Finding Karina
1 Prólogo
Jornal – A Esfera
Rio de Janeiro. Quarta-feira, 17 de agosto de 2014.
GAROTA VOLTA PARA FAMÍLIA APÓS QUASE 16 ANOS LONGE DE CASA
Quando tinha apenas um ano, a garota Katarina Duarte foi raptada por Jorge Lobo. Ele a manteve como sua filha por todos esses anos. Ela recebeu o nome de Karina Lobo e viveu em São Paulo com o suposto pai até ontem. Katarina foi reconhecida por um delegado, que cuidou de seu caso no Rio anos atrás, quando foi detida junto de outros jovens por invadir um parque abandonado ontem.
Ela já foi liberada e está voltando para família hoje. Um amigo da família disse: “Todos nós estamos muito felizes de poder reencontrar a nossa Katarina.” A polícia ainda investiga os motivos que levaram Jorge Lobo a raptá-la. Tudo que se sabe é que ele fugiu e está foragido. Por favor, se souber qualquer informação, comunique a polícia.
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Ela não conseguia acreditar. Seu pai. Sua família. Seu nome. Sua vida. Nada disso era mais dela. Seu pai não é quem achava que era. Agora, ela tem uma irmã, dois meio-irmãos e uma madrasta. Além de um pai novo que a única coisa que ela sabia sobre era o seu nome. Seu nome não é Karina Lobo. Seu nome é Katarina Duarte. Sua vida não era mais sua vida.
Mais cedo naquele dia, Karina havia sido presa por invadir um parque de diversões abandonado. Nada muito radical em comparação às diversas encrencas que ela havia se metido com seus amigos. Rachas, bebidas, festas que duravam um fim de semana. Ela nunca havia entrado em encrenca por nada disso. Seu pai nunca ligou muito. “De todas as coisas doidas que eu havia feito, eu fui apreendida por invadir um parquinho de diversões, que decadência,” refletiu Karina enquanto encarava o teto.
O delegado havia lhe reconhecido e lhe mandado para casa, pelos menos, é o que o jornal fala. Que ela está em casa agora. “Mas minha casa não é no Rio. Minha casa é em São Paulo junto do meu pai e do pessoal da Khan. Nada disso está certo. Eu preciso voltar,” pensou antes de, enfim, fechar os olhos e adormecer.
Karina não queria aceitar que estava naquele quarto que não era dela. Naquela cama que ela nunca havia deitado. Com a irmã que nunca havia visto no mesmo quarto. Naquele bairro desconhecido aos seus olhos. Numa cidade tão diferente da sua. Karina não queria aceitar que sua vida havia mudado para sempre e ela teria que aceitar isso.
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