Final Destination - You Never Know
2 Capítulo 2 - A verdade é cruel
Notas iniciais
14 de maio de 2008
Acordou cedo no dia seguinte e suas esperanças de que tudo aquilo fosse um simples sonho se desfizeram logo. Não queria ir à escola, e mesmo se quisesse, com certeza não teria aula, havia a "ponte" que caiu. As memórias do dia anterior não seriam esquecidas por muito tempo. Talvez ficassem pra sempre. A visão ainda o atormentava.
Desceu, deu bom dia a Christine e sentou-se pra tomar café com ela.
Ligou a TV da cozinha. 156 mortos, uma bordoada de feridos, desaparecidos, e uma ponte. Mais corpos seriam encontrados. O abalo maior havia ocorrido na ponte.
"Entre dezenas de veículos na ponte, vários escaparam antes do desabamento, mas outros não tiveram tanta sorte. Um ônibus escolar, carregado de adolescentes do colégio Kennedy caiu no desabamento da ponte, e até agora, nenhum corpo dos adolescentes foi reconhecido" — dizia o jornalista.
Era difícil pra qualquer um acreditar que vários colegas de escola morreram. Ainda mais difícil acreditar que um cara bizarro teve uma visão bizarra de um acidente bizarro com mortes bizarras.
James se deu conta de que sua mãe chorava, ela era a emoção em pessoa. Ele se aproximou dela e a abraçou e ela retribuiu. Ele sentiu o cheiro do cigarro impregnado nas roupas dela. Não disse nada.
As aulas foram canceladas por tempo indeterminado. James teria mais tempo pra pensar sobre aquela loucura sem se preocupar com notas. James logo se sentiu mal por se preocupar com notas, afinal, a maioria dos alunos do seu bairro Nob Hill tinham morrido, mas no fundo, ele sabia que não havia nada a fazer.
Ligou pra Julie, combinou de encontrá-la à noite num café, o Golden Gate Coffee, que ficava perto da casa de ambos. Eles sempre se encontravam com Susan e Peter, a fim de falar bobagem e passar o tempo. Um lugar calmo, perfeito pra falar do que havia acontecido. Julie concordou.
A tarde passou rápida, a notícia da ponte e do terremoto estava correndo o mundo inteiro, e até alguns parentes de James ligaram, eles ouviram falar do ônibus que havia caído, mas o pai de James, Sr. Robert, um homem de negócios, vivia viajando, era o típico pai ausente, que nem deu sinal. James nem esperava nada dele mesmo.
Julie ligou em cima da hora pra confirmar, e disse que já estava indo. Ele vestiu um casaco e foi.
O café estava quase vazio, havia apenas um casal e uma moça ali. Melhor assim. Sentou se na mesa de sempre, esperando Julie.
Peter acabou se encontrando com Julie no caminho, ele também iria ao café e seguiram juntos, em silêncio. O dia anterior ainda os assombrava.
James não gostou muito da idéia quando viu Peter chegando com Julie, preferia conversar apenas com ela por enquanto, mas não tinha como expulsar ele de lá. Era o seu amigo.
Ambos se acomodaram, Peter quebrou o silêncio.
–O quê foi aquilo ontem cara, você sabia do terremoto?
–Ninguém sabia do terremoto Peter. Vi na TV hoje. — Julie o interrompeu.
James começou.
–Foi o seguinte, eu estava no ônibus, com vocês, foi aí que houve uns barulhos, todos desceram do ônibus e começaram a correr pela ponte.
–Até eu? — Peter perguntou
–Calado! -Julie disse, ela estava bem concentrada. — Obrigada Peter, e continue, por favor, Jay — Julie falou com seu ar autoritário.
James contou o resto da historia até o fim, sem nenhuma outra interrupção de Peter. Eles simplesmente ouviram.
–Mas como isso é possível? — Peter perguntou.
–Eu não tenho idéia. — James respondeu — Eu apenas vi aquilo e deu no que deu. E espero que isso pare.
–Com certeza -disse Julie.
–Como assim cara? Você nos salvou! Você não disse que nos viu morrer na ponte, e estamos aqui agora não é você mudou o destino das coisas! — Peter falou no mesmo fôlego.
–Tá profundo hoje hein? — Julie disse, rindo, James riu também. Peter continuou.
–Você deveria agradecer a quem foi que te fez ter essa visão, porque, não dá pra refletir se isso é bom ou ruim, você tem que aceitar de braços abertos!
Eles não tinham nada a dizer, senão rir. Era a mais pura verdade o que Peter dizia.
–Hoje é um acidente, amanhã pode ser a seqüência dos números da loteria. Nunca se sabe cara. – Peter continuou.
Eles continuaram rindo por um tempo até que Peter saiu correndo, 11:30 era pra ele estar em casa, ordens da mãe dele, e eles se divertiram tanto, que nem viram o tempo passar. James se despediu de Julie, mais animado do que antes, até que Julie falou:
–Sei lá, sinto que algo ficou, é como se isso fosse apenas o começo. — Parecia assustada, então James disse:
–Olha, não há nada o que temer, aquilo aconteceu e acabou, não vejo nem motivos mais pra falarmos disso, vamos encarar isso com um presente que o alguém nos deu. — James falou mais animado. Julie ficou séria por um tempo e começou a rir.
–Verdade. Você e Peter estão certos. Não há porque ter medo. Estamos bem. Inclusive, você parece um pastor falando, já pensou nisso?
James riu e a abraçou. Despediu-se dela.
James ficou feliz, achou que seus amigos iriam se afastar, mas eles fizeram o contrário, aquilo os uniu mais ainda. Faltou apenas Susan, e James se arrependeu de ter pensado que Peter iria deixar o clima mais pesado ainda. Enquanto seguia a pé pra casa, pensou no que Julie havia dito, mas logo tirou aquilo da cabeça, afinal, não havia nada a temer, ele salvou os caras, por um golpe de sorte. Infelizmente outros morreram, mas as coisas eram assim mesmo, alguns vão, outros ficam. Poderia até ser egoísta pensar assim, da parte dele. Não havia nada o que temer, eles estavam bem. James seguiu sério até sua casa, e repensou em todos os fatos, até dormir.
James acordou cedo na manhã seguinte. A escola estava fechada, claro, e ele teria a manhã toda livre. À tarde, das duas a sete horas, ele trabalhava numa loja, no shopping. Ele teria que ir de qualquer jeito, tinha faltado por dois dias e estava com medo de ser demitido quando chegasse, mas eles tinham que entender, e neste dia, já se sentia bem melhor do que os dois dias anteriores. Era um bom emprego, ele trabalhava cinco horas por dia organizando livros, CDs, DVDs e artigos de informática, podendo dar demonstrações dos produtos ali mesmo, então ele passava a tarde inteira revirando a loja, vendendo e organizando coisas que ele gostava, cinco dias por semana. Ele almoçou, se lembrando de Julie no dia anterior, e logo substituindo o medo pela sensação de que tudo ficaria bem.
19 de maio de 2008
Os dias se seguiram normais, James se encontrara mais vezes com seus amigos, tudo estava bem. Ele já considerava a idéia de que a visão fora apenas um golpe de sorte, estranho, mas tudo bem, um enorme golpe de sorte.
Segunda-Feira, as aulas não tinham voltado, nem é preciso dizer isso. Os alunos da classe de James que haviam ficado no ônibus tinham morrido. Era bizarro se não fosse triste. No próximo sábado haveria um memorial para as vítimas do desastre na ponte, e James também sabia que em breve, haveria um memorial aos alunos de sua escola. A vida seguiu em frente para a cidade, mas todos haviam percebido que aquele desastre havia derrubado São Francisco: o colapso da ponte fora o tema mais discutido do país, e James não havia conversado com ninguém dos caras que ele havia salvado, além de Julie, Susan e Peter. 177 Mortos até o momento e James particularmente, achou que seriam bem mais, mas quanto menos vítimas era melhor pra todos e de algum jeito, diminuiria a culpa que todos sentiam. Especialistas tentavam explicar como aquela ponte caiu. Ela era indestrutível. Assim como o Titanic...
Foi ao trabalho, por sorte, seu chefe havia perdoado as duas faltas. Como ele perdoou, James nunca descobriu, era o típico chefe ruim, de um ótimo emprego.
James estava embalando uns CDs pra um senhor, quando o gerente, Marcus, o chamou pra carregar uns produtos do antigo Box, para o Box novo, no qual James trabalhava. James subiu as grandes escadas em espiral, do enorme shopping, e finalmente chegando lá em cima, no andar mais alto, do antigo Box. Andando em direção ao monte de caixas, ouviu um rangido no teto, olhou pra cima e o ventilador enorme girava alegremente, com um barulho estranho de ferrugem.
James estranhou, e claro, aquele barulho não era normal, era algum problema. James seguiu ao Box, pegou algumas caixas e ao voltar, não pode deixar de ouvir de novo o barulho estranho. Ao descer as escadas, observou a altura em que estava. As escadas em espiral passavam por todo o shopping, e no meio, é claro, havia o vazio. "Qualquer queda aqui é mortal" James concluiu, se afastando ao máximo, do vão das. James desceu até o Box novo com as caixas, e voltou lá em cima pra pegar mais uma viagem, mas não era preciso muitas porque os outros atendentes também estavam ajudando. Havia o elevador, é claro, mas os clientes eram tão preguiçosos que lotavam os elevadores e escadas rolantes, deixando as escadas livres. Ao passar embaixo do ventilador, notou de novo o barulho. Se aproximou de um segurança, apontou pro ventilador e perguntou:
–Isso não é perigoso?
–Já foi avisado aos técnicos, eles vinham hoje, mas mudaram pra quarta.
–Mas ainda é segunda! — James exclamou.
–Eu sei. — Respondeu o segurança, com um ar irônico.
–Mas vocês não podem desligá-lo? — James perguntou.
–Não podemos, ele tem que ficar ligado o tempo todo.
James se afastou falando baixinho. "Isso, depois não digam que eu não avisei".
Notas finais
Culpem o roteirista do Premonição 4.
O próximo capítulo vai estar bem mais animado do que esse aqui. Já dei dicas do primeiro acidente "bizarro". Vejo vocês em breve.
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