Finalmente Acabou
2 Capitulo 1
Notas iniciais
Assim que a luz do sol começou a invadir seu quarto, Charles acordou. Meio grogue de sono, ele ficou olhando fixamente para o guarda roupa durante cinco minutos, até resolver se levantar. Ele vestiu sua calça jeans preta, e uma blusa de manga comprida branca. Em seguida abriu a porta de seu quarto, e foi em direção ao quarto de sua irmã Penelopy.
– Levanta, está na hora de ir à escola- ele disse enquanto esmurrava a porta.
– Só mais cinco minutos...
Sem paciência para insistir, ele resolveu ir tomar café da manha. Assim que entrou na cozinha, abriu o armário em busca de algo para comer, mas não havia nada.
Nem um pedaço de pão ou cereal? Que merda.
Um pouco frustrado voltou até a sala, colocou seu all star preto e pegou alguns trocados que estava em uma caixinha ao lado da televisão. Com os passos acelerados saiu de casa e foi até a padaria
***
Assim que chegou a sua casa, foi direto à cozinha. Colocou um saco cheio de pâes na mesa, foi ate o armário pegou um prato e uma xícara. Colocou um pão doce e um francês no prato, cortou os dois e passou margarina neles. Abriu a geladeira e pegou uma jarra que continha suco de uva, encheu a xícara do suco e avançou no seu estranho café da manha.
Quando terminou sua refeição, foi colocar a louça na pia, mas por algum motivo ele ficou olhando pra janela. Naquele dia, o clima estava bem agradável, e às vezes passava uma brisa que fazia as folhas das arvores da rua balançar.
Quer saber vou apreciar mais um pouco o dia de hoje.
Com um rápido movimento se virou e pegou novamente as chaves que estavam na mesa. Foi até seu quarto, pegou uma agenda e uma caneta. Saiu do quarto e aproveitou para dar mais alguns murros na porta do quarto de sua irmã, e depois foi em direção à saída.
Ao invés de ir a algum parque, acho que vou pro último andar do prédio.
Em um ritmo acelerado começou a subir as escadas. Depois diminuiu sentindo um cansaço inesperado. Quando abriu a porta que dava a sacada do prédio, avistou uma pequena e delicada jovem que estava em pé na sacada. Parecia estar pensando ou algo do tipo. Charles ficou um pouco confuso com a situação, então ao invés de dar meia volta e ir embora, ele resolveu dar alguns passou em direção a jovem.
– Moça?
Nenhuma resposta.
Ela parecia estar perdida em seus pensamentos, então ele a chamou novamente, só que mais alto.
– Moça!
Com um pequeno susto, a garota arregalou os seus olhos e olhou pra trás. Seus olhos que são bem escuros estavam avermelhados, inchados e cheios de lagrimas. Sentindo um pouco de vergonha ela se virou.
– Por favor, vá embora. – ela disse com uma suave voz. Depois se virou novamente e ficou encarando o céu.
Com o coração acelerado, Charles resolveu andar em direção à garota. Posicionou-se a direita dela, mas com uma distancia respeitável.
– Moça sai da sacada, você é muito nova pra brinca de morrer. Me diz o que há, o que que a vida aprontou dessa vez.
A garota começou a sacudir a cabeça repetidamente fazendo um sinal de negação. Fez isso por um tempo e só então resolveu falar.
– Eu não aguento mais! Não aguento. Já tentei suportar, sério, já fiz de tudo, mas nada adiantou. — ela disse com um tom nítido de desespero.
– Venha desce daí. Deixa eu te levar pra um café, pra conversar. Aí você me conta o que está acontecendo. Eu prometo que vou te ouvir.
Charles estendeu sua mão esquerda para ela se apoiar nele e descer.
Ela recusou.
– Eu não quero conversar com você. Me deixe sozinha por favor.
Em seguida ela começou a olhar pra baixo, e voltou a pensar.
– Moça não olha pra baixo, ai é muito alto pra você se jogar. Vou te ouvir, te ajudar... Eu só quero tentar te convencer!
– Convencer o quê?
– Que a vida é como mãe, que faz o jantar e obriga os filhos a comer os vegetais, pois sabe que faz bem. E a morte é como pai, que bate na mãe e rouba os filhos do prazer de brincar, como se não houvesse amanha.
A garota olhou pra ele e depois pro céu.
Acho que esta funcionando.
– Mas tudo bem, nem sempre estamos na melhor.
Com uma cara um porco triste, Charles fica olhando para o chão. Começa a pensar em outra maneira de fazer a garota desistir de se jogar.
Pensa Charles, pensa!
A garota que estava calada pensando virou todo o seu corpo e ficou de frente pro Charles. Ela olha fixamente pro Charles, que com um pequeno susto retribui o olhar. Ele rapidamente estende sua mão esquerda pra ela, mas ao invés de segurar na mão de Charles ela fica o olhando e finalmente resolve falar.
– Moço ninguém é de ferro, somos programados pra cair.
E em seguida se joga de costas do prédio.
Charles corre em direção à sacada achando que vai dar tempo de segurar ou algo do tipo, mas a única coisa que ele consegue é ver o pequeno e delicado corpo da garota batendo com uma enorme força na calçada.
Em um movimento muito rápido, ele joga sua agenda no chão e entra no prédio. Começa a descer as escadas com muita rapidez, às vezes tropeçando por conta da velocidade, mas mesmo assim continua a correr.
Quando finalmente chega do lado de fora do prédio, ele o contorna e vê o corpo da garota cercado por várias pessoas que apareceram do nada. Ele hesita e coloca sua mão na boca.
Não pode ser isso deve ser um sonho. Não é real. Não é real.
Charles fecha os olhos na tentativa de "acordar" desse pesadelo. Mas quando abre-os fica mais desesperado ainda com a triste realidade.
É real.
Ele caminha em direção as pessoas e começa a empurra-las de leve.
– Com licença. Por favor, licença... Licença.
Assim que fica próximo a garota, se ajoelha e pega a em sua mão . Seus olhos começam a arder e seu coração fica apertado. Ele começa a chorar se sentindo culpado pela morte da garota.
– Você a conhecia? – perguntou um homem que aparentava ter 30 anos.
– Ela... Sim- mentiu Charles, ainda olhando pra garota.
– Eu sinto muito. Nós já ligamos para a policia, em breve eles vão chegar.
– Obrigado.
Algumas pessoas saíram, enquanto outras chegavam fazendo perguntas. Charles as ignorava, ele queria ficar ali ao lado da garota fazendo companhia a ela ate a policia chegar. Depois de alguns minutos ele ouviu uma voz familiar o chamar.
– Charles?- perguntou Penelopy.
– Penelopy...
– O que houve?
– Ela se jogou da sacada do prédio... Eu estava lá com ela.
– Oh... Eu sinto muito- disse Penelopy enquanto abraçava o irmão- ela era sua amiga?
– Sim...
– Quer que eu fique aqui com você?
– Não... Esta tudo bem. Só vou ficar aqui até a policia chegar. Pode ir pra escola.
– Tem certeza?
– Sim. Vá antes que se atrase.
– Qualquer coisa pode me ligar tá?- ela disse e em seguida deu um forte abraço no seu irmão.
Charles se aproveitou do ombro amigo pra chorar mais um pouco.
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