Fire And Ice
5 Capítulo 4 - You know that I can use somebody
Notas iniciais
Música do chap: Use Somebody - Kings Of Leon
Após a surpresa de ter os lábios de Aoi sobre os seus, Uruha não se conteve em explorar a boca perfeita com a língua, os dedos compridos indo até a cintura fina e magra do anjo, puxando-o para perto, quebrando a distância. Não sabia o que havia dado em Aoi para que aquele ato se concretizasse, mas ainda assim ele não negaria, não havia nada que pudesse perder ou ganhar com aquilo, então que fosse.
O beijo se tornava mais intenso a cada segundo que se passava, tanto que os dedos de Uruha já se atreviam a tocar por baixo da peça branca da camisa em estilo social que o moreno vestia, pressionando a pele macia com a ponta dos dígitos e escorregando-os por aquela região.
O ato foi suficiente para que o anjo se assustasse e parasse o beijo quase que imediatamente. Uruha não se surpreendeu com aquilo, tanto que os lábios agora avermelhados, sorriam ao moreno sem deixar que o outro distanciasse o corpo do seu, prendendo o corpo magro com os braços firmes em volta da cintura do anjo.
– O que foi? – O loiro perguntou ao ver a face assustada do anjo. – Não terminamos ainda, Aoi.
– Esqueça isso. – O moreno pediu, tentando se desvencilhar dos braços de Uruha. A mente do moreno estava confusa, não sabia o que teria o levado a fazer aquilo; Em um momento brincava com as reações do demônio e no outro provava de seus lábios. Não, não havia planejado aquilo, apenas se deu conta quando o ato se tornara real.
– Esquecer? – Uruha perguntou, usando um falso tom inocente, os braços firmes impedindo que Aoi saísse de seus braços, e seuss lábios logo foram em direção ao queixo do moreno, deixando um selar leve. – Aoi, eu não esqueço das coisas assim tão fácil e é evidente que temos uma coisa para terminar aqui, então colabore.
Pediu o loiro, avançando os lábios na direção dos carnudos de Aoi, porém, ao perceber o ato do demônio, Aoi se afastou bruscamente conseguindo se soltar do abraço de Uruha e dando alguns passos para trás, como se a distancia o livrasse das sensações que haviam tomado conta do moreno. O loiro sorriu mais largo ao notar Aoi se distanciar daquela forma. Aoi nem dirigia o olhar a Uruha. Não era vergonha que sentia, simplesmente não sabia o que fazer, e sabia que enquanto Uruha estivesse pela casa de Akira, não teria como pensar melhor no assunto.
– Akira já dormiu, acho que não tem muito que fazer aqui por agora, Uruha. – Aoi falou, escutando um riso divertido do demônio.
– Se está querendo ficar sozinho ao menos invente uma desculpa melhor, Aoi. – O loiro falou arrumando as mechas loiras do cabelo.- Mas começo a duvidar que queira mesmo que eu saia, sei lá, pareceu tão confortável agora há pouco.
– Eu quero que você vá embora. – Respondeu seco.
– Que direto. – Uruha já estava pronto para deixar o moreno com Akira, porém a curiosidade foi maior. – Antes de ir, eu gostaria de te perguntar uma coisa sobre isso, eu prometo que lhe deixarei por hoje depois de conseguir minha resposta. – Falou.
– E qual é essa pergunta? – O anjo fitou Uruha curioso.
– Porque fez isso? – Perguntou, usando o velho tom neutro.
– Impulso. Foi apenas impulso, esqueça o que aconteceu hoje. – Respondeu ao loiro. Não era nenhuma mentira que agira por total e completo impulso e, quando percebeu o que havia feito, já era tarde demais para voltar atrás, era como se de alguma forma Uruha o hipnotizasse, mesmo que não tivesse certeza daquilo.
– Impulso? – Uruha riu olhando o anjo. – Aoi, impulso? Que tipo de anjo é você que nem ao menos consegue se controlar na minha frente? Achei que fosse totalmente imune ao que digo.
– Eu não sei o que aconteceu, você já implantou coisas na minha mente uma vez, por acaso fez de novo? – Aoi perguntou, não sabia do que Uruha era capaz, não sabia quais habilidades Uruha possuía como anjo e quais ele havia ganhado como demônio.
– Eu implantei imagens sim, mas não fiz você me beijar, se é o que tem duvida. Minha habilidade que mais se parece com o que você insinua que eu tenha feito é influenciar pessoas, porém essa habilidade só funciona com humanos e, como se lembra, eu não falei muito para que você me beijasse. – Uruha concluiu.
– Agora que se explicou e eu já respondi sua pergunta, pode se retirar, Uruha.
– Certo Aoi, eu vou. Mas da próxima vez que quiser me beijar por “impulso” assuma sua forma humana, não vai se arrepender se passarmos um pouco do ponto. – O loiro falou, sarcástico, antes que sumisse do aposento, deixando apenas Aoi e um Akira dormindo deitado de qualquer forma sobre o sofá.
O moreno tentou encontrar, mas não achou palavras que descrevessem a forma que foi atraído ao beijar o demônio, não havia explicação para a atração que sentiu quando estava próximo a ele, a mesma atração que havia o levado a beijar a boca de Uruha e quase ter ido um pouco mais além. Não tinha ideia, apenas lembrava da sensação boa ao beijá-lo e o toque gostoso dos lábios. Será que tinha a ver com o que Kamijo lhe havia contado? Não havia outra explicação para aquilo e aquela hipótese não poderia ser descartada.
- + -
Olhava para os próprios pés um tanto quieto, os olhos pequenos e tão misteriosos estavam a algum tempo tentando entender porque a vida havia sido tão ruim consigo, porque havia tirado aquilo que o loiro tanto amava daquela forma, foi tudo tão rápido, em um momento tinha Masuke e no outro já o tinha perdido, havia recuperado a vontade de viver em um segundo e no outro queria ter ido com aquele que foi o motivo de sua felicidade.
Estava em uma loja de departamentos, trabalhava todas as tardes naquele lugar, aliás, o dinheiro que ganhava naquela loja e na lanchonete onde trabalhava nas madrugadas de cinco dos dias da semana era o suficiente para que Reita vivesse e pagasse as contas acumuladas, já que com a descoberta da doença do ex-namorado, gastou muito com hospital e medicamentos, Masuke teve um fim de vida complicado.
– Estão te chamando para treinar o funcionário novo do nosso setor. Acho melhor se apressar – Uma voz masculina despertou Akira de seus pensamentos, ergueu os olhos e viu seu companheiro de trabalho e também amigo sorrindo para si.
– Já vou, Yuu. – Respondeu ao moreno guardando alguns cadernos e livros nas prateleiras, Yuu deu a volta no balcão grande e passou ajudá-lo com o processo. – E então Yuu, como sua mãe está? Fiquei preocupado quando você me contou sobre ela.
– Ela já está bem, está na minha casa em repouso e logo voltara para Mie com a minha tia e a minha irmã. – Respondeu, recebendo um aceno positivo.
Durante a vida de Akira, Aoi sempre surgia como alguém diferente, alguém que pudesse cuidar para que nada de ruim acontecesse com o rapaz e que fizesse parte de sua vida humana. Agora era seu amigo que havia conhecido no trabalho, Shiroyama Yuu. Sempre mudava de nome, porém não de forma, mas não faria mal, até porque, Akira não se lembraria dele.
Assumir forma humana era desgastante para seres celestiais, era preciso muita energia para transformar um corpo espiritual em corpo humano, por isso, havia dias que não podia aparecer, então sempre arrumava alguma desculpa para se ausentar do dia-a-dia de Akira, dessa vez inventara uma mãe doente que não existia.
– Suzuki! – A voz firme feminina tomou a atenção dos presentes, uma mulher vestida com um terno feminino e social apareceu pela entrada do setor de papelaria, os cabelos longos estavam presos em um coque simples e arrumado, um rapaz um pouco mais alto seguia seus passos. Aquela mulher era a gerente da loja, Asuka Eriko. – Eu mandei lhe chamar, mas estou com pressa demais para esperar sua boa vontade em dar as caras.
– Pelo mau humor já vi que o noivo não anda dando conta do recado. – Akira respondeu debochado, recebendo o olhar felino da superior.
– Você é muito idiota. – Respondeu suspirando pesadamente, mas logo voltou a atenção ao rapaz que a seguia, este estava parado a poucos passos de si, observando em silêncio. – Vem cá rapaz, não precisa ter vergonha. – Falou e o outro se aproximou a passos lentos do balcão que separava ele e a gerente dos dois outro rapazes. – Rapazes, esse aqui é Uke Yutaka e vai ajudar vocês por aqui no setor de papelaria...
– Kai! – O loiro exclamou ao ver o moreno. Kai era um velho amigo da época do ensino médio, havia perdido contato com ele depois daquela época e talvez nem o reconhecesse se Eriko não tivesse dito o nome do rapaz.
– Reita, nossa quanto tempo, cara. – O moreno falou exibindo um sorriso largo, fazendo com que as adoráveis covinhas se tornassem visíveis.
– Já se conhecem? – A mulher perguntou olhando surpresa de um ao outro.
– É o que parece. – Akira falou afastando a franja loira de frente de um dos olhos.
– Estudamos juntos durante o ensino médio. – O moreno explicou a gerente mantendo o sorriso. – Você não mudou muito, Reita. Aliás, cadê a faixa? Deixou de usá-la?
– Pergunte a chefinha, ela vai saber como te explicar direitinho. – Falou dando de ombros.
– É simples, você vende material escolar e coisas para escritório, quando você vender armas e drogas pode colocar aquela faixa no trabalho. – Rebateu em tom despreocupada. – Aliás, Shiroyama você pode ficar responsável pelo novato, ensine ele a fazer nota fiscal, preço das coisas e como se deve atender um cliente, enfim, você sabe o que fazer.
– Sim, senhora. – Respondeu sorrindo ao moreno.
– Olha Kai, não confie no moreno bonito ai não, ele tem essa cara de bom moço, mas é um safado. – O loiro debochou rindo.
– Akira... – Aoi olhou para o amigo com um olhar reprovador.
– Akira, você vem aqui comigo, pode deixar de lado as piadinhas sem graça por uns minutos, tenho que conversar algo com você.
A mulher logo se retirou sendo seguida por Akira até a sala afastada dos setores, era um escritório simples, as paredes bem brancas contrastando com os móveis negros, aquelas eram as cores que representavam a marca da loja na qual trabalhava. Ela logo se sentou na cadeira que lhe pertencia sendo seguida por Akira que se sentou na cadeira em frente a mesa.
– É uma pergunta simples. – Começou. – Tem disponibilidade de trabalhar aos sábados?
– E qual é o porquê dessa pergunta?
– As coisas ficaram difíceis de serem mantidas quando você se afastou do trabalho, eu preciso dar alguma garantia para os meus superiores de que você é um funcionário que vale a pena.
– Eu tenho muitas contas depois da morte do meu ex-namorado, Eriko.
– Não vou te deixar desamparado quanto a isso, seu sábado será pago, não vai trabalhar de graça, Akira. – Respondeu em um tom calmo. Akira devia muito a Asuka Eriko, ela havia colocado o próprio emprego em risco para manter o do loiro, afinal, não havia como justificar os meses de falta por conta da doença de Masuke. Mesmo com as faltas ela ainda pagou parte do salário de Akira e fez com que ele não perdesse o emprego.
– Se é assim, eu vou trabalhar aos sábados. Não pense que eu sou mal agradecido por tudo que fez por mim, é que eu realmente preciso de dinheiro. – Justificou-se, recebendo o olhar compreensivo da amiga.
– Eu sei pelo o que passou e entendo que realmente precise de dinheiro, por isso eu gostaria de te pedir que a partir de agora se empenhe de verdade aqui, não vai ser difícil para você crescer aqui na loja e alcançar salários melhores. Não desista tão fácil assim de viver, Masuke era meu amigo e sei que ele não gostaria de te ver dessa forma.
– Eu infelizmente não sei o que o Masuke gostaria ou não, ele não está mais vivo. — Respondeu seco, não gostava de quando usavam Masuke para tentar que Akira voltasse a ser o que era antes, não dava mais, não sem o seu namorado ali com ele.
– Akira, não seja assim...
– Acho que já falou o que queria, vou voltar as minhas obrigações. Com licença.
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Akira havia acabado de sair da loja acompanhado pelo velho amigo da época de escola e claro, mais duas presenças seguiam os rapazes. Aoi que dessa vez não se fazia visível aos olhos humanos e um rapaz de cabelos loiros e olhos escuros, aquele era o anjo de Kai, Yuki. Aoi já havia cruzado com aquele anjo algumas vezes durante o tempo que os dois humanos eram amigos.
Durante o trajeto ambos continuavam calados, apenas escutavam enquanto os dois amigos conversavam animadamente sobre a época de escola, coisas que aconteceram na época entre os assuntos atuais. Era bom ver Akira interagir daquela forma com alguém, aos poucos podia notar o sorriso surgir sem precisar ser forçado.
– Olha só, ele arrumou um amigo novo. – Como sempre o loiro simplesmente apareceu entre os dois anjos. Yuki recebeu a presença de Uruha com espanto, enquanto Aoi apenas continuou caminhando.
– Achei que iria demorar um pouco para te ver de novo, Uruha. – O moreno disse simplesmente.
– Sabe que não, eu estava louco para provar dos seus lábios de novo, Aoi. – Uruha riu olhando para o outro anjo que agora o analisava a conversa dos dois sem dizer uma palavra.
– Já mandei esquecer isso.
– Ele andou beijando você também? – Uruha perguntou ao outro anjo que arregalou os olhos com a pergunta alheia.
– O que? – Yuki perguntou abismado.
– Aoi, eu não vou te perdoar se estiver me trocando por um ser de asas. – Falou em um falso tom ciumento.
– Claro que não, Uruha. Eu ainda prefiro os de rabinho e chifres. – Aoi ironizou escutando um riso do loiro.
– Que tipo de relação vocês dois tem? – Yuki perguntou confuso.
– Você não parece ter encontrado outro demônio durante sua vida na terra. – Uruha falou olhando o outro anjo.
– E não encontrei, Kai é meu primeiro humano e ele é um humano que não me dá preocupações, as tristezas dele são insuficientes para a visita de um demônio igual a você. – Yuki respondeu, exibindo uma expressão calma.
– Anjo novo. – Uruha concluiu.
– Não sou novo, mas é minha primeira vez na terra, mas pelo o que sei demônios e anjos não tem uma relação boa.
– Nossa relação é ótima. – Uruha disse sorrindo. – Não precisa estranhar, se você observar os outros anjos e demônios que precisam conviver você vai entender que nossa relação não passa de algo como “colegas de trabalho”. Fazemos nosso serviço e como não podemos fazer nada uns com os outros, gastamos nosso tempo nos provocando.
– Mais ou menos isso.
– Porque fala isso com tanta naturalidade?
– Porque é natural. Aliás, qual o seu nome? – O demônio perguntou.
– Yuki, e o seu?
– Uruha. – Yuki se surpreendeu ao escutar o nome, mas logo se recompôs, porém o ato não foi despercebido pelo demônio.
– O que foi?
– Não é nada. – Respondeu em tom calmo, voltando atenção aos dois humanos que conversavam um pouco mais a frente.
Não achou que fosse encontrar aquele demônio com tanta facilidade, antes mesmo de cuidar de Kai, tinha que ficar de olho em Uruha, foi por isso que foi mandado a terra e seria bem mais fácil com o loiro sendo o responsável pela alma de Akira. Precisava que tudo saísse como havia sido planejado, não podia deixar que interrompessem aquilo que foi predestinado para Uruha.
Notas finais
Queria novamente agradecer todos os reviews maravilhosos que eu tenho recebido! Vocês me deixam muito feliz com os comentários, e espero que eu atenda as expectativas de vocês. ♥
Então, os personagens cruciais já foram apresentados, quer dizer, quase todos, mas por enquanto são esses, e a partir do próximo capitulo vem as partes que eu mais gosto e sei que vou amar escrever. xD ~
Agradecimentos pelos reviews lindos a Su Shibasaki, TOXIC MaBh, Conceived Dream, daaniiie, Shima, Tomoyuki, Shiro,
Zess, ohfuckup e Hankou.
Aliás, beijos na bunda da funfufufu e da Hankou, minhas betas lindas.
See ya! ♥
Ps: Reviews? qqq
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