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7 "Nós vamos ficar bem, eu prometo"


"Nós vamos ficar bem, eu prometo"

A primeira vez que a notícia saiu em uma revista, Molly Weasley foi a primeira da casa a ler. Ela estava terminando de preparar o café quando a coruja atravessou a janela e deixou sua correspondência em cima da mesa, Arthur já estava tomando seu café e as crianças ainda dormiam em um sono profundo em seus quartos, fazia dois meses que a guerra havia acabado e que Voldemort havia sido derrotado, mas Molly ainda mantinha seus filhos embaixo de suas asas, tentava protegê-los do mundo lá fora e das mentiras que contavam, principalmente sobre seu doce Harry.

Ela pegou um pouco de ração e deu a coruja que saiu voando, pegou a revista e a abriu, o Semanário das bruxas não era o tipo de leitura construtiva que a maioria das pessoas gostava, mas Molly sempre foi o tipo de pessoa extremamente curiosa, saber um pouco sobre a vida das outras era algo interessante para se fazer quando não se tem nada para fazer.

Folheou as primeiras páginas apenas olhando relance algumas notícias e fofocas, como o nascimento do bebê de alguma cantora famosa ou a mudança de um jogador para outro time, ela já estava quase fechando a revista quando algo lhe chamou a atenção, uma foto de Harry e Gina, eles sorriam um para o outro enquanto observavam roupas infantis em uma loja, muito provavelmente na Londres trouxa, Harry gostava de ficar entre os trouxas longe das câmeras e dos fotógrafos. Os olhos de Molly correram pela foto até o título escrito em letras garrafais "UM NOVO POTTER VEM AÍ", a matéria se iniciava contando sobre o passeio de Harry e Gina seguido de uma rápida entrada em uma loja de produtos para bebês e uma farmácia, onde eles saíram com uma sacola marrom. O coração de Molly parou por um segundo enquanto sua mente girava em busca de respostas.

—Bom dia, sra. Weasley. — a voz de Harry a tirou de seus devaneios, ela ergueu a cabeça para o garoto que agora considerava como um filho, então abaixou novamente o olhar para a foto tentando achar alguma pista de que não fosse ele.

—Bom dia, mãe. — Gina a saudou com um beijo enquanto ocupava seu lugar ao lado de Harry. — Alguma notícia importante, mamãe?

Molly olhou para a filha que exibia um sorriso maroto.

—Você por acaso não tem algo a me dizer, Ginevra? — Molly indagou mantendo o rosto sério. Gina parou a torrada a caminho da boca e então arqueou as sobrancelhas.

—Não, acho que não. — ela murmurou dando de ombros. Molly jogou a revista em cima da mesa à frente do jovem casal, ela observou como os olhos de Harry se arregalaram ao ler a notícia. — Mãe, você não pode acreditar em tudo que lê!

Molly semicerrou os olhos para eles tentando não demonstrar sua irritação.

—Estávamos apenas comprando alguns presentes para Teddy. — Harry explicou quando Arthur pegou a revista. — E depois fomos à farmácia para comprar um remédio para os pais da Hermione.

—Molly, querida. — Arthur a olhou de uma maneira carinhosa e ela relaxou momentaneamente antes de questionar ao casal.

—Mas me digam, vocês já dormiram juntos?

—Mãe! — Gina gritou alarmada enquanto Harry se tornava um pimentão vermelho.

•••

A segunda vez que a notícia foi publicada George Weasley foi o primeiro a ler, a revista era praticamente nova e tinha poucos assinantes, mas entre eles estava a bela Angelina Johnson, a quem o apartamento George frequentava com avidez nos últimos meses. Ele havia acabado de acordar quando percebeu a revista em cima da mesa, a coruja repousava em sua gaiola comendo e bebendo, George olhou para a capa que mostravam uma autora de sucesso que havia dado algumas afirmações ridículas e preconceituosas que afetaram muitas pessoas, ele franziu o nariz com um certo nojo da mulher, ainda era ridículo que existissem pessoas tão desprovidas de empatia e respeito pelo próximo. George apenas balançou a cabeça e virou a página, se pudesse arrancaria a capa, mas Angie o mataria por isso, na segunda página ele foi recebido por uma foto gigantesca de sua irmã, seu cabelo curto batia contra seu rosto cheio de sardas, ele estava um pouco maior do que da última vez que eles haviam se encontrado, Gina estava no País de Gales treinando para os jogos que se aproximavam, porém essa não era a notícia que a revista dava, ele franziu a testa e se sentou para ler a reportagem.

"NO BANCO DE RESERVA" estava escrito em letras grandes e vermelhas, na foto Gina estava sentada no banco olhando para suas colegas de time, algo normal para um treinamento, porém a reportagem afirmava que Gina havia sido colocada na reserva depois de quase desmaiar no campo e alegava que (segundo algumas fontes nada confiáveis) a artilheira estava passando mal nas últimas semanas, com vômitos e tonturas, ela se recusou a ir ao hospital dizendo que estava apenas com um simples resfriado, porém a revista afirmava que Gina na verdade estava grávida. George leu com mais atenção e tentou contar os dias para saber com quantos meses a sua irmãzinha estava, mas parou quando percebeu que aquilo era ridículo, Gina podia ter apenas vinte anos, mas era inteligente o suficiente para saber que engravidar naquele momento de sua crescente carreira seria um erro.

George imaginou se Harry já sabia daquilo, aquele era o tipo de reportagem que fazia o Potter ficar vermelho de raiva e invocar o grifinório que existia nele. E pensando bem aquela notícia só podia ser falsa, ele apostava muito que as tonturas de Gina era causadas por nada mais nada menos que alguns copos de vinho a mais depois do jantar, sua irmã tinha o terrível hábito de beber demais e comer de menos quando estava estressada, e o motivo de seu estresse se chamava Harry "está uma missão secreta longe de casa por mais de duas semanas" Potter.

—Por que você está sorrindo? — dois braços envolveram seu pescoço e o hálito fresco de menta fez cócegas em sua bochecha.

—Apenas pensando em como parabenizar o Harry quando ele voltar.

—Parabenizá-lo? — Angelina sentou na mesa e encheu sua xícara com café.

—Pelo bebê, ora! Minha doce Ginny está grávida. — ele disse. Angelina quase cuspiu o café que tomava, George riu e então explicou em um tom descontraído. — Pelo menos é isso que sua revista está afirmando.

Ele empurrou a revista para ela e a deixou ler a reportagem em silêncio.

—Isso é sério?

—Não. Você não lembra que da última vez que saímos minha irmãzinha quase fechou o bar? Gina definitivamente não está grávida, apenas com saudades de Harry. — George deu de ombros e Angie apenas suspirou irritada, sua prima era quem fazia parte da redação da revista e havia sido a autora daquela matéria.

—Meu Merlin, eu vou matar a Linda. Como ela ousa fazer uma matéria sensacionalista como essa? Eu já disse para ela checar os fatos e não apenas publicar mentiras. Quer saber, eu vou mandar uma carta para ela agora mesmo e dizer algumas coisas que já deveria ter falado há muito tempo.

George observou Angelina se levantar da mesa com a mesma determinação de quando jogava quadribol, ele suspirou e puxou novamente a revista sabendo que a doce e fofoqueira prima Linda não teria vez contra a ira de seu anjo.

•••

A terceira vez que a notícia surgiu ela não foi publicada em uma revista, na verdade ela nem foi exposta ao público, pois a primeira pessoa que soube da notícia ainda não havia decidido compartilhá-la com ninguém. Gina olhou em choque para o pequeno pedaço de plástico em sua mão e pensou em tudo o que havia feito de errado nos últimos meses.

—Eu vacilei. — ela sussurrou passando a mão pelo cabelo. — Eu vacilei… essa não.

Ela se virou no pequeno banheiro desejando poder desaparecer por um segundo. Seu primeiro pensamento foi Harry e como eles finalmente haviam se estabilizado depois de tantos anos. Eles estavam noivos, sim, mas ela ainda era uma jogadora profissional que viajava com uma certa frequência e ele era um Auror que a cada semana poderia estar em um lugar diferente. E ainda havia o fato de que ela tinha apenas vinte dois anos.

Gina voltou a olhar para o teste, as chances dele estar errado eram altas, não é? Hermione havia falado uma vez que alguns testes poderiam dar falso positivo e talvez aquele fosse um desses testes.

—Sim. Totalmente errado, qualquer um pode estar algumas semanas atrasadas e só perceber isso quase um mês depois. — ela resmungou se sentando no chão e jogando o corpo contra a banheira. — Aí merda… eu ferrei tudo desta vez.

Gina deixou o teste no chão e puxou as pernas contra o peito, abraçou os joelhos e fechou os olhos. Se Karen não tivesse aberto a boca e Lonne não tivesse, mesmo sem querer, concordado com ela, Gina não estaria naquela situação. Ela ainda seria cega e isso seria bom porque seu trabalho necessitava que ela fosse cega.

—Gin, cheguei! — a voz de Harry ecoou pela casa até o banheiro, ela ouviu os passos dele subindo a escada e cruzando o corredor. — Gina, você está aqui?

—No banheiro.

A porta abriu e Harry entrou, sua presença fez o coração de Gina inchar, ela olhou para seu namorado, seu cabelo escuro bagunçado e os olhos verdes que a encaravam com preocupação.

—Qual o problema, amor? — Ele indagou, ela pegou o teste e jogou em sua direção, com seus reflexos rápidos de apanhador Harry pegou o teste no ar. Ela observou o rosto dele mudar de preocupação para preocupação extrema. — Oh… ok… como eu devo reagir?

Gina revirou os olhos e bufou irritada enquanto apertava ainda mais as pernas contra si. Harry teve o senso de se sentar ao seu lado e a envolveu em seus braços.

—No que você está pensando?

—Em como eu estou com vontade de socar a cara da Karen, aquela vaca maldita. — Gina grunhiu.

—O que Karen fez desta vez?

—Ela veio com aquele tom esnobe dizendo que os biscoitos que eu fiz para as crianças da sala de Teddy tinham muito açúcar e que como ela é a chefe do conselho de pais, ela achou melhor não dar os biscoitos. Eu apenas queria lançar uma azaração naquele rosto de porcelana dela e ver como ela se virava com os furúnculos nojentos.

—Ok, entendo que você esteja irritada. Mas Karen não vale uma ida ao Ministério.

—Eu sei. Ela é uma vaca e eu não posso mudar isso. — Gina suspirou e sentiu Harry acariciar seu cabelo, seus dedos brincando entre as mechas. — Eu queria saber onde errei, nós fomos tão cuidadosos.

—Talvez tenha sido naquela noite depois do jogo ou naquela outra noite quando estávamos bêbados demais para pensar ou naquela em que o sofá estava perfeito ou quando…

—Está bem, eu entendi. Não somos exatamente cuidadosos.

—Você não quer esse bebê, Gina? — Harry indagou, havia um certo nervosismo em seu tom, pois aquela era a pergunta que ele queria evitar fazer e que ela queria evitar ouvir.

—Claro que eu quero, Harry. Eu sempre quis ter um filho com você, só que isso parece estar acontecendo tão rápido e tão cedo. Eu tenho apenas vinte e dois anos.

—Minha mãe me teve com vinte e se casou com dezenove. E sua mãe…

—Eu sei, eu sei. Mas isso é diferente. Seus pais estavam no meio de uma guerra e mamãe… — Gina jogou as mãos para cima e suspirou. — Eu já desisti de entender o porquê de tantos filhos. Mas nós somos diferentes, nós deveríamos aproveitar um pouco mais antes de ter filhos, deveríamos ter mais aventuras.

—Eu já tive aventuras o suficiente por toda a minha vida e você sabe muito bem disso. — Harry alegou. Gina se encolheu contra ele e fechou os olhos. — Eu sei que você está assustada e sei que está confusa, mas eu estou aqui e sempre estarei, está bem?

Ela assentiu com a cabeça e relaxou quando sentiu os lábios dele tocarem sua testa. Passou a mão pela calça jeans a fim de secar a palma suada, mas acabou colocando sua mão sobre o estômago, não havia nenhum sinal de gravidez ou qualquer sintoma comum que pudesse indicar que ela logo teria um bebê, se Karen não tivesse aberto a boca e falado sobre sua segunda gravidez talvez Gina nunca soubesse do seu bebê.

—Como você descobriu? — Harry indagou.

—Karen e os malditos biscoitos. Ela disse que eles estavam doces demais e eu disse que não, Lonne provou um deles e também disse que havia açúcar demais, mas eu não senti que eles estavam doces. — Gina grunhiu ao lembrar da cara de esnobe de Karen. Merlin, como ela não suportava aquela mulher com seus cardigans em tons pastéis e o cabelo loiro falso. — Então Karen disse que também ficou assim durante a sua segunda gravidez, que em algumas mulheres grávidas o paladar pode ser alterado. Eu a ignorei, mas tive que fazer um teste para ter certeza e aqui estamos nós.

—Acho que é a primeira vez que Karen acerta em algo. — Harry brincou. Gina abriu os olhos e encarou seu namorado. — Nós vamos ficar bem, eu prometo.

—Eu sei que vamos. Eu tenho você.

Harry sorriu e se inclinou sobre ela, depositando um beijo suave em seus lábios.

—Eu tenho algo para você. — ele sussurrou se afastando apenas alguns centímetros. Gina não desviou o olhar do rosto dele, ela estendeu a mão e tocou em sua barba, seus dedos mapearam o contorno de seu rosto, ela já havia memorizado cada traço dele, cada pequena cicatriz em sua pele, todas as suas expressões e olhares. Gina conhecia cada um deles e se orgulhava por isso.

—Eu nunca amei alguém como você. — ela revelou, sua voz rouca e baixa. — Nunca pensei que pudesse amar alguém como eu amo você, mas eu amo esse pequeno ser que está crescendo dentro de mim, porque ele é uma pequena parte sua e minha.

—Eu te amo tanto, Gin. E vamos passar por isso juntos, como sempre — Harry falou, seus olhos brilhavam como estrela ao anoitecer e o sorriso nunca deixou seu rosto. Ele levou a mão dela até os lábios e beijou seus dedos, o lindo anel de diamante, pequeno e discreto brilhou com a luz do banheiro.

—Por que nada que envolva nós sai como o planejado? — ela indagou lembrando que nem a proposta de casamento havia sido tradicional.

—Bem, digamos que algo planejado é bem chato. Somos, como seus pais adoram dizer, criaturas sem hábitos, somos pouco tradicionais, querida.

Gina riu e então o beijou, ele a envolveu em seus braços e a beijou como se o mundo estivesse prestes a acabar, mas para eles estava apenas começando.