Finding Carter
16 Amongst the waves
P.O.V Lauren
Se alguém me dissesse que aquele dia seria daquela forma, eu possivelmente riria e consideraria a pessoa louca... Mas como eu aprenderia bem rapidamente: desgraça pouca é bobagem.
Primeiro meu namorado se torna suspeito no assassinato de duas garotas, além de mandar outra para o hospital, e depois minha irmã admite ter matado o irmão do meu namorado. Eu estava em choque, levando em comparação a vidinha sem sal que eu tinha, algo daquele tipo acontecer comigo, com a minha família, era no mínimo improvável. E eu definitivamente não estava lidando da melhor maneira possível, se bem que eu nem sei se existe realmente uma maneira certa de lidar com isso.
– Aquela garota é louca – Lindsay externou sua opinião. Nossos pais haviam nos deixado responsáveis por Noah, então estávamos em casa, sem notícia, completamente no escuro sobre o que ocorria.
– Você não sabe o que aconteceu, então dá pra calar a boca? – ralhei com mau humor.
– O que aconteceu é que ela admitiu ter matado um ser humano – Justin juntou-se a gêmea. Eles pareciam mentalmente conectados, gostaria de ter essa habilidade com Carter, talvez assim eu pudesse entender o que se passava na mente dela... Queria mais do que tudo ajudá-la.
– Vocês são dois idiotas, ouvi a mamãe dizer que foi legítima defesa, ele estava a enforcando – saí em defesa dela.
– Olivia e Hank puseram uma estranha dentro da nossa casa, não sabemos nada sobre ela além do vício em drogas e o temperamento explosivo – Lindsay avaliou e deu de ombros – Só estou dizendo, ela não é mais a garotinha de três anos que foi sequestrada – concluiu.
– Vocês dois são patéticos, na boa, Lindsay, cala a boca antes que eu vá aí e te faça calar! – gritei realmente irada. Como eles podiam falar isso da própria irmã? Carter não era nenhum anjo, mas estava longe de ser um demônio.
– Então vem, pirralha! – ela desafiou, possivelmente considerando que eu não fosse, mas como eu disse, eu não estava lidando muito bem com aquela situação.
Levantei do sofá e começamos a nos engalfinhar pelo chão, enquanto Justin assistia a cena, com Noah no colo.
Rolou muitos tapas, puxões de cabelo, alguns chutes, mais palavrões do que deveríamos pronunciar em frente a uma criança e só paramos porque Olivia chegou, ou teríamos outro assassinato nas mãos.
– O que está acontecendo aqui?! – Olivia gritou assim que atravessou a porta e se deparou com a lamentável cena.
Rapidamente nos soltamos. Ambas descabeladas e repletas de arranhões.
– Vocês perderam o juízo?! – inquiriu ainda irada, me puxando bruscamente pelo braço para que eu saísse de cima de Lindsay.
Não havia muito a ser dito, então abaixei a cabeça em resignação.
– Essa louca que começou – Lindsay, como sempre, tentava comprar seu passe para a liberdade.
– Duvido que ela tenha surtado sem motivo – minha mãe tinha uma hierarquia de filhos, mesmo que ela não admitisse, a sequência era: Noah, Carter, eu, Justin e por último Lindsay. Sempre soube que a garota era uma cobra disfarçada, a mais cínica e dissimulada da família.
– Claro que você irá defendê-la, é sua filhinha querida – a garota se fez de vítima, enquanto mamãe apenas a encarava com descrença.
– Eu não posso fazer isso hoje, Lindsay, eu não estou tendo um bom dia e não vou adicionar você aos meus motivos desse dia de cão – declarou de forma séria. Aprendera que para lidar com a primogênita de Hank era necessário uma alta dose de paciência.
A morena bufou de forma contrariada e se distanciou, subindo as escadas num ar rabugento, enquanto Justin a seguia... Sempre a seguindo.
Olivia afundou o corpo no sofá ao meu lado, suspirando pesadamente enquanto o rosto dedurava que ela andara chorando recentemente.
– Ela ficará bem, mãe? – perguntei, temia a resposta que ela me daria.
– Eu não sei, Lauren – admitiu num ar distante – Você não mata alguém e vai fazer serviço comunitário –
– Mas não foi legítima defesa? – eu estava realmente alarmada àquela altura.
A mulher deu de ombros – Eu não sei, Lauren – aquela frase parecia estar se tornando um mantra.
– Quanto tempo estamos falando? –
– Se ela não responder como uma adulta, três anos, ela não é ré primária o que dificulta um pouco nossa defesa – divagou e parecia ter envelhecido uma década em apenas um dia.
Mamãe sempre foi radiante, mesmo quando éramos criança, após Lori ter levado Carter, ela continuou radiante, embora sempre estivesse triste. Nenhuma das nossas conquistas parecia o suficiente para pôr um sorriso naquele rosto... De certa forma eu entendo Lindsay e Justin, o que passamos naqueles dez longos anos, em luto... Não foi fácil, e magoou ver a mudança em Olivia apenas quando ela engravidou de Noah, como se finalmente houvesse encontrado uma razão para sorrir novamente. Doeu compreender que aquele motivo nunca seríamos nós. Eu, Lindsay e Justin nunca seríamos o suficiente, nunca seríamos o motivo da felicidade de Olivia. Eu a perdoei, os gêmeos nunca conseguiram.
– Não há nada que possamos fazer? – três anos? Isso se ela tivesse sorte? Aquilo não me parecia uma previsão muito otimista de futuro.
– A faça falar, Lauren, a faça revelar o que aconteceu em Chicago entre ela, Crash e Max – ela praticamente suplicou e me olhava num ar tão devastado que me senti instantaneamente triste.
– Eu tentarei – a prometi e beijei-lhe a bochecha antes de levantar e segui até o meu quarto... Eu falaria com Carter, seria a primeira coisa que faria amanhã, mas hoje, eu tinha outros planos, e eles incluíam encontrar um possível serial killer. Como eu mencionei, eu não estou raciocinando corretamente.
†
Bem, acho que o interrogatório não foi tão bem assim... Ou sei lá. O fato é: meu avô não conseguiu me liberar naquela noite, mas eu teria uma audiência pela manhã, onde um Juiz avaliaria o caso e talvez estipulasse uma fiança... Meu avô tentou explicar, eu que decidi ignorar.
Fui levada até essa cela, recebi uma refeição gelada e tudo era tão frio que tive que me encolher num dos cantos da parede na tentativa de me aquecer. Não tinha mais lágrimas para chorar, simplesmente se esgotaram... O que era terrível, porque uma vez que as lágrimas se foram, só sobrou a insuportável dor. Mesmo morto o desgraçado do Crash ainda conseguia arruinar minha vida, e como assim ele “apenas” filmou? Quem tinha aquele vídeo? Quem havia feito aquilo? Meus pensamentos não acalmaram meu espírito, na realidade, pensar tornava tudo pior. Queria ser capaz de desligar ou ter pelo menos um comprimido que me fizesse desligar do mundo, mas não, maldita hora que optei pela sobriedade.
O tempo simplesmente não passava, não que eu soubesse que horas eram, retiveram todos meus pertences... Inclusive meus brincos, como se eu fosse me matar com algo daquele tamanho, patéticos. Mas a julgar pela dor nas minhas costas eu já estava sentada naquele chão duro a pelo menos três horas e o sol não dava nem sinal de despontar. Meu corpo implorava por descanso, mas meu cérebro não iria ceder a nenhum esgotamento físico, então fiquei olhando para as paredes pelas cinco horas seguintes. Se eu não era doida antes, eu possivelmente ficaria após aquela experiência.
Caminhei ao lado da policial olhuda, Burguess eu acho, até a corte, ela me deu uma das roupas de Lauren, possivelmente eles não achavam que as minhas passassem muito “respeito” perante um Juiz, as vesti meio a contragosto, sentia-me estranha, como se estivesse ocultando uma importante parte de mim... O que era parcialmente verdade, afinal, estava ocultando minha personalidade.
Meu avô, assim como Lauren, Jane e Hank estavam lá, procurei por Olivia, mas ela não estava presente, não deixei o decepção transparecer no meu semblante e apenas me sentei na cadeira designada, ao lado do meu advogado.
Para ser completamente honesta, comecei a cochilar durante a deliberação, até porque a maior parte do que eles dissessem eu não entenderia, então para quê o esforço? Fui tirada dos meus devaneios pelo bater do martelo e a frase: “Fiança estipulada em cem mil”.
Olhei por cima do ombro e todos pareciam aliviados e felizes, realmente não entendi como pagar cem mil malditos dólares era algo com o qual se alegrar. Pensei que uma fiança fosse dois mil, três mil... Cem mil?! Eles queriam comprar uma nova delegacia as minhas custas?!
– Por que estão felizes? – indaguei após meu avô se juntar a mim novamente.
– Você irá sair daqui – ele anunciou triunfante.
– Vocês não podem pagar cem mil reais só para me tirar daqui, é muito dinheiro – externei minha preocupação.
Ele me sorriu num ar tranquilizador – Não se preocupe com isso, tudo bem? Só não espere presente de dezoito anos – brincou e me puxou para um abraço.
Foi impossível não sorrir. Eu iria para casa.
†
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