Fire Dragon Social Club
18 A Última noite (Finale)
Notas iniciais
— Obrigado — Shido agradeceu.
Kassia sorriu para Shido e eles se abraçaram.
Shido
Depois disso, eu vi o senhor Ryu distrair os guardas do lugar para tentar nos tirar daquele antro das perversidades.
Ele disse aos guardas que Lady Matsubara os havia chamado para protegê-la.
Não havia como contestar a palavra de Lady Matsubara, pois ela reinava sobre aquele lugar como uma rainha.
Então eu vi os guardas saindo do porão e logo em seguida, o senhor Ryu fechou a porta do porão com uma barra de madeira que havia encontrado em um canto do lugar e voltou para o painel de comando da jaula onde eu e Kassia estávamos e digitou o comando para abrir a porta da caixa. A porta se abriu e ele foi nos chamar.
— Shido, eu distrai os guardas. Vocês estão livres — Ryu me avisou — Venham! Vamos sair desse lugar agora.
— Mas, e as outras garotas como a Kassia? Nós não podemos deixá-las aqui! — Eu contestei.
— Shido. Essa porta fica aberta por 30 segundos — Ryu me lembrou — E nós não temos tempo para salvar todas as mulheres. Quem garante que se conseguirmos essa façanha, alguma delas não vá morrer no processo?
Acho que Ryu estava certo. Não havia como salvar todas as mulheres presas ali. Eu e Kassia tínhamos uma chance e seria melhor aproveitá-la, pois nem todos teriam essa chance.
— Tudo bem — Eu concordei com a cabeça.
— Isso. Venham! — Ryu nos chamou.
Nós saímos da jaula e após 30 segundo cronometrados por Ryu no seu relógio, a porta se fechou automaticamente.
O Plano
Nós nos reunimos com o senhor Ryu. Ele disse que tinha um plano para nós e eu tentei bancar o interprete e traduzir o que ele falava para Kassia, já que ela não conhecia o meu idioma, apenas o inglês.
O plano era o seguinte. Kassia mataria Lady Matsubara e se passaria por mim. E então eu não iria para a prisão.
Kassia estava ciente de que aquela era a única saída daquele lugar era cometer aquele assassinato e sendo estrangeira, a polícia voltaria sua atenção para o caso, diferente de ser eu a cometer aquele crime. Então ela estava disposta a se sacrificar por mim. E eu não queria desapontá-la.
O senhor Ryu pegou seu cartão de membro de volta e desbloqueou a porta do porão. Depois ele abriu a porta empurrando-a e nós saímos.
Ele deu a arma dele para Kassia e disse que estava carregada. Eu traduzi isso para Kassia antes que ela pegasse a arma dele. Ela entendeu e pegou a arma.
Em uma parte daquele lugar havia uma escada espiralada que dava para um piso superior...
Kassia subiu a escada e eu me juntei ao senhor Ryu. Nós fomos pegar umas roupas emprestadas de algum guarda no local.
Nós golpeamos um guarda e eu vesti a roupa dele. O paletó e a calça pareciam largos para mim, a camisa também, e como eu não sabia colocar a gravata, fiquei só com a roupa.
O relógio parecia estar contando. Ryu me levou até a entrada do clube e me deixou ir.
Depois disso, eu não soube o que havia acontecido. Até que demônio do meu pai voltou. Ele saiu de lá de dentro.
O cabelo dele estava desgrenhado. Havia um buraco de bala no ombro dele. E as roupas estavam machadas de sangue.
Ele me puxou e levou para dentro do carro. Depois fechou a minha porta e a dele. Ele havia me posto no banco do passageiro.
Antes de partirmos dali, ele despejou suas lágrimas no volante.
Eu perguntei o que tinha acontecido e ele me pediu desculpas. Ele murmurou dizendo a estrangeira matou Lady Matsubara e tamanha era a fúria dele por perder a amante, ele atirou na estrangeira.
Eu percebi que ele se referia a Kassia. Então eu também comecei a chorar, me recusava a aceitar a morte dela, mas enxuguei as lágrimas pois eu sabia que ela não tinha morrido em vão. Eu tinha resolvido que eu iria ser forte dali para frente e cuidar de mim e fazer de Koko a garota mais feliz desse mundo.
Foi ai que eu vi que aquele sofrimento havia transformado o meu pai que até onde me contara já não raciocinava direito. Ele havia ido da irracionalidade a razão, pois a culpa por matar uma pessoa inocente o consumia e ele afinal percebera que o que eu falara sobre o modo como aquelas pobres mulheres eram tratadas naquele porão, era verdade.
Toda a empatia pelo meu pai havia desaparecido de alguma forma. Eu o abracei e o perdoei.
A polícia parecia estar muito ocupada para aparecer no local naquele cenário de assassinato.
[...]
Depois de um tempo, eu voltei para a escola e vi Koko esperando por mim no portão da escola. Ela perguntou o que havia acontecido comigo e eu disse que eu preferia não tocar no assunto.
Ela entendeu e eu fui tomado pela felicidade de saber que ela estava bem e ao contrário do que eu tinha presenciado, ela estava viva.
Eu a abracei bem forte com um abraço de urso.
— Shido! — Koko exclamou. Ela ficou surpresa com a minha reação— Você está estranho.
— Koko. Eu sinto muito. Mas, eu quero te fazer a garota mais feliz desse mundo. Eu prometo que vou cuidar muito bem de você...— Eu declarei.
— Tudo bem, Shido. Eu só não entendo porque você está tão estranho — Koko retrucou.
— Eu passei um verdadeiro inferno, mas...eu acho que pelo menos eu estou vivo e respirando — Eu disse.
— Que bom. Eu fico feliz por você — Koko me disse.
—Eu realmente percebi que eu amo muito você e que eu quero ficar com você até os meus últimos dias — Ok, isso foi muito dramático, mas...depois do que eu passei...vocês me entendem.
— Tudo bem, Shido. Eu também te amo — Koko devolveu.
Algum tempo depois, o sinal tocou e nós entramos para a aula.
Koko me deixou a par do que aconteceu durante minha ausência.
— Lembra da Mako e da Kaoru, aquelas duas vadias que tentavam nos afastar? — Koko inquiriu.
— Lembro. Aconteceu alguma coisa com elas? — Eu quis saber.
— Minha mãe me mostrou o jornal essa manhã. Elas foram presas junto com um homem idoso. Parece que elas foram pegas em um motel transando com esse homem — Koko me informou.
—Sério? Nossa! Isso é...— Não vou negar que eu tive vontade de rir como nunca, por saber que nós estávamos livres daquelas bruxas.
—Eu senti muita pena delas. Elas fizeram o que fizeram, mas...se pensar que os pais delas, se é que elas tem, devem estar sentidos com o que aconteceu com elas...sabe? — Koko retrucou.
— Sim. Mas pelo menos, agora nós estamos livres, Koko. Olhe pelo lado bom — Eu a lembrei.
— É — Koko refletiu — Acho que você tem razão.
Então nós fomos juntos para a aula. Chegando na sala, o professor nos lembrou do caso envolvendo Mako e Kaoru antes de começar a aula. A escola toda parecia ter ficado a par do caso, já que o mesmo expunha a instituição de ensino ao divulgar o nome das duas garotas envolvidas no caso.
[...]
No final do dia, por obra do destino, o meu pai e a mãe de Koko vieram nos buscar em um timming perfeito.
Eu e Koko ficamos muito surpresos. Meu pai olhou para a mãe de Koko — uma senhora muito bonita de cabelos compridos na altura dos ombros, usava um óculos de gatinho vermelho, vestia uma blusa branca de decote canoa com uma saia longa preta e transparente e sapatos de salto pretos — E sorriu para ela. Os olhos dele encontraram o horizonte pacífico dela, e ela sorriu de volta. Logo ele estava falando todo tímido com ela.
—Ahn...me desculpe, senhora...mas, qual é o seu nome? — Meu pai inquiriu.
— A mãe de Koko gargalhou — É Saeko. E o seu?
— O meu é Hoji, Hoji Murasaki — Meu pai disse evitando-a por timidez.
— Muito prazer — A mãe de Koko estendeu a mão para meu pai.
Meu pai voltou o olhar para ela e apertou a mão dela.
— O prazer é meu — Meu pai balbuciou.
Meu pai e a mãe de Koko ficaram se olhando e um breve silêncio tomou conta daquele cenário.
— Diz alguma coisa, pai! — Eu exclamei.
— Mãe! Fala com ele — Koko exclamou.
— Eu não sei o que dizer...— Meu pai devolveu.
— Eu também não sei o que dizer — A mãe de Koko retrucou.
— Porque você não a convida para jantar? — Eu sugeri ao meu pai.
— Tudo bem. Senhora Saeko — Meu pai a chamou.
— Sim? E por favor, me chame apenas de Saeko — Saeko replicou.
— Você, gostaria de sair para jantar comigo? — Meu pai quis saber.
Saeko ficou pensando sobre aquilo.
— Bem, eu sou uma mulher atribulada, mas...eu acho que eu posso dar um tempo.
— No que a sua mãe trabalha, Koko? — Eu fiquei curioso.
— Ela tem uma alfaiataria e uma casa de aviamentos — Koko me disse.
— Entendi.
— Entendo — Meu pai respondeu— Então...que tal sexta-feira à noite?
— Sexta à noite? Acho que pode ser..— Saeko respondeu.
— Às 20:00 está bom para você? — Meu pai disparou aquela pergunta.
—20:00? Acho que sim.
— Está bem. Eu passo na sua casa as 20:00. Você pode me passar o seu endereço?
— Eu acho que posso fazer diferente. Me acompanhe e eu te mostro o caminho — Saeko sugeriu.
— Tudo bem.
Meu pai e Saeko entraram nos carros. Meu pai me esperou para entrar, mas eu resolvi ir no carro da mãe de Koko para acompanhá-la.
Então, saímos da escola. A mãe de Koko saiu na frente e o meu pai saiu atrás do carro dela, um Mercedez branco. E seguimos para a casa de Koko.
No banco de traz do carro da mãe de Koko eu me aproximei dela e a envolvi com meu braço esquerdo. Ela encostou a cabeça no meu ombro esquerdo e nós ficamos ali juntinhos.
— Então, nós conseguimos juntar nossos pais — Eu retruquei.
— Sim, Shido. No final encerramos uma história de amor — Koko falou — E começamos outra, a nossa.
[...]
Quando chegamos na casa de Koko. Descemos dos carros e meu pai ficou admirando a casa. Era uma casa pequena de dois andares de tijolo a vista, com uma placa onde estava o sobrenome da família de Koko escrita, uma caixa de correio, um jardim de flores muito bonitas, um tabete de "Bem — vindo" na entrada e uma porta de madeira.
— É uma casa muito bonita — Meu pai retrucou.
— Obrigada.
Quando a mãe de Koko e ela resolveram entrar, eu também fui, e o meu pai interferiu.
— Ei, Shido! Onde pensa que vai? — Meu pai exclamou.
— Eu vou ficar na casa da Koko, pai — Eu devolvi.
— Mas, você não trouxe suas roupas, nada — meu pai lembrou.
—Não precisa se preocupar — Saeko interferiu— Eu posso passar na sua casa depois e pegar as coisas do namorado da minha filha.
— Shido! O nome do meu namorado é Shido — Koko completou.
— Obrigada. Me desculpa, filha.
— Está tudo bem, mãe.
— Então, depois eu passo na sua casa e pego as coisas do Shido — Saeko disse para o meu pai.
— Está bem — Meu pai se deu por vencido.
O meu pai já ia saindo quando Saeko foi até ele e se despediu com um beijo na bochecha esquerda dele. Eu e Koko observamos aquela cena.
— Parece que nossos pais se amam — Eu comentei com Koko.
— Sim — Koko atestou.
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