Fim Da Justiça
4 Os Heróis da Terra
Notas iniciais
Já fazia tempo que não via sua mãe, então, para resolver este problema, o repórter do Planeta Diário decidiu passar uma noite em Smallville, Kansas. Ela, por sua vez, parecia ter pressentido a chegada do filho e preparou seu prato predileto.
Não demorou muito para alguém bater na porta.
— Ô de casa?
— Oh! Meu filho! Você veio voando, literalmente, não foi? – dizia a meiga senhora que abraçara seu filho como se, novamente, o tivesse tirado da nave alienígena que o encontrara. Sra. Kent.
— Não queria passar mais tempo longe daqui e da senhora, mãe... Como está? – dizia o enorme rapaz que cobria a senhorinha com os fortes braços, num abraço protetor. Clark Kent.
— Estou melhor agora, Clark. Onde está Lane?
— Lois não pôde vir. Está um pouco ocupada, Perry não está a deixando em paz. Mas ela mandou lembranças.
— Oh, céus... Mande beijos à ela.
Sra Kent parou por alguns instantes e observou seu enorme filho. Clark franziu o cenho sem entender muito bem o que a mãe procurava nele.
— O que foi, mãe? Algo de errado?
— Clark, você anda se alimentando?
A pergunta pegou Clark de surpresa.
— Sim, é claro, mãe – dizia rindo pela pontuação insistência de sua mãe quanto a sua alimentação.
— Mas você me parece fraco... Vamos, venha comer. Preparei aquele seu prato favorito.
— Mãe... Só a senhora mesmo para achar que estou fraco...
— Não é porque meu filho é o Superman que o deixarei mal alimentado.
Aquele enorme homem foi conduzido pela aquela senhorinha até a cozinha. Serviu o prato ao filho, enquanto este se sentava à mesa. Conversaram sobre praticamente tudo. Sra Kent, que gostava de dormir cedo, ficou até mais tarde para aproveitar a presença do seu único filho querido. Entre as garfadas, Bruce e Diana foram citados na conversa. A falta que o Sr. Kent fazia àquela casa, também. E o quanto a Sra Kent estava feliz em saber que o filho pretendia se casar.
— Ah, Diana será uma ótima esposa, meu filho.
Clark quase engasgou.
— Mãe! A senhora sabe que será com a Lois.
— Oh, eu nem imaginava... – Sra Kent soltou uma gargalhada tão gostosa que fez seu filho se aproximar dela e a abraçar de novo. Sra Kent sempre soube que seu poderoso filho estava apaixonado por Lois Lane, do Planeta Diário. Admitira que teve temor do que seguiria, após a revelação da identidade de seu filho para a implacável repórter. Pensou que a vida de todos se tornaria um inferno, já que essa história seria o maior furo do planeta. Contudo, Lois a surpreendeu, mostrou estar realmente apaixonada pelo seu filho Clark Kent ou Kal-El, ou melhor, Superman. E que guardaria esse segredo para sempre.
— Espero que você seja muito feliz, meu filho. Você, mais que qualquer um, merece isso – Sra Kent dizia com os olhos marejados.
— Eu já sou, mãe.
Ele era verdadeiramente feliz. Era o homem que tinha tudo. Um novo lar, família, amor, poderes, amigos. Agora, sentia a necessidade de agradecer por tudo.
Logo, ao terminar o jantar e levar o prato à pia, Clark foi informado pela mãe que iria se deitar, que aproveitou a bondade do filho e o ordenou a seu modo gentil que ficasse ao menos até o almoço do dia seguinte, pois ela queria passear com ele pela cidade mais cedo. Aquele grande menino assentiu em concordância. Pensava como era difícil negar algo para aquela meiga senhora de olhar amável. Não hesitou em acompanhar a Sra Kent para seus aposentos e retribuir todas as vezes em que ela o colocou para dormir.
— Durma bem, mãe. Sonhe com os anjos – dizia Clark depois de beijar a face da mãe.
— Vou dormir bem, meu menino. E prometo sonhar contigo.
Fechou a porta do quarto de sua mãe e deu uma visitada no seu antigo cômodo, onde tudo se encontrava no mesmo lugar que deixara antes de ir à Metrópolis. Sentiu uma imensa saudade da época em que descobrira seus poderes. Foi tão assustador quanto animador. Ainda era possível ver a diferença entre as tábuas, por um pedaço de madeira mais novo, numa das paredes. Seu pai, Sr. Kent, foi quem tampou o buraco. Isso porque, quando mais jovem, Clark arremessou uma bola de tênis contra a parede com a intenção dela voltar para a sua mão. Mas devido a força aplicada, a bola ultrapassou a divisória de seu quarto, que foi em direção ao celeiro, que ficava numa considerável distância da casa... Clark nunca mais viu essa bola.
Desceu os degraus, observou a sala e caminhou até a porta da frente. Foi até a varanda e olhou para cima. Para as estrelas. Nem acreditava que tudo estava calmo. Se sentou na cadeira de balanço que havia ali perto, e aguardou o dia nascer de novo.
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A luz invadiu o recinto, como sempre acontecia quando Mestre dos Espelhos aparecia, após viajar pelas dimensões e chegar ao seu destino, pelo espelho. O mesmo trouxera consigo o exótico aparelho que baixou e armazenou informações do "bat-computador". Informações que ajudariam a exterminar qualquer membro da Liga da Justiça. Mestre dos Espelhos já estava familiarizado com o local atual, não era a primeira vez que entrara naquela sala e falara com o solicitante.
— Ainda estou tentando entender o que levou você a fazer negócio com aquele lunático. Ele vai ferrar com tudo! – dizia para anunciar sua chegada. Não houve resposta imediata, caminhou até a enorme mesa do escritório. A poltrona de couro e de encosto alto impossibilitava de ver o seu requerente, que parecia observar a vista.
Mestre dos Espelhos depositou o objeto na mesa.
— Limita-se a fazer a sua parte, Mestre dos Espelhos... Do palhaço, cuido eu. – A voz estava suave, calma e segura.
— É... já ouvi isso hoje. E a minha parte está feita. É você que precisa cumprir a sua. – Cruzou os braços.
— Está feito. Só achei que, além disso, você quisesse acabar com velocista escarlate.
Houve um momento de hesitação por parte do vilão.
— É claro que quero...
— Então, você vai.
O que foi falado depois, a convicção dita, só reforçou a ideia que o Mestre dos Espelhos tinha sobre aquele cara. A certeza era que eles não teriam mais intervenções da Liga.
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John Stewart voava em direção à Torre de Vigilância. Após o assalto em Gotham, não recebeu nenhuma informação pelo anel sobre qualquer emergência no setor espacial. Ou de qualquer S.O.S encaminhado para a Liga. Tudo estava calmo, porém, John não reclamou. Ultimamente, estava tão corrido que estava sem tempo até de dar um "oi" pra sua namorada, Shayera. E essa calmaria seria uma ótima oportunidade de matar as saudades. Shayera, por sua vez, preferiria a turbulência e pancadarias do que ficar no ócio. Não se tratava de uma moça carente, daquelas que adoravam carinhos e mimos o tempo todo, era capaz de sentir falta das brigas e batalhas que tinha contra os considerados inimigos da Liga.
E falando nela, a Mulher-Gavião se encontrava entediada na sala principal, ocupada também pelo Caçador de Marte que, ao contrário de Shayera, estava entretido com a nova tecnologia instalada no sistema de monitoramento da Torre, generosamente oferecida pelas Empresas Wayne.
— J'ohn? – Em tom de pergunta, Shayera quebrou o gelo.
— Diga, Shayera. – J'ohn permanecia focado no painel.
— Estou sem o que fazer... Já cansei de vasculhar a Torre inteira.
— Posso saber à procura do que você estava?
— À procura do que fazer, oras! Estou entediada há horas!
J'ohn soltou uma risada, que o fez olhar para sua amiga.
— Shayera, Stewart está para chegar. Vá procurar algo para fazer com ele.
Shayera deu uns suspiros, se sentou numa cadeira mais próxima e apoiou seu rosto com uma das mãos. O marciano voltou a se concentrar no painel.
— J'ohn...?
— O que foi?
J'ohn conseguia ler a mente de qualquer um, entretanto, aprendeu que o seu costume marciano não era aceitável para as diversas raças que convivia, já que não era natural para os outros terem seus pensamentos expostos sem que isso fosse de sua vontade. E com essa convivência e nova condição, J'ohn J'onzz aprendeu a ler as expressões faciais. O que facilitou e muito a entender o que se passava com o outro, sem que o mesmo se sentisse invadido. Porém, o marciano sentiu dificuldade em interpretar o que se passava pelo rosto de Shayera.
Ela estava feliz e, ao mesmo tempo, parecia não estar satisfeita ou com receio de algo. Mas ele a conhecia, sabia que, se desse continuidade na conversa, Shayera fugiria pela tangente em algum momento. Por isso, J'ohn só aguardou a resposta que, aliás, já sabia.
Shayera percebeu um pouco tarde que estava sendo analisada pelo amigo marciano e se sentiu incomodada. Sabia que ele não leria sua mente sem sua permissão, mas preferiu deixar a conversa que ela mesmo iniciou para um outro momento oportuno.
— Nada...
— Stewart está no hangar – J’ohn avisou-a.
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— Anjo, vamos nos atrasar! – O homem alertou com urgência.
— Calma, Steve! Estou quase pronta. – A resposta veio do outro cômodo.
— Não podemos perder a reserva.
Steve Trevor estava orgulhoso de si mesmo, pela patente a qual foi condecorado e por ter conseguido uma reserva no restaurante mais caro da cidade para comemorar. Tudo isso, porém, não era nada comparado ao seu sucesso em persuadir a sua acompanhante de tirar um dia de folga para jantar com ele.
Trevor sabia que nada além de um jantar amigável sairia dali, apesar de suas persistentes tentativas. Mas por estar ao lado dela de novo já o deixara bastante satisfeito. Diana era uma mulher incrível, Steve Trevor só não entendia ou custava a acreditar que essa mulher quisesse ficar sozinha. É claro que o major aproveitou quando teve chance, entretanto, devido a agenda lotada da Princesa Amazona e das novas amizades heroicas criadas, o relacionamento amoroso não durou o tempo que Trevor pensou que duraria.
— Só faltava colocar meus brincos. – Diana apareceu deslumbrante, num vestido longo e escuro, que valorizava suas curvas. Seus braceletes prateados estavam reluzentes e em perfeita harmonia com seus brincos de perolas brancas compridas. Trevor se pegou de boca aberta. — O que achou?
— Você faz jus ao “maravilha”, Diana... O-ok, isso não é novidade alguma, mas, vale sempre a pena reiterar.
Diana sorriu, isso encheu o coração de Trevor. Ponderava o quanto aquela mulher era perfeita, que estava tão perto e ao mesmo tempo tão distante dele.
— Obrigada, Steve... Bom, agora podemos ir.
O ambiente do restaurante era muito agradável, mesmo que não fosse de costume dos dois e por Diana chamar a atenção de todos. Também pudera, era a Mulher Maravilha.
— Pode passar o tempo que for, ainda acho que não vou me acostumar com esses olhares em cima de você – dizia Trevor, após uma golada na taça de vinho tinto.
— Steve, eu já me acostumei. Mas não posso culpá-los. Na verdade, devo culpar você por me trazer a um lugar mais público.
— Está dizendo que eu deveria levá-la para um lugar mais... Discreto? — Sorriu maliciosamente.
— Não... Steve. – Repousou a taça à mesa.
— Não, você deveria culpar a sua mãe... Por ser tão linda e...
— Steve...
Diana sentiu que deveria cortar aquele papo, pois a qualquer momento, seria retomado o assunto do “qual foi o motivo do término do nosso namoro”, o que não a deixava à vontade. Ela só aceitou aquele jantar por acreditar que seria uma comemoração da promoção dele. Steve Trevor, por sua vez, avistou algo que lhe chamou mais atenção do que a beleza de Diana.
— Oh, titica...
— O quê!?
Diana não havia entendido de imediato que Steve se referia ao que estava acontecendo atrás dela. O major apontou para onde iniciava uma correria em direção à saída.
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Já era tarde da noite e Wally ainda estava preso na frente do computador tentando terminar o bendito trabalho da faculdade. É claro que poderia usar sua supervelocidade para finalizá-lo em segundos, porém, o problema era justamente o tema que lhe foi imposto a tratar. O título ecoava em sua cabeça, sem elucidá-lo. Foi então que, aproveitando a ocasião a qual se encontrava sozinho no recinto, resolveu ligar o seu rádio moderno e sintonizá-lo na frequência policial. Adquiriu esse mesmo método do seu falecido Tio Barry. Não precisou ansiar muito para ser tirado do quarto. Chegou a ficar animado pela ação que teria, até ouvir o codinome de quem causava na cidade.
— Bom, isso requer muito mais a minha atenção que você, TCC.
Foi emitido um sinal de socorro do novo trem-bala que saía de Keystone. Dava-se início ao um roubo, liderado por Mestre dos Espelhos. Wally ativou seu anel que servia como compartimento para sua roupa, a qual o transformara no herói mais conhecido e querido de Keystone: O velocista escarlate, Flash. E num piscar de olhos, um feixe de luz vermelha cruzava a cidade.
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