Final Fantasy Ix-2: Twilight Of Gaia
38 Não Olhe Para Trás!
Gaia finalmente esteve em paz desde a destruição de Terra e o fim das ambições de Kuja. Até mesmo as nações que outrora foram destruídas, já começavam a se reerguer rapidamente, em especial Alexandria, que agora se encontra administrada pela jovem Garnet. Houve também um leve avanço na tecnologia que revolucionou, principalmente a indústria de airships, e assim o Mist Continent gozava de uma nova era de progresso.
No entanto, ninguém imaginava que algo mais estava por vir; a mando de um misterioso sobrevivente de Madain Sari, que já estava com duas joias em seu poder, o mercenário e ex-membro de Tantalus Raphael furtou as demais juntamente com o livro Tantarian e, com isso, surgiu uma nova ameaça.
Mais tarde, esse jovem sobrevivente revelou ser Lark, irmão mais velho de Garnet, e se aproveitou do poder de Alexander para conseguir o que quer. Numa tentativa de destruir seu próprio lar, para que não descobrissem seus planos, Alexander acabou por ser confrontado por Ark, cujo obter adormecido se encontrava no Pumice, em poder de Garnet. Revoltado, Lark decidiu fazer de todo o possível para obter o poder do Eidolon, a quem ele chama de \"Segunda Chave\", por motivos desconhecidos. Quando a situação ficou mais crítica, Lark ameaçou destruir Alexandria caso não lhe obedecessem, num confronto que terminou no rapto de sua própria irmã, que Zidane tentou inutilmente impedir, e a levou para seu esconderijo em Oeilvert.
Enquanto procuravam uma forma de resgatá-la, descobriu-se que Lark era um antigo amigo de Fratley, e que esse o ajudara em sua missão de reencontrar a irmã. Porém, durante uma discussão entre os dois, Fratley teve sua mente destruída por Belphein, o Eidolon que governa o Domínio das Sombras, e que procurou Lark para avisá-lo de seu importante papel a serviço de Gaia, e não se lembrou de nada até então. Mais recentemente, Zidane, Fratley e Lark se reencontraram na nova Cleyra, onde Lark, contrariando os conselhos de Belphein, abriu mão de parte dos poderes de Alexander para recriar a tempestade de areia.
Agora, Lark finalmente está a um passo de concretizar seus planos, pois Belphein apoderou-se do Pumice e aprisionou Zidane e Eiko na dimensão do Domínio das Sombras.
A própria Garnet ignorava, mas seu irmão sempre fez o possível para estar ao seu lado, e, durante aquele tempo, a cada dia convencia-se de que realmente havia algo mais que ele deveria fazer...
- ALEXANDRIA, 15 DE JANEIRO DE 1800 -
Era noite no castelo. O airship teatral já estava estacionado e seu palco havia sido montado no castelo. A banda tocava e todos os expectadores aguardavam ansiosamente pelo início do espetáculo; em especial, o rapaz sentado numa das últimas fileiras, embora sua atenção não estivesse voltada para o palco, ao contrário dos demais, e sim para a tristeza e desânimo estampados na face da princesa Garnet, em plena festa de seu aniversário de dezesseis anos.
Assim que a peça começou, a princesa retirou-se, o que causou aflição a Lark:
- Ela não parece bem...Sarah...-sussurrou
Não dera muita atenção à apresentação, mas, quando notou que o público aclamava o que parecia ser um duelo de espadas mais à frente, afastou-se e procurou alguma forma de se aproximar do interior do castelo. Quase esbarrou em um Knight of Pluto que corria apressadamente pelo lugar. Permaneceu por um tempo escondido em meio a uns arbustos, pensando em como poderia penetrar no castelo, até que, por fim, convenceu-se de que, naquela situação, não seria possível como em anos atrás. Os soldados não paravam de transitar; dois deles passaram perto de onde estava, perseguindo uma pessoa vestida de branco.
Quando voltou cabisbaixo para seu assento, ouviu um som de sino vindo do palco, então decidiu prestar mais atenção na peça para passar o tempo.
O rei Leo conversava com Marcus, que fora capturado pelos guardas:
- Quando o sino tocar três vezes...tu estarás sob uma guilhotina!
O sino tocou pela segunda vez. A situação de Marcus se agravava a cada instante, até que, ao terceiro toque do sino, todos os expectadores tiveram uma surpresa quando outros três personagens surgiram no palco.
Após um curto momento de hesitação, a peça continuou, mas Lark havia se levantado de repente, intrigado com aquilo que via: era impressão sua ou o garoto de cabelos louros que havia entrado no palco tinha uma causa!? Definitivamente, precisava se assegurar; precisava se aproximar mais.
Quando, após passar por entre as outras pessoas, chegou à uma distância mais curta, Marcus desafiava o ganancioso soberano:
- Não se eu puder evitar!!! Agora é meu momento de vingança! Por meus pais, e por meu amor, Cornelia...- proferiu, sacando sua espada- Apunhalar-te-ei!
Marcus partiu para cima de Leo, mas garota encapuzada se colocou na frente e foi apunhalada pela espada fazendo com que todos, principalmente o cavaleiro à direita, identificado como Schneider, se chocassem.
Lark também estava chocado, não pela mesma razão dos outros, mas sim porque seu medo havia se confirmado; aquele garoto era um Genome, o segundo Anjo da Morte, e só ao se aproximar um pouco dele já pôde sentir o mesmo que da outra vez, quando esteve perto de Kuja.
No entanto, ele não sabia que a surpresa maior ainda estava por vir. Um garotinho com um grande chapéu passou correndo ao seu, perseguido por dois soldados.
A perseguição continuou até o palco, onde o garotinho refugiou-se entre os atores:
- Não se aproximem!
E, com isso, lançou uma magia de fogo que atingiu o capuz da garota no chão, que rapidamente começou a gritar e se levantou, retirando seu capuz/disfarce, revelando sua verdadeira identidade.
\" SARAH!!! \"espantou-se Lark
Tudo a seguir pareceu ter acontecido numa fração de segundo: Brahne imediatamente reconheceu sua filha e, inquieta e enfurecida, enviou vários soldados para resgatá-la, enquanto o público também ficava mais e mais confuso, pois o airship começou a dar partida com todos a bordo.
- O que está acontecendo!?- gritou Lark, ao vê-lo levantando voo e, em seguida, vários harpões sendo lançados a mando da rainha para impedir a fuga- PAREM! ESTÃO PONDO A VIDA DELA EM PERIGO!
Todos os presentes estavam mais espantados com a própria reação da rainha do que com a fuga da princesa no Prima Vista. A destruição causada pela aeronave teatral, ao ser abatida pelos ataques, não só pôs em risco a segurança de muitos expectadores na audiência, como também causou sérios danos à cidade, pouco depois. As pessoas que tentavam assistir à peça por cima das muralhas do castelo, sobre os telhados, fugiram apavoradas e várias casas dos arredores foram parcialmente destruídas.
O desespero de Lark aumentou ainda mais quando a rainha lançou o canhão principal, do qual saiu um Bomb e explodiu o airship.
-Não!!! Sarah!
Saiu correndo rumo à cidade coberto de lágrimas e já pensando no pior quando todos, inclusive a rainha, que estava visivelmente contente com a destruição que causara, tiveram uma nova surpresa: o Prima Vista emergiu de dentro da nuvem de fumaça, coberto pelo fogo e pela fumaça, mas conseguiu partir de Alexandria.
- Ela não pode morrer...não, não pode!- disse Lark, voltando a correr- Papai...proteja-a por favor...
- EVIL FOREST, 17 DE JANEIRO DE 1800 -
- Ainda não acredito que conseguimos escapar!- exclamou Cinna, perplexo
Pouco atrás deles, Zenero e Benero os ajudavam a carregar os feridos.
- Pobre bro...-lamentava-se Marcus- A criatura o agarrou e ele teve o mesmo destino da floresta...
- Pensaremos numa forma de ajudá-lo depois- disse o chefe- o importante agora é chegar a Lindblum...ATCHOOOOOOO...vamos atravessar a caverna de que falei e tentar chegar ao Portal do Sul
- O que terá acontecido com Zidane e a princesa? Não vimos nenhum rastro deles...
- Com certeza conseguiram escapar- replicou Baku- Blank deve tê-los ajudado...em todo caso, já que abandonou o grupo, não temos mais por que ajudá-lo...
O grupo afastou-se mais e mais da entrada da cidade e nem notou um jovem que se aproximava às pressas pelo outro lado:
- O que houve aqui!?- perguntou-se Lark, atônito- Petrificada...maldição! Sarah! Ela não pode ter...
- Por que está gritando, kupo?- perguntou um moogle, cuja presença o jovem não havia notado
- Estou procurando uma pessoa...o airship provavelmente deve ter caído nessa floresta...
- Ah sim, kupo! Eu vi quando caiu; e fiquei surpreso que tenham conseguido escapar daqui
- Escaparam!? Quem você viu escapar?- perguntou Lark
- Um menino louro, um baixinho de chapéu, uma garota bonita e um homem com armadura-informou a criaturazinha- Ah, e teve um grupo que também conseguiu sair agora há pouco...
Lark agradeceu e saiu às cegas, rumo ao nevoeiro.
- VILA DE DALI, 18 DE JANEIRO DE 1800 -
- Ei, acorde!- insistia o rapaz para o dono da hospedaria, que se encontrava adormecido
\" Droga..por que ele não vai embora?...\" pensava o homem, descontente e logo depois fingindo despertar
- ...pois não? Que deseja?
- Procuro por algumas pessoas: uma garota, um cavaleiro e mais dois jovens; o senhor não os viu por aqui!?
\" Glup...por que justo agora!!? \"
- Não, não, não, não...ninguém vem aqui há dias, por que acha que estava cochilando? Hehehe...
Mesmo percebendo algo de estranho em sua resposta, Lark conformou-se pois também não acreditava que estivessem ali:
- Obrigado- agradeceu, e retirou-se
- Ufa...ainda bem que foi embora- disse o homem, olhando para um gato sentado sobre a lareira- É melhor que ninguém saiba até eles irem embora...
Já do lado de fora, Lark parecia convicto de uma coisa:
- Com certeza, quando saíram da caverna, seguiram para o Portal do Sul! Vou pra lá o quanto antes!
- PORTAL DO SUL, 19 DE JANEIRO DE 1800 -
Lark havia chegado ao Portal do Sul depois de caminhar por uma curta distância. Felizmente, seu Gate Pass ainda era válido, e não teve problemas para entrar.
Estava cansado e faminto, então resolveu fazer uma rápida parada na Vega e aproveitar para tentar descobrir alguma coisa:
- Poderia me dar uma informação?- perguntou à dona do estabelecimento, após esvaziar uma garrafa d´água
Mary, contudo, parecia alheia a tudo ao seu redor.
\" Será verdade o boato que ouvi de que Jeff vendeu a Altair?... \"
Só foi voltar a si quando o freguês a chamou pela segunda vez.
- Oh, desculpe-me...deseja algo mais?
- Estou à procura de um grupo de quatro pessoas-explicou- Sei que, em meio a tanta gente, seria difícil notar, mas a senhora não os teria visto? O guarda disse que não viu ninguém pois trocara de turno há meia hora...
- Daquele lado? É muito difícil surgirem andarilhos de lá que não sejam habitantes da vila de Dali- retrucou a mulher- Há algumas horas, passou por aqui um grupo de mais ou menos dez pessoas; alguns estavam até feridos e com as roupas rasgadas.
- Viu alguma mocinha entre eles?
- Não. Todos homens.
Em todo caso, Lark optou por não confiar totalmente na avoada mulher, que poderia facilmente deixar que escapassem aos seus olhos caso estivesse tão distraída quanto ainda há pouco.
Mais tarde, fez uma nova busca por todo o local, sempre recebendo a mesma resposta; ninguém com as características da princesa Garnet e dos outros fora visto naquele dia.
- E você não viu ninguém assim, por aí?- perguntou a Stiltzkin, que conhecera numa de suas jornadas ao lado de Fratley, há algum tempo
- Não...ATCHINNN...snif, acho que peguei um belo resfriado depois de ficar congelado naquela caverna...- disse o moogle, indo embora
\" A caverna nem estava tão fria assim...\" pensou Lark
Já tomava como inútil sua vinda àquele lugar quando algo muito estranho- para não dizer inusitado- aconteceu. Quando os grandes portões estavam para se fechar, um airship penetrou em alta velocidade, logo sendo seguido por outro menor. Lark rapidamente identificou o primeiro deles:
- O Cargo Ship!
Não conseguiu ver direito depois que adentraram por completo na estrutura, mas faíscas azuladas eram projetadas para fora e, a seguir, houve uma grande explosão. As pessoas se assustaram de imediato com o misterioso ocorrido, e a cabeça do jovem começou novamente a girar a mil.
- Não, não...ela não poderia estar lá...
Afligindo-se mais e mais a cada segundo, aguardou até que um grupo de reconhecimento havia chegado com informações:
- Tudo indica que foi o airship menor que explodiu, antes mesmo dos portões se fecharem por completo. O outro, aparentemente conseguiu passar em segurança, rumo a Lindblum.
- Malucos- resmungava um velho que por ali estava- Não se tem mais consideração por nada!
- Será que o piloto morreu!?- exclamava uma mulher
Lark, entretanto, apenas repetia em pensamento as últimas palavras do guarda.
\" ...rumo a Lindblum...rumo a Lindblum...não há nenhuma razão para que, justo aquela nave, parta para lá...a menos que... \"
- LINDBLUM, 20 DE JANEIRO DE 1800 -
Um guarda corria precipitadamente pelo hall do castelo, na direção do elevador.
\" Droga, eu demorei demais! Pelo que ouvi dos outros guardas, ela realmente está aqui! \"
O disfarce improvisado lhe garantiria acesso nível mais alto do castelo onde, decerto, estaria sua irmã. Tentando agir com naturalidade, apesar da pressa, Lark aproximou-se da sala de conferências, na tentativa de ouvir o que se passava lá dentro.
- Droga, no que diabos ela está pensando!? Talvez esteja a caminho de Burmecia- disse uma voz vagamente familiar
- Então talvez ainda possam alcançá-la- disse uma voz com um estranho sotaque
- Vivi, acorde! Estamos indo pra Burmecia!
- Vamos para a Gruta de Gizamaluke. Assim que atravessarmos a gruta, estaremos em Burmecia- disse uma voz de mulher
- Vocês podem ir pelo Portal do Dragão, localizado no nível inferior .
Segundos depois, três pessoas deixaram a sala e seguiram para o elevador.
\" O Genome e o Black Mage! Será que era dela que estavam falando?...Sarah foi pra Burmecia!? \"
- Então, Sarah foi para Burmecia...- disse Belphein, acompanhando-o pelas ruas noturnas da cidade
- O Genome deu a entender que sim- respondeu- Não sei o que ele pode estar tramando pra segui-la dessa forma, e também não me agrada nada saber que ela seguiu pra lá.
- Tenha calma. Como disse anteriormente, o segundo Anjo da Morte ainda não representa ameaça pois ignora totalmente quem é, além disso, creio que possa nos ser útil
- Como?
- Falo de Burmecia-explicou o Eidolon- Não deve demorar pra que Brahne ataque Burmecia, visto que o Anjo da Morte original já deva saber do paradeiro de sua antiga joia. Mas a presença do segundo, aliado ao fato de que ele já deve estar sendo procurado pelo castelo com certeza causaria muitos rebuliços, e nada mais perfeito para que você se aproxime de Sarah sem ser notado.
- Acho que tem razão...-assentiu Lark
- No entanto, não poderá fazer isso agora- retrucou Belphein, com um sorriso vago- Temos outra prioridade: recuperar a joia que está em Cleyra antes deles.
- Mas e quanto à minha irmã!?- indagou o Summoner
- Deveria ter pensado nisso antes de deixar algo tão valioso com meros cleyranos-censurou Belphein- Seria o fim do mundo se o inimigo se apoderasse dela.
- ...
- Por hora, descanse, mestre- continuou o Eidolon- O senhor está muito abatido. Amanhã, bem cedo, partiremos.
- CLEYRA, 23 DE JANEIRO DE 1800 -
- HIAAAHH!
O inconfundível som de um duelo de espadas havia tomado conta da entrada de Cleyra. Lark desafiava avidamente um grupo de soldados alexandrinos que surgiram em seu caminho.
- Estão mesmo aqui! Holy!!
Com seus poderes mágicos, lançou-os para longe, partindo rapidamente para o vilarejo, no topo.
\" Não posso perder tempo...sem a tempestade de areia, este lugar está completamente vulnerável \"
- Vejo que a segurança desse castelinho de areia preocupa-lhe mais do que a pedra...-sussurrou Belphein em sua mente
- Cale-se!
Derrotou mais alguns soldados que apareceram pelo caminho, mas, o que mais lhe surpreendeu foram os dois oponentes que surgiram de misteriosas esferas luminosas transparentes:
- Black Mages! Não acredito que Alexandria os tenha sob seu comando!
Os dois magos começaram a levantar as mãos, proferindo um feitiço:
- Fira!
- Droga!
Lark tentou refleti-los com sua magia, mas, àquela curta distância, o impacto o lançou contra uma parede.
- Maldição...-murmurou, tentando se reerguer- Sumam daqui!
Combinando o golpe de sua espada com o poder da magia sacra que detinha, o Summoner conseguiu vencê-los e continuou sua caminhada rumo ao vilarejo.
Quando, por fim, chegou ao seu destino, subindo por uma frágil escada de cordas, espantou-se novamente ao se defrontar com fogo, destruição e os inimigos que continuavam a surgir pelos céus.
- Sarah...
- Mestre Lark, a pedra!- vociferou Belphein
Para conseguir chegar à catedral, onde estava o fragmento da joia, teve de enfrentar novos gupos de soldados e Black Mages.
- Alto lá!
- Não tem por onde escapar!
\" O que eu faço agora? Me cercaram e não quero espalhar mais destruição por esse lugar... \"
Nesse instante, uma chuva de lâminas caiu sobre seus adversários, abatendo-os completamente.
- Mas o que...
Sem entender o que ocorrera, Lark olhou para cima, onde viu um vulto saltar na direção da catedral mais adiante.
- Será possível!?- exclamou, seguindo-o
Chegando lá, confirmou suas suspeitas, num misto de alegria e preocupação. Zidane e os outros estavam cercados em frente à catedral, tentando proteger um grupo de moradores:
- Droga! Não posso salvar todos eles!
- Servos do mal, vocês já foram longe demais!- exclamou alguém, no alto da catedral
- Fratley!- disse Lark, surpreso ao rever o amigo
- O burmeciano!- exclamou Belphein
- Minha lança desobstruirá esta terra de vocês!- continuou Fratley, atirando-se contra os Black Mages
- Mas...por que está aqui justo agora?- perguntou-se Lark, que a tudo observava de longe- E aquea mulher com o Genome...será que se trata de...
- Cairão como folhas ao vento sob o poder de minha lâmina!- prosseguia o guerreiro, eliminando facilmente os oponentes- Agora, corram!
Todos entraram na catedral, sendo depois seguidos por Fratley.
- Agora é tarde- balbuciou Belphein- Com todos eles lá, será impossível nos apoderarmos da pedra...
Lark, no entanto, estava mais concentrado no que podia ver a distância, no céu. Sem dúvidas, era um airship, e logo compreendeu tudo que se passava:
- É isso! Estão vindo pela Red Rose!
- O que pretende?...- perguntou Belphein
- Aquele fragmento ficará sob a responsabilidade de Fratley e dos próprios cleyranos.Eu vou direto à fonte disso tudo!- disse Lark, e, em seguida, atirou-se numa daquelas esferas.
O rapaz teleportou-se até a bordo da Red Rose, de onde surgiu de um grande vaso. Cautelosamente, seguiu rumo a algumas escadarias do outro lado e, ao ver que havia guardas no corredor acima, escondeu-se atrás das escadas, de onde podia também ouvir claramente o que diziam:
- Deve ser mentira isso de que a rainha aprisionou a princesa...
\" O que!? Sarah! \"
- Bom, eu não sei, mas eu é que não fico mais aqui; vou voltar pra casa!
Viu quando a guerreira seguiu até um daqueles vasos e transformou-se numa daquelas esferas de luz. Adivinhando aonde aquilo levaria, Lark não pensou duas vezes e fez o mesmo.
\" Sinto muito, mas isso tudo fica pra depois! \"
- ALEXANDRIA, 24 DE JANEIRO DE 1800 -
Por ter surgido no topo da torre oeste, Lark demorou para chegar à passagem na câmara real. Muitos inimigos surgiram para detê-lo pelo caminho. Contudo, cerca de meia hora depois de se refugiar atrás duma estante numa das salas, à espera de que as guardas desaparecessem, ouviu gritos vindo do lado de fora, indicando que estavam havendo batalhas. Assim que os barulhos cessaram, seguiu para o que acreditava ser o quarto da princesa e, para sua surpresa, quando deparara-se com o quarto vazio e se preparava para voltar, ouviu a voz da rainha Brahne saindo de seu quarto aos gritos e ordenando que matassem alguém e não permitissem que a princesa fugisse; quando não havia mais ninguém, entrou na câmara a passos desesperados.
Atravessando a passagem secreta, deparou-se com uma longa escadaria espiral iniciada por uma pequena passarela que movimentava-se aleatoriamente. Mais abaixo, um grupo de bandersnatches cercavam três pessoas. Logo identificou Freya entre elas.
- Estão com problemas...mas onde está Sarah!?...já entendi! Eles estão ganhando tempo pra que o Genome e o Black Mage a tirem daqui!
- Não vai atrás deles?- perguntou Belphein, materializando-se
- Não. O objetivo agora é mantê-la o mais longe possível de Brahne; e os outros precisam de ajuda ou serão mortos.
- Mas pra que perder tempo por causa deles?- indagou o Eidolon- Veio até aqui preocupado com a sua irmã!
- Steiner protegeu sempre a protegeu com uma devoção inabalável, e não posso permitir que Freya morra dessa forma. Quero que elimine aquela horda de monstros; sei que pode fazer isso com discrição.
- Não concordo com suas atitudes irracionais. Deveríamos ir atrás de Sarah, que está sozinha com o inimigo...
- Faça o que eu disse, Belphein!- protestou Lark- Quem pensa que é pra me desobedecer ou mesmo me questionar!?
- ...como o senhor quiser...- respondeu, com um tom de desgosto- NIGHTMARE CAGE!
- Tem muitos deles!- disse Beatrix
- Argh!- exclamou Steiner, sendo jogado contra uma parede- Maldição...o espaço é muito curto e esses monstros nos cercaram
- Saiam daqui!- retaliou Freya, derrubando alguns com sua lança
Durante essa dura luta, mal notaram quando a maior parte das criaturas desapareceu sem deixar rastros. Estavam todos exaustos e praticamente caíram desacordados no chão enquanto Belphein agia.
Ficaram lá até que Blank e Marcus, que também tiveram dificuldades para escapar devido aos monstros, passaram por ali e depararam-se com eles.
- O que faremos, bro?
- Não podemos deixá-los aqui- disse Blank- Parece que não há mais monstrengos, vamos levá-los para outro lugar.
Cuidadosamente, os dois amigos conseguiram levá-los até a cidade. Pensaram que teriam que usar de toda sua experiência e habilidade como membros de Tantalus para poderem escapar, mas acabaram por descobrir que o castelo se encontrava praticamente deserto. Marcus, apesar do peso da armadura de Steiner, animou-se:
- Poderíamos aproveitar pra levar algumas coisinhas e...
- Não!
- Ok...
Decidiram deixá-los ali mesmo perto do portão que conectava a doca com a cidade e retiraram-se.
- Onde estamos...e o que aconteceu com aqueles monstros?- questionou o cavaleiro, assim que despertou
- Estamos na cidade...como viemos parar aqui?- indagou Beatrix
- Aqueles dois...não são os amigos do Zidane?-observou Freya, vendo-os se afastarem ao longe
- Do que está falando!?- replicou Steiner, mas logo mudando de assunto- E a rainha?
- Isso não vai ter fim...-disse a general- A rainha jamais nos perdoará, e não podemos enfrentá-la agora que possui todo esse poder
- Mas...
- Alexandria não é um lugar seguro para nós- continuou Freya- Precisamos ir embora daqui o quanto antes!
- Doutor Tot!- exclamou Steiner- Vamos nos reunir com ele e a princesa em Treno e pensar no que fazer.
No entanto, ao chegar ao seu destino, ainda no mesmo dia, os três fugitivos e Lark, que também esperava reencontrá-la lá, compartilharam da mesma decepção:
- Como!?- afligiu-se Steiner- A princesa não está aqui!?
- Não, capitão-respondeu o velho sábio- Ninguém chegou aqui pelo Gargan.
- O que terá acontecido!?- perguntou-se Beatrix
- Zidane...
- Não é possível!- esbravejou Lark, vagando por Treno- Como foram desaparecer!? Onde ela está!?
- Isso não teria acontecido se não tirássemos os olhos deles...- replicou Belphein
- Novamente, Alexandria irá caçá-la...-disse, sem se importar com o Eidolon- Sarah...onde está você?
- LINDBLUM, 27 DE JANEIRO DE 1800 -
\" Não acredito...ela continua usando o poder de Eidolons extraídos...Cleyra, e agora Lindblum...e Sarah...e Sarah...não pode ser...irmã, espero que esteja bem...e também preciso ir até lá...até o meu lar...\"
- SUDOESTE DO OUTER CONTINENT, 2 DE FEVEREIRO DE 1800 -
Preocupado e temendo que algo tivesse lhe acontecido, Lark continuou procurando por sua irmã pelo Mist Continent, sem sucesso, até que, dias depois, optou por não perder mais tempo e seguir para sua terra natal a bordo de uma pequena embarcação de Alexandria que furtara no porto de Lindblum, com ajuda de Belphein. Sua cabeça esteve muito confusa ultimamente, sempre hesitando entre a proteção de sua irmã ou a dos fragmentos, mas, ao tomar conhecimento do que havia se passado em Lindblum, decidiu, com um profundo pesar no coração, ignorar a busca por sua irmã, mesmo sabendo que estava acompanhada por um Genome, e empenhar-se em recuperar a última joia, que deveria estar em poder de Melron e sua neta Eiko.
Foi quando se lembrou de que nunca mais o havia visto desde que partira de Madain Sari. Ignorava completamente se ainda estaria vivo e temia só de pensar em ter de lhe dar a notícia da morte do filho e da nora.
Enfim, já estava se aproximando; já podia-se ver a Iifa Tree, a distância, e preparava-se para tomar o rumo da vila dos Summoners, contornando a costa, quando notou algo que o intrigou.
- O que é aquilo?
Logo percebeu que se tratavam de embarcações, e mais, idênticas à que se encontrava.
- São de Alexandria...não...será que já descobriram sobre o último fragmento?- disse Lark, apreensivo- Belphein, será que o Anjo da Morte ou a rainha estão pensando mesmo naquilo?
- Por que persiste em não aceitar uma hipótese tão óbvia, senhor?- questionou o Eidolon- Em todo caso, se prestar mais atenção, verá que não vieram até aqui com intenção de obter a última joia.
- Hm?
Nem precisou aproximar-se muito para entender as palavras do Eidolon; era claramente visível que um conflito havia se iniciado. Diversos feitiços de elementos variados foram lançados dos barcos em direção à gigantesca árvore e, não muito depois, foi a vez de vários monstros serem atirados na direção da frota.
- Mas que diabos estará havendo!?
- Veja só aquilo!- disse Belphein, apontando para cima, na direção da árvore
Com ajuda de uma pequena luneta que estava largada no barco em meio a peças do vestuário dos soldados e outros objetos, em sua maioria quebrados, o rapaz teve outra surpresa quando avistou alguém sobrevoando o local em um dragão prateado:
- O Anjo da Morte!- exclamou- Ora ora...parece que a rainha não era tão ingênua quanto pensei...vamos continuar observando daqui mesmo...
- Vossa Majestade, os Black Mages completaram seus preparativos- informou um soldado
- Aquele animal insolente! Agora posso acabar com ele!- esbravejou a rainha, preparando-se para atacar com sua arma secreta- Venha! a Raiz Dracônica! Bahamut, Rei dos Dragões!
Um imenso círculo de fogo formou-se sobre o oceano, com Bahamut surgindo a seguir, e voando na direção da Iifa Tree e, mais particular, na direção de Kuja, que começou a sorrir misteriosamente. Depois, o dragão preparou um ataque e atirou vários ataques de energia sobre seu adversário, gerando explosões em larga escala por todo o chão. Para evitar ser atingido, Kuja fugiu em seu dragão, entretanto, notou que começara a sangrar, o que o fez sorrir de modo ainda mais enigmático.
- O poder de Bahamut é extraordinário...-comentou Lark, observando à batalha feroz que se desenrolava- Se tivermos sorte, esse será o fim daquele verme!
- Bem, pode ser...-disse Belphein, igualmente interessado no que acontecia- De qualquer modo...parece que será muito divertido...
Voando novamente sobre seu dragão, Kuja não parecia nem um pouco abalado com tudo que se passava, demonstrando claramente estar feliz:
- Sangue...hahahaha, excelente, Bahamut! Poder, mobilidade...você é verdadeiramente o melhor! Até mesmo me feriu...um pouco. E você, Brahne...seu trágico papel neste drama chega ao fim agora! Estou certo de que apreciarás o segundo ato lá da prisão infernal de sua alma, já que o palco será o seu antigo lar! O ato final nos levará para longe de Gaia, e eu matarei meu grande inimigo...com minhas próprias mãos! Hahaha! Tudo está indo de acordo com o plano!
O Genome ergueu suas mãos, ao mesmo tempo em que o céu se escurecia e um olho gigante aparecia, começando a disparar uma série de raios luminosos.
Aterrorizado, Lark comprimiu-se no barco com as mãos sobre a cabeça, como se estivesse dentro de um pesadelo:
- ...não...NÃO! Isso de novo não! Eu não posso mais...papai...mamãe...SARAH! Alguém...ALGUÉM ACABE COM ISSO!
- AHAHAHAHAHAHA!- gargalhou Belphein, ignorando-o ao seu lado- Muito...muito divertido...
Todos, inclusive Bahamut, gemiam de dor e agonia devido à forte radiação enquanto Kuja apenas observava a cena, com um sorriso malicioso. Quando a rainha se recompôs, viu que um descontrolado Bahamut estava bem à sua frente. Desesperada, não pôde fazer nada para evitar que o ataque impiedoso do dragão devastasse não só seu barco, como todos os outros da frota alexandrina. Após isso, desapareceu transformando-se em energia.
Lentamente, a embarcação de Lark foi aproximando-se mais e mais do local, guiada pela própria corrente marítima, que logo voltou a se acalmar. O rapaz permaneceu recolhido, sem querer erguer os olhos e ainda balbuciando qualquer coisa em voz baixa, até que Belphein lhe disse algo:
- Mestre, acho que deveria ver aquilo...talvez o faça sentir-se um pouquinho melhor...
Mas, novamente, o Summoner nem sequer esboçou uma reação diferente, o que fez com que Belphein, impaciente, puxasse sua cabeça em direção à costa, obrigando-o a ver.
Era Sarah. Sem dúvida, era ela a garota ajoelhada ao lado do corpo da rainha. O Genome e o Black Mage também pareciam estar lá.
- Eu vou até lá imediatamente!- exclamou Lark
- Está se precipitando como sempre- advertiu o outro- Continue observando...não há outra coisa interessante ali?
Só depois de Belphein ter feito essa pergunta que Lark se deu conta do que mais havia ali: um homem alto e ruivo que parecia checar se o barco que chocou-se contra a costa sofrera muitos danos...e havia mais alguém; uma garotinha de cabelos azulados que, por um momento, lhe pareceu terrivelmente familiar. Munido da luneta, o jovem invocador começou a averiguar aquilo que suspeitava.
- Um chifre!- exclamou- Eiko!
- E está com a quarta joia- completou Belphein- No fim, não precisamos nos esforçar muito, não é verdade?
- ...Belphein...
- ?
- Esse deve ser um momento muito difícil para minha irmã- disse Lark, recolhendo alguns dos objetos do barco- Quero ao menos estar perto dela, nem que seja por pouco tempo.
- Talvez seja melhor ir até lá...- disse Zidane, levantando-se
- Não, Zidane, deixe-a...- disse Vivi, detendo-o
- Pobrezinha...- sussurrou Eiko
Pouco depois, Amarant juntou-se a eles:
- Acho que o barco tem condições de nos levar de volta.
Deixaram passar mais alguns minutos, até que Garnet pareceu ter se recuperado e se levantou, olhando na direção da embarcação.
- Vamos indo- disse Zidane
O grupo se juntou à princesa, com exceção de Amarant, que seguiu diretamente para um barco. Todos concordavam que seria melhor retornar para Alexandria o quanto antes.
- Zidane, e quanto ao Quina?- perguntou o mago
- Não sabemos ao certo onde ele pode estar- respondeu- Me desculparei com ele depois, mas, agora, o que eu quero é levar a Garnet pra casa.
- Com licença- disse um soldado, que havia se aproximado do grupo- Alteza, lamento profundamente pelo que houve; mas vejo que o barco da rainha tem condições de levá-la de volta, então peço humildemente que se dirija para lá.
Ninguém havia reparado, mas o soldado observava a princesa e Eiko com muito interesse.
\" É incrível a semelhança com Elma...\" pensava
- ...tudo bem- disse a garota, por fim quebrando seu silêncio
Quando Zidane, juntamente com Vivi, seguiram para o barco, rapidamente trocou olhares com o soldado, como se estranhasse alguma coisa, mas sua mente só queria saber de se preocupar com Garnet.
\" Mãe...prometo a você mais uma vez que me tornarei uma grande rainha \"
- ALEXANDRIA, 10 DE FEVEREIRO DE 1800 -
Aquele era outro dia especial para Alexandria. Embora seus habitantes lamentassem pela a morte de sua rainha, apesar de suas últimas ações, também estavam felizes pelo fato de Garnet assumir o trono, já que não se falava de outra coisa pelas ruas.
Sentado em sua cama, no Inn, Lark também pensava sobre isso até que ouviu uma série de discussões vindo de baixo. Era o proprietário, que debatia com algumas pessoas que alegavam ser muito alto o valor que cobrava.
Quando as coisas se acalmaram, resolveu sair para dar uma volta. De certo, não conseguiria se aproximar de Sarah com facilidade, mas, ainda assim, queria ficar mais alguns dias em Alexandria, pois imaginava o quanto tudo aquilo estava sendo doloroso para ela. Já era noite quando retornou, o que lhe rendeu uma leve bronca da esposa do dono, que disse que, mais vinte minutos, e teria trancado a porta. Subiu os degraus lentamente sem o menor pingo de sono e já imaginava que passaria boa parte da noite em claro. Não deixava de ser verdade, no entanto, não por esse motivo. Minutos depois de entrar no quarto, ouviu um grande ruído de destruição não muito longe de onde estava.
Correndo até a sacada, descobriu a razão para tal: Bahamut, em toda sua glória, voava pelo céu, batendo suas asas e rugindo ameaçadoramente.
- DESGRAÇADO!- esbravejou Lark, pulando para a rua- Genome do inferno, quem ele pensa que é!?
Imediatamente, o rapaz preparou-se para contra-atacar:
- SONIC DIV...
- ESPERE!- exclamou Belphein- Não deve fazer isso aqui!
- Ele vai devastar Alexandria e, ainda por cima, com um poder que não lhe pertence!
- Eu sei!-retrucou- Mas se ele te descobrir, nos trará problemas!
- Cale essa maldita boca; eu tô me lixando se vão me descobrir ou não, mas vou proteger a minha irmã!
Quando estava a pronto de realizar a invocação outra vez, Lark foi contido por uma presença estranha que sentiu na direção do castelo.
- ...o que foi?- perguntou Belphein
- Um poder...sinto um poder gigantesco vindo do castelo...que será isso!?...
O movimento de pessoas correndo em desespero pelas ruas ficava mais intenso a cada momento:
- Por aqui! Vamos!
- Eu não quero morrer!
Uma mulher passava correndo perto de onde estava, dizendo estar sendo perseguida por monstros. Descontrolada, acabou tropeçando num barril que havia sido derrubado no chão, enquanto o Mistodon se aproximava:
- Aaaahhhhh!
- Verme maldito!- exclamou Lark, cravando sua espada na cabeça da criatura, e mirando uma magia em outro que vinha pela frente- Desapareçam pra sempre!
- Obrigada!- agradeceu a mulher
- Vocês estão bem?- perguntaram dois Knights of Pluto, aproximando-se- Vamos levá-los para um lugar seguro
- Levem a moça, eu ficarei bem- replicou Lark
- Tem certeza?
- Vão logo!
- T-tá...tá bom...
Pouco depois, o Capitão Steiner e a General Beatrix também surgiram nas ruas, em prontidão para exterminar aquelas criaturas:
- É isso, Beatrix.
- Darei tudo de mim por Alexandria!
- Falou muito bem!-disse Steiner- Vamos marchar para a vitória!
Embora parecesse um esforço inútil, Steiner fazia questão de ficar na cidade enquanto houverem bestas como aquelas ameaçando as pessoas. Os monstros surgiam por toda parte, inclusive pelos telhados das casas, e aquilo não parecia ter um fim.
Num determinado momento, Steiner, quase vencido pelo cansaço, teve sua espada lançada ao longe por um ataque de cabeça de uma das criaturas, mas um jovem surgiu, atacando-a com sua espada.
- Obrigado, rapaz- disse o capitão- Mas deixe essa missão com os cavaleiros e vá para algum lugar seguro!
\" Imbecil...não acredito que a deixou sozinha! \" pensou o jovem que, contrariado, saiu correndo rumo ao castelo.
Foi quando sentiu novamente aquela presença imponente vindo de lá e, logo depois, notou alguma coisa brilhante descendo do céu e, aparentemente, caindo no castelo emanando uma luz que podia ser percebida ao longe. Aquela sensação estranha ficava mais e mais forte, e foi então que Belphein se manifestou:
- Abra bem olhos para não perder nada mestre- disse, sarcasticamente- Caso contrário, perderá um espetáculo inesquecível!
Um imenso pilar de luz azul tomou conta do castelo de Alexandria. Por trás dele, um grande par de asas apareceu. Inquieto, Bahamut as atacou, não causando dano algum, contudo. Ao se abrirem, as asas revelaram Alexander, muito maior que o próprio castelo, e lançando vários raios azuis contra o invasor. Bahamut, inutilmente, tentou desviar, mas, ao ser atingido por vários ataques, desapareceu numa grande explosão.
- Esse é o Alexander- balbuciou Lark, paralisado- Então estou presenciando o Julgamente Sagrado!
\" Finalmente... \" comemorava silenciosamente Belphein
- Steiner, o que pode ser aquilo?- perguntou Beatrix
- Se derrotou aquele monstro, espero que seja nosso aliado.
Devido à majestosa presença do Eidolon sagrado, Lark e os demais sequer notaram quando o Hilda Garde 2 pousou, com certa dificuldade, no castelo.
- Ahahahahaha! Esse será o fim daquele insolente! Acho que por isso ele não esperava...
a situação parecia controlada, mas aquilo não duraria por muito tempo.
Na praça da cidade, Kuja, que de fato havia se surpreendido a princípio, agora parecia feliz e satisfeito:
- É tão belo...Alexander...o Eidolon lendário...-disse- então, você deseja proteger o castelo com suas asas brilhantes...? Que admirável...seus poderes superam até mesmo os de Bahamut...Alexander, estive à sua espera. eu lhe trouxe uma carruagem mágica. Tenho certeza de que a apreciará. Invincible, venha para mim! Você é meu, Alexander!
Outra luz surgiu sobre Alexander, logo depois revelando-se como o olho gigante. Alexander, ao perceber o que acontecia, cobriu o castelo e a si mesmo com suas asas.
Tal como da outra vez, o Summoner foi tomado por lembranças que o atormentavam, criando ilusões.
- Não...ah, não! O que é isso...pai...PAI!
- Ora, ora...incrível ter se dado o trabalho de vir aqui pessoalmente, Garland- comentou Belphein e, dirigindo-se a Lark, continuou- Mestre, acho melhor sairmos daqui.
Mas, novamente, não ouvia nada do que dizia.
O olho gigante atirou uma energia intensa que acabou envolver o Eidolon por completo até que, minutos depois, descarregou um derradeiro ataque, causando uma explosão catastrófica por toda a cidade. Belphein precisou materializar-se e tomar Lark em seus braços, para depois escapar do dano iminente pelos céus.
Quando finalmente voltou a si, estava sendo carregado por Belphein para fora da cidade. O Eidolon lhe disse que havia visto alguma coisa e queria averiguar.
- Veja como ficou o castelo! Eu tenho que ir até a minha irmã agora!- exaltou-se
- Não se preocupe, ainda sinto a presença dela e me parece estar sã e salva. Agora, o que acha daquilo ali?
Olhando à sua frente, o jovem viu Kuja, aparentemente ferido, entrando num grande airship e sendo recepcionado por Black Mages.
- Está fugindo!
Sem perder tempo, o Summoner entrou num pequeno airship que achara por aquelas bandas e que parecia não ter sofrido avarias graves, e tratou de segui-lo.
- Espero que esta coisa ainda tenha condições de voar.
Durante a viagem, ficou sabendo de tudo o que houve, o que o deixava ainda mais apreensivo:
- Está claro que Garland declarou guerra ao próprio Anjo da Morte. E o outro...o que vai acontecer quando se der conta de quem é? Eu devia tê-lo eliminado pra evitar problemas...
- Talvez, mas coisas também caminham a nosso favor agora que Alexander foi invocado.
- ?
- E agora?- perguntou o Eidolon, ironicamente- Para onde será que ele está indo?...
- LESTE DO OUTER CONTINENT, 20 DE FEVEREIRO DE 1800 -
Lark montara um discreto acampamento perto daquela paisagem desértica porque tinha certeza de que havia sido por ali que terminara sua perseguição. Estava ali há quase uma semana e, depois de uma investigada minuciosa, porém com cautela, por aquela área, localizou o que parecia ser uma caverna oculta na colina, que parecia ser o único esconderijo possível para aquele airship. A confirmação se deu quando, posteriormente, avistou o Hilda Garde exposto não muito longe do deserto. Imediatamente, arrumou suas coisas e partiu para sua aeronave.
- E agora, o que pretende?- indagou Belphein, sempre atento aos seus movimentos
- Você fica me amolando pra não me meter nisso, não é? Mas também não vou ficar de braços cuidados- disse, ligando o motor da máquina- Darei um jeito de comunicar a Cid sobre esse lugar.
Já estava pronto para decolar quando o Hilda Garde 1 emergiu do outro lado da colina, partindo na direção oposta à de Lark.
- É...Lindblum pode esperar mais um pouco- disse- Vamos ver aonde o paspalho vai agora...
Seguir o airship de Kuja não era uma tarefa difícil, pois não era muito veloz, mas o Summoner tinha receio de que o avistassem, então mantinha uma certa distância. Logo depois de sobrevoar o deserto, notou uma embarcação com velas azuis ancorada não muito longe.
- Não tinha notado aquele barco...- comentou
Foi uma viagem quase tão longa quanto a que o trouxera de volta àquele continente, e, após sobrevoar o oceano, o Hilda Garde diminuía sua altitude à medida que adentrava no Forgotten Continent, indo pousar num descampado próximo a uma região de grandes desfiladeiros.
- Por que pousariam no meio do nada?- perguntou o rapaz- Será que acabou a energia?
Belphein, no entanto, optou por permanecer calado desta vez; algo o intrigava, e o silêncio só foi quebrado por uma súbita expressão de surpresa de Lark:
- São eles! O Genome e os amigos dele desceram da nave! Belphein, eles se aliaram!? O que isso significa!?
- Fique tranquilo, eles não se aliaram-garantiu o Eidolon- Por hora, vamos nos retirar. Esperaremos por eles no seu próximo destino.
- Mas...
- Na verdade, senti duas presenças de Summoner vindo da direção daquela caverna, mas não disse nada para não desviá-lo do assunto principal
Ao ouvir isso, Lark revoltou-se:
- Você é um cretino!
- Eu já sei o que ele tem em mente- insistiu, ignorando-o- Vamos, siga para o norte!
- VULCÃO GULUG, 23 DE FEVEREIRO DE 1800 -
- Mas o que ele pretende, afinal!? Ainda vai levar uns dez anos pra que possam extrair os Eidolons dela!- ponderava Lark, que, a mando de Belphein, seguiu imediatamente para o Lost Continent
- Talvez ele não saiba desse detalhe- replicou o Eidolon- Em todo caso, é só um palpite. Ele está interessado no poder dos Eidolons mais fortes, mas não sei se planeja extrair os de Eiko.
- Ainda não me explicou isso direito! Diga de uma vez por que estamos indo pra lá!
- Assim que percebi que ele mandou os outros a Oeilvert, desconfiei do seu plano...a pena é que ele parece ter apenas parte dos conhecimentos antigos, ignorando outros fatos fundamentais
- Explique-se logo!- ordenou Lark, sem um pingo de paciência
- Não se trata de uma montanha comum; aquele local é de onde originaram-se todos os Eidolons.
- O que está dizendo!?
- É isso mesmo-continuou- Deve ter sido uma grande frustração para ele quando seu tão cobiçado Alexander foi destruído, e é óbvio que está com pressa e sem qualquer disposição de esperar que se recupere, o que pode levar anos.
- Mas o que o vulcão tem a ver com isso?- indagou Lark
- No mínimo, ele foi em busca de Ark, que seria o único Eidolon ao nível de Alexander, acreditando que esteja selado em algum lugar do vulcão...
- Ark!? Mas você disse que em Oeilvert...
- Exatamente!- exclamou Belphein- Essa é a questão; o Ark de Oeilvert é apenas uma versão com poderes reduzidos do titã original, o qual nem mesmo eu sei exatamente que fim levou, mas posso garantir que não se encontra mais naquela montanha.
Minutos depois, o airship já sobrevoava o inóspito Lost Continent.
- Ficaremos de tocaia à espera deles! Dependemos da Gulug Stone para abrir a porta e, se os outros o estão seguindo de barco, vai demorar um tempo até chegarem aqui-disse Belphein- Entraremos assim que abrirem a passagem
Conforme o esperado, ao fim do dia, Lark avistou o Hilda Garde 1 se aproximando da cidadela:
- Lá vem ele!
Comandando um pequeno grupo de Black Mages, Kuja entrou sem cerimônias no templo de Esto Gaza, rumo à passagem lacrada para a montanha.
Lark, que desviava seu olhar para a Shimmering Island para não chamar a atenção, entrou sorrateiramente logo atrás deles.
- Ouça senhor, logo, logo a sua irmã e os demais chegarão aqui. Acho que podemos deixar o resgate da garota por conta deles- disse Belphein
- De modo algum!- protestou- Os pais dela morreram por minha causa e, além disso, não posso deixar uma das únicas sobreviventes da nossa raça correr esse tipo de perigo!
- Mestre Lark, já lhe disse antes; em sua posição como o grande Herdeiro, é preciso ter em mente a imparcialidade. Você não se pertence mais. É alguém que deve esquecer as vontades individuais em prol do bem maior!
O jovem ficou novamente pensativo e cabisbaixo.
- Esqueça isso por hora- continuou- Eu o guiarei por um atalho oculto no vulcão, dessa forma, chegará à sala principal muito antes do Genome.
E assim, sendo auxiliado por Belphein, Lark chegou a uma minúscula câmara onde havia um altar com um suporte vazio e inscrições arcaicas na parede. Seguindo conselhos do Eidolon, destruiu aquela parte da parede para evitar que Kuja conseguisse traduzir o que quer que estivesse gravado ali, e depois deixou o local, sempre atento para averiguar se os inimigos estavam próximos.
Ouviu passos e vozes vindo por um lado, e, rapidamente, esgueirou-se entre as paredes danificadas duma pequena cabana construída no meio do corredor à sua direita.
Por uma fresta, viu quando Kuja e dois homenzinhos vestindo roupas coloridas entrarem na sala. Teve a vaga impressão de já os ter visto antes e desejava poder ficar para ver a decepção que teriam, mas decidiu ganhar tempo e procurar por Eiko por aquela montanha labiríntica.
Porém, ao passar por outra daquelas , foi surpreendido por um dragão vermelho que surgiu destruindo uma das paredes. Sem pensar duas vezes, e movido pela pressa, derrotou-o com um ataque mágico, mas o impacto do ataque causou um pequeno estrondo.
- que está fazendo!? Vão nos descobrir!- alertou Belphein- Deveria ter deixado isso comigo.
Me precipitei...-lamentou-se
- Posso sentir uma pequena presença vindo lá de baixo. Eiko deve estar na base dessa montanha. seria mais rápido pelo outro lado mas, já que estamos aqui, vamos em frente.
Lark seguiu por aqueles caminhos complicados por cerca de meia hora, e de quando em quando, deparava-se com outra daquelas criaturas, até que, por fim, alcançou uma plataforma de onde podia ver com clareza o que se passava lá embaixo, e logo identificou Eiko flutuando no ar e aqueles dois homens misteriosos a cercando.
- Aqueles caras...será que pretendem...?...- perguntou-se o jovem, já pretendendo interrompê-los
- Não cometa imprudências, mestre...além disso, parece que eu tinha razão...veja só quem está ali- disse Belphein, mostrando-lhe uma passarela do outro lado, pela qual quatro pessoas passaram correndo
- Estão aqui...
- Parece que estão se desentendendo- comentou Belphein
Voltando para onde estava Eiko, Lark viu que Kuja parecia brigar com seus subordinados e, pouco depois, surgiu outra criatura os impedindo de se aproximarem da menina. Estava difícil enxergar ou ouvir com clareza, mas parecia tratar-se de um pequeno moogle. A cena continuou até que, enfezados, os gêmeos partiram para cima da garota, e então, algo inimaginável aconteceu; o corpo do moogle começou a brilhar, e ele sofreu uma transformação, tornando-se uma fera de pelos dourados e um olhar ameaçador, o que deixou a todos surpresos.
- Não me diga que aquilo é...-insinuava Lark
- Mas é Madeen!- exclamou Belphein- Quem diria...não esperava revê-lo aqui.
- Desconhecia a existência desse Eidolon- confessou o rapaz, depois de assistir, perplexo, ao espantoso poder da criatura, que rapidamente derrotou os dois inimigos
No mesmo momento, Zidane e seu grupo havia chegado ao resgate de Eiko, logo iniciando uma discussão com Kuja. Ao ver que o ocorrido confundira ainda mais Lark, Belphein tentou evitar que isso o desviasse de assuntos mais urgentes:
- Em todo caso, mestre, encontramos a resposta para uma de nossas dúvidas; é através daqueles sujeitos que é feita a extração...vai deixar passar essa oportunidade!?
Lark lançou um olhar inquieto para o Eidolon, a princípio não compreendendo sua sugestão. Mas antes mesmo de responder, um novo fato surpreendente aconteceu, visto que Kuja havia fundido os corpos dos dois, resultando num monstro deformado e assustador.
- Vem fácil, vai fácil...-debochou Belphein
O grupo de Zidane e Eiko começou a enfrentá-lo, mas Kuja aproveitou para afastar-se dali sem ser notado.
- Vamos segui-lo?- perguntou Belphein
- Não...quero ver como eles se saem.
Evitando ao máximo suas técnicas venenosas e os violentos ataques de seus braços, conseguiram vencê-lo e, após uma breve conversa, partiram na mesma direção em que Kuja seguiu.
Lark aguardou por mais algum tempo até se assegurar de que todos haviam ido embora e, então, desceu até o local da batalha. Lá, revistou pelos escombros até encontrar o que procurava: Zorn e Thorn estavam sob algumas pedras, gravemente feridos, porém, ainda vivos. Imediatamente, o rapaz abaixou-se até onde estavam e utilizou uma magia de cura ao mesmo tempo que proferia algumas palavras estranhas.
- Estou...vivo?...-perguntou Zorn, se levantando
- Vivo...também estou!- exclamou Thorn, fazendo o mesmo
- Ei- gritaram ambos, para o homem que se afastava- Muito obrigado por ter nos salvado!
Parou de andar por um momento, para responder a eles:
- Não me agradeçam. Apenas reflitam sobre tudo que fizeram e procurem levar uma vida melhor.
- ...
Olhando para sua mão, que transmitia um estranho brilho vermelho, o jovem dizia várias coisas a si mesmo enquanto procurava deixar aquele local:
\" Agora tenho o dom da extração...espero não precisar usá-lo, mas se for necessário, assim será. \"
- ESTO GAZA, 4 DE MARÇO DE 1800 -
Passaram-se alguns dias desde os acontecimentos no vulcão Gulug. Lark e seu subordinado Belphein continuaram seguindo os passos de Sarah e Zidane, mas, a pedido do Eidolon, que já havia previsto o que estava por vir, os dois retornaram a Esto Gaza, já que Lark, perturbado, ao menos fazia questão de estar presente naquele momento decisivo.
- Ainda não posso acreditar nisso...essa poderá ser a batalha final e, enquanto a minha irmã arrisca a vida naquele planeta, você quer que eu fique aqui!?
- Essa também é a vontade dela-retrucou Belphein- O senhor não pode impedir. O que temos que fazer é aproveitar a sorte de que os três inimigos vão se enfrentar, o que pode resultar, no mínimo, na morte de um deles. Enquanto estiverem lá se destruindo, o senhor estará aqui, preparando Gaia para a era pós-guerra.
- Eu sei, mas compreenda que, pra mim, isso é muito difícil e...
- Venham ver isso!- gritou Gatz, um morador do local, surgindo no alto das escadarias ao lado- Um pilar de luz está saindo da ilha!
- O que!?
Sem perder tempo, Lark correu até lá na frente de todos, e logo pôde testemunhar aquela intensa luz radioativa que seguia na direção do céu.
- O que será aquilo!?- perguntava-se Lisa
- Espero que não seja um mau presságio...- disse outro homem
- Olhem!- exclamou outro morador, apontando na direção da luz- Aquilo não é uma nave?
Realmente, um airship de grande porte seguia na direção da luz sem ao menos tentar desviar dela.
- O Hilda Garde!- exclamou Lark- São eles! Sarah!
- Meu Deus, devem estar sendo tragados até lá sem poderem controlar a nave...
Num impulso, Lark voltou para o templo, tentando chegar até onde deixara seu airship, mas foi detido pelas palavras de Belphein.
- Tem que ser forte, Lark! Deixa que ela vá...e concentre-se no seu dever! Não seja injusto com todos os que depositaram suas esperanças em você, há cinco séculos. Não seja injusto com seu pai!
Ao ouvir essa última palavra, fez força para conter uma lágrima tímida, enquanto dava meia volta e retornava calmamente para junto dos outros curiosos.
- Em vez disso, venha comigo, preciso levá-lo a um lugar-continuou o Eidolon
- Sarah...você tem que voltar...você precisa voltar...
- OEILVERT, 5 DE MARÇO DE 1800 -
- É realmente um lugar bem estranho- comentou Lark assim que pôs os pés no lado de dentro da estrutura, repleta de escadarias que conduzem a salas ainda mais grotescas.
Na verdade, antes mesmo de chegar, já estava impressionado com sua localização tão erma.
- Este lugar está repleto de informações sobre a sociedade Terra- explicou Belphein- Provavelmente, é uma de suas estruturas que acabou parando neste mundo quando Garland fracassou, há milhares de anos.
- Pois me agrada muito pouco ter que me instalar num lugar assim- retrucou o Summoner, sentando num degrau
- Há uma boa razão para tudo, mestre Lark. O Grande Proibido está bem debaixo de seus pés!
- Como!?- exclamou, exaltado- O que disse?
- Não disse nada antes para não exaltá-lo antes da hora; mas aqui é o lugar onde os poderes dos titãs foram usados pela última vez, para acalmar sua ira.
- Mas por que num lugar assim?...então é isso que, segundo você, eu devo fazer? Usar o poder deles para libertá-lo.
- ...basicamente, sim...mas tem outras coisas além disso.
- Tá, mas...no caminho pra cá, você disse que o Ark não existe mais, então como...
- Calma- disse- Acabo de dizer que há mais coisas que ainda não disse. De qualquer forma, vamos embora, só queria mostrar o lugar a você, e podemos falar sobre isso no caminho.
- LINDBLUM, 10 DE MARÇO DE 1800 -
Lark, que estava no Inn de Lindblum, tentando colocar um pouco de ordem em sua mente, conciliando sua \"missão\" e a preocupação com a segurança da irmã, teve uma surpresa quando ia deixar o quarto e deu de cara com outro hóspede, que entrou apressado e gritando \" Ela voltou!\".
Não sabia a quem ele se referia e nem se preocupou, porém, quando deixou a cidade em seu airship rumo a Madain Sari, que pretendia visitar já há algum tempo, surpreendeu-se com o que viu: a neblina. Ela estava de volta, e já não cobria apenas o Mist Continent.
- Receio não saber ao certo o que está acontecendo- adiantou Belphein
- Mas a neblina teria algo a ver com tudo?...
Um grande ruído se fez ouvir por todo a cidade. Eram o Hilda Garde 3 acompanhado de um esquadrão de outras aeronaves, sobrevoando a cidade rumo ao norte em altíssima velocidade.
Focando-se na direção tomada por eles, Lark, num impulso, captou alguma coisa:
- É ela!
- Hmm?
- Duas presenças...sinto duas presenças naquela direção! Só podem ser Sarah e Eiko!
\" Que impertinência...se bem que, cedo ou tarde, ele adquiriria essa capacidade \" pensou Belphein
Seguiu-os, sempre na direção de onde vinham tais presenças e, num determinado momento, no meio do caminho, avistou outro airship, pouco mais à sua frente, ao nordeste, mas seguindo na mesma direção.
- A Red Rose...tem algo estranho acontecendo...por que essa droga de airship não voa mais rápido!?
Minutos depois, quando, enfim, atingiu o Outer Continent, Belphein foi o primeiro a notar a razão para o rebuliço:
- Veja aquilo, mestre!
Uma espécie de fenda dimensional projetara-se sobre a Iifa Tree, e os airships de Lindblum e Alexandria permaneciam imóveis ao redor da árvore.
- Não sinto mais a presença de Sarah, será que me enganei?
- O senhor não se enganou, mestre-retrucou Belphein- O que acontece é que, muito provavelmente, elas entraram naquele lugar.
Lark só queria saber de fazer perguntas:
- Mas e Terra!? E que diabos é aquilo!?
Sorrindo descaradamente como sempre fazia, Belphein apenas deu de ombros. Contudo, desta vez, havia uma sombra de preocupação por trás daquele sorriso.
\" Eu me lembro dessa energia...se aquilo for Memoria, estarei com sérios problemas...tudo por causa dessa briguinha estúpida \"
- IIFA TREE, 10 DE MARÇO DE 1800 -
Não foi difícil para o Summoner aproximar-se mais da árvore em seu airship, visto que seria facilmente confundido com qualquer outro membro do esquadrão de Lindblum ou até mesmo como curioso. Tal como os outros, não pretendia sair dali enquanto não eles não retornassem, e a fim de elucidar aqueles acontecimentos tão estranhos.
As horas passavam e nada acontecia e então, como Belphein já havia previsto, o impaciente rapaz decidiu dirigir-se até aquele portal:
- Chega! eu vou entrar lá e vai ser agora!
- Mestre!
Mas nem Belphein conseguiu detê-lo desta vez, e até a tripulação dos outros airships espantou-se com aquela nave que seguia até o topo da árvore, mas a atenção de todos, inclusive Lark, logo seria desviada por uma luz ainda mais intensa que se projetou elevando-se aos céus e acabando por eliminar a neblina que havia à sua volta.
- O que...- disse o jovem- Por acaso...
As raízes da grande árvore moviam-se livremente pelo chão, como se toda a Iifa Tree estivesse entrando em colapso, mas o mais intrigante foi pequenos pilares de luz que se formaram por um instante, na entrada do lugar.
- É ela! Sarah!- exclamou Lark
- Espere! Com todos aí, não pode ir até lá- interceptou o Eidolon, tentando disfarçar sua agitação
\" Maravilhoso...ao que parece, foi apenas um susto... \"
A contragosto, Lark, como sempre, contentou-se em apenas observar a situação. De qualquer forma, já estava feliz e satisfeito apenas pelo fato de saber que a irmã regressara sã e salva.
Um a um, os amigos de Sarah foram entrando no airship de Cid, deixando Zidane para trás. Depois que partiram, o Genome, partiu impulsivamente rumo ao interior da Iifa Tree, deixando várias perguntas no ar.
- O que significa isso?- questionou Belphein
- Não sei...e francamente, nem me interessa saber- replicou Lark, voltando seus olhos para o céu e para a noite que já dava os primeiros sinais de sua chegada, através das estrelas que despontavam timidamente- Vamos embora daqui...
- ALEXANDRIA, 15 DE JANEIRO DE 1801 -
\" Como você sobreviveu? \"
\" Eu não tive escolha \"
\" Eu tinha que viver \"
\" Então...
\" Eu cantei sua canção \"
\" Nossa canção.\"
A pessoa que os observava da plateia, depois de se apropriar do Silver Pendant, tinha em seu olhar um misto de amargura e tristeza que contrastava com a euforia de todos que ali estavam.
- Parece que ela acabou por tomar uma decisão...-sussurrou Belphein
- Sim. E eu também já tomei a minha- disse Lark, não querendo ficar nem mais um segundo ali
\" Mas talvez...talvez eu ainda possa trazê-la de volta... \"
- ARQUIPÉLAGO SALVAGE, 22 DE DEZEMBRO DE 1801 -
Há alguns meses, Fratley havia partido numa nova jornada. Tal como da outra vez, Freya, a princípio, não concordara, mas depois de seu amado insistir, dizendo que precisava de um tempo para ficar só e tentar reaver suas lembranças, acabou cedendo.
Naquele dia, estava em Daguerreo, um lugar que sempre lhe transmitia paz e tranquilidade. Descansava na pequena hospedaria ao lado da biblioteca, quando alguém sentou-se ao seu lado:
- Olá!- cumprimentou o jovem sorridente que viera a seu encontro; tinha cabelos negros, usava um pingente prateado e devia ter vinte e poucos anos.
Ao vê-lo, Fratley sentiu uma súbita inquietação:
- ...eu o conheço de algum lugar?
- Por que essa pergunta?
- Me desculpe. Talvez já nos conheçamos, pois você não me parece estranho, mas, lamentavelmente, não consigo me lembrar de nada do passado.
- Entendo- respondeu o jovem- Você tem razão, já nos conhecemos...
- É mesmo?
- Sim...podemos dizer que...tentou salvar a minha vida- disse, com os olhos baixos
- Verdade? Sendo assim, fico feliz. que coincidência nos reencontrarmos aqui, não?
- Bem, pra dizer a verdade, não foi coincidência- replicou o outro- Se não for pedir muito, preciso que me faça outro grande favor.
- Claro que sim-concordou- O que é?
- É sobre a Desert Stone- respondeu- Fui eu quem a deu a você, para que ficasse em Cleyra e, agora, preciso dela para um assunto muito importante.
- Está falando desta pedra?- perguntou o guerreiro, retirando uma joia vermelha cintilante do bolso- Freya me pediu para levá-la comigo, para que me protegesse e também na esperança de que me ajudasse a recobrar minhas memórias, mas creio que está sendo inútil. Já que é sua, pode levar...
- Obrigado...-disse, aceitando-a- Continua com esse altruísmo inabalável.
- Como é o seu nome?- perguntou Fratley, cada vez mais intrigado com as palavras do rapaz
- Lark.
- Lark...-repetiu o burmeciano- Realmente, é um nome que me parece nostálgico...disse que salvei a sua vida, não foi isso?
- Sim...- respondeu Lark, abalado e desviando o olhar- Preciso ir mas...será que posso dar um abraço de despedida?
Fratley levantou-se prontamente:
- Ora, mas é claro...
Lark fez o mesmo.
- Cuide-se amigo-sussurrou- E, mais uma vez, perdão...
- ?
- Agora preciso ir...
Deixou o local a passos rápidos e sem olhar para trás. Ao sair de Daguerreo, sentiu um profundo aperto no peito que o fez se perguntar se aquilo havia sido certo, mas essas dúvidas logo foram interrompidas por uma voz:
- Teria sido mais fácil eu me livrar dele e pegar a pedra de uma vez- disse Belphein, surgindo ao seu lado
- Já disse que não permito.- censurou Lark
- Como quiser. De qualquer forma, agora falta bem pouco. O que pretende fazer para obter as demais?
- Raphael...ele mostrou ser competente ao conseguir aquela informação para mim- disse o Summoner
- Espero que isso funcione
- Não se preocupe...- disse e, olhando para a joia que tinha na mão, continuou- Muito em breve poderei dar o primeiro passo para cumprir o meu destino...
***IX***
No próximo capítulo: \" O Crepúsculo...é aquilo que vocês devem impedir que aconteça, e isso só poderá ser feito neste exato momento \"
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