Fire And Ice

13 Capítulo 12 - I came to look for heaven such as the hell


Notas iniciais
Eu não tô acreditando que o Nyah voltou! ç_ç Ótimos momentos eu passei por aqui, tive muitas alegrias, conheci muita gente bacana. Algumas pessoas eu continuo mantendo contato. E como um bom filho a casa torna, tô aqui atualizando Fire And Ice. Eu comecei aqui e já finalizei no Social Spirit, mas mesmo assim eu queria ter ela completa no Nyah. Então é isso.

Aos poucos os raios solares banhavam a grande e movimentada cidade de Tóquio, preenchendo cada canto com um pouco mais de luz e calor. A casa grande no subúrbio da cidade, apesar de não tão bem cuidada, chamava bastante atenção não só pelo tamanho, mas também pela arquitetura, e naquele momento, aquele lugar não era apenas refúgio de dois amantes, como também cenário perfeito para o demônio que agora a observava, ele sabia quem estava ali dentro, sabia o que estava acontecendo, talvez por isso um sorriso se mostrasse largo sobre os lábios finos. Iria matar dois coelhos de uma vez, literalmente.

Apertou a adaga de ouro entre os dedos longos alargando o sorriso, faltava pouco, logo seria sua vez de agir, não demoraria nada para que os dois saíssem de dentro do casarão para que ele colocasse seus planos em pratica, agora tudo fazia sentido, ou quase tudo. Com Uruha se encontrando secretamente com um anjo, não teria porque não matá-lo, sempre fora sua vontade, desde que havia colocado os olhos em Uruha, quis matá-lo, sabia que Lúcifer estava errado em confiar tanto no loiro. E agora, ele, Hizaki, iria levar a cabeça do demônio como prêmio para Lúcifer, como desejava.

– O que pensa que está fazendo? – Já pensava em entrar no casarão, quando uma voz conhecida fez com que o demônio se sobressaltasse, procurando o dono da voz com o olhar pela rua aparentemente vazia.

– Quem é você? – Perguntou o loiro encontrando apenas a silhueta do dono da voz poucos metros atrás de si.

– Meu nome é Yuki, e o seu eu não preciso perguntar, pois o conheço.

– Yuki? É um anjo, não é? O que faz aqui? – Deu alguns passos em direção ao outro, brincando com a Adaga entre os dedos. Não seria problema algum brincar um pouco com Yuki antes de atacar o casal, seja lá quem fosse aquele anjo.

– Eu vim por sua causa.

– Por minha causa? Então, me diga o motivo. – Hizaki utilizou um tom quase irônico, já a poucos passos do anjo.

– Digamos que está no lugar errado, na hora errada, pensando em fazer coisas erradas. – Yuki respondeu dando alguns passos até estar bem visível aos olhos do demônio, já Hizaki arregalou os olhos a reconhecer o dono do rosto.

– Então está aqui para me parar, Yuki... Ou prefere que chame pelo seu nome verdadeiro, Gabriel? – O anjo sorriu minimamente em direção ao menor, fazia tempo que não era chamado pelo nome verdadeiro.

– Eu não posso deixar você sair vivo daqui depois de saber do segredo daqueles dois e é claro, depois de descobrir o meu.

– É... Então quer dizer que você tem algo haver com isso? Quer dizer que ele está envolvido?

– Não acho que isso tenha haver com você, Hizaki. São questões que estão acima de qualquer um de nós, questões que você não entenderia mesmo se quisesse.

– Então realmente existe o dedo de Deus nisso? – Hizaki perguntou apertando a adaga entre os dedos o olhar felino direcionado ao anjo.

– Como eu disse, não é assunto seu. – Cortou quase frio. – Apenas vamos dizer que nada acontece por acaso, sempre vai existir um motivo.

– Não brinque com isso, Gabriel. Se isso for mais uma brincadeira entre os arcanjos, creio que você e Miguel terão um destino pior que Lúcifer.

– Agradeço pelo aviso, Hizaki, porém Miguel não tem ciência de nada e eu sei muito bem o terreno onde piso, diferente de você que está no lugar errado na hora errada, mexendo com o que não deve.

– Você realmente vai me matar? – Hizaki perguntou olhando a expressão calma que envolvia o arcanjo Gabriel, um dos primeiros anjos criados e sem dúvida um dos mais fortes. Hizaki era narcisista quanto ao próprio poder, mas era lúcido o suficiente para saber que em uma luta com Yuki não havia chances de ganho. Um demônio parasita não tinha chances contra um arcanjo.

– O que acha? – Yuki se mantinha calmo com o olhar sobre o demônio.

– Eu só queria entender porque logo você está do lado desses dois. Você é um arcanjo, deveria interferir no que os dois estão fazendo.

– Se fosse para você ter informação sobre qualquer coisa eu teria lhe avisado. Devia ter pensado melhor antes de se meter em assuntos alheios.

Hizaki sorriu diante a fala alheia, realmente não tinha como sair vivo da presença do arcanjo. Se Gabriel estava ali queria dizer que alguém maior também estava envolvido, se não era Miguel, então era Deus e infelizmente contra ele o demônio ainda não possuía forças. Não foi preciso que Yuki se mexesse para que chamas altas aparecessem e envolvesse o demônio. Hizaki não se moveu, nem adiantaria, Yuki não havia deixado brechas para escape, as chamas que agora queimavam o corpo do demônio eram dolorosas, porém Hizaki não demonstrou dor. E rápido como as chamas apareceram, Hizaki desapareceu não deixando rastro algum de existência.

– Gabriel! – A voz conhecida chamou a atenção do arcanjo que logo virou-se em direção ao homem alto de cabelos negros recém-chegado. – Porque me chamou?

– Hizaki, acabei de matá-lo. – Yuki começou. – Masashi, ele descobriu sobre os dois, eu achei que manter os demônios longe de Uruha fosse sua obrigação, principalmente demônios como Hizaki.

– Hizaki é um parasita, não achei que ele fosse se preocupar com esse tipo de assunto por isso não desconfiei que logo ele viria atrás de Uruha.. – Masashi refletiu observando o semblante sério do amigo.

– Eu estou preocupado, se isso continuar eu não sei o que pode acontecer com os dois, não é sempre que eu vou aparecer

– Hizaki nunca conseguiria matar os dois.

– Mas os deixaria expostos e isso sim acabaria com os dois.

– Eu já falei várias vezes, Yuki. Temos que afastá-los um do outro. Aoi e Uruha não precisam passar pelas coisas que os aguardam se tudo isso continuar. Uruha já não é um anjo, ele já não é uma alma pura, ele foi contaminado com pecado e a podridão que cerca Lúcifer, ele não pode ficar com Aoi.

– Rafael! – Masashi havia até esquecido como era ser chamado pelo nome verdadeiro, fazia tanto tempo desde que havia sumido do paraíso.

– Me escute, Gabriel, ainda há tempo para salvar Aoi, deixe Uruha comigo, farei o possível para mantê-lo protegido ao meu lado.

– Não somos nós dois que decidimos isso, Rafael. E você não vai resolver nada fugindo como da última vez.

– Acho que não estamos aqui para falar sobre mim. – Masashi respondeu sério, Yuki nunca entenderia os motivos que havia levado um dos arcanjos a sair do céu em um momento de crise. – Agora me diga o que faremos? Hizaki é um demônio parasita que não tem poder algum e que vive de roubar a vida e a alma dos humanos em possessões. Até um demônio desse nível conseguiu descobrir a verdade sobre os dois, não vai ser difícil que o próprio Lúcifer descubra.

– Não menospreze o Hizaki, aquele demoniozinho era forte, um assassino nato.

– Hizaki não era forte, ele apenas sentia prazer em matar, possuir o corpo dos humanos e torturá-los até o fim, era a maior diversão pra ele. Conseguir sobreviver a exorcismos não é lá grande coisa.

– Certo Rafael, as coisas não estão fáceis, não vamos separá-los, nem eu e nem você podemos fazer isso. O que podemos fazer por enquanto é tentar manêe-los afastados pelo maior período de tempo que conseguirmos.

Fazia poucos dias desde a última vez que virá Kouyou, mas sua ansiedade em vê-lo era grande tal como sua preocupação. O dia estava frio, mesmo assim, o lugar onde estava com Reita e Kai estava lotado, um parque de diversões no centro da grande e movimentada Tóquio. Kouyou chegou quase ao mesmo tempo que Aoi e os dois amigos, ambos foram discretos, se cumprimentaram e apenas ficavam se olhando silenciosamente, procurando alguma brecha para que pudessem falar abertamente, oportunidade que só foi dada aos dois horas após com Reita sendo arrastado por Kai para dentro da casa mal-assombrada.

– Oi... – Uruha quebrou o silêncio após algum tempo caminhando ao lado do moreno, não sabiam muito bem o que falar depois do acontecido, se encontravam desconfortáveis com a situação atual, por mais que essa situação os agradassem, se assumirem um pra o outro era algo novo demais.

– Oi... – Aoi respondeu um tanto hesitante. – Achei que não fosse te ver tão cedo.

– Eu não pretendia aparecer, mas Reita sabe ser persuasivo quando quer. – O loiro riu. – Ainda me sinto estranho quando fico perto dele.

– Estranho como?

– Não sei explicar, mas bem... Não é algo ruim, eu acho. – Uruha parou a breve caminhada que fazia ao lado do moreno, observando uma das barraquinhas no parque de diversões, era uma barraca de tiro ao alvo, algumas pessoas se aglomeravam em volta da barraca buscando por algum prêmio. – Lúcifer tinha me falado que alguns humanos tem esse dom, de sentirem espíritos, mas não tem jeito, eu ainda tenho minhas dúvidas sobre o Reita e sobre o turbilhão de coisas que acontecem na minha cabeça quando estou perto dele.

Aoi suspirou, por mais que a situação com Uruha tivesse mudado não poderia falar o que sabia sobre Reita, se o colocasse em perigo não saberia o que fazer, e acima de qualquer coisa estava a vida do loiro. Permaneceu calado, apenas observando Uruha que olhava alguns rapazes que atiravam tentando acertar ao alvo na barraquinha em frente aos dois.

– Quer jogar? – O moreno perguntou olhando-o.

– Quero, será que consigo?

– Não se faça de idiota, é um demônio, conseguiria até de olhos fechados.

– Isso se eu usasse algum artifício pra ganhar, algo que não farei.

Após pagar, o loiro pegou um dos três dardos, mirou o meio do alvo por alguns segundos até lançá-lo em direção ao centro do alvo.

Sorriu segurando um pingente pequeno na palma da mão, aquilo parecia algum tipo de brincadeira com os dois. Aoi sorriu buscando com o olhar Uruha, ele estava se distanciando a passos lentos até a saída do parque de diversões, um pouco mais a frente do moreno, Kai e Reita conversavam em voz alta, alterados pelo efeito da bebida. Suspirou satisfeito, o moreno se sentia tão feliz que não era capaz de descrever em palavras a paz de espírito que se encontrava.

Escondido dentro da mão do moreno estava o pingente que havia ganhado do loiro. Uruha não havia se saído muito bem jogando dardos, conseguiu apenas um prêmio pequeno, e por ironia do destino se tratava de um pingente que se dividia em dois, mas não era qualquer pingente de casal, o desenho que formava os pingentes quando juntos era YING e YANG. Uruha havia ficado com a parte negra enquanto a branca estava ali entre as mãos do moreno, podia parecer besteira, mas estava começando a acreditar em destino.

Notas finais
Vou postar rapidinho. Só pra deixar minha conta aqui atualizada.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.