Finais Felizes Na Ecomoda.
14 Capítulo 14: O significado de uma rosa cor-de-rosa
Notas iniciais
– Está pronta? Michel entrou no quarto de Marcela.
– Sim. Ela sorriu. Mas não é muito cedo para o pôr-do-sol?
– Passearemos bastante e conversaremos muito mais, nos preparando para o grande evento! Ele sorriu.
– Evento? Ela admirou-se.
– Sim. O magnífico, extraordinário, estupendo pôr-do-sol!
Marcela riu. Michel sabia fazê-la rir de uma maneira que ela não compreendia ainda.
– Vamos então! Ele lhe estendeu o braço muito cavalheiro.
– Claro. Ela respondeu.
E enquanto andavam pela linda praça de Cartagena Michel lhe contava suas aventuras naquela bela cidade.
– E como chegou a Cartagena? Marcela perguntou curiosa.
– Me apaixonei. Ele falou num tom um pouco mais sério. Me apaixonei por Carolina e vim com ela para Cartagena.
– E onde está Carolina? Marcela perguntou curiosa.
– Em algum lugar desta cidade com o seu esposo. Ele sorriu.
– Lamento! Marcela se entristeceu.
– Lamenta pelo o quê? Ele perguntou sorrindo.
– Que o seu amor por Carolina não tenha tido um final feliz.
– E quem disse que não teve um final feliz? Ele perguntou curioso.
– Mas você não está com ela, então eu achei que...
– Marcela só porque não estamos com alguém por quem fomos apaixonados, não quer dizer que não tivemos um final feliz.
Havia um homem na praça vendendo flores, Michel foi até ele e comprou uma rosa cor-de-rosa, ofereceu a Marcela.
– Uma rosa pra mim? Ela se alegrou. Nossa Michel não sei o que dizer, faz muito tempo que eu não ganho flores.
– É apenas uma rosa, porque o que nós procuramos em um buquê pode ser encontrado em uma única rosa! Ele sorriu.
Ela lembrou-se de Armando que mesmo estando com ela, não conseguia ficar um segundo sem desejar outras mulheres e começou a refletir sobre o que Michel lhe falava. Parecia que ele sempre lhe falava metáforas para que ela tivesse uma reflexão sobre sua história.
– Está tão calada? Eu disse ou fiz algo errado? Ele perguntou sorrindo.
– Não, só estava pensando! Ela respondeu.
– E certamente não estava pensando em mim! Ele riu.
– Michel eu preciso te contar o motivo de eu ter saído de Bogotá. E acho que esta é a hora de falar. Ela olhava em seus olhos.
– Sim, mas não aqui. Vamos até a beira do mar, lá sentaremos e tranquilamente você me contará.
Marcela assentiu com a cabeça.
Quando chegaram a beira do mar, as águas estavam tranquilas e o pôr-do sol já se iniciava. Sentaram em uma pedra comprida e Marcela segurando a sua rosa cor-de-rosa começou a falar sobre Armando, sua paixão desde que era uma menina e como a morte dos pais afetou o seu relacionamento com ele.
– Ele se tornou tudo pra mim. Ela falou. Quando eu o abraçava era como se eu não tivesse perdido o calor do abraço do meu pai. Talvez eu o asfixiei por isso, por medo de perdê-lo como já tinha perdido os meus pais. Ela relatava a história tão tristemente que era impossível para Michel não sentir a tristeza dela.
– E então o que aconteceu? Ele perguntou seriamente.
– Ele se apaixonou por outra pessoa. Pela Beatriz, a sua assistente. A única mulher no mundo que eu achei que jamais poderia me roubar o Armando. Ela confessou amarguradamente.
– O amor nos surpreende Marcela!
– Eu tinha a esperança de que você a levasse embora com você. E então eu e Armando reataríamos e tudo seguiria igual. Marcela olhava para a rosa em sua mão.
– Como Armando era com você, Marcela? Ele perguntou.
– Ardente, apaixonado. Ela respondeu sem piscar.
– E você, como era com ele?
– Minha vida com Armando sempre foi muito tumultuada. Sempre povoada pelas modelos amantes dele. Ela recordava com dor.
– Então você nunca teve paz com ele?
– Não. Nunca! Ela olhava o passado como quem olha alguém muito querido sofrendo e mesmo comovido, não consegue ajudar a mudar a situação.
– Então não é amor, somente paixão! Michel falou.
– Somente paixão? Ela o olhou curiosa.
– Marcela observe a rosa que lhe dei, ela não é vermelha mas cor-de-rosa. O vermelho é paixão pura por isso os amantes dão rosas vermelhas. Mas a rosa que está na sua mão, ela é uma mistura perfeita, na mesma medida de vermelho e branco, paixão e paz que unidos formam a cor do verdadeiro amor.
– Por que está me dizendo isso? Ela questionou.
– Porque acredito que nunca houve amor verdadeiro entre você e Armando.
– Como você me julga? Não sabe o que vivemos para dizer que não houve amor verdadeiro. Ela se irritou.
– Sei que não houve paz! E sem paz é impossível amar. Ele falou ternamente.
– Você não sabe nada sobre mim Michel, e nem sobre o que eu vivi com Armando! Marcela se levantou indignada.
– Marcela espere. Ele segurou firme o seu braço. Acalme-se, eu não quis ofendê-la! Perdoe-me.
– O que eu vivi por três anos não pode ser um engano, um erro, uma mentira! É tudo o que eu acredito. Ela chorou e Michel a abraçou.
E então Michel viu, nos olhos de Marcela refletir o pôr-do-sol e ele nunca fora tão belo.
– Eu só desejava ajudá-la. Me equivoquei, me perdoe por favor querida! Ele falou com voz terna.
– O que você disse? Marcela olhava nos olhos de Michel e também viu refletir o pôr-do-sol, era belo.
Ele a beijou.

Na Ecomoda Mariana comentava animada para Sandra como o doutor Valencia era agradável com ela, não gritava e não humilhava. Ela não o reconhecia. Era como se fosse um outro doutor Daniel, sério sim mas não grosseiro.
– Ai Mariana, me desculpe mas não consigo acreditar nisso! Só vou acreditar quando eu vir com meus próprios olhos. Sandra declarou.
– Vai se surpreender amiga! Mariana comentava entusiasmada.
As seis horas da noite, Daniel se preparava para ir embora quando Betty entrou na “caverna” e o agradeceu por ele não ter sido rude com Mariana.
– O que é isso Betty? Me agradecer porque fui ético! Ele a instigou.
– Não! Agradeço porque foi educado, cortês com Mariana. Ela sorriu, um sorriso um pouco sem jeito.
– Não por isso doutora Pinzón! Ele sorriu charmosamente.
– Mariana é uma amiga muito querida e ela estava com um pouco de medo de trabalhar com o senhor. Betty falou.
– Ela não precisa ter medo de mim Betty, apesar de estar instalado nessa caverna, eu garanto que não sou um vampiro. E nem você precisa ter medo de mim. Ele se aproximou dela e a fitou nos olhos. Garanto que não vou lhe fazer mal.
– Eu não tenho medo do senhor doutor. Betty falou afastando-se dele. E ainda que pretendesse me fazer mal, eu não temeria! Ela falou firmemente.
– Sei que não Beatriz! Mesmo quando você não era a mulher deslumbrante que é hoje; por tantas vezes eu a ofendi, a insultei e mesmo assim você nunca tremeu! Não, definitivamente você não é o tipo de mulher que recua. E é isso o que tanto me agrada em você. Ele se aproximou dela e beijou-lhe a mão.
Betty assustou-se, não pelo beijo na sua mão dada por Daniel mas pelo seu olhar. Seu jeito conquistador, lhe causava uma angústia insuportável. Ao perceber que Betty se descompôs, Daniel sorriu triunfante achando que havia despertado algum sentimento em Beatriz.
Quando por fim ele saiu da presidência Betty sentou-se no sofá e chorou, lágrimas de agonia e de raiva por ter que suportar alguém que tantas vezes a feriu agora a assediando. Mas tinha que se recompor, Armando não podia perceber isso ou criaria uma nova confusão e ela não queria uma gestão marcada pelas brigas e confusões do seu amado.
– Boa noite senhoritas! Daniel se despediu de Mariana e Sandra. Com um sorriso desmedido, supondo ter dado o primeiro passo do seu plano com grande êxito.
– Boa noite doutor. Responderam as duas em coro.
– Não disse que ele estava diferente Sandra. Falou Mariana.
– Se eu não tivesse visto essa alegria no semblante dele, não teria acreditado. Respondeu Sandra atônita.
Armando entrou com um belo sorriso no rosto na sala da sua amada, mas ao vê-la tão triste e silenciosa, concluiu que Daniel havia maltratado-a.
– Onde ele está? Ele gritou furioso.
– Quem? Ela perguntou assustada com a fúria de Armando.
– Aquele desgraçado do Daniel Valencia! O que ele fez pra você, meu amor? Armando gritava cada vez mais alto.
– Não fez nada! Ela mentiu. Minha pressão baixou! Acalme-se meu amor, por favor!
– Tem certeza? Ele perguntou um pouco mais calmo.
Ela assentiu com a cabeça.
– Senta um pouquinho aqui comigo doutor! Ela pediu.
Ele sentou-se e a abraçou. E ficaram assim em silêncio até que Armando começou a cantar:
–“Bésame la boca
con tu lágrima de risa
bésame la luna
tapa el sol con el pulgar
bésame el espacio
entre mi cuerpo y tu silueta
y al mar más profundo
bésale con tu humedad.”
Armando cantava desafinado e em péssimo tom, mas queria a qualquer custo trazer à Betty o encanto do dia em que Ricardo Montaner dedicou uma canção a ela. Betty sorriu e esqueceu a angústia que tinha sentido com Daniel, pois ao seu lado estava o homem mais desafinado do mundo, bastante histérico e muito ciumento, mas que era o homem dos seus sonhos e estava com ela.
Notas finais
A serenata improvisada por Armando se chama Bésame e é interpretada por Ricardo Montaner e pode ser encontrada neste link(http://letras.mus.br/ricardo-montaner/26813/).
Espero que gostem e comentem. Bjinhos e até o próximo capítulo.
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