Fire Dragon Social Club

21 Luzes Vermelhas (Last Chapter)


Notas iniciais
Olá! Esse é o último capítulo de Fire Dragon Social Club. Esse capítulo faz uma crítica política a respeito do "Eixo do mau", que são os cidadãos que tramam contra o próprio país, que é uma realidade por exemplo, nos EUA.

Sou eu de novo, o Takeo.

Então eu fui levado até esse beco em Chinatown por aqueles dois homens de preto. Eles me fizeram descer do carro e me guiaram até a entrada dessa casa que tinha uma porta de ferro com um visor.

Os homens que me acompanhavam deram algumas batidas na porta e um par de olhos cheios de hematomas atendeu a porta.

— Pois não? — uma voz masculina quis saber.

Então eles disseram quem eu era e que eu tinha um encontro com Lady Matsubara.

Eu estava meio apreensivo sobre aquilo, eu confesso.

A porta se abriu e eu fui apresentado a esse senhor careca chamado Ryu Mayu. Ele vestia um terno e sapatos pretos, com uma camisa vermelha por baixo. O paletó estava fechado, parecia esconder algum ferimento ou lesão no abdômen.

— Ah, senhor Takeo Hongo — ele me reconheceu — Entre, por favor. Ela está a sua espera.

Então ele fez um sinal com a cabeça para que os homens de terno que me acompanhavam me deixassem e assim eles fizeram.

Eu entrei e Ryu fechou a porta atrás de mim.

—Seja muito bem — vindo ao clube, senhor Hongo — Ryu me cumprimentou formalmente ao estilo japonês se curvando um pouco para frente.

Eu o cumprimentei, e então ele fez um gesto apontando para o corredor.

— Por favor, venha, é por aqui — Ele me disse.

Então eu o segui pelo corredor, e quando estávamos no meio do caminho, ele grunhiu e fez uma careta, parecia estar com dor.

Eu fui até ele perguntei se estava tudo bem e o que ele tinha.

— Está tudo bem — ele me assegurou — Não se preocupe, foi só um mau jeito na coluna.

Mau jeito na coluna? Pela expressão dele não parecia.

— Eu sou médico. Deixe-me ajudá-lo, por favor — eu me ofereci.

— Não, obrigado. Eu já estou melhor — Ryu atestou já ajeitando a postura.

Eu ia perguntar para ele o que houve, mas achei melhor não o fazer. Aquele homem parecia um tigre mantendo sua honra mesmo ferido.

[...]

Então Ryu me levou até esse salão, onde eu encontrei Yukio com um terno grafite risca de giz e sapatos vermelhos de bico fino, e ao lado dele estava Haruna vestindo um vestido chinês vermelho com detalhes em dourado, e sapatos vermelhos. Ela estava abraçada com Yukio.

— Então, nós nos encontramos, velho amigo — Yukio exclamou. Parecia surpreso em me ver.

— Yukio, posso saber o que está rolando entre você e Haruna? — eu quis saber.

— Nós estamos apaixonados — Yukio revelou e Haruna lançou um olhar para ele — Eu a fiz minha noiva, e em breve nos casaremos. Mas não se preocupe, amigo. Eu vou convidá-lo para a festa.

— Yukio é muito mais homem do que você, Takeo — Haruna se defendeu — Ele me dá tudo o que eu quero e ainda me paga um bom dinheiro, não a merreca que você me dá.

— Está vendo, Takeo. Ela me ama — Yukio jogou na minha cara.

Eu comecei a ficar P da vida com aquilo. Mas, me contive.

— Não precisa ficar assim, amigo. Agora que você aceitou se juntar ao clube, nós compartilharemos tudo, bom, quase tudo, já que a garota é minha agora — Yukio bradou.

Eu fiquei firme e não despejei uma lágrima sequer.

— Tudo bem. Eu só tenho uma pergunta para você, Haruna — eu disparei.

— O que é, Take? — Haruna ficou curiosa.

— Você está feliz com isso? Você realmente acha que o Yukio ama você e vai ser fiel a você? — eu inquiri.

— Idiota! É claro que ele me ama! — Haruna exclamou — Do contrário ele não me daria presentes para mim.

— Tudo bem, Haruna. Depois não venha chorando para te aceitar de volta quando ele puser a sola do sapato na sua bunda.

Tradução: Dar um pé na bunda. É isso que eu quis dizer, mas tentei dizer pelas entrelinhas.

Haruna olhou indiferente para mim. Eu acho que ela sabia que Yukio não iria cumprir com a palavra, só não queria se conformar com aquilo. E eu também acho que foi minha culpa me separar dela. Eu acho que eu deveria ter mostrado que eu a amava de verdade e não queria deixá-la.

Então o senhor Ryu que estava observando toda a nossa conversa interrompeu. Nós olhamos para ele.

— Com licença. Eu vou chamar Lady Matsubara — Ryu retrucou.

— Então, vá — Yukio devolveu.

— Com licença.

Ryu foi até um estenso corredor no fundo do salão e desapareceu ali.

— Então, bem — vindo ao clube, Takeo — Yukio me saudou.

— Cala a boca, Yukio! A Haruna me chantageou a aceitar a porra do seu convite para esse clube. E eu fui coagido a aceitar para que ninguém descobrisse que o meu hospital foi construído com dinheiro sujo. Sabe-se lá quantas pessoas você matou para conseguir todo aquele dinheiro — eu bradei.

— Cavalo dado não se olha os dentes, Takeo — Yukio sibilou para mim — Além disso, ninguém precisa saber de onde veio aquele dinheiro todo que eu ofereci a você.

— E o seu "Favor"? — eu o questionei — Que favor era esse? Me responda, porra!

— Você já notou que o senhor Ryu está todo remendado? Quando eu entrei para esse clube, logo depois de te conhecer, Lady Matsubara comentou comigo que anteriormente houve um...problema interno no clube e que o senhor Ryu, que além de porteiro desse lugar, é também o preparador da Lady Matsubara, foi baleado e ferido durante esse incidente no clube. Um homem atirou nele e o socou, então....ele saiu daqui deixando um rastro de sangue. Mas, os homens de Lady Matsubara deram um jeito na bagunça, e Lady Matsubara "renasceu" com a nova direção — Yukio contou.

— Onde você quer chegar com essa história, Yukio? — eu quis saber.

— Bem, eu iria pedir para você cuidar do senhor Ryu, já que Haruna me disse que você é médico — Yukio revelou — Mas, como você resolveu entrar para o clube, eu acho que estamos quites.

Então esse era o favor? Foi por isso que o senhor Mayu estava se contorcendo de dor. Ele foi baleado em um incidente que ocorreu no clube!

[...]

Algumas horas se passaram, e o senhor Ryu apareceu no salão com essa tal de Lady Matsubara que vinha estalando os seus saltos pretos de bico fino. Ela tinha o cabelo comprido preso em um coque estilo secretária, usava óculos preto de armação fina e lentes retangulares, um blazer grafite com uma blusa preta embaixo, e uma saia secretária da mesma cor da blusa que estava por baixo do Blazer. Ela tinha uma pele escura, olhos castanhos e um pouco puxados e marcados por um delineador preto. Ela parecia ser ocidental. Uma mestiça, talvez.

Ryu segurou na mão dela e cochichou algo no ouvido dela.

— Está tudo bem. Eu posso falar em japonês — Lady Matsubara retrucou.

A Lady Matsubara parecia bastante fluente no japonês. Ela falava como se fosse uma local.

— Bem — vindos ao Fire Dragon Social Club — Lady Matsubara cumprimentou.

Yukio e Haruna bateram as mãos uma nas outras fazendo uma reverência a Lady Matsubara. Eu apenas fiquei em silêncio em respeito a essa presença misteriosa. Apesar de eu ter ficado um pouco nervoso.

— Eu sou Lady Matsubara — ela se apresentou — Eu sou a lider desse grupo.

Lady Matsubara parecia ser bem ríspida e imponente.

— Essa casa se preocupa em selecionar as melhores belezas de diversas partes do globo — Lady Matsubara prosseguiu.

Um breve silêncio se fez presente.

— Devo lembrá-los que aquele que contestar minhas ordens será punido ou morto — Lady Matsubara voltou o olhar turvo para nós — Nosso dever, é manter essa casa em segredo. Ninguém pode saber que esse clube existe.

Yukio e Haruna reverenciaram Lady Matsubara no estilo japonês e berraram o nome dela.

— Muito obrigada — ela agradeceu — Nossa casa possuí uma garota especial para cada tipo de cliente. O cliente sempre tem razão, por isso devemos fazer de tudo para agradá-lo.

— Sua palavra é uma ordem — Yukio retrucou.

Lady Matsubara ficou calada.

— Como membros desse clube. Vocês devem preparar as garotas para atender todas as necessidades dos clientes. Eu fui clara? — Ela então levantou uma sobrancelha frisando a pergunta.

— Sim, Lady Matsubara — Yukio a saudou.

— Sim, Lady Matsubara — Haruna a saudou.

Então, ela voltou o seu olhar para mim.

— Ah, você é o Takeo, certo? Porque você não me reverencia como eles — ela apontou com a cabeça para Yukio e Haruna.

Eu cocei a nuca e devolvi.

— Me desculpa. Eu peço mil desculpas — eu me desculpei juntando as mãos em posição de oração — Sim, Lady Matsubara.

— Tudo bem. Dispensados — Lady Matsubara retrucou — Yukio, Haruna, e você também senhor Mayu...

— Sim, senhora — Ryu retrucou.

— Eu quero que vocês se retirem e me deixem à sós com o nosso novo membro. Dêem uma olhada nas garotas para mim. Se elas estiverem agitadas, vocês já sabem o que tem que fazer — Lady Matsubara ordenou.

Yukio, Haruna e Ryu consentiram e se retiraram.

Então eu fiquei à sós com a tal Lady Matsubara.

— Então você é novo aqui na casa? — ela inquiriu.

— Sim — eu atestei.

— Como ficou sabendo do clube? — ela devolveu.

— Haruna me convidou. Disse que eu deveria entrar para o clube...eu no princípio relutei...

— Posso saber por quê? — ela ficou curiosa.

— Bem, porque eu queria continuar vivendo a minha vida dignamente, sem mais me envolver com a criminalidade...mas, Haruna me disse que se eu entrasse para o grupo, eu poderia continuar trabalhando sem ninguém saber que eu tenho um histórico sujo — eu revelei.

— Entendo. Continue, por favor — ela me pediu.

— Então eu resolvi aceitar, porque eu não queria que ninguém soubesse que o hospital que eu construí foi construído com dinheiro da máfia — eu concluí.

— Muio bem, Takeo. Eu creio que em breve sua iniciação começará — Lady Matsubara retrucou.

— Minha iniciação? — Eu fiquei confuso. Que iniciação era essa?

— De acordo com as regras da casa. Depois que você domar a garota de sua escolha, você deve satisfazê-la, atendendo o apetite sexual dela. Dessa forma sabemos se ela está ou não pronta para atender as necessidades dos clientes — Lady Matsubara me assegurou.

— Entendo... — Embora eu não concordasse com aquilo, eu não poderia contestar a palavra de Lady Matsubara.

— Você está de acordo com essa regra da casa? — ela inquiriu.

— Sim, Lady Matsubara — eu repliquei.

— Ótimo! Então em breve começaremos a sua iniciação.

Então lá estava eu, preso na teia da aranha como um inseto indefeso. Não havia volta a partir daquele ponto. Se eu pudesse recomeçar a minha vida, eu não teria aceitado o dinheiro que Yukio me deu, eu teria levado uma vida justa ao lado de Haruna, me casado com ela, e quem sabe até ter filhos, mas por uma questão de necessidade, eu fui me envolver nesse mundo perverso que existe no subterrâneo de Tokyo.

Notas finais
Lady Matsubara 2 - Shunshila Takao. Muitas vezes as pessoas dizem não apoiar um país e sua cultura, mas instintivamente acabam apoiando indiretamente o país, a cultura. Eu vou citar um exemplo: "Não gosto dos EUA" , mas depois vai no McDonalds, ou compra uma Coca-Cola no supermercado. E ai, eu pergunto? E isso é retratado aqui com a figura do Ryu que prepara a segunda Lady Matsubara que embora não tenha nacionalidade definida, é retratada aqui como estrangeira. Ou seja, o Japão é xenófobo, mas por baixo do pano tem pessoas que apoiam estrangeiros. Mas isso não é só no Japão, nos EUA é assim. Espero que tenham gostado. Eu adorei escrever essa trama estilo novela japonesa, e pode ter certeza que em breve eu farei outros projetos nesse estilo. Até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!