Finalmente Parto

1 Finalmente Parto - Cap. Único


Estava tomando banho de banheira. Era uma manha agradável, os raios de sol que atravessavam levemente as cortinas traziam-me velhas lembranças... Balançando no balanço... Pega-pega no bosque... Com os amigos... Correndo... Liberdade...
Cheiros de rosas no ar... Tudo tão leve, tranquilo... Bonito.

Meu pai me chamava, com sua voz grossa, primeiro uma vez, depois mais uma, e a medida que repetia meu nome sua voz soava mais desesperada, urgente."estou no banho!" gritei. Ele continuava a chamar meu nome. Em seguida, foi a vez da minha mãe começar. Meu irmão gritou: "ela não está em lugar nenhum! A porta do banheiro está fechada! Talvez ela esteja lá!"

Até que enfim perceberam! Como puderam demorar tanto? Eles, então, já do lado de fora do banheiro, pediram para que eu abrisse a porta. Não conseguiram me convencer. Arrombaram a porta com sucesso, infelizmente. Estragaram meu banho.

Quando a porta, que antes estava trancada e encaixada em seu devido lugar, abriu, pude ver nitidamente as expressões em seus rostos mudarem. De alívio para desespero, de desespero para angústia, de angústia para horror. Sim, horror. Após isso mais nada, pois minha mãe cai de joelhos e seus cabelos cobrem sua face. Meu pai vai ao chão para ajuda-la, e meu irmão... Bom, esse ficou imóvel, como se estivesse congelado, observando uma cena grotesca de filme de terror na vida real. Procurei uma palavra que definisse sua expressão. Várias me passaram a mente: pavor, medo, choque... Mas nada realmente se comparava à aquela. Era muito mais do que qualquer palavra poderia significar, mais do que qualquer sentimento poderia parecer horrível.

Olhando profundamente o reflexo em seus olhos, imediatamente compreendi tudo: a razão pela qual minha mãe está caída no chão, a razão pelo desespero enquanto me procuravam, e principalmente a razão de todo o choque que minha família sentia.
Havia um corpo morto na banheira, um cadáver. Não era qualquer um. Era o meu.

Essa foi a minha vez de entrar em desespero. Todo o cenário à minha volta muda de repente. Agora, era digno de um filme de horror. Um corpinho magrinho, pálido e seco encontrava-se dentro da banheira, encostado em um dos cantos como se fosse um manequim, sem vida própria, mole. O braço direito pendia para fora da banheira, simplesmente morto. O corpo, que antes estava dentro d'água, encontrava-se dentro de sangue, puro e simples. Meu próprio sangue. O ar cheirava a morte.

A lua, tão bonita em sua forma cheia, reluzia uma luz magnífica e atraente, parecia me chamar para outro lugar, quem sabe para virar uma estrela e poder observá-la mais de perto...

Dou um último adeus a mim mesma e, finalmente, parto.

Notas finais
O que acharam? Ainda vamos postar muitas outras Creepys por aqui, então, fiquem ligados e KEEP CREEPING!
Gabi
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!