Finais Felizes Na Ecomoda.
18 Capítulo 18: Um jantar inocente
Notas iniciais

Patricia estava indo em direção a casa de dona Eugênia pronta para lhe dizer que agora Nicolas estava oficialmente comprometido com ela. Tão feliz estava pelo triunfo que não notou o grupo de Ramom se aproximando dela.
- Olá minha deusa! Gritou Ramom tentando abraçá-la.
- Ai me larga seu delinquente! Gritou a loira.
O grupo começou a cercá-la e gritar que ela e a outra amiga deviam uma saída a eles.
- O quê? Patricia perguntou assustada.
- Não lembra, meu amor, do nosso trato? Falou um dos rapazes que estava com Ramom.
- Sim, o trato dizia que se retirássemos lá na delegacia a queixa contra vocês, você e a outra bonitona iriam sair com a gente! Relembrou Ramom.
- Mas nem morta eu saio com você, seu pobre! Patricia gritou.
- Se não é para cumprir o acordo por que você está aqui então heim? Perguntou outro dos rapazes que estavam com Ramom.
- Estou indo para a casa da minha sogra! Patricia declarou.
- Sogra? O grupo de Ramom gritou em coro.
- Não me diga que você se casou minha deusa? Ramom interrogou.
- Ainda não, mas hoje dei entrada nos papéis! Patricia falou com um ar de triunfo.
- Escuta princesa e quem é o noivo? Ramom perguntou curioso.
- Pois é o doutor Nicolas Mora, vice-presidente financeiro da Ecomoda! Patricia declarou com orgulho.
O grupo caiu na gargalhada sem entender como uma mulher bonita como ela fica noiva de um pateta como o Nicolas.
- Respeitem meu noivo viu! Ela gritou ofendida. Saibam que ele vale muito mais do que vocês bando de insolentes.
- A moda agora é ser feio e nerd pessoal! Falou Ramom para o grupo enquanto eles gargalhavam. Primeiro a Betty quando ainda era horrorosa namorou aquele boa pinta que brigou com a gente, agora o tonto do Nicolas com esse tremendo avião!
- Ora não ofenda o meu noivo, seu descarado! Gritou Patricia furiosa.
- Tudo bem boneca, não fica brava não. Mas saiba que se o Nicolas não der conta do recado eu estou por aqui, viu! Ramom declarou com um ar sedutor.
Patricia ficou vermelha de raiva e começou a bater e a gritar com Ramom, dona Eugênia vendo a confusão e a loira no meio foi até eles saber o que estava acontecendo.
- Sabe o que é dona Eugênia, é que essa loira quer sair comigo e eu já disse que não posso sair com ela porque sou muito amigo do Nicolas. Mentiu Ramom.
Dona Eugênia olhou para Patricia furiosa.
- Não seja mentiroso seu desgraçado! Patricia bufou de ódio e continuou batendo nele.
- Patricia venha para a casa que o Nicolas já está chegando e você tem que preparar a janta dele. Falou dona Eugênia tentando esconder a raiva.
Patricia acompanhou dona Eugênia mas prometendo a Ramom que ele iria lhe pagar muito caro. Quando por fim chegaram em casa, dona Eugênia fez uma série de reclamações para Patricia.
- Dona Eugênia eu juro que jamais na minha vida eu sairia com aquele tipo! Patricia chorava.
- Não adianta tentar me comover com esse seu choro fingido, não mocinha, a mim você não engana. Desde que eu vi o meu tesouro pela primeira vez olhando com tanto zelo para a sua foto, eu sabia que você não seria boa coisa na vida dele. Dona Eugênia falou friamente.
- Dona Eugênia eu juro que amo o seu filho!
- Acredito muito no seu amor Paty! Ironizou a mamãe de Nicolas. Agora prove que o ame e faça um jantar muito especial para o meu filho e não esqueça de lavar a louça e nem de fazer o suco de amora.
Patricia assentiu com a cabeça limpando as lágrimas.
- E mais uma coisa, se eu ver você de novo com o grupo do Ramom falo tudo para o meu tesouro entendeu senhorita Fernandéz?
Patricia novamente assentiu com a cabeça, pensou em contar para dona Eugênia sobre os papéis do casamento mas furiosa como a mamãe do Nicolas estava com ela, era melhor não falar nada e cozinhar divinamente hoje.
Mariana entregava alguns papéis para o doutor Daniel assinar e ficava cada vez mais admirada com ele, como era educado e como a tratava bem. Sem perceber Mariana se pegou divagando sobre a história de sua amiga Betty, que se envolveu com o doutor Armando e mesmo depois de sofrer tanto teve um final feliz com o homem que amava. Entretanto um novo pensamento surgiu em sua mente, o doutor Valencia nunca olharia para ela. Ela não era refinada e muito menos brilhantemente inteligente como Betty e uma tristeza surgiu em seu olhar.
- Já estão todos assinados Mariana! Mais alguma coisa? Daniel perguntou sem olhá-la.
- Não doutor, era somente isso! Marina sorriu apesar do seu semblante triste.
- Marina me diga quem é a nova recepcionista? Quando eu cheguei ela se apresentou a mim, mas não sei ela não me parece o tipo de moça que é recepcionista. Daniel perguntou intrigado.
- Bom doutor eu ainda não a conheci. Mas se quiser quando a conhecer melhor venho lhe dizer quem ela é? Mariana se ofereceu, contente pelo doutor Daniel estar conversando com ela algo mais além de trabalho.
- Sim, obrigado. Mariana discrição! Ele recomendou. Não quero que a empresa pense que sou fofoqueiro.
- Claro doutor, sou muito discreta. Mariana sorriu e foi para a sua mesa.
- Como foi o seu mais novo suplício com o doutor Valencia? Sandra perguntou interessada.
- Não foi suplício Sandra. Ele está muito mudado, educado, gentil e claro lindo.
- Não gosto do brilho nos seus olhos quando o elogia, Mariana não sonhe tanto porque nem de longe o doutor Valencia é o doutor Armando! Sandra advertiu a amiga, imaginando aonde os pensamentos de Mariana poderiam chegar com o doutor Valencia.
- Claro que não Sandra, eu jamais pensaria em ter algo com o doutor Valencia. Não teria lógica, ele jamais se interessaria por mim, além do mais ele me pediu para descobrir quem é a... Mariana parou lembrando da recomendação do seu chefe, de não dizer nada a ninguém sobre a sua curiosidade.
- Então está preparada para ir visitar a oxigenada amanhã ? Riu Sandra mudando de assunto.
- Claro que sim, não vejo a hora de chegar o sábado! E ver a cara da oxigenada cozinhando! Gargalhou Mariana.
- Não se esqueça que temos que confirmar com todo o quartel que amanhã iremos visitar a oxigenada! Advertiu Sandra.
Mariana assentiu com a cabeça mas não conseguia parar de pensar no doutor Valencia e mais entristeceu porque ela não conseguiria por as cartas para ela mesma, assim não tinha como saber o que o futuro lhe reservava. Tratou então de afastar os pensamentos do doutor Valencia e mentalizar o quanto Betty sofreu com o doutor Armando. Não, definitivamente ela não queria isso para ela.
No escritório de Armando, ele e Betty estavam mais uma vez discutindo a relação.
- Eu só queria entender o motivo meu amor de você não querer se casar comigo? Armando perguntou pela milésima vez.
- Meu amor, não é nada demais só acho que estamos indo depressa em nosso relacionamento. Betty explicava com toda a ternura do mundo.
- Depressa Betty? Depois de todo o tempo que passamos longe um do outro, eu aqui morrendo enquanto você estava se divertindo com aquele francês em Cartagena! Isso é muito injusto. Armando falava aborrecido.
- Não estava me divertindo com Michel, não seja ciumento, você sabe que eu só tenho olhos, ouvidos e boca para você. Ela riu. Além do mais, estou agora com você, meu amor. Isso não basta? Betty olhava em seus olhos.
- Quero ter você só para mim e pra sempre. Ele falava ainda aborrecido.
- Então por que não vamos jantar fora hoje? Betty sugeriu.
- Jantar? Só nós dois? Armando perguntava empolgado.
- Sim doutor Mendonza! Claro que eu não posso demorar. Betty riu. Depois que o meu pai flagrou nós nos beijando de um lado e o Nicolas beijando a Patricia do outro lado, ele está de marcação cerrada. Betty ria o seu riso mais peculiar.
- Então não vamos perder tempo meu amor, vamos logo! Armando pegou a mão de Betty e foi com ela até a presidência para que ela pegasse a bolsa.
- Não está muito cedo para deixar a empresa? Perguntou intrigado Daniel ao notar que Betty e Armando iam sair.
- Sim doutor Valencia, é que temos um jantar de negócios esta noite. Mentiu Betty.
- De negócios? Daniel perguntou curioso.
- Sim Danielzinho, de negócios e deixe de ser intrometido! Brigou Armando.
- E com quem é esse jantar de negócios? Daniel perguntou para Betty, ignorando Armando.
- Com a Macro Textil! Betty respondeu sem piscar.
- Posso ir também? Daniel perguntou puxando o paletó.
- Sabe o que é Danielzinho é que só fizemos três reservas, então não teremos como te levar junto, o que será uma pena já que adoramos a sua nefasta presença! Declarou ironicamente Armando.
- Só uma coisa me entristece nisso tudo doutora Pinzón, é saber que mais uma vez serei excluído dos negócios desta empresa. Claro que como a senhorita disse na junta diretiva que eu poderia ficar a par de tudo, de todos os negócios eu acreditei que realmente isso seria verdade. Daniel falou com um tom irritado.
- Sinto muito doutor Valencia! Mas lhe asseguro que no próximo jantar de negócios ou no próximo almoço o senhor estará presente. Betty assegurou.
Quando Daniel se viu sozinho na sua sala quase quebra a mesa com raiva, imaginando que tipo de negócios Armando e Betty iriam fazer sem ele. Ligou para o seu motorista, que o esperava na frente da Ecomoda, e pediu que seguisse o carro da doutora Pinzón. Em vinte minutos o motorista ligou e avisou que a doutora Pinzón não havia ido a nenhum restaurante e sim ao apartamento do doutor Mendonza. Mais furioso ficou Daniel ao imaginar que Betty não teria um jantar de negócio e sim um jantar romântico com Armando. Estava claro que o seu plano estava falhando e ele precisava urgentemente fazer algo, se ao menos tivesse o quartel ao seu lado ou pelo menos uma delas, uma que fosse discreta, útil, em quem ele pudesse confiar e que ficasse do lado dele. Seus olhos brilharam ao pensar em Mariana, sim Mariana era perfeita para ser sua cúmplice! Mas como trazê-la para o seu lado ficou perguntando a si mesmo por alguns minutos até que teve a idéia perfeita, fazer o que ele sempre faz, seduzir e conquistar.
- Mariana pode vir na minha sala um momento! Ele perguntou ao telefone.
- Claro doutor, já estou indo. Mariana respondeu do outro lado da linha.
Quando Mariana chegou a “caverna” o doutor Valencia a olhava com um belo sorriso no rosto e pediu que ela sentasse.
- Sabe Mariana eu notei que mal nos conhecemos! E pra falar a verdade não gosto de não conhecer as pessoas que trabalham comigo.
Mariana estremeceu diante da possibilidade de voltar a ser recepcionista, lembrava do interesse do doutor Valencia pela nova recepcionista, certamente ele pediria que trocasse de lugar com ela.
- Não se assuste Mariana, você ficou com uma cara de medo. Ele riu.
- Desculpe doutor! Mas o que quer dizer com isso? Ela perguntou com um certo pavor na voz.
- Desejo que nos conheçamos melhor! O que você acha de jantarmos esta noite? Ele perguntou.
- Não sei doutor! Mariana respondeu um tanto desconcertada.
- Ah! Por favor Mariana é apenas um jantar de amigos. Não pense mal de mim!
- Claro que não doutor, jamais pensaria mal do senhor. É que nunca jantei com alguém tão fino e tão elegante, acho que nem saberia me comportar num ambiente refinado como os que o senhor frequenta! Assumiu Mariana um tanto encabulada.
- Não se preocupe Mariana, jantaremos num local simples e prometo não lhe deixar em casa muito tarde!
- Está bem doutor. Ela se levantou.
- Mariana a nossa amizade pode não ser bem vista pelas suas amigas do quartel e muito menos pela Beatriz, poderíamos deixar esse jantar somente entre nós dois? Daniel perguntou.
- Sim doutor! Minhas amigas certamente não entenderiam, me proibiriam de sair com o senhor, mesmo que seja para um jantar inocente de amigos! Mariana declarou.
- Então às 18:00 horas nos vemos no estacionamento! Daniel sorriu.
Quando Mariana saiu Daniel ficou pensando no que a secretária lhe disse, que o quartel a proibiria de sair com ele, Mario estava certo todo o quartel estava contra ele e por isso o seu plano estava fracassando.
Mariana mesmo negando a si mesma que o jantar com o doutor Valencia era somente para que ele conhecesse melhor quem trabalhava com ele, não conseguia parar de pensar na possibilidade do doutor Valencia se interessar por ela. Mesmo sem querer o desejava e este convite foi para ela uma manhã de primavera cheia de encantos, mistérios e surpresas.
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