Fire
4 Eterna
Um banho de sangue. Foi o que presenciei depois da minha tentativa de fugir. Todos tinham suas prioridades: alguns protegiam a loira, outros simplesmente se defendiam. Vi de tudo, mas uma imagem que nunca sairá da minha memória é a casa de Elesis cercada de corpos sem vida sobre poças do líquido vermelho.
Eu suava. Pudera, pelo visto se eu não seria morta pelo fogo, ao menos teria de sair quente e abafada. Respirando pesadamente, minha amiga estava aos meus pés.
A vida de Elesis estava separada da morte por uma tênue linha. E ela não aguentaria mais. O que eu fiz? Pensei.
— Asuka, você... Tem de fugir. Sei que você está cansada, mas o cansaço é melhor do que a morte...
— Elesis! Pare com isso! Você não pode falar, está muito cansada. Venha, vou arrumar isso. — Puxei ela até a mesa da cozinha.
Rasgando alguns pedaços de tecido e pondo-os no corte mais profundo, deixei-a sozinha por alguns segundos até encontrar um jeito de tratá-la. O ferimento estava realmente profundo, sem falar nas queimaduras, mas eu já tinha passado por aquilo. Se eu lembrasse o que fiz para me curar...
Voltei correndo com um pedaço de gaze na mão. Mandei Elesis se apoiar em mim e fomos até o banheiro, onde enxaguei os cortes, todos cobertos de lama e sangue. Enrolei a gaze no seu ferimento mais grave para estancar o sangramento.
— Vou tirar seu anel — falei. — Senão pode causar algum inchaço.
Ela concordou com a cabeça e voltamos para a cozinha. A ruiva se deitou na mesa da cozinha. Comecei a improvisar alguma coisa que a ajudasse imediatamente. Pelo que eu sabia, ela tinha algumas queimaduras de terceiro grau e umas poucas de segundo grau. Não era um quadro muito positivo.
— Não se preocupe. — Sussurrou. — Eu estou bem. Vou melhorar.
— Que diabos está dizendo? Você está péssima — rebati. — Seu corpo está sangrando dos pés a cabeça, milhares de bolhas espalhadas. Provavelmente seus ossos estão queimando agora. Além disso, pare de falar. Se você se esforçar mais, provavelmente vai desmaiar.
Provavelmente, não. Com certeza. Ela ficou pálida e suando frio. Sintomas bem claros de desmaio.
Me senti culpada por aquilo. Não fosse a maldita habilidade com fogo, ela estaria melhor do que agora. É claro que os cortes eram graves — isso, qualquer um perceberia —, mas sem as queimaduras acho que eu teria mais liberdade para tentar curá-la.
Percebi segundos depois que Elesis já estava desmaiada. Meu desespero subiu a cabeça. Se ela morresse, eu me sentiria pior ainda. Na mais rápida velocidade possível, afrouxei todas as suas roupas. Não tinha tempo para me sentir desconfortável com aquilo.
Unhas azuladas. Hemorragia. Eu estava perdendo tempo. Respiração boca-a-boca? Não sabia como fazer. Então finalmente me ocorreu que eu teria de pedir ajuda ao reino. Por algum motivo, a Princesa estava ainda no jardim. Em alguma situação normal, eu teria-me assustado e fugido, mas não dava mais.
— Lire! — Gritei, ainda que tímida.
Ela me fitou incrédula. Ninguém chamava uma Princesa pelo nome. No mínimo, senhorita Lire ou algo do gênero.
— Eu preciso da sua ajuda. De verdade. Elesis está desmaiada, provavelmente morrerá em breve se eu não resolver isso. Por favor!
— Homens — ela ordenou — entrem ali e vejam o estado da vítima. Se preciso, chamarei mais tropas com o que for necessário. Sejam rápidos.
Agradeci mentalmente. Pela primeira vez, me curvei e demonstrei algum respeito a família Real. Uma única pessoa que me deixou feliz. Elesis. Eu precisava salvá-la.
Mas ela já estava morta.
Notas finais
Que droga, sério. Sério mesmo. Esse vai ser o pior capítulo dos exatos 1000. <-
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