Fire Dragon Social Club
12 Tabula Rasa
Notas iniciais

Shido
Mais um dia na escola. Hoje é meu aniversário. Hoje eu completo meus 21 anos. Como o tempo passa rápido,né?
Eu tomei o café da manhã e fui para o colégio. Enquanto meu pai me levava para lá, eu fiquei no banco de trás do carro, pensando em Koko.
— Hoje é um dia especial — Meu pai exclamou — Hoje você faz 21 anos. Você está se tornando um homem.
Eu interrompi meus pensamentos para responder aquela pergunta. Senti que não devia, mas o fiz.
— Eu não quero ser um homem, pai — Eu contestei com desgosto.
— O quê? — Meu pai pareceu indignado enquanto dirigia o carro, até freou quando estávamos no meio da rua perto de casa. Do lado havia uma mercearia.
Então, ele olhou para trás e falou comigo.
—O que você disse, Shido? — Ele exclamou fechando a cara.
— Você é surdo? — Eu exclamei — Eu disse que eu não quero ser um homem, porra!
— Não fale assim comigo! — Meu pai contestou — Você é muito mau criado e teimoso. Como poderia ser diferente, você sempre foi apegado a sua mãe.
— Sim, porque diferente de você ela me apoiava e não ficava me forçando a estudar! — Eu devolvi.
— Shido, você precisa parar de ser tão "mulhersinha" e agir mais como um homem — Meu pai retrucou — Talvez seja hora de você ter a sua primeira vez com uma mulher. Sabe, eu sou sócio desse clube, o Fire Dragon Social Club, e...eu acho que Lady Matsubara deve ter a garota ideal para você. Hoje a noite, depois que eu chegar do trabalho, eu levarei você para conhecer o club.
— Eu não quero nenhuma mulher. Eu apenas quero ficar com a Koko. Ela tem a minha idade, mais ou menos, mas...ela me entende, ela se importa comigo — Eu argumentei com ele.
—Pff! Aposto que ela é só uma criança. Você agora é um homem, precisa de uma mulher de verdade — Meu pai contestou.
— Como você pode saber? Você nem a conhece! — Eu bradei. Nisso buzinas de outros carros começaram a ecoar atrás de nós. Eu olhei para trás e os motoristas estavam furiosos pois nós havíamos parado o trânsito.
— Parece que temos uma fila de carros atrás — Eu alertei o meu pai.
Então, o meu pai saiu do carro e foi tirar satizfação com os outros motoristas.
Perfeito! Simplesmente perfeito! Essa foi a primeira vez que eu me atrasei para a escola.
[...]
Depois de um tempo, o meu pai entrou no carro, fechou a porta, e nós continuamos andando de carro até a escola.
— Você não presta,mesmo! — Eu exclamei de raiva.
— Me respeite! Eu sou seu pai! — Ele esbravejou.
— Só porque você é meu pai, isso não te dá o direito de se meter na minha vida.
— Você precisa aprender a ser mais educado. Só uma mulher de verdade pode te ensinar isso.
Eu me silenciei. Nós continuamos calados até a chegada no colégio.
Quando eu cheguei lá, eu peguei minha bolsa e sai do carro. Fechei a porta batendo-a com força, tamanha era a minha raiva. A porta quase caiu do carro.
Eu cheguei na frente do colégio e parecia que os outros alunos haviam desaparecido.
Apenas Koko parecia estar me esperando na porta do colégio para entrar na classe.
Eu me aproximei dela e a cumprimentei me curvando de leve e me levantando logo em seguida.
—Olá, Koko! Bom dia!
— Bom dia, Shido! — Ela me saudou da mesma forma.
— Só tem você aqui? Ah, me desculpa. Eu me atrasei um pouco, pois eu briguei com o meu pai — Eu me desculpei tentando não demonstrar a minha raiva.
— Entendo. Eu pedi para o senhor Higasawa — Nosso porteiro — Para manter o portão aberto até você chegar. Eu sei que eu vou ficar com uma falta, mas eu não ligo se eu estiver com você — Koko me disse.
O senhor Higasawa se aproximou e falou com Koko.
— O seu namorado já chegou. Posso fechar o portão? — O porteiro falou com uma cara bem séria.
— Pode sim. Obrigada — Koko replicou.
— Garota, não me faça isso de novo. Eu ainda posso levar uma bronca da diretoria. E ai, eles descontarão do meu salário — O porteiro advertiu Koko.
— Tudo bem. Eu entendo. Não vai acontecer isso de novo — Koko jurou.
— Não precisa se desculpar, só pegue o seu namorado e vá para a aula.
— Está bem. Vamos Shido?
— Sim, Koko.
Eu poderia usar alguma daquelas formas carinhosas que todos os casais usam, mas...eu não me sentia confortável com tanta intimidade assim, e creio que Koko também não.
Como no outro dia, chegamos na classe e a porta estava fechada.
— De novo? — Eu exclamei.
— Hoje eu não tenho almoço para dividir com você, desculpa.
— Está tudo bem. Ao menos, nós podemos conversar lá no pátio?
— É, acho que é uma boa — Koko falou um pouco nervosa.
[...]
Então nós nos deitamos no gramado do pátio e ficamos conversando.
— Então Shido, sobre o que você quer conversar? — Koko quis saber.
— Bem, eu só queria...dizer que eu realmente gostaria de ficar com você, mas o meu pai disse que eu preciso de uma mulher de verdade...— Eu desabafei.
Eu não conseguia suportar aquela dor no meu peito, sabendo que eu não podería ficar com Koko no final...
— O quê?! — Koko exclamou — Mas eu te amo, Shido!
— Eu sei, Koko. Tente dizer isso para o meu pai. Ele é muito cabeça quente e temperamental...
— E porque ele está fazendo isso?
— Porque hoje é o meu aniversário, e ele acha que agora eu sou um homem, mas se eu o contesto, ele logo acha que é porque eu sempre fui apegado a minha mãe.
— Quantos anos? — Koko me perguntou — Hmm...entendo.
— 21 — Eu respondi — Mas, isso não muda nada entre nós, não é?
— Bem, eu tenho 19, mas ainda sim eu o amo —Koko replicou.
— Eu também a amo, Koko...— Eu me declarei.
— Eu também te amo, Shido — Koko voltou o olhar para mim e sorriu. Eu sorri de volta.
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