Finding Karina
3 Capítulo 2
CAPÍTULO 2 – Um Recomeço
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Olhares. Muitos olhares. Muitos olhares presos em Karina quando ela chega na academia junto do pai. Logo atrás deles vinham Dandara e João. A mulher subiu para a Ribalta e o garoto decidiu ficar para ver o que aconteceria. Afinal, ver o circo pegar sempre fora algo que João adorava.
Karina visivelmente incomodada parou perto da porta do escritório e Gael, ao notar a situação da filha, decidiu se pronunciar. “Yo! Sem cochichos. Todos vocês quietos prestando atenção em mim.”
Logo, seus alunos pararam de olhar para Karina, o que a deixou aliviada, e ele continuou a falar. “Essa aqui é a minha filha, a Karina. Quero que vocês a deixem em paz e que tenham muito respeito com ela assim como vocês sempre tiveram com a Bianca. Não quero nenhum marmanjo para cima dela!,” gritou a última parte encarando os homens ali presentes, chamando a atenção de Cobra que observava a cena do escritório. “Agora, vamos treinar. O último dia fácil foi ontem!”
“É isso aí, gente. A minha mais nova irmãzinha aqui é brava igualzinho ao mestre Gael, então vamos não provocá-la,” completou João, fazendo Karina revirar os olhos.
“João, cala a boca!,” respondeu Bianca de dentro do escritório.
“Aí, Bianquinha, não fala assim comigo, porque eu me magoo,” disse, provocando o riso dos lutadores, incluindo o de Gael. Em resposta, Bianca revirou seus olhos e voltou a prestar atenção em Cobra.
João, então, decidiu ir para o colégio e Panda começou o treino. Quando percebeu que Karina ainda estava parada perto do tatame, Gael a encorajou-a com o olhar. Ela sorriu e se juntou a turma para o seu primeiro treino na academia do seu pai. Do seu real pai.
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“Nossa, K. Você é muito boa nisso. Eu estou chocada!,” exclamou Fabi quando o treino acabou. Ela tinha sido sua dupla naquele dia. Ela parecia uma boa pessoa e, talvez, viesse a ser uma boa amiga no futuro.
“Ah, obrigada. Você também é muito boa.”
“Não precisa mentir, K. Sei que não sou boa, mas tudo bem. Quem sabe você me ajuda qualquer dia?,” respondeu com um leve sorriso estampando seu rosto.
“Claro, Fabi. Eu sempre ajudava umas garotas na academia do meu… do Lobão,” ao perceber seu quase deslize, Karina desconversou. “Bom, foi legal te conhecer, mas eu tenho que ir falar com o Gael.”
“Está bem. Tchau, K,” se despediu, indo em direção ao vestiário, enquanto Karina acenava. Com isso, ela se dirigiu para o escritório, onde a irmã e o pai estavam cada um em sua mesa. Eles logo se viraram para ela quando apareceu na porta.
“Oi, K. Como foi o treino?,” Bianca questionou animada.
“Bom. É bom treinar. Me ajuda a pensar melhor.”
“Eu entendo como é,” falou Gael meio preocupado. “Então, filha, eu estava aqui falando com a sua irmã. Temos que te matricular numa escola. O advogado da família já conseguiu seu histórico escolar. Estávamos pensando em ir agora no colégio onde o João estuda para te matricular. Que tal?”
“Parece bom, acho,” respondeu desanimada.
“Ei, K, vai ser bom. Eu compreendo que ter que mudar de escola no meio do ano é barra, mas vai ser bom. O João estuda lá e o Pedro também. Você não o conheceu ainda, mas ele é bem legal. Ele é o melhor amigo do mala do João.”
A mais nova riu um pouco. “Está bem. Eu vou lá com vocês.”
“Ótimo!,” exclamou Gael. “Vamos logo, então. Aproveitamos e buscamos os dois no colégio, já que o Renê tá viajando.”
“Pai, vai buscando o carro que eu e K avisamos ao Panda que vamos sair. Te encontramos na porta.” Com isso, Gael saiu e as duas conversaram brevemente com Panda.
Já fora da academia à espera de Gael, Karina questionou. “Quem é Renê?”
“É o ex-marido da Dandara e o pai do João. Enfim, eu queria te falar uma coisa. Sei que a Dandara te irritou, mas não fica brava com ela. Ela é incrível e, mesmo não sendo nossa mãe, ela sempre foi como uma mãe para mim. Se você deixar, será para você também.”
“Eu tentarei. Por sinal, desde quando ela e o Gael estão juntos?”
“Bom, eles se conheceram uns meses depois de você desaparecer. Eu tinha já uns cinco anos e o João tinha três. Eles logo se tornaram amigos e se ajudaram muito. Ela tinha acabado de ser abandonada pelo Renê e começado a dar aula de canto na Ribalta, aqui em cima. Por muitos anos, eles foram apenas amigos até…,” contou Bianca até ser interrompida por uma buzina.
“A gente vai ir ou vocês vão ficar aí tricotando e fofocando?,” perguntou Gael e elas entraram no carro, indo em direção ao colégio.
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Pacientemente, Karina esperava seu pai na sala de espera da diretoria do colégio. Ele estava conversando com a diretora para tentar matriculá-la o mais breve possível. Gael não queria que ela faltasse na escola mais. No entanto, Bianca estava impaciente à espera dos garotos saírem da aula. Era estranho voltar ao colégio mesmo que tivesse boas memórias de seus anos estudando lá. Perto da sala deles, ela se encontrava, então, batendo o pé no chão ritmicamente.
O sinal marcando o final da aula soou e Pedro e João saíram da sala surpresos com a presença de Bianca ali. “Veio me raptar, Bianquinha? Sei que seu amor por mim é enorme, mas não precisa fazer isso. Eu vou onde você quiser,” ele sorriu debochado, causando uma revirada de olhos na garota.
“João, menos. Vamos que o papai e K estão nos esperando,” retrucou, começando a andar em direção a diretoria.
“Nossa. Veio a comitiva toda me buscar. Gosto assim.”
“Calma. K?,” questionou Pedro.
“A Karina, maluco. Já te falei sobre a minha mais nova irmãzinha,” respondeu João.
Ao chegarem na sala em que Karina esperava, os olhares dela e de Pedro se encontraram e eles exclamaram em uníssono. “Você!?”
“Eu não que esse desaforado seja o seu amigo, João.”
“Desaforado? Você que é maluca, garota!”
“Calma, vocês se conhecem?,” questionou Bianca, confusa com a situação.
“Pois é, Pedro. Que história é essa?,” completou João.
“Esse idiota que você chama de amigo me derrubou na praça hoje mais cedo e ficou de gracinha comigo.”
“E essa maluca me ameaçou!,” causando risos no João e na Bianca e apenas parando quando um Gael confuso entrou na sala de espera. Junto dele, a diretora também veio.
“Oi, João e Pedro. Bom ver vocês dois,” disse e se virou para Karina. “Oi. Você deve ser a Karina. Prazer, meu nome é Aline. Pronta para começar amanhã?,” a garota loira assentiu. “Que ótimo! Ela estará na sala de vocês, meninos. Espero que sejam receptivos e mostrem para ela o colégio melhor amanhã.”
“Muito obrigada, senhora Alvez. Tenha uma boa tarde.”
Após isso, todos se despediram rapidamente da diretora e se encaminharam para o carro de Gael estacionado na frente do colégio. Bianca se acomodou no banco do passageiro, deixando os demais na parte de trás com João no meio para evitar brigas.
“E aí, João e Pedro? Como foi a aula?,” indagou Gael, dando início à conversa.
“Ótima, mas boa mesmo é essa história hilária sobre como o Pedro e a Karina se conheceram,” respondeu João com um sorriso de deboche.
“Cala a boca, João!,” Bianca bravejou.
“Que história é essa?,” Gael indagou.
“Nada, Gael. Esse amigo do João só não sabe o que é perigo. Só isso.”
“E a sua filha é uma esquentadinha. Nada demais,” Pedro completou, sorrindo bobo.
“Sei…,” respondeu Gael, desconfiado.
Com um olhar de ódio, Karina encarou Pedro que o devolveu com um sorriso leve. Enquanto isso, João, no meio dos dois, riu baixo da situação. Ele já sabia no que aquilo ia dar. Conhecia seu amigo bem demais para saber que aquela provocação toda tinha um motivo. Talvez, só ele pensasse isso, por enquanto, mas logo todos iriam enxergar até mesmo os dois envolvidos. Certeza, no entanto, ele tinha que aquela relação ia mudar rapidamente.
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