Fire
7 Subconsciente
Notas iniciais
Ah. Aonde estou...? O que faço aqui e porque está tudo nublado?
Por mais que eu ande, não consigo sair do lugar. Minhas pernas fraquejam e mal consigo suportar a pesada espada que cai no chão, criando um estrondo que ecoou pelos dois minutos seguintes.
Uma névoa negra aparece a minha frente, com um traço de sorriso que não compreendo. Pelo visto, ela pode falar...
— Elesis! Sábia Espadachim de Canaban. Porém tomou decisões tão tolas... — Uma voz ri sadicamente.
— Decisões? — Perguntei em resposta.
— Sim, ruivinha. Você fez as piores escolhas possíveis. Como acreditar em qualquer outra garota que aparece no campo para você! Não percebe que deu tudo a ela sem ao menos conhecê-la?
Apesar de não sentir praticamente nada — meus braços, minhas pernas, meu pescoço —, estremeci.
Asuka.
— Ofereceu-lhe um lugar para morar. Contou a ela sobre sua vida. Seu defeito é confiar cegamente em todos que lhe aparecem... — Continuou aquele ser indefinido.
Fiz menção de chorar, mas ali eu não podia derramar lágrimas. Era apenas uma pessoa perdida naquele mundo, mundo esse que eu nunca deveria ter visitado.
— Está morta por causa dela, Elesis! Mas pode voltar a vida. Vingue-se de quem lhe matou!
— Não foi culpa dela! — Rebati.
A minha indignação parecia estar pairando no ar. Por quê? Eu teria errado em acreditar em Asuka? Em considerar ela minha amiga?
Enquanto apareciam diversas interrogações na minha cabeça, o mundo parecia ficar mais turvo e estranho ainda. Minhas pernas recomeçaram a tremer, e a névoa a minha frente tomava uma forma sólida.
— Se quiser acordar e ter a oportunidade de se vingar, faça-o... Garanto que não se arrependerá! — Disse, se virando. — Basta me conjurar, do mesmo modo que fez antes...
A coisa correu em direção ao nada e desapareceu no horizonte, me deixando sozinha com um ponto de interrogação na cabeça. Eu sequer sabia que tinha a conjurado.
Me senti tentada a abrir os olhos para o mundo real e tirar todas as dúvidas que tinha, mas não fazia o menor sentido. Como eu chamaria ela de volta?
Tentei recolher a espada que ficara no chão, sem sucesso. Mais uma vez, o estrondo e um eco irritante. O que me apavorou foi a reaparição da criatura.
Percebi o que a fez aparecer. A espada caindo no chão. Comecei um pedido tímido, ainda nervosa.
— Ah... Eu quero voltar a vida.
— Agora sim fez uma escolha apropriada! Mas terá de cumprir uma condição...
— Qual? — Perguntei, curiosa.
— Terá de destruir sua "amiguinha", que provavelmente está relaxando no sofá depois de sua morte.
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