Final Destination - You Never Know
14 Capítulo 14 - Morto
Notas iniciais
Um de junho de 2008
Tantas coisas tinham acontecido e tinham se passado apenas duas semanas do colapso da ponte. Parecera muito mais tempo.
Acordou cedo naquele dia e sentou-se para o café, feliz.
–É a primeira vez que te vejo animado desde aquele dia — Christine disse — Geralmente, você anda muito pensativo e sério.
–É hora de viver de novo mãe — disse, e percebeu como aquilo tinha soado idiota de novo.
Christine franziu a testa e começou a guardar a louça do café que havia lavado.
–Quando vai começar a procurar um novo emprego?
–Semana que vem mãe — James fingiu mais uma vez que tinha tudo planejado — No shopping eu acho algo — e acharia mesmo. Conhecia quase todo mundo, empregos não iriam faltar.
–Acho bom, não vou sustentar marmanjo nenhum. — Ambos riram.
James subiu ao seu quarto e sentou-se na cadeira do computador. Pegou as folhas do 180, e riu de bobo. Tudo o que era assustadoramente real ontem, era idiota.
Sentiu um desconforto quando se lembrou da escola. Era o último ano daqueles caras, era o seu último ano, tudo acabaria. Antes do desastre na ponte, a formatura seria em junho, mas agora, as aulas iriam se arrastar até agosto, e isso dependendo de quando elas voltassem.
"Que droga" Chutou a parede, por baixo da mesa.
Seu celular tocou, era Peter:
–Fala!
–James meu caro, o que acha de comemorarmos? — Peter estava bem animado.
–O quê? — James sabia o porquê, mas se esqueceu do que iria falar na hora, e soltou o "o quê".
–Vencemos a morte cara, não é ótimo? — James riu. Peter era daquelas pessoas que adoram achar motivos pra comemorar algo. Mas ainda era um bom motivo.
–Não sei cara, não acho que a morte gosta de ser enganada, e também não acho que ela vai gostar que façam uma festinha em cima dela. — James assentiu. "Não provoque o desconhecido"
–Ah, cala a boca, já tá tudo certo, as 02h30min, no saguão do shopping a gente se encontra.
–A gente?
–Julie e Susan toparam, e mais uma vez, eu garanti que você iria, não seja maldito.
James chacoalhou a cabeça.
–Não serei maldito. Eu vou.
A mesma sensação ruim o atravessou de novo.
Desligou o telefone. Iria ligar o computador quando. . .
–James? — Christine gritou lá de baixo. James desceu e a encontrou na cozinha, pra variar.
–Vou dar uma saidinha rapidinho, você pode cortar essas cenouras pro almoço pra mim? — James olhou sério. — é rapidinho!
James fez uma cara feia.
–Esse é o meu garoto! — Christine sorriu, puxou sua bolsa, pegou a chave do carro, e saiu correndo.
"Que pressa hein?" James bufou.
As cenouras estavam descascadas. Christine bem que poderia ter feito isso antes de sair, seria bem rápido...
Um leve arrependimento de filho o tocou — todos conhecem essa sensação.
Chacoalhou a cabeça e pegou a primeira cenoura. Em questão de segundos ela estava picada, seria bem rápido, e James a revirou na tigela casual de salada. A segunda. Na terceira cenoura, ele se empolgou. Sentia prazer ao ouvir o barulho da faca batendo na mesa, e ao sentir a faca atravessando a cenoura várias vezes. Seria ele um sádico?
Na quinta cenoura bateu a faca com força no próprio dedo. Todos conhecem os palavrões pra esse momento magicamente trágico.
Quando percebeu, as próprias fatias da cenoura estavam cobertas de seu sangue.
"Merda" Olhou tenso ao redor. Será que a morte iria voltar e pegá-lo agora? Não podia ser. .
Lavou a mão e viu o corte feio que tinha feito. Ardia muito. Tomou cuidado em cada passo que deu até alcançar um pano de prato, limpo e branco, ainda por cima. Enrolou em seu dedo, sentou-se numa cadeira e olhou ao redor de novo. Nada mais aconteceu.
"Acho que tenho o controle" Pensou.
Alguns minutos se passaram, e ele continuou ali, e logo sentiu que seus dedos pararam de sangrar.
"Uau, regeneração" Desenrolou o pano e seu dedo estava feio e inchado. O telefone tocou, tirou o pano ensanguentado, jogou em algum lugar e correu.
"Não, já temos TV a cabo, obrigado" Desligou o telefone "Que droga"
Ao voltar à cozinha, teve uma sensação ruim, pior do que cortar o dedo, ao encontrar o pano ensanguentado esticado sobre as cenouras.
"Credo" Puxou o pano e sua barriga rodou ao ver as cenouras fatiadas respingadas de seu sangue e a faca. Ele já tinha visto coisa pior, mas não soube explicar a si mesmo o porque daquela sensação. Jogou as cenouras sujas no lixo e se surpreendeu ao ver uma delas atravessar um garfo, que por engano de Christine, estava no lixo. Jogou uma água no sangue sobre a mesa e desistiu de continuar cortando cenouras. Ao sentar-se no sofá, seu dedo voltou a sangrar. "Estranho".
Foi ao banheiro, enrolou papel higiênico ali e voltou à sala.
Logo Christine voltou, e muito no fundo se arrependeu de ter pedido a James pra fazer aquilo. Principalmente quando James desenrolou o papel do dedo e lhe deu um "jóia" com o dedo horrível.
Sorriu ao ver Julie, Susan e Peter o acenando no meio da praça de alimentação do shopping. Julie e Susan o abraçaram.
–Obrigado mesmo cara. — Julie disse o abraçando de novo. James sorriu.
–O que houve com seu dedo?
–Cortei, não é nada.
A garçonete logo trouxe os pedidos.
–A nós! — Peter ergueu o copo.
–A nós! — Todos repetiram e derrubaram coca-cola na mesa ao bater os copos.
–Poderia ser cerveja, né? — James disse rindo a Peter.
–Não esquenta cara, já bolei um esqueminha maroto mais tarde lá em casa. — Todos riram — Talvez meus pais vão sair. Cerveja não vai faltar, e só a gente então. . .
Todos riram, as meninas bebiam também.
Seu celular tocou. Número desconhecido.
–James? — Uma voz feminina o surpreendeu e o deixou tenso, era Emma, muito nervosa. — Michael está morto.
Notas finais
Michael's dead.
Óbvio que a morte não tinha parado ainda. Sempre há um esquema.
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