Fire Dragon Social Club
10 Cerejeiras florescendo
Notas iniciais
POV Shido
Então lá estava eu, no meio da aula de Inglês, nossa primeira aula na grade currícular do colégio.
O professor escreveu na lousa o seu nome escrito em Kanjis:
Prof. Takuto Sakamoto
"Good Morning, Class!" — Ele retrucou para a classe com o seu sotaque japonês carregado.
Então todos respondemos a saudação.
"Eu vou começar a chamada oral. Ao ouvirem seus nomes, respondam "Presente", está bem?" —O professor disse em japonês para a classe toda.
"Está bem" —Todos nós respondemos.
O nosso professor era um homem maduro, usava óculos de grau azul marinho e lentes quadradas. Ele vestia um terno azul marinho com uma camisa branca impecável e uma gravata prateada. E também calçava sapatos pretos.
Ele se sentou na mesa e começou a chamada. Enquanto isso eu estava alheio trocando olhares com Koko.
Eu confesso que a presença dela me trazia uma paz interior que eu nunca senti antes.
Pudera, eu também nunca saíra de casa. Passava a maior parte do tempo estudando em casa antes de entrar nesse colégio.
O sorriso de Koko era simplesmente radiante. Ele tentava me enfeitiçar com sua graciosidade. Eu me sentia um pouco deslocado, pois todo aquele brilho que vinha de Koko realmente era incrível demais para alguém como eu.
Acho que essa luz não é para mim, talvez. Eu sempre me senti sozinho, e sempre andei em um caminho cheio de sombras, muitas cobranças do meu pai, mesmo antes da minha mãe falecer, vítima de um câncer de mama.
Minha mãe sempre foi muito amável comigo. Acho que ela me mimava demais, enquanto que o meu pai sempre foi um homem muito ríspido. Apesar disso, ele amava muito a esposa que tinha, só era muito reservado para demonstrar isso.
Eu acho que eu puxei um pouco dos dois, mais a minha mãe do que o meu pai.
Meu pai sempre achou que eu era muito sensível para ser um garoto. Já minha mãe achava que não havia nada de errado em ser como eu sou. Ela acreditava que eu era muito tímido, então eu me reservava muito.
—Shido fica a refletir sobre aquilo—
Então, eu fui interrompido pelo professor de inglês que já havia chegado no meu nome naquela altura.
"Shido Murakami!"— Ele exclamou chamando minha atenção.
—É Shido Murasaki! — Eu o corrigi.
—Desculpa — Ele disse em inglês— Eu acho que eu confundi com algum outro aluno.
—Ahn...tudo bem, eu acho...—eu balbuciei.
"Muito bem. Senhor Murasaki, o que o senhor estava fazendo enquanto eu fazia a chamada oral, posso saber?" — O professor quis saber.
—Bem, eu estava...—Logo fui corrijido pelo professor.
—Por favor, fale em inglês. Essa aula é de inglês e devo lembrá-lo que apenas eu posso falar nos dois idiomas.
— Ok — Eu repliquei — Então eu estava olhando a janela e vendo como o horizonte é bonito.
Então os outros alunos, exceto Koko, começaram a rir de mim depois daquela explicação que eu dei em inglês.
O professor silenciou a classe.
"Shhh! Silêncio, por favor!" —O professor pediu em inglês.
Os alunos se silenciaram. Desacorçoado, o senhor Sakamoto resolveu encerrar aquela conversa.
—Está bem. Vamos continuar a aula —O Sr. Sakamoto suspirou em um tom de desânimo.
Então a aula se prosseguiu até a hora do intervalo chegar.
Quando o sinal finalmente tocou, os alunos começaram a se debandar da classe como uma manada enfurecida.
Eu e Koko ficamos na classe enquanto o Sr.Sakamoto arrumava as suas coisas.
—Bem, hora de arrumar as coisas. Bom recreio para vocês — Ele retrucou.
Nós assentimos com a cabeça e depois sorrimos para nós mesmos.
Então o Sr. Sakamoto voltou o olhar para nós.
—Então vocês dois estão enamorados? —Ele parecia desconfiar que havia um "algo mais" entre nós.
—Quê?! — Eu berrei.
—Quê?! —Koko berrou junto comigo.
—Vocês dois estão apaixonados — O Sr. Sakamoto insinuou— Entendo. É por isso que você estava tão absorto durante a chamada.
—Não...Não é isso, imagina — Eu ri daquilo tentando desfarçar meus sentimentos.
Eu não sabia o que dizer daquilo.
—Nós apenas somos bons amigos — Koko atestou.
O Sr. Sakamoto terminou de arrumar as coisas dele e já foi se retirando.
—Bem. Eu tenho que ir agora. Boa sorte a vocês. Vocês se completam — Ele nos congratulou.
—Casal? Não. Nós não somos um casal...— Eu tentei disfarçar.
Koko apenas riu daquela situação.
—Cara! Isso é tão embaraçoso! — Eu me queixei daquilo. Esfreguei meu cabelo deixando-o todo desgrenhado devido a forte tensão que eu sentia.
[...]
Lá estava eu e a Koko sentados em uma mesa da cafeteria da escola comendo nossa refeição.
—Você parece muito quieto, Shido — Koko avaliou pelo meu silêncio na mesa da cafeteria.
—Desculpa...— Eu fiquei tímido perto dela.
—Tem alguma coisa de errada com a sua família? — Koko quis saber.
—Na verdade...—eu me interrompi.
Eu não sabia como reagir. Eu acho que eu ainda sinto muita saudade da minha mãe que já se foi.
—Shido. Não precisa ter medo. Você pode confiar em mim — Koko tentou me confortar diante daquela situação.
—Bem, eu...eu não sei como dizer isso, mas...eu sinto muita falta da minha mãe, e...o seu jeito amável, me lembra muito ela — Eu confessei para ela.
—O que aconteceu com sua mãe? — Koko ficou curiosa.
—Ela...ela está morta — Eu disse com uma forte melancolia tomando conta de mim.
—Eu sinto muito. Eu não sabia...— Koko exclamou assustada com a notícia.
— Está tudo bem. Afinal, quem se importa,não é mesmo? — Eu exclamei já me sentindo um miserável.
—Bem, Shido...eu entendo o seu sofrimento. Se te serve de consolo, eu também perdi alguém que eu gostava...— Koko revelou.
—E quem você perdeu? —Eu fiquei curioso com a revelação de Koko.
—Eu perdi o meu pai —Koko completou.
—Bem, eu acho que eu estaria bem melhor se eu não tivesse o meu pai —Eu rebati.
—Por quê?
—Porque o meu pai...
Eu não consegui completar aquela frase.
Fale com o autor