Notas iniciais
Me desculpem a demora mas... ai está. Boa leitura! ♥

Assim que a luz do sol começou a invadir seu quarto, Charles acordou. Meio grogue de sono, ele ficou olhando fixamente para o guarda roupa durante cinco minutos, até resolver se levantar. Ele vestiu sua calça jeans preta, e uma blusa de manga comprida branca. Em seguida abriu a porta de seu quarto, e foi em direção ao quarto de sua irmã Penelopy.

– Levanta, está na hora de ir à escola- ele disse enquanto esmurrava a porta.

– Só mais cinco minutos...

Sem paciência para insistir, ele resolveu ir tomar café da manha. Assim que entrou na cozinha, abriu o armário em busca de algo para comer, mas não havia nada.

Nem um pedaço de pão ou cereal? Que merda.

Um pouco frustrado voltou até a sala, colocou seu all star preto e pegou alguns trocados que estava em uma caixinha ao lado da televisão. Com os passos acelerados saiu de casa e foi até a padaria

***

Assim que chegou a sua casa, foi direto à cozinha. Colocou um saco cheio de pâes na mesa, foi ate o armário pegou um prato e uma xícara. Colocou um pão doce e um francês no prato, cortou os dois e passou margarina neles. Abriu a geladeira e pegou uma jarra que continha suco de uva, encheu a xícara do suco e avançou no seu estranho café da manha.

Quando terminou sua refeição, foi colocar a louça na pia, mas por algum motivo ele ficou olhando pra janela. Naquele dia, o clima estava bem agradável, e às vezes passava uma brisa que fazia as folhas das arvores da rua balançar.

Quer saber vou apreciar mais um pouco o dia de hoje.

Com um rápido movimento se virou e pegou novamente as chaves que estavam na mesa. Foi até seu quarto, pegou uma agenda e uma caneta. Saiu do quarto e aproveitou para dar mais alguns murros na porta do quarto de sua irmã, e depois foi em direção à saída.

Ao invés de ir a algum parque, acho que vou pro último andar do prédio.

Em um ritmo acelerado começou a subir as escadas. Depois diminuiu sentindo um cansaço inesperado. Quando abriu a porta que dava a sacada do prédio, avistou uma pequena e delicada jovem que estava em pé na sacada. Parecia estar pensando ou algo do tipo. Charles ficou um pouco confuso com a situação, então ao invés de dar meia volta e ir embora, ele resolveu dar alguns passou em direção a jovem.

– Moça?

Nenhuma resposta.

Ela parecia estar perdida em seus pensamentos, então ele a chamou novamente, só que mais alto.

– Moça!

Com um pequeno susto, a garota arregalou os seus olhos e olhou pra trás. Seus olhos que são bem escuros estavam avermelhados, inchados e cheios de lagrimas. Sentindo um pouco de vergonha ela se virou.

– Por favor, vá embora. – ela disse com uma suave voz. Depois se virou novamente e ficou encarando o céu.

Com o coração acelerado, Charles resolveu andar em direção à garota. Posicionou-se a direita dela, mas com uma distancia respeitável.

– Moça sai da sacada, você é muito nova pra brinca de morrer. Me diz o que há, o que que a vida aprontou dessa vez.

A garota começou a sacudir a cabeça repetidamente fazendo um sinal de negação. Fez isso por um tempo e só então resolveu falar.

– Eu não aguento mais! Não aguento. Já tentei suportar, sério, já fiz de tudo, mas nada adiantou. — ela disse com um tom nítido de desespero.

– Venha desce daí. Deixa eu te levar pra um café, pra conversar. Aí você me conta o que está acontecendo. Eu prometo que vou te ouvir.

Charles estendeu sua mão esquerda para ela se apoiar nele e descer.

Ela recusou.

– Eu não quero conversar com você. Me deixe sozinha por favor.

Em seguida ela começou a olhar pra baixo, e voltou a pensar.

– Moça não olha pra baixo, ai é muito alto pra você se jogar. Vou te ouvir, te ajudar... Eu só quero tentar te convencer!

– Convencer o quê?

– Que a vida é como mãe, que faz o jantar e obriga os filhos a comer os vegetais, pois sabe que faz bem. E a morte é como pai, que bate na mãe e rouba os filhos do prazer de brincar, como se não houvesse amanha.

A garota olhou pra ele e depois pro céu.

Acho que esta funcionando.

– Mas tudo bem, nem sempre estamos na melhor.

Com uma cara um porco triste, Charles fica olhando para o chão. Começa a pensar em outra maneira de fazer a garota desistir de se jogar.

Pensa Charles, pensa!

A garota que estava calada pensando virou todo o seu corpo e ficou de frente pro Charles. Ela olha fixamente pro Charles, que com um pequeno susto retribui o olhar. Ele rapidamente estende sua mão esquerda pra ela, mas ao invés de segurar na mão de Charles ela fica o olhando e finalmente resolve falar.

– Moço ninguém é de ferro, somos programados pra cair.

E em seguida se joga de costas do prédio.

Charles corre em direção à sacada achando que vai dar tempo de segurar ou algo do tipo, mas a única coisa que ele consegue é ver o pequeno e delicado corpo da garota batendo com uma enorme força na calçada.

Em um movimento muito rápido, ele joga sua agenda no chão e entra no prédio. Começa a descer as escadas com muita rapidez, às vezes tropeçando por conta da velocidade, mas mesmo assim continua a correr.

Quando finalmente chega do lado de fora do prédio, ele o contorna e vê o corpo da garota cercado por várias pessoas que apareceram do nada. Ele hesita e coloca sua mão na boca.

Não pode ser isso deve ser um sonho. Não é real. Não é real.

Charles fecha os olhos na tentativa de "acordar" desse pesadelo. Mas quando abre-os fica mais desesperado ainda com a triste realidade.

É real.

Ele caminha em direção as pessoas e começa a empurra-las de leve.

– Com licença. Por favor, licença... Licença.

Assim que fica próximo a garota, se ajoelha e pega a em sua mão . Seus olhos começam a arder e seu coração fica apertado. Ele começa a chorar se sentindo culpado pela morte da garota.

– Você a conhecia? – perguntou um homem que aparentava ter 30 anos.

– Ela... Sim- mentiu Charles, ainda olhando pra garota.

– Eu sinto muito. Nós já ligamos para a policia, em breve eles vão chegar.

– Obrigado.

Algumas pessoas saíram, enquanto outras chegavam fazendo perguntas. Charles as ignorava, ele queria ficar ali ao lado da garota fazendo companhia a ela ate a policia chegar. Depois de alguns minutos ele ouviu uma voz familiar o chamar.

– Charles?- perguntou Penelopy.

– Penelopy...

– O que houve?

– Ela se jogou da sacada do prédio... Eu estava lá com ela.

– Oh... Eu sinto muito- disse Penelopy enquanto abraçava o irmão- ela era sua amiga?

– Sim...

– Quer que eu fique aqui com você?

– Não... Esta tudo bem. Só vou ficar aqui até a policia chegar. Pode ir pra escola.

– Tem certeza?

– Sim. Vá antes que se atrase.

– Qualquer coisa pode me ligar tá?- ela disse e em seguida deu um forte abraço no seu irmão.

Charles se aproveitou do ombro amigo pra chorar mais um pouco.

Notas finais
Coitado do Charles, ter que presenciar essa cena....
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!