Find me on the stars (Jin x Maya)
1 My favorite star (capítulo único)
~ Jin ~
O sol estava se pondo e eu, ao contrário de todas as outras pessoas, que anseiam pelo sol, aguardava ansiosamente a chegada da noite... Sua escuridão era calma e quieta, tratava-se do melhor horário para sentar em meio à uma clareira e meditar. Ou simplesmente deitar e admirar as estrelas.
Uma em especial, é minha favorita... Talvez pelo seu brilho avermelhado que parecia transmitir calor e afeto, ou talvez por simplesmente estar ali... Seu nome eu não me lembrava, acho que não era visível à noite na época que minha mãe me ensinou os nomes das estrelas e constelações...
Todos afirmam que estrelas são apenas imensas esferas que emitem luz no espaço. E que, ao olharmos as estrelas, olhamos para o passado, pois elas estão há milhões de anos de distância... Mas eu acredito que elas sejam mais que isso... Acredito que tem algo de mágico nas estrelas... Eu acredito...
~ Maya ~
Do alto eu o via... Deitado enquanto olhava diretamente para mim... Meu desejo era descer até lá e abraçá-lo forte, dizendo “Tudo ficará bem, Jin... Eu estou aqui...”
Eu queria descer...
Mas não sabia como, quando ou se podia...
Eu queria ajudar Jin Kazama...
Mas minha mente estava recheada de dúvidas e eu não conseguia pensar com clareza ou decidir o que fazer...
Por que tão confuso?
~ Jin ~
Pisquei os olhos por um instante e minha estrela favorita pareceu ficar maior. Estranhei aquilo, mas continuei a observá-la, enquanto ela parecia crescer e crescer... Até o momento em que aquele foco de luz imenso e vermelho começou a vir em minha direção... Me afastei dali, recuando um pouco assustado.
Aquela esfera de luz parecia queimar meus olhos, que se recusaram a ficar abertos com tamanha claridade... Só sei que quando os abri novamente tive a visão mais linda de toda a minha vida...
— O... Onde eu estou? – Perguntou, com sua voz doce e delicada.
Era uma garota ruiva... Os cachos vermelhos caindo como cascatas nas costas... A pele alva quase que brilhando por conta própria... Os olhos gentis em um tom entre o verde e o castanho que fascinavam... O sorriso angelical e o corpo contornado com tamanha precisão que só pude concluir que ela era um anjo... Principalmente por causa do vestido vermelho e longo que ela usava.
— Quem é você? – Perguntei, intrigado.
— Eu... Eu... – Começou, sem saber o que dizer.
— Você... É... Uma ilusão da minha mente? – Indaguei, com quase certeza de que ela não era real.
— Não! – Exclamou ela, um pouco assustada. – Eu sou... Uma estrela... – Sorriu gentil, com receio de que eu pudesse desacreditar
— Como assim uma estrela? Você me parece mais... Maya... – Disse, entoando a última palavra num sussurro, como se dizê-la em voz alto pudesse fazer a garota desaparecer.
— Maya? – Perguntou-me a ruiva.
— Maya significa... Ilusão... – Respondi, baixo.
— É... Uma palavra bonita... – Sorriu docemente.
— Então, Maya... Você não pode ser uma estrela... – Disse, incrédulo, enquanto me aproximava dela.
— Eu... Não sei direito como vim parar aqui... Só sei que... Eu estou aqui, Jin... – Deu de ombros docemente, abrindo os braços como se oferecesse um abraço.
— Como sabe meu nome? Sabe quem eu sou? – Recuei dois passos.
— Eu... Via você... De lá de cima... – Apontou para o céu. – Sei de tudo que você passou, Jin... E quero te ajudar... – Estendeu uma mão em minha direção, gentilmente.
Ainda um pouco desconfiado, me aproximei da Maya e toquei sua mão. A pele dela era macia como pêssego e o pequeno contato com a minha já me trouxe um arrepio por toda a espinha... Como pode uma ilusão parecer tão real?
— Maya... – Sussurrei, pasmo.
— Acredite em mim, Jin... – Disse, colocando sua outra mão por cima da minha, acariciando ali com sua pele suave e macia.
— Maya, eu... – Comecei a falar, tentando ser racional.
Porém, assim que meu olhar encontrou aqueles olhos verdes e gentis vacilei. Minha vontade foi de abraçá-la forte até que tudo em volta sumisse e restássemos apenas eu e ela... Mas ela foi mais rápida e me abraçou primeiro, se lançando em meus braços e afundando o rosto em meu pescoço.
O mundo parou naquele instante, foi como se nada mais importasse além de nós dois ali... Abracei-a de volta e afundei meu rosto em seus cabelos, inalando aquele cheiro doce e suave que me lembravam flores... Tudo nela parecia tão perfeito e delicado que cheguei a pensar que ela era um anjo que veio para cá com a missão de me destruir... Ou me salvar...
— Venha... Vai esfriar... – Afastei-a de leve e segurei sua mão.
Fui conduzindo-a até a cabana onde eu tinha passado os melhores dias da minha vida, quando minha mãe ainda era viva e quando eu ainda era uma criança, uma criança inocente que só via as coisas belas e boas do mundo, que não via o quão podre e corrompido esse mundo se tornou. A época que eu era como... Como Maya...
Abri a porta e entrei com ela no lugar, me sentei no sofá e indiquei que a ruiva se sentasse também. Ela então tombou a cabeça docemente para o lado e, ao invés de se sentar, deitou-se ali, com a cabeça no meu colo. Me limitei a sorrir e fazer-lhe um cafuné, assim como minha mãe me fazia, e Maya tratou de se aninhar em meu colo, sorrindo docemente.
— Ela também fazia assim em você, Jin? – Perguntou, com a voz mais suave por causa do carinho que eu lhe fazia.
— Minha mãe? – Indaguei, ela assentiu.
— Jun sempre foi uma mulher muito doce... Ela amava seu pai, Jin... E ele a ama muito... Até hoje... – Sorriu timidamente a ruiva.
— Kazuya não ama nada e nem ninguém, Maya. Ele só sabe o que é poder... Ele só quer poder... Poder e mais poder é tudo o que ele pensa... – Rebati suas palavras.
— Não é bem verdade... No fundo da alma dele eu vejo... Um lampejo de esperança e... Amor... Pode parecer que ele te odeia, Jin, mas no fundo ele te ama tanto quanto ama sua mãe... Ele não quer ceder a esse sentimento e correr o risco de perder quem ama outra vez... – Disse, com certa melancolia no olhar.
— E por isso preferiu ceder ao Devil? – Indaguei, um pouco irritado.
Seu olhar foi ao chão... Ali vi que tinha pego a ruiva de surpresa e tocado em um ponto do qual ela não gostava de falar. Ela levantou-se do meu colo e andou até a cozinha, dizendo que iria buscar um copo de água. Eu, rapidamente, fui atrás dela, pensando em como me desculpar por ter dito aquilo.
— Maya, eu... – Comecei, tocando de leve seu ombro.
— Não precisa dizer nada, Jin. Eu só... Não gosto dos demônios... Eles me assustam... – Disse, encarando os próprios pés e desviando seu olhar do meu.
— Mas você... Você não precisa ter medo deles... Eu estou aqui do seu lado... Estou aqui para te proteger deles... – Falei, tentando mostrar coragem e passar segurança para ela, que apenas riu baixinho.
— Não, Jin... Eu tenho medo por você... – Ela olhou em meus olhos e colocou a mão de leve em meu rosto. – Não quero que faça como seu pai e acabe cedendo... Quero que continue com esse coração puro que você tem, Jin... – Sorriu docemente.
Nossos olhares estavam fixos um no outro e tudo que eu pude fazer foi me perder naquelas duas esmeraldas que me encaravam. Seu olhar era tão cheio de bondade e calmaria... Trazia à tona a lembrança de uma floresta, mais especificamente da clareira onde eu gostava de ir para meditar... Fazia eu me sentir em paz.
Coloquei uma mão em seu pescoço e a outra em sua cintura, puxando-a calmamente para mais perto de mim... Eu não sabia o que estava fazendo ou porque estava fazendo, só sabia que precisava fazer algo, que precisava dela comigo. Então, quando nossos rostos estavam próximos ao ponto de sentirmos a respiração um do outro, ela fechou os olhos e inspirou profundamente, segundos antes de eu acabar com a distância entre nós selando nossos lábios num selar suave e lento.
Os lábios da ruiva eram macios como pêssego e sua cintura fina parecia se encaixar perfeitamente em minha mão. Ela acariciou minha bochecha com a mão que estava em meu rosto e subiu a outra até meu peito, se apoiando ali sem me afastar. Maya correspondeu ao meu beijo, o que me fez tomar atitude de aprofundá-lo aos poucos.
Ela entreabriu seus lábios no momento que sentiu o toque sutil de minha língua sobre eles, então fui adentrando sua boca e explorando cada cantinho daquele paraíso. O sabor dela era doce, como o mais doce néctar, e eu posso garantir que estava amando aquilo. Ela correspondia meus movimentos de forma suave, era como se estivéssemos dançando ao som de uma música lenta, eu conduzindo e ela seguindo meus passos à sua maneira doce de ser.
Nos perdemos um no outro enquanto durou aquele beijo, foi a melhor sensação que já tive em toda a minha vida... Eu me senti em paz, me senti feliz, amado e desejado. Nos separamos lentamente, nossos lábios relutando em se separarem, voltando a trocar selinhos suaves e adocicados depois do término do beijo. Então abri os olhos e vi o mais lindo sorriso do mundo voltar-se para mim, acariciei sua bochecha com o polegar e sorri de volta, radiante.
— Eu... – Começou Maya. – Não esperava... Isso... – Sorriu, com as bochechas extremamente ruborizadas e os lábios levemente inchados.
— Me-me desculpa... – Falei, extremamente envergonhado por ter agido no impulso e beijado a garota.
— Nã-não... Tudo bem... Eu gostei... – Murmurou timidamente a ruiva.
— Go-gostou? – Perguntei, incerto.
Ela assentiu, abraçando-me com ternura. Suas mãos acariciavam minhas costas de uma forma tão confortante... Levei as minhas até seus cabelos, onde fiquei fazendo cafuné de leve, para retribuir suas carícias e manter aquele clima gostoso... Era como se nós dois nos conhecêssemos desde sempre... Ou como se nossas almas estivessem ligadas por algum fio invisível...
E talvez estivesse...
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