Finais Felizes Na Ecomoda.

7 Capítulo 7: Uma amizade preciosa.


Notas iniciais
Marcela finalmente entende que Michel é um amigo que estará ao lado dela, apoiando e incentivando para que ela possa encontrar a sua própria felicidade. Patricia sofre nas mãos de sua futura sogra e Dona Júlia teme o futuro de Betty ao lado de Armando.

Marcela estava na sacada da varanda do hotel observando o mar de Cartagena e pensando em Armando. Fazia alguns dias que ela estava no paraíso tropical e mesmo assim, para ela nada tinha sentido, nada valia a pena. Chegou do Aeroporto foi direto para o quarto do hotel e não saia de lá para nada, apesar de Michel todos os dias vir visitá-la e convidar para almoçar, jantar ou somente tomar um café era inútil pois ela sempre dava uma desculpa qualquer e ele acabava sentado ao seu lado na varanda e ficava horas somente a observando. Marcela era muito diferente dele, dava para perceber de longe que ela estava sofrendo mas ao invés de combater a tristeza, ela se lançava como se desejasse perder-se em meio a solidão. Michel não era assim fazia graça até da tristeza e dos momentos ruins. Marcela era tão seu oposto que a cada dia mais o intrigava e o irritava não saber como agir, como animá-la, como conversar com ela. Se ele soubesse de toda a história dela, do fim do seu noivado e da perca do seu grande amor certamente saberia como agir, mas Marcela deixava Michel no escuro sobre a sua vida e não deixava transparecer nada além do necessário.

-Bom já que você não vai novamente sair do quarto e acho até que está gostando de ser mais um ornamento deste aposento- Michel ri- vou pedir um jantar para nós, o que você acha? Frutos do Mar, talvez?

- Eu não estou com fome Michel. Marcela responde num fio de voz sem ao menos olhá-lo.

- Precisa comer do mesmo jeito, com ou sem fome Marcela.

Michel pede a comida que em poucos instantes chega, Marcela senta-se mas não toca na comida. Fica novamente olhando o mar e absorta em seus pensamentos.

- Sua comida vai esfriar, aqui venta bastante. Michel fala.

Marcela olha nos seus olhos e pergunta:

- Por que está aqui Michel?

- Por que estou jantando! Ele ri.

- Não é disso que estou falando. Marcela se mostra muito séria. Você não precisa estar disperdiçando tardes e noites ao meu lado. Você é bonito, é bem sucedido deveria estar desfrutando a beleza de Cartagena com alguém que você goste.

- Eu não acho que esteja desperdiçando tardes e noites, Marcela. E obrigada por me achar tudo isso. Ele riu. Mas eu te convidei a vir comigo em Cartagena, sou seu anfitrião e que tipo de anfitrião eu seria se a deixasse sozinha?

- Minha solidão não é sua responsabilidade! Ela declara tristemente.

- O que você quer Marcela? Que eu vá embora daqui e a deixe em paz, para continuar sua rotina de martírio. Michel falava seriamente olhando nos olhos de Marcela.

- Todos me deixaram, por que você não faz o mesmo? Ela chorou.

- Quem te deixou? Ele pergunta curioso.

- Meus pais, meus irmão e até... Ela se calou antes que revelasse algo sobre Armando.

Michel se aproximou dela, segurou em suas mãos, olhou em seus olhos e disse que ele não iria deixá-la. Marcela riu ironicamente.

- Todos dizem isso Michel, e todos acabam indo embora. Eu não suporto mais isto. Marcela chorou, um choro sentido e dolorido.

Michel a abraçou muito forte.

- Amigos não nos abandonam jamais e é por isso que eu não vou embora. Ele falou beijando os cabelos de Marcela.

Ela o abraçou e falou tudo o que se passava em seu coração.

- Estou tão cansada Michel, a minha vida tem sido um acúmulo de dor, de tristezas, de incertezas e de perdas. E agora estou aqui me lamentando para alguém que nem me conhece, isso é tão estranho.

- Nós não podemos controlar os eventos que nos cercam, uma perca, uma tristeza, uma dor Marcela. Mas podemos aprender a reagir quando a vida nos é amarga ou nos amargamos e deixamos ser levados pelas circunstâncias ou reagimos e decidimos ser mais fortes do que somos. Ele pegou um pedaço de limão que estava na bandeja e disse- Se a vida te der um limão, faça limonada e no seu caso ao invés de açúcar, use mel de abelha.

Ambos riram.

- Vamos comer? Michel perguntou e Marcela assentiu com a cabeça.

Talvez uma nova amizade estivesse surgindo para Marcela. Alguém de quem ela não esperaria um amor, uma paixão. Alguém que não iria machucá-la, que não iria maltratá-la, que não a deixaria preocupada por não atender seus inúmeros telefonemas, alguém que não era Armando, que não era seu noivo, namorado ou marido, alguém que ela não precisava cobrar presença, que ela não precisava prestar contas. Somente um amigo, um amigo que estava ao seu lado porque queria estar e não somente por um compromisso. E talvez ela pudesse finalmente ser feliz.

Patricia estava muito nervosa por conhecer a mamãe do Nicolas, embora não deixasse transparecer, no fundo ela acreditava que todas as qualidades mencionadas pelo seu noivo seriam suficientes para conquistar para sempre a sua futura sogra. Mas que surpresa para Patricia, sua sogra disse que já a conhecia de vista, pelas fotos que Nicolas tinha dela. Dona Eugênia a cumprimentou muito cordialmente, disse que estava muito contente pelo filho ter como noiva uma mulher tão bonita. Patricia depois de ter sido imensamente elogiada pela futura sogra não cabia em si de contentamento, mas no instante em que Nicolas deixou as duas a sós para que se conhecessem melhor a pedido de sua mãe, qual não foi a surpresa de Patricia Fernandéz.

- Não pense a senhorita que vai roubar meu filho de mim. Dona Eugênia falou baixinho para que seu filho não a escutasse. Conheço de longe moças como você, de cabelo tingido, maquiada como dama da noite e de roupa indecente. Saiba que para se casar com o meu tesouro, você vai ter que merecer!

Patricia tomou um choque ao perceber que Dona Eugênia era uma bruxa em forma de gente para com ela, e que sua vida não seria nada fácil com a sogrinha.

- Dona Eugênia eu gosto muito do seu filho e por isso vamos nos casar. Patricia falou um pouco sem jeito.

- Gostar qualquer uma gosta, mocinha! Você vai ter que merecer se casar com ele. Você por acaso sabe cozinhar? Sabe cuidar de uma casa? Vai ser uma boa mãe para os meus netos? Dona Eugênia interrogou.

- Bem cozinhar eu não sei, é verdade, pois nunca precisei. Ela riu ao passo que Dona Eugênia ficou séria. Cuidar de uma casa eu acho que sei pois tive um apartamento e eu cuidava sozinha e quanto aos filhos Nicolas e eu ainda não decidimos nada.

- Então a primeira coisa que faremos é aprender a cozinhar. Sentenciou Dona Eugênia.

- Aprender a cozinhar? Gritou Patricia.

- Sim, Nicolas me falou que você não está mais trabalhando na Ecomoda. Pois então não há desculpas para não passar o dia aqui comigo aprendendo a cozinhar, a cuidar de uma casa, cuidar das roupas do meu tesouro...

- Eu, Patricia Fernandéz, cozinhando, arrumando casa, cuidando das roupas do Nicolas? Patricia quase passa mal de tanto nervoso.

- Pois sim, se quiser casar com o meu tesouro vai ter que ser a melhor esposa do mundo. Do contrário...

Dona Eugênia não precisou terminar a frase, estava claro que a sogra iria tornar a sua vida um inferno. Mas Patricia estava determinada a não perder o noivo e se Dona Eugênia pretendia arruinar este casamento, estava muito enganada.

- Então as mulheres da minha vida estão se entendendo? Nicolas voltou e abraçou a mãe.

- Mas é claro meu tesouro e pra provar a você, eu e Patricia decidimos que ela vai passar as tardes aqui em casa aprendendo a cozinhar para você, meu amor. Falou ternamente Dona Eugênia enquanto com o olhar desafiava Patricia a negar.

- Mas é claro Nicolas, meu amor. Patricia puxou Nicolas para perto de si e o abraçou. Deixando bem claro a Dona Eugênia que Nicolas agora era dela. Vou aprender a cozinhar pois quero em tudo te agradar meu amor. Patricia lançou um olhar mais desafiador ainda para a sua futura sogra.

Estava decretado, uma guerra iria se iniciar entre as duas e nehuma delas estava disposta a perder o lugar preferencial no coração de Nicolas Mora.

Ao chegar na casa de Seu Hermes, Patricia foi para o quarto onde Betty a esperava para saber como fora na casa de Dona Eugênia.

- Então Patricia, como foi com Dona Eugênia? Betty perguntou entusiasmada.

Patricia respirou fundo e jogou-se na cama, olhou para Betty e chorou.

- Aquela mulher é uma bruxa Betty! Declarou.

- Mas por que o que ela te fez?

- Na frente do Nicolas me trata super bem, me elogiou e tudo. Mas quando ele saiu ela me disse que eu não iria roubar o filho dela, que conhecia de longe moças como eu. Disse que se eu quisesse me casar com o filho dela tinha que merecer e ainda por cima quer me ensinar a cozinhar, a cuidar de uma casa e das roupas do Nicolas. Ela quer me transformar numa empregada, quer infernizar a minha vida Betty, o que te parece?

- Calma Patricia! Betty riu. Acho que você está exagerando o zelo de Dona Eugênia pelo Nicolas.

- Porque você não viu a cara dela quando me fuzilava com o olhar. Patricia estava realmente assustada.

- E o que você vai fazer? Desistir de casar com o Nicolas? Interrogou Betty.

- O quê? Claro que não. Agora é uma questão de honra vencer essa mulher.

- Mas vocês não podem ser inimigas Patricia.

- Bom, eu não queria ser inimiga Betty. Mas se for necessário eu te garanto que eu a venço, venço sim. Declarou Patricia.

- Bom eu te desejo sorte Patricia. Sorriu Betty.

- E Armando? Patricia perguntou.

- Ele já foi, sempre vai cedo, meu pai não permite que ele demore muito tempo. Betty sorriu.

Patricia ficou séria, pensava em sua amiga e em como estaria sofrendo enquanto Beatriz estava feliz. Betty percebeu.

- Está pensando na Dona Marcela, não é?

- Ai Betty, sei que você está sendo muito gentil em me hospedar na sua casa e tem me ajudado com a mãe do Nicolas, mas...

- Mas não acha justo eu estar tão feliz com Seu Armando enquanto a Dona Marcela provavelmente está sofrendo em Miami. Betty a interrompeu.

- Sim, não acho justo. Declarou firmemente Patricia.

- Você já amou alguém Patricia ao ponto de morrer por aquela pessoa? A ponto de mentir, de trair e de enganar por ela? Um amor tão profundo que mesmo sendo atacado e agredido não morre e nem diminui? Betty perguntou.

As duas não sabiam mas Dona Júlia estava atrás da porta ouvindo a conversa entre a filha e a oxigenada, enquanto Seu Hermes dormia profundamente sonhando com números.

- Não Betty, nunca amei alguém a ponto de machucar outra pessoa. Sentenciou Patricia.

- Pois eu já, infelizmente. Eu amei o Seu Armando desde o primeiro dia em que cheguei a Ecomoda. Claro que primeiramente eu o adimirei, sua segurança, sua firmeza, sua beleza logicamente. Ela riu. E ele foi me conquistando a medida que me defendia de você, do Seu Hugo, da Dona Marcela e de todo o mundo que se colocava contra mim.

- Ai Betty. Patricia sentou-se ao lado da mais nova cúmplice.

- Eu sei fiz tudo errado, mas como eu poderia negar o direito de viver um sonho? Betty falava com muito remorso. Eu sei que feri muito a Dona Marcela, mas acredite Patricia que eu paguei muito caro. O jogo do Seu Mario com o Seu Armando para assegurarem que eu não ficaria com a empresa, foi uma punição muito dura pela minha infidelidade à Dona Marcela. E eu não preciso lhe contar sobre isso pois você conhece muito bem.

Patricia assentiu com a cabeça.

- Você pode ter pagado Betty pelo mal que fez a Marci, mas o Armando ainda não. Patricia declarou.

- O que quer dizer Patricia?

- Pois sim, você sofreu por tudo o que fez com a Marci, eu sei. Mas não Armando. Ele ainda não sofreu por tudo o que fez a Marci, e saiba que eu não digo isso só por causa do tempo em que ele feriu a Marci quando estava com você. Mas falo de todas as vezes que ele a traiu com uma modelo e fez ela de boba.

Beatriz finalmente compreendera o que Patricia estava falando, chegaria o dia em que o seu amado Armando teria que prestar contas a vida de toda a dor que causou a Dona Marcela, e ela Betriz iria testemunhar tudo pois estaria do lado dele quando chegasse a hora.

Dona Júlia voltou para o seu quarto e ficou pensando nas palavras de Patricia, um dia sua Betty iria sofrer novamente por causa do Doutor Armando, pois quando ele fosse pagar por tudo o que fez a ex-noiva a sua filha estaria do lado dele. E com essa angústia no coração Dona Júlia não conseguiu adormecer e madrugou pedindo a Deus que não deixasse a sua Betty sofrer mais uma vez.

Notas finais
Mais um capítulo escrito e postado com muito carinho. Espero que gostem! Bjinhos...