Finais Felizes Na Ecomoda.
62 O sequestro - Parte Final.
Notas iniciais
Medo era um sentimento não tão estranho a Armando, ele já sentira esse sentimento inúmeras vezes, primeiro quando achou que Nicolas Mora ia lhe roubar a empresa, depois quando achou que Betty era apaixonada por Nicolas, em seguida quando Betty desapareceu ao sair da empresa pela porta de trás, sem mencionar quando acreditou piamente que perderia o amor da sua vida para o francês. Mas agora o medo apesar de ser conhecido tinha um gosto amargo de perda, desespero e ansiedade. Ele daria a vida para que os sequestradores tivessem levado ele e não ela, porque ela era a vida para ele.
— Já são meia noite e nenhuma notícia! Aura Maria continuou seu choro convulsivo.
— D. Júlia disse que pra casa deles também não ligaram! Respondeu Bertha.
— Ai meu Deus eu não aguento mais essa angústia! Choramingou Sandra.
Todos permaneciam na Ecomoda, cafés era servidos mas ninguém ousava beber. Armando juntamente com Nicolas, Gutierrez, Hugo e Alberto ficavam atentos a qualquer toque dos telefones. Alberto tentava inutilmente acalmar Armando que sangrava ainda pelos golpes trocados com um dos sequestradores, Armando andava de um lado para o outro desesperado sem poder ao menos ligar para a polícia a fim de não prejudicar a sua amada.
O dia clareava quando Betty e Daniel saíram da Van. Betty tentava manter-se calma e sóbria mais do que nunca ela precisava se manter atenta a tudo a sua volta, Daniel apesar de um pouco assustado conservava uma soberba impossível de ser desfeita. Betty acreditava que ele se mantinha tão arrogante por acreditar que assim intimidaria os sequestradores, ela não jamais desconfiaria que na verdade era um plano do próprio Daniel Valencia com Mario Calderón ou pelo menos deveria ser.
Betty foi separada de Daniel, ela foi trancada num quarto escuro e úmido com um banheiro fétido e um colchão velho jogado no chão. Ela foi até uma pequena janela gradeada que havia no pequeno cômodo e fez uma prece para que Deus os abençoasse e eles saíssem vivos e sem nenhum arranhão e também para que Deus acalmasse os seus pais e o seu amado Armando. E enquanto ela orava lágrimas silenciosas vertiam dos seus olhos cansados.
Daniel se encontrava numa sala com dois dos sequestradores e com seu ar prepotente ele parabenizou os sequestradores pelo brilhante trabalho, mas disse que não ficaria naquele lugar imundo.
— Onde o doutor pensa que está? De férias na praia? Ironizou o líder do grupo enquanto os outros gargalharam alto.
— Não riam de mim! Daniel gritou. E antes que ele pudesse falar mais alguma coisa um soco o atingiu no maxilar. Como você ousa?! Daniel gritou enfurecido.
— Já sabem o que fazer, deem as boas vindas ao doutor Valência! O líder falou para os demais homens.
Daniel acordou já à noite no colo de Betty que limpava o sangue escorria por todo o seu corpo.
— Não fale nada doutor Valência, o senhor precisa poupar suas energias. Pediu Betty em lágrimas. Nunca ela vira tanta violência em toda a sua vida, quando o corpo de Daniel foi jogado no quarto ela se desesperou achando que ele estava morto, mas graças a Deus ele ainda respirava, uma respiração fraca mas ainda assim uma respiração.
Daniel sentia dores como nunca havia sentido antes, a dor era tanta que ele não resistiu e desmaiou novamente.
Na Ecomoda já havia se passado 24 horas e nenhum telefonema havia sido dado, ninguém ousou sair da empresa assim como na casa de Seu Hermes, D. Júlia não havia saído do oratório e Hermes do lado do telefone desesperado sem notícias de sua filha querida.
Após 48 horas exatas o telefone da presidência toca, Jamille atente e rapidamente chama Armando que estava na antiga sala de Betty.
— Alô! Armando fala com uma voz rouca e cansada.
— Doutor Armando aqui é o sequestrador da presidente e do outro executivo, vou negociar diretamente com você! Falou calmamente o sequestrador.
— Como está minha Betty, desgraçado? Armando gritou.
— Senão baixar o tom de voz vou desligar o telefone!
Todos que já se encontravam na presidência pediram para Armando se acalmar, com muito esforço ele controlou as emoções.
— Não preciso dizer que se a polícia for acionada nunca mais verá a presidente da Ecomoda, não é? A voz calma e fria do outro lado da linha fazia o sangue de Armando ferver e impossível de controlar a raiva ia novamente gritar quando Nicolas rapidamente pegou o telefone e se identificou para o sequestrador.
— 50 MILHÕES DE DÓLARES? Gritou Nicolas exasperado. ATÉ AMANHÃ?
Todos estavam pasmos e Armando caiu exasperado na cadeira da presidência.
— Eles querem 50 milhões de dólares até amanhã, 25 milhões pelo doutor Valência e mais 25 milhões pela Betty até o meio dia de amanhã! Nicolas falou pausadamente para todos.
— É uma fortuna! Gritou Patricia.
— Armando onde conseguiremos todo esse dinheiro perguntou Calderón que nesse momento já se fazia presente na Ecomoda, oferecendo apoio. A essa altura ele já sabia que o plano deles tinha falhado pois os sequestradores de mentira contratados por Mário ao ver o sequestro real foram embora com medo.
— Eu, eu, eu.... eu não sei! Armando falou quase em voz.
Cinco minutos se passaram quando Alberto falou:
— Do empréstimo!
Todos olharam espantados para Alberto, a transferência do investimento para a Ecomoda.
— Já foi feito e eu posso falar com o Fernando e a Rebeca para a Roupas Brasil adiar o prazo para a parcela do primeiro pagamento. Alberto falou solidário.
— Eu não sei como lhe agradecer! Armando falou apertando a mão de Alberto.
— O uso do capital da Ecomoda não deveria ser consultado com os outros acionistas? Gutierrez questionou.
— Deveria, mas não irei arriscar a vida da Betty. Não temos tempo para uma reunião! Armando falou resoluto.
— Não seja inconveniente Guti Guti. Exclamou Hugo aborrecido.
Três horas depois os sequestradores mandaram uma mensagem dizendo o local para a troca do dinheiro. Iriam Armando e Nicolas até Pontevedra colocar o dinheiro num saco de lixo ao lado de um banco de cor azul.
No cativeiro ninguém tocou em Betty, ao contrário ao falarem com ela eram até mesmo educados e respeitosos. Mas ao Daniel não tinham compaixão, sempre o agrediam sejam com pontapés ou insultos. Daniel estava ferido demais para dizer qualquer palavra, tanto fisicamente quanto no orgulho.
As horas se arrastaram como a lentidão de uma lesma, mas por fim o grande dia chegou. O coração de Armando estava acelerado e desde o sequestro ele não dormia e nem comia, estava no modo automático e Nicolas temia que ele fosse desmaiar a qualquer momento. O próprio Armando colocou o saco preto ao lado do banco e nesse instante seu celular tocou e a voz do sequestrador lhe deu um endereço. Armando não pensou duas vezes e foi correndo para o endereço juntamente com Nicolas.
Por volta das 9 horas da noite Armando e Nicolas chegaram a uma casa abandonada e escura.
— Ar Ar Armando não a a acho seguro não en en entramos nessa casa! Falou Nicolas gaguejando.
— Pela minha Betty eu vou até o inferno se preciso for! Armando falou enquanto correu em direção a casa.
Com cautela ele entrou enquanto Nicolas ficou na entrada averiguando se havia sinal dos sequestradores.
— Betty! Betty! Armando chamava baixinho.
— É a voz do doutor Armando! Falou Betty consigo. Ela se levantou e foi até a porta para tentar ouvir novamente a voz, ela temia que os seus sentidos a enganasse.
— Betty! Betty, você está aqui? Perguntava Armando baixinho.
— Doutor! Betty gritou com todas as forças que lhe restavam.
Armando arrombou a porta do quarto e mesmo em meio a escuridão conseguiu vislumbrar a silhueta de sua amada. Ele a abraçou e a beijou como uma criança que encontra o maior tesouro da sua vida, porque Betty de fato era o único e maior tesouro de Armando.
— Ah, meu amor como eu senti sua falta! Betty falou num fio de voz abraçada a Armando.
— E eu meu amor, eu achei que fosse morrer sem você ao meu lado. Se alguma coisa lhe acontecesse eu morreria! Armando falou.
Nesse momento Nicolas interrompeu os dois:
— Cadê o doutor Valência?
Betty correu até o ferido e calado Daniel.
— Precisamos de um médico urgente! Falou Betty preocupada com o Valência.
Armando e Nicolas com cuidado suspenderam Daniel e o colocaram no carro, cerca de quase duas horas depois encontraram um hospital. E enquanto Betty e Daniel eram atendidos Armando ligava para a família de Betty e Nicolas para a Ecomoda para avisarem sobre o final do sequestro.
Júlia e Seu Hermes choravam agradecidos por sua filha estar a salvo e na Ecomoda Alberto abria um champanhe com todos os funcionários para comemorarem o sucesso do resgate.
Sete dias depois Betty e Daniel voltavam a Ecomoda e maior do que o trauma do sequestro era a saudade que Betty sentia de todas as suas amigas.
— Meu amor você não irá trabalhar, não esqueça disso! Armando carinhosamente a lembrava.
— Está bem meu amor! Betty sorriu.
Ao verem Betty chegando na recepção as meninas do quartel correram em sua direção e lhe deram largos abraços e votos de superação. Armando não saia do lado de Betty, nem mesmo para as meninas a abraçarem. Agora ele era como seu segurança particular, não saia um instante do seu lado a não ser para ir para o seu apartamento dormir à noite pois Seu Hermes disse que o diabo era porco e o doutor Mendonza não poderia dormir no sofá de sua casa.
Daniel foi diretamente para a sua caverna e lá sentado finalmente pôde pensar o quanto perdera com o plano mirabolante de Mario. Nem ele e nem Betty sabiam o valor do resgate, iriam saber exatamente hoje. Mariana entrou na sala interrompendo seus pensamentos e o abraçou sem reservas. Daniel a abraçou como se o mundo não existisse além deles dois. Havia uma saudade e uma urgência no beijo dos dois temperado com desespero e paixão.
— Que cena mais romântica! Falou Jamille com ironia pra si mesma observando ao longe os dois abraçados sem se darem conta da presença dela. Pena que não durará! Disse e saiu da sala sem ser notada.
— Eu senti tanto medo pelo senhor! Mariana falou enquanto seus lábios não desgrudavam dos de Daniel.
— E eu a sua! Passei os piores momentos da minha vida. Daniel falou quase chorando.
— Não pense mais nisso, você está aqui agora! Está a salvo! Mariana o abraçou mais forte.
— Você precisa ir agora, antes que Betty e Armando cheguem! Daniel falou e beijou uma última vez Mariana.
Mariana saiu discretamente da presidência enquanto os olhos recriminatórios de Aura Maria a acompanhavam, sabendo exatamente o que havia acontecido na presidência com a amiga e o doutor Valência.
Depois do almoço todos estavam reunidos na sala de reuniões e Armando explicava para Daniel e Betty o valor e como conseguiram pagar o resgate.
— 50 milhões de dólares?! Daniel exclamou perplexo.
— Todo o dinheiro do investimento do Roupas Brasil? Betty perguntou num fio de voz.
— Sim. Respondeu Nicolas.
— Mas não se preocupe doutora Pinzón que nós aumentamos o prazo para o pagamento da primeira parcela. Tentou acalmar o ânimo de Betty Alberto.
Um silêncio se fez por cerca de meia hora. Até que Hugo quebrou o silêncio:
— Basta apenas a minha última e maravilhosa coleção para quitar essa dívida toda doutora Pinzón! Não vá morrer por isso heim!
Mesmo com todas as estratégias financeiras, esse montante faria muita falta e com a atual crise financeira no país seria muito difícil pagar a empresa brasileira mesmo com o adiamento conseguido por Alberto e Betty sabia disso. Mas ela estava esgotada demais para conseguir pensar mais. Já era tarde quando todos haviam saído da Ecomoda e somente Daniel continuava na sala de reuniões, conversando pelo telefone com Mario. O plano deles dera completamente errado e isso custou não só para a empresa mas para o próprio Daniel, além dos hematomas e orgulho ferido.
Uma risada ecoou na sala de reuniões interrompendo Daniel e seus pensamentos.
— O que faz aqui? Ele perguntou irritado. Não deveria estar na sua casa senhorita?
— Não! Esse é o único lugar que eu deveria estar desde sempre! Jamille respondeu com um sorriso e uma garrafa de Goût de Diamants, o champanhe mais caro do mundo.
— Isso é Um Taste of Diamonds? Daniel perguntou perplexo.
— Sim! E não a ocasião mais apropriada para brindarmos não acha? Jamille sorriu abrindo a garrafa.
— Não sei se a senhorita sabe mais a Ecomoda está falida e por conseguinte o seu emprego está por um triz. Daniel falou irritado.
— A Ecomoda sim, você também mas eu, bem eu sou milionária! Jamille falou.
— Milionária? Daniel perguntou perplexo.
— Sim tenho exatos 50 milhões no banco! Jamille brindou e bebeu um gole do champanhe.
— Você nos sequestrou? Vou imediatamente chamar a polícia!
— Isso e aproveite para pedir ao policial que escute essa gravação!
Jamille colocou o gravador onde estava a conversa de Daniel com Mario Calderón poucos dias antes do sequestro, uma gravação que deixava bem claro que os autores do sequestro eram Daniel Valencia e Mario Calderon.
— Agora sente-se Daniel porque agora você me obedece!
Não havia dúvidas que agora Jamille tinha Daniel e Mario nas mãos, Daniel não sabia o que esperar dela pois jamais estivera nas mãos de uma mulher!
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