Finais Felizes Na Ecomoda.
36 Capítulo 36: Proposta
Notas iniciais
A sexta-feira chegou e com ela todos os afazeres das secretárias da Ecomoda, menos uma que naquela manhã esvaziava a sua mesa e esvaziava para não retornar. Sandra a olhava com uma cara intrigada mas nada dizia enquanto o resto do quartel tentava a todo custo saber o motivo daquela abrupta decisão.
– Não vêem que ela está cansada de trabalhar para o doutor vampiro meninas! Ajudava Aura Maria acobertando Mariana.
– Então é isso mesmo? Perguntava Bertha.
– Claro que sim, eu estou cansada disso, por favor meninas me deixem em paz! Implorava Mariana não querendo mais se submeter ao interrogatório do quartel.
– Mas você já falou com o seu chefe? Perguntou Sofia.
– Não e nem pretendo, vou falar com a Betty que sempre deixou bem claro que quando eu quisesse sair não faria objeção. Mariana respondeu enquanto terminava de guardar alguns objetos de uso pessoal.
– Está tudo bem por aqui? Beatriz chegou e observando o quartel junto de Mariana que segurava uma caixa, perguntou.
– Posso falar com você Betty, por um momento? Mariana perguntou.
– Claro que sim Mariana! Vamos tomar um café na copa e conversar. Betty sugeriu pois percebeu que Mariana estava muito séria e precisava desabafar.
Quando chegaram na copa Betty sentou-se com Mariana e com um sorriso acolhedor, perguntou o que havia acontecido.
– Nada, Betty. Só quero voltar para a recepção.
– Mariana nós já nos conhecemos a tempo suficiente para que não hajam segredos entre nós. Você conhece a minha triste história com Armando, me viu chorar, me consolou e preveu o meu futuro, acho que mereço um pouco de consideração. Betty novamente sorriu acolhedoramente.
– Por favor Betty não me force a falar agora, a ferida é recente! Mariana falou derramando uma lágrima.
– Daniel Valencia a ofendeu? Betty perguntou preocupada.
– Me deixe voltar para a recepção, por favor! Pediu entre lágrimas Mariana.
Betty a abraçou.
– Você volta para a recepção agora mesmo, eu peço para a Jamille ocupar o seu lugar, o que você quiser. Betty falou abraçando apertado Mariana.
Beatriz conhecia aquele choro pois um dia ela também chorou este choro, chorou por Armando e temeu ao imaginar que Mariana, sua grande amiga estivesse chorando por Daniel Valencia. Talvez somente uma impressão, um desejo e se fosse isso o melhor era afastar Mariana do doutor Valencia o quanto antes.
Depois de acalmar Mariana, Betty desceu com ela até a recepção onde Jamille conversava animadamente com Freddy.
– Jamille arrume suas coisas que você será a nova secretária do doutor Valencia! Betty comunicou.
O coração de Jamille pareceu parar de bater por alguns momentos e ela ficou muda e um pouco pálida.
– Você está bem Jamille? Perguntou Mariana notando a palidez da recepcionista.
– Estou. Jamille sorriu um pouco sem graça. É que eu não esperava essa mudança tão rápida.
– Tem alguma objeção em ser a secretária do doutor Valencia, Jamille? Betty perguntou intrigada ao notar o estado de nervos em que Jamille ficou.
– Não doutora. Foi só a emoção de ser promovida tão rápido. Jamille mentiu.
– Carissima, respeitosa, excelentíssima doutora Pinzón a quê se deve tão súbita mudança de cargos neste ilustre empresa? Perguntou Freddy curioso.
– O trabalho com o doutor Valencia está esgotando a Mariana e como Jamille tem inúmeros predicados, achei melhor para ambas a troca. Betty respondeu sem piscar, mas tendo certeza de que a mentira convenceria a todos.
Betty subiu para a sua sala e Mariana começou a fazer a troca com Jamille. Jamille não havia imaginado a possibilidade de ser secretária de Daniel e apesar do receio que a notícia lhe causou a princípio, seria perfeito estar ao lado dele pois quanto mais perto de Daniel mais exato ficaria seu plano. E ao terminar de arrumar suas coisas, despediu-se de Freddy e deu um beijo no rosto de Wilson, que neste momento estava triste ao saber que perderia a companhia dela, assim Jamille subiu radiante para ocupar o seu novo cargo.
Marcela despertou de uma noite sem sonhos, tomou um banho demorado e pensou no que faria. A vontade de telefonar para Michel era insuportável e se ela não ocupasse seu tempo talvez caisse na tentação de telefonar para ele. Era interessante na noite anterior ela dormiu chorando, pensando em Armando mas o homem que vinha em sua mente não era o moreno de óculos e sim o loiro de olhos azuis. Estava confusa e precisava urgentemente ocupar sua mente e preencher o seu tempo antes que fizesse algo de que se arrependeria profundamente. Pegou na bolsa o papel em que anotou o telefone fixo que Beatriz lhe havia dado e discou, novamente a voz ensurdecedora surgiu e gritou por Patricia.
– Alô! Quem fala? Patricia perguntou do outro lado da linha.
– Sou eu Patricia, estou em Bogotá, podemos nos ver? Marcela perguntou, temendo um não depois dos gritos que deu em Patricia na última vez em que se falaram por telefone.
– Claro Marce! Onde quer que nos encontremos? Patricia perguntou com alegria.
– Pode ser no Juan Valdez Café? Marcela perguntou.
– Claro Marce e a que horas? Perguntou contente Patricia.
– Agora mesmo! Marcela falou com certo desespero na voz.
– Está bem Marce, estou saindo de casa agora! Patricia falou compreendendo o tom de voz de sua amiga.
Em vinte minutos Patricia abraçava Marcela Valencia. Marcela estava um pouco pálida e abatida, com algumas olheiras.
– Ai Marcê quantas saudades eu senti de você! Patricia abraçava forte sua amiga.
– Eu também senti imensa saudades Patricia, é difícil não ter uma amiga por perto. Marcela falou tentando controlar o choro.
– Não chora Marcê! Eu estou aqui agora e não vou mais deixar você viajar sozinha. Patricia falava com o coração apertado.
– Eu não queria ser essa amiga fraca, que fica chorando e se lamentando Patricia. Eu não sou assim! Marcela falava soluçando.
– Você não é fraca Marcela Valencia, só perdeu muita coisa num espaço de tempo muito curto. Mas acredite em breve você vai perceber que cada coisa está no seu devido lugar! Patricia falou num tom tranquilo.
– Me perdoe pelos gritos que lhe dei no outro dia, eu não desejava ofendê-la. Marcela falou.
– Está tudo bem Marcela Valencia, não será um mal entendido que afetará a minha amizade por você! Patricia sorriu.
Depois de algumas perguntas sobre a viagem e algumas curiosidades sobre a mesma, Marcela achou melhor ocultar a sua estadia em Cartagena e o seu furtivo romance com Michel Donell. E por fim fez a pergunta que há semanas massacrava o seu coração.
– Armando está com a Beatriz? Marcela perguntou num fio de voz.
– Sim Marci, eles estão juntos, estão felizes e são um casal perfeito. Patricia disse da maneira mais gentil, para não ferir Marcela mais do que ela já estava ferida.
– Armando está tranquilo? Quero dizer, ele não anda por aí com modelos? Marcela perguntou, enxugando algumas lágrimas.
– Não Marci, ele não trai a Betty. E ela também não fica atrás dele, ela dá a ele o espaço necessário para que ele não se sinta sufocado. Na maioria das vezes é ele quem sufoca ela, com seu ciúme exagerado. Patricia confidenciou.
Marcela assentiu com a cabeça e já mais controlada enxugou uma lágrima que caia em seu rosto e mudou o rumo da conversa na expectativa de mudar também o rumo dos seus pensamentos.
– E os preparativos do casamento, como estão indo? Marcela perguntou e em seguida chamou o garçom.
– Está quase tudo pronto Marci, o casamento civil já foi marcado, o salão de festa já foi reservado, os vestidos já foram alugados...
– Alugados? Patricia você alugou os seus vestidos de casamento? Marcela perguntou atônita.
– Infelizmente Marci. Sabe que eu nunca em minha vida usei um vestido alugado, mas a Betty me convenceu de que seria melhor economizar com o vestido e garantir a compra de um excelente apartamento. Patricia confidenciou.
– Então a Beatriz te aconselha sobre economia e finanças? E te fez alugar vestidos para o dia mais importante da sua vida? Marcela perguntou incrêdula e irritada.
– Sim, Marci. Patricia respondeu tomando um gole do cappucino com chantilli que havia acabado de chegar.
– Mas o que você poderia esperar de uma mulher que nunca teve bom gosto para moda? Marcela alfinetou provando o seu café espresso.
– Antes Marcela, Betty realmente não sabia se vestir mas agora está muito elegante e refinada. Defendeu Patricia irritada com o comentário maldoso de sua amiga.
– Não tenho dúvidas de que o dinheiro da Ecomoda a tenha refinado superficialmente, mas um observador mais atento certamente encontrará a mesma Beatriz mal vestida e sem porte. Marcela mais uma vez alfinetou.
– Marci por favor podemos mudar de assunto. Patricia pediu irritada com os comentários sobre a sua amiga.
– Nossa Patricia antes você adorava falar mal da garfield, agora até parece que te ofende! Marcela falou.
– Me ofende sim Marcela, falar mal de uma pessoa que tem me ajudado apesar de todo mal que eu a fiz no passado.
Marcela assentiu com a cabeça e mergulhou absorta em seus pensamentos. Patricia não era mais a sua amiga de antes, estava mais madura, mais compenetrada, mais parecida com Beatriz e isso lhe causava um imenso mal estar pois a possibilidade de perder também a melhor amiga para a rival lhe dava um medo absoluto.
– Tive uma idéia, vou lhe presentear com um vestido de noiva exclusivo! Marcela falou animadamente.
Os olhos de Patricia brilharam diante de tal ato de amizade mas logo seu semblante mudou.
– Não Marci, não posso aceitar. Devo ainda uma fortuna a você, que pretendo pagar tão logo a minha situação melhore e no momento não posso dispor de nenhum dinheiro meu, além do mais eu moro de favor na casa da Betty. Preciso ser mais responsável com os meus gastos. Patricia respondeu surpreendendo Marcela.
– Eu insisto, afinal sou sua madrinha! Não posso permitir que a minha melhor amiga se case com um vestido qualquer. Marcela sorriu. Hoje mesmo ligo para o Hugo e peço para que ele lhe desenhe um lindo vestido, feito sob medida para você. E quanto a morar de favor, quero que venha morar comigo no meu apartamento até que se case.
– Sério Marci? Patricia perguntou atônita.
– Sim, quero que se mude ainda hoje!
Patricia ficou simplesmente eufórica diante de tal generosidade de sua grande amiga, ter Marcela Valencia de volta a sua vida era sensacional, Marcela era a reencarnação da fada madrinha. Por sua vez Marcela se sentia mais feliz trazendo para perto de si Patricia, uma vez que a loira estava inclinada para a sua rival.

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