Margareth estava cansada de tentar sobreviver sozinha. Dentre todas as pessoas, ela pensou que seria uma das primeiras a morrer em um apocalipse, devido sua falta de atributos físicos e ingenuidade. Quando isso não aconteceu, ela ficou negativamente surpresa, afinal, sua enorme família havia ficado na fazenda e ela não teve coragem de sair da cidade para voltar e vê-los, uma vez que esperava o fim. O tempo se passou e ela estava naquele hospital a mais tempo do que pretendia viver, cada vez mais perdida em seus próprios pensamentos.

Quando Akuma apareceu e não tentou verdadeiramente matá-la, suas esperanças se renovaram. Certo, ele a ameaçou algumas vezes, mas é compreensível, ela já havia muitos pacientes acuados pelo medo dizerem coisas que realmente não era o que gostariam caso estivessem sãos. Por mais bondosa que ela pudesse ser, não se considerava burra, é claro que esperava que suas boas ações trouxessem bons frutos. Nesse caso, bolachas vencidas.

Como era bom comer algo que não fosse cereais secos do hospital, a crocância da bolacha e a textura diferente superaram qualquer sabor duvidoso que o produto expirado poderia vir a ter. Quando viu que o rapaz virou as costas e pôs-se a andar, apressou-se em segui-lo, afinal, essa era sua chance de voltar à fazenda correndo menos riscos. Uma pessoa de chifres deve ser uma boa proteção, imaginou.

Akuma olhou para trás desconfiado quando percebeu estar sendo seguido. Andou mais rápido em direção a saída do hospital, Margareth quase ofegante atrás de si tentando acompanhar o passo suplicou:

—Espere! Tenho que buscar minha mochila!

—De que forma… — o rapaz se virou com as mãos entrelaçadas, tentando manter o tom calmo — Eu induzi que estaríamos juntos?

O tom irônico dele não pareceu tê-la afetado, que embora cansada continuava com o olhar animado e alheia às suas palavras. Com passos rápidos ela entrou numa sala ao lado de onde eles estavam, buscando uma mochila bege e despiu-se de seu jaleco.

—Tenho recursos básicos e importantes aqui dentro, vamos precisar deles em algum momento. — sorriu para ele com todos os dentes, o que não o tranquilizou. Tentando segurar sua irritação, fechou brevemente os olhos repuxados e respirou fundo:

—Conhece o Batman? — ela o fitou confusa, esperando que se explicasse — Pois é, a mesma ideia: eu trabalho sozinho.

Ela riu grandiosamente, como se ele realmente tivesse contado uma piada, o que apenas o fez se irritar ainda mais. Revirando os olhos, Akuma virou-se e continuou seu caminho até a porta de vidro — já quebrada — do hospital. A presença dela atrás de si era como uma energia quente e irritante, ao sair do recinto ele imaginou que até certo ponto ela se cansaria de ser ignorada e seguiria seu próprio rumo, mas não. Infelizmente não.

—Você é de onde? — a voz aguda dela parecia cada vez mais aguda, como agulhas nos tímpanos do menino de traços orientais. Ele limitou-se a ficar em silêncio.

—Eu morava no sul do estado com minha família, mas quando comecei a faculdade vim para a cidade. — ela respirou por um segundo e meio para desandar a falar novamente — Você tem família? Está indo encontrar eles? Como conseguiu esse tiro no ombro? Você está andando rápido, está sendo seguido? Pra onde você está indo?

Ele parou de supetão, fazendo-a trombar com suas costas, o zíper da mochila quase entrando dentro da narina da morena. Ela se afastou, tocando o nariz com cuidado. Akuma se virou, estupefato e gesticulante:

—Se estou sendo seguido? Sim! Por um papagaio em forma de pessoa! — ele parecia colérico ao falar, e ainda assim se surpreendeu quando Margareth não pareceu assustada — Já percebi que não posso te impedir de me seguir, mas pelo amor de sei lá o quê você acredita, cale a boca!

—Certo. — ela assentiu.

Houveram dez segundos de silêncio após recomeçarem a andar, mas tudo que é bom dura pouco:

—Eu sei ficar em silêncio, viu? Mas conversar libera endorfinas e vai fazer você se curar mais rápido, deveria me agradecer.

Ele revirou os olhos, impaciente. Entraram na estrada principal, o asfalto quente passava a impressão de que estavam andando sobre brasas, enquanto a mulher atrás de si apressava o passo e falava cada vez mais palavras por minuto. Já que estavam ali, seria melhor investigar com que tipo de pessoa estava andando — não que houvesse muitos mistérios, a morena parecia um livro aberto, seu completo oposto. Ele a interrompeu:

—Qual sua peculiaridade?

O momento mais longo de silêncio se fez. Akuma chegou a desacelerar seus passos de tanta curiosidade, deveria ser algo muito bom pra que ela pensasse tanto antes de falar. Ou muito ruim. Ele escutou a respiração dela mais pesada ao responder:

—Não tenho isso. — ele levantou uma sobrancelha, incrédulo. Ela deu um sorriso de lado — Eu sei, eu estudo Medicina, sei que a maioria dos DNA’s se alterou pra se adequar à nossa radioatividade, mas aparentemente eu não tenho nenhuma peculiaridade. Nunca fiz uma análise sanguínea, mas nada se manifestou visivelmente em mim, então… — ela deu de ombros, sem palavras. Pela primeira vez, pensou Akuma.

—E a sua? Fora os… — ela apontou para seus chifres enquanto perguntava. E foi o suficiente para que ele apertasse o passo novamente. — Que foi? Tem a ver com eles, não tem? O que eles fazem? Te dão super força pra “chifrar” os outros?

Ele a encarou, incrédulo com a sugestão, revirando os olhos respondeu:

—Não fazem nada, é só isso.

Ela pareceu acreditar, pois se calou. Essa desculpa não colava com todo mundo, lembrou-se o rapaz, mas com alguém que não tem peculiaridade deu certo. A mulher continuou a falar sem restrições, e Akuma tentou mais uma vez silenciá-la:

—Margareth, certo?

—Pode me chamar de Maggie. — ela sorriu.

—Maggie… — o nome dela saiu de seus lábios como se ele estivesse mascando um chiclete azedo, dessa vez ela notou o desconforto, mas decidiu relevar — Pode me deixar ter um momento de concentração aqui? — ela assentiu, afinal, ele pediu educadamente.

O silêncio durou mais tempo do que Akuma esperava, o que foi positivo. Margareth conteve suas perguntas em sua própria mente o restante do caminho — que aliás, ela ainda não sabia onde levava, mas por mais estranho que fosse, se sentia confortável na presença do rabugento Akuma. Ele é realmente muito rabugento para um adolescente, pensou, embora não soubesse ao certo a idade do rapaz ainda tinha a impressão de que era mais novo.

O silêncio poderia ser confortável para Akuma, mas a mulher ao seu lado sentia a necessidade de ouvir algo além do vento remexendo a terra que rodeava a estrada asfaltada. Ela se lembrava de sua infância, quando ao invés de terra era grama ou algumas vezes plantações e lavouras. A maioria das pessoas que sobreviveram a explosão radioativa das indústrias RAYMAN já haviam se habituado ao odor de lixo tóxico que se apoderou do firmamento, mas Margareth ainda se recordava de como era viver na fazenda de seu pai, onde a grama era fresca e o cheiro era diferente da cidade grande. Agora, embora não tendo ainda conferido, até mesmo a fazenda deveria ter o mesmo cheiro de podridão causado pela radioatividade.

Embora estivesse usando tênis tecnicamente confortáveis e meias, a ex-residente de medicina podia sentir a sola dos pés esquentando e as pernas doloridas com o tempo de caminhada. Ela olhou de soslaio para o nipo-americano, tentando identificar algum sinal de cansaço da parte dele e não encontrou um sinal de fraqueza ou desistência. Pensou em iniciar mais um assunto, mas teve medo de ser refreada novamente e perder a companhia e possível proteção que ele lhe daria.

Seus pensamentos foram interrompidos quando chegaram em um trevo que dividia a estrada em três outras rodovias. Da via onde estavam, uma grande placa de fundo verde apontava:

(link para ver imagem: https://raizan.com.br/wp-content/uploads/2021/12/placa.png)

Margareth estranhou a pausa, afinal eram poucas palavras, não era necessário parar para entender. Curiosa, remexeu-se no mesmo lugar, trocando o peso das pernas. Impaciente, perguntou:

—Pra onde você vai?

—Pra frente. — Akuma respondeu, seco. O maxilar magro travou-se em tensão.

—Atlanta então? — confirmou Maggie, animada com a facilidade como os planos dele se encaixavam nos seus.

—Mas é claro! Acha que não sei ler?! — o tom embora fosse baixo, era ríspido e cortava o ar como navalhas. Novamente, a morena ignorou o alarme de bom senso que soava em seu cérebro:

—O que tem em Atlanta?

—Você não sabe de nada, não é? — a arrogância dele ela não havia notado ainda, quando esse tom se sobressaiu do tom seco e fechado, uma parte de si se magoou.

Ela sabia que estava sendo ultrassensível com essa percepção, mas ela praticamente havia salvado sua vida, o impedido de perder o braço, o mínimo que esperava era gratidão e na sua concepção da palavra, arrogância era um dos antônimos. Rápidos flashbacks do ensino médio a fizeram vacilar o olhar, recordando a forma como as meninas que moravam na cidade olhavam para si, a sensação de estar sendo julgada e recriminada por suas origens simples passando pelo peito como um rojão. Tentou se desvencilhar do sentimento o mais rápido possível, afinal, deveria ser amigável para conseguir o que precisava. Forçou um sorriso:

—Eu conheço uma fazenda a caminho de Atlanta, podemos descansar lá e com certeza conseguir alguns suprimentos.

Akuma virou-se para ela, parecia de certa forma incrédulo, mas Margareth não saberia dizer, nunca se considerou muito boa em ler as pessoas visualmente, sempre precisou se fortalecer com palavras. Ele respirou fundo, parecia querer dizer algo, mas desistindo se conteve em balançar a cabeça em um sinal positivo. Com um humor oscilante, Maggie deu dois pequenos pulinhos de felicidade:

—Não faça eu me arrepender. — cortou Akuma, o tom sério — Vou pegar o que preciso e seguir para a Base Militar de Atlanta.

[...]

Os dois jovens estavam acostumados a passar um tempo sem beber água, mas o sol escaldante e a longa caminhada havia exigido muito de seus organismos, logo, Margareth — que conhecia mais a região — sugeriu que desviassem brevemente do caminho proposto para encontrarem uma cisterna próxima. A última coisa que Akuma gostaria era outra pausa que atrasasse seu objetivo final, mas a dor em seu estômago o impedia de tomar decisões tão calculadas. Foi assim que concordou com as paradas sugeridas pela morena que o seguia, embora agora parecesse que ele era o seguidor.

Andaram dentre a mata com diversos pinheiros — já ressecados devido a época — e grama alta, era possível ver ao longe a região montanhosa da Geórgia, e mais perto ainda, a enorme e tão esperada cisterna. O poço era largo, o tamanho de uma casa pequena, a altura também era considerável, Margareth se lembrava de brincar lá dentro quando criança e da profundidade do amontoado de água quando cheio.

—Acho que a escada fica do outro lado… — mencionou a mulher alta, guiando-os ao redor da redoma.

O casal teve reações diferentes com o que viram a seguir. Quando visualizou uma minivan prata — ou algo parecido, difícil distinguir pela sujeira — Margareth brilhou os olhos em animação com a possibilidade de conhecer novas pessoas. Já Akuma se pôs em estado de total alerta, há muito já havia percebido que não se pode confiar em ninguém nos tempos em que viviam. A morena se dirigiu para mais perto do carro, curiosa:

—Vamos embora! — sussurrou o rapaz, desconfiado de que pudessem ser ouvidos.

—Tem alguém aqui dentro. — anunciou Maggie, ignorando completamente a discrição dele e espiando pela janela do carro.

Lá dentro, uma moça jovem — Margareth presumiu ser mais jovem que si — deitava com seus olhos fechados. Parecia estar dormindo, mas a residente de medicina sabia que ninguém sangrando estaria dormindo com os vidros do carro fechados. O canto superior direito da testa da menina estava cortado, manchando de sangue a franja do cabelo curto e branco, escorrendo um pouco pela pele também extremamente pálida. Ao notar o ferimento, Maggie arregalou os olhos pretos, dando uma rápida lida em Akuma que fazia sinais de dispersão, implorando para que saíssem dali. Deu duas batidas no vidro para ter certeza de que a menina não dormia realmente, e sua suposição foi comprovada quando a albina nem se mexeu.

—Precisamos ajudar ela.

—Não, não precisamos! — embora estivesse sussurrando, o tom do nipo-americano era imperativo e os olhos levemente repuxados faltavam sair das orbes de desespero.

—Eu sou médica! — ela falou mais alto, deixando-o cada vez mais nervoso.

Antes que pudesse arrastar Maggie para longe, ouviram vozes há alguns metros, rapidamente abaixando-se em frente ao capô do automóvel, tentando não dar pistas de que estavam ali. Akuma olhou para a direita, encarando seriamente a mulher sem nenhum preparo para combate e vendo em seu olhar que ela finalmente havia entendido o perigo no qual se encontravam. Tarde demais, pensou. A mente de Akuma pensou na melhor estratégia para se livrarem daquela situação:

—Vista seu jaleco. — estranhamente, Maggie acatou a ordem sem pestanejar. — Preciso que distraia eles sendo… — ele fez uma pequena pausa, pensando na melhor definição — Sendo você. — ela levantou uma sobrancelha:

—O quê?

—Vou precisar de tempo para trabalhar. — Margareth não poderia estar mais confusa com essa frase. Akuma não parecia disposto a explicar, as vozes estranhas se aproximavam rapidamente e a mulher arregalou os olhos quando ele sacou um canivete do bolso da calça. — Não me faça te forçar. — ameaçou.

Maggie sentiu-se compelida nas ações seguintes. Levantou-se sentindo o olhar do rapaz queimando-lhe as costas, e dirigiu-se para a cisterna, onde viu dois homens descendo as escadas de metal. Ambos eram muito parecidos, de pele negra, altos, magros e com o cabelo crespo, estavam sem camisa e úmidos devido ao banho recente. O do lado esquerdo tinha o cabelo maior, estilo black power, já o outro, tinha o corte militar. A médica engoliu em seco e colocou o melhor sorriso no rosto, sentindo a textura fofa da alça da mochila sob os dedos, tentando disfarçar o nervosismo.

Quando o primeiro terminou sua descida, virou-se para ela assustado e defensivamente:

—Afaste-se do carro! — ao ouvir o amigo gritando, o homem com o cabelo black terminou de descer a escada em um só pulo, encarando a residente logo em seguida.

Maggie levantou as mãos em um sinal pacificador, afastando-se conforme solicitado. Tentou manter a expressão mais amigável possível, a fim de distraí-los para qualquer fosse o plano de Akuma. Ainda imóvel e com as mãos levantadas, pronunciou-se:

—Dentro da minha mochila tenho equipamentos médicos e suprimentos. — ela fez uma pausa para respirar, enquanto os rapazes se entreolhavam desconfiadamente — Eu me perdi do meu grupo, posso ser de grande ajuda a vocês.

Algo no fundo de seu consciente lhe dizia que aquela encenação não daria certo. Não era necessário ser um gênio para supor que dois homens que mantinham uma garota amarrada no banco de trás de uma minivan não eram confiáveis e por mais ingênua que Margareth pudesse ser, sentia que aquela não estava se tornando uma conversa amistosa. Antes que pudesse concluir o próprio pensamento, os dois indivíduos se dirigiram a ela, repentinamente. Sem nenhuma noção do que poderia fazer nessa situação, Maggie se limitou a gritar e tentar correr.

Sentiu um puxão em sua mochila que a fez cair de costas, o ar sumindo brevemente de seus pulmões com o impacto da queda. Um dos homens sentou-se por cima dela, segurando suas mãos juntas. A morena ainda se debatia desesperadamente quando escutou um som de escarro vindo do homem acima de si, horrorizada pôde ver a saliva grossa descendo lentamente, fazendo um fio até grudar-se em seus pulsos. A textura gosmenta e fria do líquido transparente se tornou super-cola assim que tocaram sua pele, Margareth tentou mover os pulsos inutilmente.

Nunca havia acontecido com ela, alguém utilizar sua peculiaridade como arma, e isso a fez sentir-se indefesa e impotente, principalmente porque ela não tinha sua própria. Enquanto o rapaz de corte militar repetia o asqueroso feitio com seus pés, o que se mantinha em pé sorria malignamente para ele. Maggie se debatia inutilmente, fraca e em breve morta, pensou. Antes que tivesse tempo para desistir de lutar e xingar não apenas Akuma por ter a brilhante ideia de “distrair” os dois homens mas também a si mesma por confiar nele, viu o vulto magro do garoto antes escondido atingir em cheio o homem que estava em pé, acertando-o na cintura com o canivete.

Que macumbaria é essa?!, foi o que Maggie conseguiu reunir no curto período de tempo entre tentativas de desvios dos golpes do homem em que Akuma passou a parte não cortante e plana do canivete em seus chifres. O negro parecia possesso de ódio, retirou de dentro do cabelo black power um maço de cabelo em formato de esfera — Agora eu vi tudo, os pensamentos de Margareth estavam a mil, já nem tentava mais se livrar do rapaz que a havia prendido.

Akuma sentiu o exato momento em que sua alma e a do homem se uniram em uma só, a conexão entre os corpos feita osmoticamente seria romântica se não fosse forçada através do contato do sangue do inimigo com seus chifres. A intenção do nipo-americano era apenas controlar os movimentos do homem para auto-defesa e talvez espantar o amigo que havia amarrado Maggie com sua saliva — o jovem já havia tido contato com várias habilidades diferentes, mas super saliva seria a primeira vez — entretanto, quando viu a esfera de cabelo sendo retirada do amontoado black, viu aquilo como uma oportunidade.

Margareth viu o exato momento em que o homem recém esfaqueado jogou a esfera crespa na direção de seu amigo, o bolo de cabelo grudando em um de seus olhos e parte da cabeça do lado esquerdo. O rapaz fitou seu amigo com — obviamente — um olho apenas, expressando confusão e irritação, por sua vez, o outro permaneceu imóvel, chocado com o que acabara de fazer:

—E-eu… Não sei…

Maggie cerrou o cenho, observando que a cada movimento de Akuma, o homem de cabelo grudento fazia igual, a única coisa diferente era seu semblante completamente perdido. O rosto de Akuma demonstrava uma estranha e sádica satisfação ao controlar cada movimento de outro ser humano, extremamente concentrado, ele levou o próprio braço mais uma vez ao cabelo fazendo sua mais nova marionete tomar outra esfera de cabelo e lançar diretamente no ombro do outro rapaz. A força foi maior desta vez, resultando com o impacto a queda do homem, que ficou grudado no chão devido ao tamanho da esfera.

Os gritos desesperados não assustaram Maggie, que já havia se sentado e agora apreciava o show de marionetes que o jovem a proporcionava. Ela fitou a cena, fascinada, enquanto Akuma deitou-se no chão e obrigou o homem alto a grudar com outra esfera as próprias mãos no solo. Embora não tenha aparentemente feito tanto esforço físico, a expressão do jovem agora beirava ao cansaço, gotas de suor brotando de sua fronte e o cenho franzido em compenetração. Em seguida, todos seus músculos pareceram relaxar, enquanto ele subiu um pouco da camisa preta e limpou os chifres negros do sangue inimigo.

Ignorando os corpos se debatendo no chão, Akuma apontou para Maggie calmamente:

—Vou buscar água pra essa meleca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.