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3 "Apenas um erro de cálculo"


"Apenas um erro de cálculo"

—Prestem atenção que eu só vou falar uma vez. — Charlie encarou os quatro adolescentes a sua frente com o melhor olhar sério que conseguia. — Eu vou sair e ficarei fora por no máximo uma hora, eu verei meus amigos e beberei um pouco, mas será apenas um hora. Mamãe logo voltará e se ela chegar antes de eu voltar, digam a ela que eu acabei de sair. Tente não queimar ou destruir a casa enquanto eu estiver fora.

—Não somos mais crianças, Charlie. — Rony murmurou olhando para o irmão.

—Não, apenas quatro adolescentes com os hormônios fora de controle. — Charlie olhou para cada um deles, desde sua doce irmãzinha até seu irmão, os quatro pareciam a imagem da inocência, mas ele já havia tido aquela idade e não havia nada de inocente ali. — Eu vou, mas volto.

Gina revirou os olhos e se levantou, começou a empurrar Charlie em direção a porta da cozinha.

—Tchau, Charlie. Tenha um bom passeio. Estaremos aqui quando você voltar, não se preocupe. — Gina fechou a porta antes mesmo que Charlie pudesse protestar, ela se virou sorrindo. — Temos a casa só para nós, o que vamos fazer?

—Tantas possibilidades. — Rony afirmou se levantando da poltrona e se sentando ao lado de Hermione, ele casualmente passou o braço ao redor dos ombros dela exibindo um sorriso animado.

Gina não precisou pensar muito para saber exatamente o que eles fariam, em poucos segundos ela se viu subindo as escadas em direção ao seu quarto enquanto deixava Ron e Hermione para trás em uma conversa profunda que logo se transformaria em uma sessão de amassos no sofá da sala. Gina puxou Harry para dentro de seu quarto e encostou a porta, eles teriam pelo menos um pouco mais de privacidade.

—Não vamos fazer nada demais. — ela assegurou a Harry quando viu a hesitação nos olhos dele. Harry odiava contradizer a Sra. Weasley, Gina sabia que se ele pudesse faria tudo para ser bem visto aos olhos dela, mas nesse momento, enquanto sua mãe estava na casa de Andrômeda e seu pai ainda no Ministério, Harry parecia um pouco mais relaxado.

Ela passou os braços ao redor do pescoço dele e se ergueu, a sola dos pés contra o chão, seus lábios se encontraram com os dele, um beijo calmo e caloroso, as mãos dele percorreram suas costas por cima da blusa que ela usava, membro sendo inverno a Toca continuava quente, e seu quarto aos poucos se tornava ainda mais, a temperatura aumentando à medida que as ações de Harry se tornavam mais intensas. Gina deu alguns passos para trás, em direção a sua cama, sentindo que logo precisaria sentar.

Os lábios de Harry desceram pelo canto de sua boca, passando pelo seu queixo até o pescoço, Gina soltou um suspiro e puxou Harry para que eles caíssem na cama, porém no momento em que se sentou ouviu um suave pio e um "poof".

—O que foi isso? — ela sussurrou tentando recuperar o fôlego. Harry cantarolou alguma coisa, mas parecia ocupado demais com os lábios contra a pele dela para se importar. Gina tentou ignorar seus questionamentos, tentou focar apenas no que estava acontecendo naquele quarto, depois de quatro longos meses ela estava ali com seu namorado sozinha em seu quarto. Ela soltou um longo suspiro quando os lábios de Harry desceram ainda mais e suas mãos subiram por baixo de sua blusa. Eles se mexeram na cama e ela novamente ouviu um barulho, desta vez algo quebrando. — Espera.

Gina colocou as mãos sobre os ombros de Harry e o empurrou para fora da cama, ele soltou um suspiro aborrecido, mas saiu de cima dela.

—O que foi, Gin? — ele indagou colocando as mãos na cintura. Gina se levantou e olhou para sua cama, os lençóis estavam bagunçados, por isso ela rapidamente os retirou e ofegou quando viu a pequena bola roxa esmagada em sua cama.

—Arnaldo! — Gina se ajoelhou ao lado da cama e pegou a pequena bola de pêlos entre as mãos. — Não!

Passos foram ouvidos fora do corredor e a porta se abriu brutalmente revelando um Ronald Weasley vermelho.

—O que você fez com a minha irmã, Potter? — Rony indagou olhando para Harry, que apenas revirou os olhos.

—Arnaldo. — Gina virou as mãos para o irmão revelando o animal morto.

—Como isso aconteceu? — Hermione indagou se aproximando da amiga.

—Um mal súbito. — Gina murmurou.

—Gina sentou em cima dele. — Harry disse. Rony começou a rir, mas parou quando sua irmã lhe lançou um olhar irritado.

—Temos que enterrá-lo. — ela passou por ele e saiu do quarto. Os três se entreolharam por alguns segundos antes de seguirem a Weasley mais nova.

•••

O inverno naquele ano estava sendo frio demais para qualquer ser humano com algum senso de autopreservação sair de casa, era preferível ficar dentro onde estava mais quente, mas o senso de autopreservação de algumas pessoas havia se extinguindo no momento em que resolveram lutar contra as forças do mal. Por isso não foi uma completa surpresa quando George encontrou quatro figuras familiares do lado de fora da Toca em uma noite fria de dezembro olhando para um buraco cavado perto da horta vazia e para a caixa nas mãos de Hermione. Harry e Rony estavam fazendo uma sinfonia ridícula com barulhos nasais e batidas contra a garganta simulando gaitas de fole, ou pelo menos uma versão fracassada delas.

—O que diabos vocês estão fazendo? — George indagou ao se aproximar, mãos dentro do casaco preto que ele usava estava frio demais para ficar mais do que dez minutos fora de casa.

—Um funeral para Arnaldo. — Gina explicou, seus olhos não deixavam a caixa nas mãos de Hermione. George reprimiu a risada e manteve a expressão seria a questionar.

—Como ele morreu?

—Um mal súbito. — Gina disse.

—Velhice. — Harry falou.

—Gina sentou em cima dele. — Rony revelou recebendo um olhar irritado da irmã.

—Então vocês resolveram fazer um funeral no meio de um início de tempestade. — George olhou para cima, o céu escuro e a neve caindo contra eles era um belo indicativo do que estava por vir. — A coisa mais lógica a se fazer, obviamente.

—Vamos apenas enterrar ele, Gina. Está ficando frio demais e eu realmente não quero passar outro dia de inverno no meio da neve. — Harry resmungou, suas lembranças do inverno passado não eram das melhores.

—Então diga algumas palavras sobre ele.

—Eu realmente não sei o que falar sobre ele. Eu não gostava dele. Ele sempre se intrometia nos piores momentos. Parecia com você, Rony, só que ele era menor e mais irritante.

George riu quando seu irmão mostrou o dedo do meio ao amigo.

—Dean gostava dele, talvez seja melhor chamá-lo para…

—Não ouse! — Harry olhou irritado para Gina que apenas sorriu sabiamente. Ela amava irritar o namorado.

—Então diga algo legal.

Harry suspirou como um prisioneiro à beira da morte. George compartilhou uma risada com Hermione e Rony diante da pequena briga entre os dois namorados.

—Arnaldo era um pequeno ser de luz que brilhava intensamente em nossas vidas. Ele teve um longa vida e agora está em paz. — o ar dramático de Harry faz o George rir novamente, aquela era a melhor diversão que ele estava tendo em semanas. — Seu pio, tão doce, poderia ser ouvido há quilômetros, até agora eu posso ouvir ele… na verdade eu realmente posso ouvir ele agora.

Harry abriu a caixa nas mãos de Hermione e soltou um palavrão quando Gina guinchou de felicidade.

—Ele tava morto! — Rony gritou ao se aproximar. A pequena bola de pelos flutuou até Gina e se envolveu em seus cabelos em um gesto de carinho.

—Agora que ele está vivo, podemos voltar para dentro? Estou ficando ensopada aqui. — Hermione resmungou batendo o pé contra a neve.

Todos concordaram e entraram na Toca, casacos foram jogados ao leu enquanto eles procuravam um lugar próximo a lareira para se aquecer.

—Então, vocês estão sozinhos aqui? — George indagou esfregando as mãos uma na outra.

—Mamãe deixou Charlie olhando a gente enquanto ela ia visitar Andrômeda, mas Charlie teve alguns problemas urgentes para resolver. — Rony explicou ao se sentar em uma cadeira de frente para a lareira.

—Charlie saiu para beber com os amigos?

—Com certeza. — Harry afirmou trocando um sorriso com George.

A conversa fluiu normalmente entre eles, atualizações sobre seus trabalhos ou sobre Hogwarts, eles riram sobre algumas e ficaram imensamente tristes ao lembrarem de quem não estaria ali com eles. Eles se sentaram em silêncio apenas observando o fogo na lareira.

—Vocês ouviram isso? — Hermione subitamente indagou erguendo a cabeça.

—Não. — eles disseram ao mesmo tempo, ignorando-os, ela seguiu até o caixão improvisado de Arnaldo e abriu a tampa, havia duas bolinhas de pêlos encolhidas em cantos a postos.

—Pessoal, acho que vocês deveriam ver isso.

Os cinco cercaram a caixa observando os novos animais, um deles tremeu por inteiro e então vomitou uma nova bolinha de pêlos.

—Que merda é essa? — Rony indagou.- George?

—Não tenho a menor ideia. Não era para isso acontecer. E também não era para ele voltar dos mortos no estilo Harry Potter. — George deu de ombros e coçou o queixo quando a outra bola de pêlos vomitou uma nova bola de pêlos. — Eles estão se multiplicando bem rápido. Mas isso não deve ser ruim, eu vou levá-los para a loja e vendê-los como sempre.

—Não acho que seja uma boa ideia. — Hermione murmurou com preocupação. — Há algo de errado com eles.

—Não há nada de errado com… Pelas barbas de Merlin, como eles estão fazendo isso!

Aparentemente os mini-pufes estavam se multiplicando em uma velocidade avassaladora, transbordando através da caixa para a mesa.

—Oh merda, isso parece um feitiço multiplicador. — Rony grunhiu enquanto se afastava da mesa, puxando Hermione consigo.

As pequenas bolas de pêlo começaram a voar ao redor deles, se emaranhado em seus cabelos e se chocando contra seus rostos. Harry abaixou a cabeça quando um deles voou desorientado.

—Isso é como uma maldita infestação, só que ridiculamente rosa. — ele resmungou. — George, o que está acontecendo?

—Eu não sei, eles não deveriam fazer isso.

—Você criou ele, você deveria saber!

—Então sobre isso… — George soltou uma risada nervosa e olhou de soslaio para eles. — Ele não foi exatamente criado na Inglaterra ou na nossa loja ou por nós. A gente ganhou ele em uma aposta há alguns anos, sabe? Pensamos que não seria uma má ideia vender eles, são fofos e coloridos, fizeram tanto sucesso entre as garotas que apenas continuamos a vender.

Quatros pares de olhos encaram o Weasley com descrença, Hermione parecia próxima de um colapso nervoso.

—GEORGE!

—Desculpa! — ele deu ombros, mas reprimiu a risada quando percebeu que os mini-pufes estavam se reproduzindo mais rápido que o aconselhável.

—Agora, como vamos lidar com isso? — Gina indagou recuando para trás e segurando o braço de Harry.

—Nunca os alimente após a meia-noite. — Harry murmurou olhando assustado para a invasão de bolas coloridas.

—O quê?

—Um filme que eu assisti há muito tempo atrás, falava sobre um pequeno e fofo animal que quando alimentado depois da meia-noite dava origem a outros pequenos, porém muito feios, animais que aterrorizavam a cidade.

—Você está falando de Gremlins? — Hermione olhou de soslaio para Harry, que rapidamente assentiu. — Eu odeio esse filme.

—Mas você se lembra como eles foram derrotados?

—Água. — eles disseram ao mesmo tempo antes de girarem suas varinhas e lançarem jatos contra os animais.

•••

Havia caos quando Charlie chegou a Toca, seus olhos se arregalaram quando ele percebeu todas as marcas de queimadura nas paredes e as poças de água no chão, ele tentou ignorar o pêlo colorido espalhado por todos os móveis e focou apenas nos adolescentes que haviam sido deixados sozinhos há menos de uma hora.

—Que merda é essa?! — Charlie gritou.

—Bem, primeiramente, isso é tudo sua culpa. — Gina disse com sua respiração ofegante. — Você nos deixou sozinhos.

—E você tinha apenas um trabalho. — Rony afirmou apontando a varinha na direção dele. — Mamãe vai te matar.

Charlie respirou fundo e começou a pensar como resolver aquela situação, mas para seu azar a lareira crepitou quando o fogo consumiu a lenha e então sua mãe saiu do meio o fogo verde, ela olhou ao redor uma e então duas vezes, seus olhos se arregalaram cada vez que percebia algo novo naquela confusão. Charlie se encolheu contra si mesmo e tentou miseravelmente se esconder contra a porta.

—Charlie, o que aconteceu aqui? — sua mãe indagou em tom calmo demais para que ele mantivesse suas esperanças de sair impune.

Ele olhou para seus irmãos e então para sua mãe, desviou o olhar para a sujeira que estava a casa e novamente para seus irmãos, George lhe deu sorriso convencido, Rony apenas deu de ombros, Gina soltou um suspirou, Harry coçou a nuca parecendo incerto do que fazer, já Hermione apenas revirou os olhos em irritação. Charlie se voltou para sua mãe e convocando toda a coragem que tinha, e torcendo intensamente para que ela não o matasse antes do natal, disse.

—Apenas um erro de cálculo.