ver se você é homem!
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