Finale

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Notas do capítulo
Meus amores me perdoem pela demora, mas realmente não tem como eu postar capítulos regulares, espero que entendam e continuem comentando. Eu amo todos os reviews de vcs, mas quero fazer uns agradecimentos especiais a Valentina, ou TinaDantas e a Veruska Line pelos seus comentários estimulantes e as dicas por msg. Um obrigado pra todas as leitoras!
Espero que gostem desse, ele tá um pouquinho mais parado do que o anterior, mas prestem atenção no que cada personagem esta sentindo ok? ATÉ LÁ EM BAIXO!
~Déh

“Não está tão ruim. Na verdade acho que está melhor do que poderia se esperar. Uma maquiagem talvez... Ah! Esquece Nora tá horrível!”

Apalpo o rosto com as mãos e olho todos os ângulos possíveis dele no espelho do banheiro de Blaythe. O remédio fez com que a dor sessasse, porém o inchaço é enorme. Recoloco o curativo e volto para o quarto. Sento na cama e abraço os joelhos. Uma mãe irada anda de uma extremidade a outra resmungando.

_Nora, ainda não consigo acreditar! Como é que você se presta a um papel desses? O que tinha na cabeça...

_Mãe agente só tava se divertindo...

_Se divertindo? Se divertindo! Olha pra você! Diversão é pegar um cinema ou ir pra uma balada Nora. Descer uma ladeira em um skate e se esborrachar não me parecem uma maneira muito eficiente de se divertir!

Essa fora a estúpida história que inventamos para justificar minha fratura. Achamos que se encaixa bem à imagem rebelde que tenho que passar e reforçar o que ela já sente por Patch. Desconfiança.

Minha ultima discussão com ele se deu porque insistira de que eu devia desencadear uma briga com Blaythe, que isso seria bom pra manter as aparências. Mas argumentei dizendo que me sentiria um verme se fizesse isso. Já não basta a dor de se ver abandonada por uma filha ingrata, fazer com que ela se sinta culpada por isso seria um ultraje. Se alguém tem culpa nisso tudo, esse alguém é Hank Miller.

Mesmo que estivesse vivo, ainda estaria me dando dores de cabeça com a proximidade do Cheshvan, Mão Negra estaria arquitetando sua guerra. E certamente lideraria com muito mais eficiência do que eu. Ele certamente teria sucesso em liquidar os anjos caídos. Teria sucesso em liquidar Patch.

“Teria me feito um grande favor se não tivesse se deitado com minha irmã seu canalha!”

_Você vai ficar ai calada?_ Estou tão presa em meus devaneios que não absorvi uma só palavra que ela tagarelou até agora._ Não tem nada a dizer sobre esse episódio lamentável que esse seu namorado te submeteu Nora? _ Sei que essa raiva está mais relacionada a Patch do que a mim propriamente. Ele sempre teve um pé atrás com ele.

_Mãe_ Digo com a voz manhosa, esfrego o nariz e olho pra ela com o olhar esperançoso _Tá doendo.

_Ah filha_ Rendida ela se senta ao meu lado.

Aninho-me em seu abraço protetor de uma maneira que há muito não fazia. Sinto o gostoso perfume que ela usa há quatro anos. Lavanda silvestre que meu pai Harrison lhe dera. Não quero desfazer esse abraço. Tenho a horrível sensação de que ao solta-la, nunca mais voltaria a sentir esse perfume novamente.

_Vai melhorar filha _Diz erguendo meu queixo_ É só tomar os remédios direitinho, o médico disse que vai estar pronta pra outra daqui três semanas... Isso foi uma metáfora, você sabe não é?

_Mãe você não vai ter que se preocupar mais... Com skates...

_Bom, você já é bem crescidinha. Sabe o que faz. _Ela me da um beijo na testa e se levanta e para na porta_ Vá chamar Scott, a pizza chega logo.

Frustrada, desabo na cama e a abro bem os braços bufando. Contemplo o teto rebaixado de meu quarto e pensando em Ash.

Pobre Ash. É difícil não sentir uma conexão com esse garoto, pois novamente passamos pela mesma provação. Ter de deixar para trás a pessoa que mais amamos. No caso dele, a única pessoa que o ama. Nem ao menos posso saber o que ele esta sentindo, pois não nos falamos direito desde a visitinha dos Caídos hoje cedo. E o pior é que tenho certeza de que logo ele me colocará contra a parede e exigira saber sobre Patch. Eu o conheço há menos de dois dias e sei que apesar da pouca idade é muito perspicaz. As maneiras como Lucio e Daren o chamaram de traidor deve ter plantado a semente da desconfiança. Pensando bem acho ficou mais que obvio a natureza de Patch.

Nosso plano é sair na calada da noite, Patch me buscará e seguiremos para seu estúdio no Delphic onde Ash e Liss já estão e de manhã levaríamos a menina para Dorothea. Scott teria que sair antes disso para não ser associado a minha fuga. Ficou acertado que ele iria para a casa de Marcie. Eu avisei sobre os riscos de ficar sobre o mesmo teto que ela mas nunca me dão ouvidos!

Com um longo suspiro levanto da cama num pulo e me arrasto até o corredor e rumo ao quarto de hospedes e bato na porta. Ouço-o gritar pra que eu entrasse e então fecho a porta atrás de mim. Ele está no banheiro, sento na cama e espero. Meu rosto enrubesce quando ele sai.

_Que foi Grey? Nunca viu um cara enrolado na toalha antes? _Diz com a voz sasr4castica.

_Não seja idiota Scott.

_Adoro esse mal humor! E esse novo acessório na cara hein? É a nova moda em Paris?

_Palhaço!_ “É bom rirde uma piada boba pra variar”_ Já arrumou as malas?

_Tudo nos conformes. Só esta faltando uma peça de roupa nas minhas coisas... _ Essa não_ Uma camisa que eu estava usando ontem. Na verdade não faço ideia de como posso ter tirá-la... Ah claro! Você a tirou de mim. _Ele se inclina e fica na altura do meu rosto. Perto de mais.

_Inocente até que se prove o contrário. _Empurro seu rosto e ele da um sorriso triunfante.

_Qual é! Eu não sou tão idiota assim sabe. Eu lembro de tudo. Dos garotos, da briga, do tiroteio _Ele se inclina novamente devagar e eu recuo à medida que ele se aproxima do meu rosto. Sua fala é cheia de insinuação._ Ai eu apeguei e acordei vestindo outras roupas...

_Touché! Você me pegou! _Digo me levantando, Scott quase cai de cara na cama com o movimento. Ponho uma mão na cintura e aponto a outra para a porta do banheiro. _Fui eu quem tirou as balas do seu peito o que provavelmente fez você melhorar mais rápido. De nada. Então a menos que você ainda precise de ajuda pra se vestir anda logo._ Ele abre a boca, mas logo o interrompo_ Não, eu não vou ajudar você.

Fechando a boca com um sorrisinho debochado se dirige ao banheiro parando somente para pegar uma muda de roupas. Dou uma risadinha antes de me jogar novamente na cama com os braços abertos. Dessa vez foi forte demais, pois sinto uma pontada doída no nariz.

Com o cabelo penteado casualmente e bem perfumado, Scott sai devidamente vestido com uma calça capri bege e uma camisa de linho branca com a gola em formato de V. Ele senta ao meu lado. E faz cara de paisagem.

_Vocês fizeram mesmo uma festinha durante o meu cochilo hein? _Diz ele a esmo.

_ Nem me diga. _Digo repassando os acontecimentos dessa tarde na cabeça. Ele da uma pause e pergunta com a voz séria.

_Você está bem Nora? _ Sinto a sinceridade de sua preocupação em sua voz. Olho pra ele fazendo careta.

_Você também? Quando você e Patch resolvem me chamar de Nora é porque a coisa ta feia. _ Deito na cama outra vez. Ele deita também apoiando a cabeça no cotovelo.

_É sério, quero saber como você está.

_Ah nem dói tanto, só quando e forço demais...

_Para com isso Nora. Você sabe do que eu to falando. _ Sei. E é por isso que não consigo olhar nos olhos dele. Levanto e sento na ponta da cama.

_Eu to legal. _Minto. Alias estou ficando boa nisso.

E eu poderia esquecer? Não consigo esquecer nada disso. Tenho pesadelos com as lembranças das coisas que entornam minha vida desde os dezesseis anos. Minha vida passou a ser um vaso de cristal que ao menor toque pode quebrar. Sou tão frágil que mal consigo correr para defender minha vida. Pra escapar mais uma vez da morte.

Scott fica em silencio um instante ponderando se digo ou não a verdade. Dando de ombros ele vira de barriga para cima e coloca as duas mãos atrás da cabeça.

_Vai conseguir ficar fora de confusão essa noite? Sabe que não vou estar lá para te salvar não é? _Diz convencido.

_Me salvar? Acho que você desempenharia essa função muito melhor se estivesse acordado não? _Digo sarcástica.

_Detalhes minha cara. Só detalhes.

_Acho que você tem que se preocupar mais com você Grandão. Estará correndo muito mais perigo que eu essa noite. _Ele olha pra mim comum misto de confusão e curiosidade. _Afinal vai dormir de conchinha com Marcie.

_Espera um minuto ai_ Ele ri e levanta um dedo no ar. _Estou detectando um sinal de ciúmes é?

_Não delira_ Empurro seu rosto com a mão afastando-o de mim. _ Eu só quero que tome cuidado pra não morder a língua dela ou pode acabar morrendo envenenado.

_Acredite, eu não corro esse perigo.

_Claro, você pode beber litros e litros de veneno e se recuperar com uma sonequinha não é.

Não é disso que eu to falando Grey_ Os olhos de Scott faíscam enquanto olha intensamente pra mim de forma estranha. Isso me faz sentir desconfortável. Sinto um choque elétrico quando ele toca minha mãe então levanto rápido da cama bem a tempo de ouvir a companhia tocar.

DIM DOM

Ele suspira e olha pra mim com o rosto inexpressivo, então levanta da cama e com um meio sorriso abre a porta do quarto.

_Vamos Grey, a peperoni me espera.

Tentamos manter o clima agradável durante todo o jantar. Scott contava piadas e histórias mirabolantes e eu cantava algumas notas de Céline Dion, o que por si só já é bem ridículo. Blythe tentou em vão, convencer Scott de ficar mais um dia em casa porem ele garantiu que precisava chegar cedo a Detroid para o treinamento de surf. “Afinal as regionais seriam em breve.” Nós sabemos bem que tipo de ondas Scott vai enfrentar. Assim como eu.

Ao término do jantar vamos todos para a porta para as despedidas. Blythe da um beijo na testa de Scott e ele se vira para mim abrindo os braços.

_Não vai me dar um abraço priminha? _ “Não caio nessa”

_Tchau priminha! _ E o empurro pra fora, fechando a porta atrás de mim.

_Bom vou lavar os pratos...

_Não mãe deixa que eu lavo...

_Não filha vai dormir.

_Mãe...

_É sério querida, suba, você está tomando medicação, tem que dormir cedo. _ E me dá um beijo na testa, sei que não adianta argumentar, então dou um passo à frente e dou-lhe um abraço. Talvez demorado demais. Se ela pensou assim não disse nada. Afinal estive meio emotiva com ela algumas horas atrás.

_Boa noite querida. _ E com isso desaparece atrás do balcão, e eu subo a escada derrotada.

Assim que entro, encosto as costas na porta e contemplo meu quarto. Com um suspiro pego minha enorme mochila e ponho em cima da coma para uma ultima conferida. Sempre que faço isso fico com a sensação de que estou esquecendo alguma coisa. Quando sinto uma pontada no nariz acabo lembrando algo que sem duvidas vou precisar. O kit de primeiros socorros.

Depois que o enfio na mochila, vou até o armário e sento no chão para abrir a ultima gaveta. Seguro nas mãos as matérias que escrevi para o E-Zine, o jornal da Coldwater High School. É estranho pensar que ao fim do verão eu voltaria àquela sala de biologia para ver o professor exemplificar anatomia com bonecas Barbie e que continuaria o ensino médio como se nada estivesse acontecendo. Como se o meu futuro acadêmico fosse a minha maior preocupação.

Entre as milhares de fotos de bailes, peças e festivais da escola encontro uma foto minha e de Vee. A maioria das nossas fotos está no computador ou nas redes sociais, porem eu sabia que havia revelado uma. Sorridentes, no oitavo, talvez nono ano. Sinto tanta falta de minha melhor amiga que não suporto nem olhar os SMS que ela mandou essa semana. Conhecendo Vee talvez me xingando por eu ainda estar longe e não ter ido pedir desculpas.

Contudo o que eu poderia dizer? “Foi mal Vee, mas eu tenho que proteger você de um bando de anjos caídos que vão querer descobrir meu paradeiro quando eu fugir.” Eu realmente sinto por estar magoando-a assim, porem é o melhor que eu posso fazer pra protegê-la. Pego a foto e reponho tudo que espalhei dentro da gaveta.

A próxima foto que pego esta em cima de minha escrivaninha em um porta retratos. Nele esta Harrison e Blythe abraçados, unidos como um só. Bem na frente deles, a pequena Nora, talvez com a mesma idade que Liss. A falta de alguns dentinhos não tira o brilho do sorrisinho doce, ingênuo e despreocupado. Eu amo essa foto. A felicidade era uma realidade.

A próxima foto que não posso deixar de pegar é a do meu criado mudo. Eu e Patch rindo com maçãs do amor nas mãos. Eu sei que vou passar muito tempo com ele e que não preciso de recordações. Porem as fotos da urna branca de Patch me inspirou. É bom me lembrar que existiram momentos bons e tranquilos e que a vida ainda pode ser boa e tranquila. Talvez algum dia...

Assim que termino de guardar minhas fotos na mochila sento frustrada na cadeira diante a escrivaninha, me preparando para a pior parte. A carta de despedida. Uma carta cheia de mentiras que será a única satisfação que minha mãe terá. Patch e eu repassamos várias vezes o que eu deveria escrever na carta para não levantar suspeitas, e ele recomendou que eu devia ser o mais dramática possível. Como tudo isso já não tivesse drama o suficiente.


Querida mãe,

Tenho certeza que te causarei imensa dor. Sinto muito. Porém sigo o meu coração sem arrependimentos. Estou apaixonada por Patch e nós vamos nos casar, não há nada que você possa fazer a respeito. Estamos partindo imediatamente. Mãe, sei que é inútil pedir, mas ainda assim peço para que não chame a policia. Estou partindo por vontade própria e não preciso de ninguém em perseguindo. Diga sua vida e quando menos esperar estarei de volta com uma linda aliança no dedo. Eu vou tentar escrever quando puder.

Eu te amo mãe

Nora

PS: Deixe meu carro com Dorothea, ela vai precisar.


Lixo. É a palavra perfeita para definir como me sinto agora. Um completo lixo. As lágrimas teimosamente escorregam de meu rosto e caem no papel a minha frente. Procuro um envelope preto e guardo a carta nele. Acho que a cor é mais que apropriada à ocasião. As únicas verdades nessa carta é que sinto muito e que a amo.

O que mais quero nesse momento a sair desse lugar, o quanto antes. Porém o relógio do criado mudo marca 11h40. Faltam mais de três horas para Patch chegar. Deito na cama e me encolho na posição fetal. Um choro descontrolado toma conta de meu ser. Meu corpo balança freneticamente por m bom tempo. O sono e o cansaço vencem, e então adormeço.

Acordo com a sensação de não ter descansado nada. Viro de barriga para baixo e afundo o rosto no travesseiro frustrada convencida que se voltar a dormir o tempo passara mais rápido.

_Parece que andou se divertindo desde minha ultima visita. _A voz cortante me faz meu coração congelar. Devagar me viro para encarar o visitante noturno.

_Você nem imagina._ Respondo evasiva. Encaro os profundos olhos cinza de Elijia. Sentado com as pernas cruzadas diante da escrivaninha.

Ele não precisa de nem uma ajuda para parecer intimidador, porém as sombras projetadas pela luz da lua dão-lhe uma aparência fantasmagórica. A própria lua parece zombar de mim.

_Eu tenho sido paciente esses últimos dias, mas sei que Jev esteve com você esta tarde.

_Sabe é? Deve ser porque ele esta mesmo aqui._ Digo em tom de desafio. Ele se irrita.

_Não brinque comigo...

_Não brinque comigo você! Já estou farta de você! Você anda manipulando meus pesadelos, como se eles já não fossem ruins o suficiente!

_Não estaria aqui se tivesse cumprido com nosso acordo. Espero que nem tenha passado por sua cabeça a possibilidade de contar a ele sobre minha pequena... ajuda. E nem sobre minhas aparições.

_Longe de mim contar a Patch o nosso segredo! _ Digo com a voz sarcástica.

_Se está tão comprometida assim porque ainda insiste em não cumprir com sua parte de nosso trato...

_Eu já lhe disse! Preciso de tempo! Não é tão fácil quanto parece. Estou me esforçando pra ficar sempre brigando com ele...

_Não esta sendo o suficiente pelo o que estou percebendo senhorita Nora. Estou ficando impaciente. Ele se levanta como um gato e se aproxima de mim na cama. Seu olhar é voraz, porem me levanto e sustento seu olhar com a mesma intensidade estufando o peito.

_O poderoso aqui é você! Eu não posso simplesmente estalar os dedos pra fazer Patch se afastar de mi. Eu preciso de tempo! Tempo “Senhor Arcanjo”!

A principio Elijia fica enfurecido com minha ousadia. Depois da alguns passos pra trás e volta a se sentar na cadeira cruzando as pernas e sustentando o queixo com as duas mãos. Suaviza o rosto dando lugar a um sorriso. Um sorriso assustador.

Fico sem entender por um instante. Então sem mais nem menos sinto um formigamento nos braços. O incômodo se intensifica e se transforma em uma queimação. É como se tivessem me jogado no próprio inferno. Meu corpo inteiro inflama com chamas invisíveis.

Caio no chão de joelhos me contorcendo de dor, gritando a plenos pulmões. Minha pele fica vermelha em carne viva

_Para!! Pelo amor de Deus pare! Por misericórdia! PARE!

Com um simples aceno de mão, sinto o fogo que me consumia apagando. Porem mal posso acreditar no aterrorizante estado em que estou. Estremeço ao passar os dedos na pele enrugada e avermelhada com bolhas de queimaduras de terceiro grau. Ainda caiada, digo ofegante.

_Que espécie de demônio é você? _Ele tenta disfarçar o sorriso ao ouvir o comentário.

_Cuidado senhorita Nora. Cuidado. Fiz isso porque o método que usei na praia não me pareceu muito eficiente. E quero que saiba o que sou capaz de fazer.

_Porque esta fazendo isso? Por que não acaba logo comigo de uma vez! Você é ridículo! _ A dor misturada a uma coragem repentina me faz falar sem pensar. Percebo o erro tarde demais. Ele se abaixa e segura minha mandíbula, já debilitada pelas queimaduras, com uma força descomunal.

_Não duvide que eu venha a fazê-lo. Mas até mesmo em minha posição existem rigorosas regras quando diz respeito a humanos. E convenhamos, não quero terminar com asas arrancadas como o seu amado. Mas já estou trabalhando nisso também. Ou não percebeu que esta ficando diferente Senhorita Nora?

_Do que esta falando?! _ Mas eu sei bem do que ele esta falando.

_Eu vou restaurar o pacto que você selou com Hank Miller, Nora. E quando a transição estiver completa e você estiver longe daquele caído maldito, não vão mais existir barreiras para eu acabar com você. _A voz de Elijia soa como a de um psicopata, pressionando os lábios contra meu ouvido. O cheiro forte de eucalipto me enjoa.

_Eu não entendo porque esta fazendo isso! _Se existira alguma coragem ela se foi, pois as lágrimas irrompem de imediato. ­_ O que é que fizemos pra você? Patch não é mais arcanjo, não é nem ao menos um protetor! Ele é um renegado! Você tem seu lugar, suas asas, seus poderes e ele não deve mais nada...

_É ai que você se engana Senhorita Nora. Jev tem uma divida eterna e impagável para comigo. _ Fecho os olhos com força quando ele aperta minha mandíbula._ Vingança!

Acordo sentando sobressaltada na cama. A voz de Elijia ainda ecoa em minha mente. Passo freneticamente os dedos sobre meus braços e rosto, porém só encontro a pele pálida e lisa. Meu coração bate descontrolado. Meu nariz lateja no mesmo ritmo que o sangue em minhas artérias. Minha mente tem dificuldade de raciocinar e mandar informação para meus pulmões absorverem mais oxigênio.

Não consigo mais chorar. Não tenho forças para isso. Tudo o que consigo sentir é raiva. Raiva de tudo. Dos céus, do inferno e da Terra.

Não suporto mais ser a humana indefesa que todos querem ter o prazer de destruir! Vou seguir nessa loucura com o resto de coragem e dignidade que me restarem. E agora acabo de descobrir uma peça crucial para a virada desse jogo.

Estou me transformando em uma nefilin.

Tudo se encaixa! Por isso consegui falar com Patch em pensamentos. Pelo o que pude entender, estou em meio a uma transição. Uma lenta transição, diga-se de passagem. Afinal continuo sendo uma magrela de pernas longas sem força nem uma. Porém quando surge uma pontinha de esperança temos que nos agarrar a ela e não sucumbir ao medo.

Levanto da cama num salto e ponho a mochila nas costas. Dou uma ajeitada na cocha e pouso o envelope preto em cima de meu travesseiro. “As coisas mudaram mãe. Eu prometo que vou voltar pra você”.

Mesmo sendo 1h40, não aguento ficar nesse quarto nem mais um segundo. Apago a luz, abro a janela e me preparo para descer. Num susto lembro-me de algo muito importante. Na gavetinha do criado mudo pego o anel de Harrison e prendo-o no pescoço com a correntinha de Patch. Decido naquele momento que nunca mais vou tira-lo.

Volto para janela e percebo que essa tarefa não vai ser tão fácil quanto imaginava. Rezo para não escorregar, mais ossos quebrados são as ultimas coisas que preciso agora. Alcanço um galho da árvore mais próxima e passo uma perna nele devagar, e depois a outra. Desmonto do galho e começo a descer com cuidado.

Patch já subiu por aqui tantas e tantas vezes com perícia e confiança que sinto-me grata por não poder me ver nesse momento patético. Dou um longo suspiro de alivio quando meus pés tocam o chão. Curvo a coluna apoiando-me nos joelhos.

_Parabéns Grey. Você é quase uma Spider Girl.

_Mais que droga! Você me assustou! _ Meu sussurro é histérico.

Scott ri e pisa no cigarro que estava fumando. Encosta no murinho do jardim olhando para mim debochado.

_Que diabos você faz aqui?! Já devia estar com Marcie há horas!

_Sei disso sei disso. Mas é que não conseguia dormir então resolvi dar uma volta de carro. Passei aqui pra ver como as coisas estão.

_Hnnn. _Não vejo sinais de mentira em seu rosto, mas sua historia é no mínimo estranha. “Ver como as coisas estão?” Me aproximo dele e faço uma careta. _não posso culpá-lo, também não aguentaria ficar mais que cinco minutos sozinha com a Porca Anoréxica.

Sua reação ao ouvir o comentário é imediata. Scott cai na gargalhada e eu tenho que me adiantar e tapar-lhe a boca com as mãos.

_Tá maluco! _Sussurro estridente.

_Foi mal Grey, mas é que essa foi de matar. Porca Anoréxica. _Mais risos_ Você a odeia mesmo não é?

_ Porque seria diferente? Ela é filha do homem que eu mais odiei nesse mundo e fez questão de me atormentar por dezessete anos. Eu posso te escrever uma lista de motivos, é só escolher, alfabética ou cronológica?

_Ok ok, não tá mais aqui quem falo! Mas se desse uma chance a ela se surpreenderia. Marcie sofreu muito Grey... Bom seja como for, vamos passar um tempinho juntos afinal.

_Eu sei que essa é uma tarefa difícil, mas não deixa trazer o armário inteiro não á.

_Tá maluca e estragar meu conversível com quilos de roupinha de grife e maquiagem. Eu fico me perguntando por que é que vocês tiram uma porcentagem do tempo de vocês só pra atormentar o sexo oposto.

_Você realmente retardado não é?._ Digo tocando com o dedo sua testa.

_E você não tem uma cabeça muito dura garota. _Ele da um tapinha em minha cabeça fazendo cara de deboche. Começo a rir.

_Olha lá quem fala. _Eu o empurro com força demais e ele tomba para outro lado do muro, não sem antes me puxar também. Caímos os dois rendi um por cima do outro.

_Não resiste aos meus encantos não é Grey?_ Tento conter o riso para não acabar estragando tudo nessa situação patética.

Até aquele momento meu pensamento a respeito de Scott é que estou feliz por ele estar aqui. A sensação é como se eu tivesse um irmão. Eu tenho certeza que o amo dessa forma.

Toda atrapalhada, tento desprender de minha blusa de seu medalhão. É quando Scott passa a mão em meu cabelo e me olha de uma maneira estranha. Levanta minimamente a cabeça, devagar. Antes que eu possa raciocinar, percebo-o aproximar seus lábios aos meus. Levanto bruscamente. Visivelmente decepcionado Scott levanta assim que a luz do farol de Patch inunda a varanda da casa.

_Nora eu...

_Escuta aqui grandão. Se lembre de uma coisa_ Olho para ele e abro um meio sorriso. _Scott e charme não podem ocupar uma mesma frase. Seria uma incoerência. _Ele dá um sorriso envergonhado quando o Jeep para na calçada._ Lembre-se disso.

Agora eu percebo que Scott também me ama. Porém não da mesma maneira que eu.

Pego a mochila no chão, entro e abaixo a janela do carro. Patch está tão calado que me pergunto se ele vira a cena do jardim.

_Então nos vemos as 8h30 na rodovia Walstrit Valley. _Diz Scott pela janela.

_Como o combinado. _ Diz Patch. Segue-se uma pausa. Os dois ficam se encarando inexpressivos. Começo a ouvir um chiado em minha cabeça, então percebo que eles estão falando secretamente por pensamentos.

_Será que dá pra vocês pararem com isso? Eu posso sair do carro pra vocês conversarem ou se baterem como bons humanos que vocês não são!

_Não vai ser preciso. Já terminamos aqui. _Diz Patch dando a partida.

_ Com toda certeza. _ Scott se afasta do carro e logo entra em seu Mustang.

Odeio isso. Eles estão com muitos segredinhos ultimamente. Primeiro no Sinuca do Bo, e agora isso! Patch arranca rumo ao Delphic e sem desviar a atenção da rua, passa a mão em minha perna.

_Esta sentindo dor? _Pergunta com a voz tão doce que desarma toda e qualquer raiva que tivera dele. Aliso sua mão e ele me olha de esguelha.

_Não tanto quanto minha consciência.

_Ela vai ficar bem.

_Eu sei que vai. E é inspirada nela que eu vou parar de me comportar como uma princesa indefesa...

_Anjo...

_Não Patch. Não adianta negar. Você sabe que é verdade...

_Eu vou continuar os treinamentos com você, e vamos poder confirmar uma suspeita que estou tendo...

_ Que suspeita? _Sei bem que duvida é essa. E com certeza ele esta certo. Olho para ele com cara de curiosa.

_Nós vamos ver. _ “Não, você vai ver”. Acho melhor mudar de assunto logo antes que eu acabe me entregando.

_Como estão Liss e Ash?

_Os deixei eles se instalando. Levei comida e sai pra resolver umas pendencias.

_Pendencias? E eu posso saber que pendencias são essas?

_Só estava garantindo que não teremos mais surpresinhas...

_E por acaso isso tem a ver com Scott? _Pergunto depois que juntos as peças em minha cabeça.

_Bem, nem era pra você saber que ele esteve la, só que ele não consegue ser muito discreto.

_Fui eu que desci mais cedo na verdade. Ele estava fazendo o que lá afinal? Me vigiando?

_Cobrindo a retaguarda._ Ele da de ombros. _Te protegendo.

_Estou surpresa, desde quando você confia em Scott?

_Desde quando fui obrigado a viajar com ele pra salvar minha namorada.

_Nossa, parece que é um bom motivo então. _ Ele da um sorriso de leve que logo se esvai.

_É, é um bom motivo. Eu estava do outro lado da cidade, cobrando alguns favores. _ Olho para ele confusa._ Relaxe Anjo, você tem que dormir, amanha conversamos sobre isso. Quanto a Scott não tenho muita escolha, mas a questão é se podemos confiar no outro nefilin. _Faço uma careta para ele enquanto ele estaciona o jeep no pátio do Delphic.

_Ash, ele se chama Ash. E eu tenho certeza de que ele é confiável, ele só esta um pouco confuso. E vai ficar chateado quando eu falar com ele sobre você...

_Tempo para curar as magoas é o que não vai faltar Anjo.

_Seja como for terei que conversar com ele sobre isso. _ Ele poe a mão na minha nuca e me puxa para um beijinho demorado. Olha pra mim colocando uma mecha rebelde atrás da orelha.

_Amanha Anjo, amanhã. _Nem precisa insistir mais.

Liss e Ash estão num sono profundo no sofá de do estúdio. Como tudo nesse pequeno qurto, eles são bem confortáveis. Tiro o casaco e deito na cama me embrulhando nos cobertores. Patch se junta a mim logo em seguida. Sem pensar duas vezes me aninho em um abraço apertado que el retribui imediatamente. Posso senti-lo sorrindo.

_Eu me decidi que vou ter mis coragem daqui pra frente. Mas estou com medo Patch. _Minha voz sai tão fraquinha que é quase inaudível, porem ele responde me abraçando mais forte.

_Eu vou te ajudar a garantir o sucesso de tudo isso Anjo. Eu prometo.

_Você está sempre um passo a frente não é?

_Eu gostaria, mas nem sempre estou. Mas não se preocupe_ Me da m beijo no ouvido_ Eu não vou desgruda de você.

Essa noite não tenho o pesadelo de sempre. Nada de Hank e nem Elijia.

É a primeira vez que tenho o sonho que vai me perseguir por um longo tempo. Uma pena caindo do céu. Ela cai flutuando suavemente pelo o que parece ser uma eternidade, para finalmente pousar e desaparecer em uma enorme poça de sangue.

Uma pena negra.

Notas finais
Mais uma vez não tive tempo de revisar o texto pq se não teria que esperar mais um dia. Então postei assim mesmo. Qualquer erro me avisem que eu edito ok?
Gente eu quero dizer que a historia de Marcie na minha versao vai ser bem diferente do que a da Becca, então nao estranhem ok?
Eu seeeei que nesse cap Nora ficou muito longe de Patch mas rlx pf tem mas pela frente.
Eu quero que vcs comente se eu estou sendo subjetiva ou dramatica ao extremo. Sinceramente não sei. Talvez esteja muto cansativa as lamentaçoes da Nora mais é que ela esta sofrendo de verdade gente.
Bom espero que tenham gostado, mas se naõ comentem pra eu entar corrigir-me.
Mil bjs!
~Déh