Notas iniciais
Minha primeira fic de PJO, espero que gostem!!

- Pipes! – Josh gritou.

Virei-me e o procurei com o olhar no meio de uma multidão de adolescentes usando roupas iguais saindo da escola. Mas logo ele apareceu se desviando dos outros alunos, parecendo nervoso.

- Oi, Josh! Achei que você já tinha ido embora.

- Ainda não, mas meu pai já está impaciente. É que eu... Mantenha contato nesse verão ok? Talvez a gente se encontre em Long Island se você for pra lá. Você pode me dar seu número?

- Ah, claro! – peguei um marcador roxo na minha bolsa e escrevi meu número no antebraço dele. Depois ele escreveu o número e o e-mail dele em minha mão.

- Obrigado! – ele falou. Eu nunca o vira tão nervoso. Talvez fosse por causa de seu pai – Então até mais!

- É – eu o abracei – foi bom te conhecer.

Então eu me virei para procurar o carro dos meus pais quando arfei assustada: Na calçada oposta à minha um homem alto me olhava, e de algum modo eu soube que era o treinador McRobs. Ele olhava para mim fixamente com seu enorme e único olho azul bem no meio da testa.

Não. Isso não pode estar acontecendo novamente, pensei.

- Eu não estou louca, não estou. – murmurei pra mim mesma enquanto me afastava dele o máximo possível sem parecer assustada. Olhei para trás e o treinador me seguia sem tirar o olho de mim, andando calmamente com um sorriso maldoso no rosto, mas a cada passo que ele dava, percorria o equivalente a cinco passos meus.

Comecei a correr pela calçada desviando das pessoas. Dobrei uma esquina, depois outra, mas toda vez que eu olhava para traz ele estava mais perto. Então virei em um beco e percebi que estava ferrada: era dividido por um alambrado de cerca de três metros. O treinador se aproximava, não dava temo de voltar. Minha única saída era escalar.

Corri, peguei impulso e saltei, agarrando no alambrado. Olhei para baixo e me assustei mais ainda, eu havia saltado mais de dois metros e estava quase no topo. Lá embaixo o treinador de um olho só sorria de satisfação.

- Ernesto vai ter semideusa pro jantar!

Meu primeiro pensamento foi: Hã?! E o segundo: Se afaste dessa coisa.

Quando aterrissei do outro lado, havia um garoto alto, também com um único olho, bloqueando a saída. Ele parecia assustado, assustado o suficiente para me atacar. A fração de segundo em que hesitei foi suficiente para o treinador me agarrar por trás e me suspender no ar.

- Se você se comportar, pequeno ciclope, ganha um pedacinho.

- Me põe no chão, treinador!! O que está acontecendo? Me solta! – Eu gritava enquanto a coisa me levava para um bueiro. O garoto tirou a tampa e eu fui jogada lá embaixo. Caí numa poça não sei do que – nem quero saber. Mas quando apoiei meu pé esquerdo no chão para correr, uma dor terrível começou no meu tornozelo e subiu até a coxa. Quando eu olhei para baixo meu pé estava num ângulo estranho. Antes que eu pudesse entrar em pânico o treinador caiu em pé atrás de mim, me agarrou pela perna direita e me jogou por cima do ombro como se eu fosse um saco de batatas.

Soquei as costas dele o máximo que pude, mas ele não parecia sentir. O garoto vinha bem atrás dele, bastante nervoso. Era minha única esperança.

- Me ajude, por favor! Nós podemos sair juntos dessa. Por favor! – supliquei

- Não podem não! Há! Há! Há!

***

Eu estava amarrada a uma cadeira e meu pé doía cada vez mais. A sala para qual eu fora levada cheirava pior que o esgoto e tinha ossadas estranhas espalhadas pelos cantos, peles de animais, alguns barris e uma grande fogueira crepitando a uns três metros de distância de mim.

- Há muito tempo Ernesto não tem semideuses por aqui. — A voz veio de trás de mim, mas logo a coisa entrou no meu campo de vista. Agora o treinador parecia ter quase três metros e no lugar do uniforme usava uma tanga feita de vários tipos de peles. E, pendurado no lugar em que deveria estar o apito, estava um chifre.

- O que está acontecendo? Quem é você? – Gritei, embora a pergunta mais pertinente fosse: o que é você?

- Sou um ciclope com fome. Estou preparando o jantar.

Nisso o garoto entrou na sala segurando uma grande faca. Ernesto pegou a faca e começou a estudá-la.

- Socorro!!! – gritei o mais alto que pude – Alguém me ajuda! Aqui! Socorro!

- Ninguém vai ouvir você. Estamos muito fundo. Vou começar pela perna, então.

Ele começou a se aproximar, mas na metade do caminho ele parou e urrou e eu vi a ponta de uma lâmina se projetando da barriga dele. Quando eu pensei que ele iria cair ali mesmo, ele arrancou a faca das costas e se virou. Mas seu atacante já o tinha contornado e estava na minha frente.

- Fica calma, ta?

O ciclope virou-se novamente e atacou.

- Cuidado!

Quando a faca do ciclope estava prestes a atingir o homem que me ajudava, um barril atingiu em cheio a cabeça do monstro, que caiu numa explosão de madeira e cerveja. Atrás dele, estava o jovem ciclope, atordoado. Ele se aproximou e, com um estilete, começou a cortar as cordas que me prendiam.

Enquanto isso, o homem foi até Ernesto, que já começava a recobrar a consciência e, com a faca do próprio monstro, cortou-lhe a garganta, e ele explodiu num misto de pó e poeira.

Levantei-me, já liberta das cordas, mas caí sentada novamente na cadeira, por causa da dor no pé – que estava inchado. Ofegante e assustada consegui dizer:

-O que... Foi... Isso?

E tudo ficou escuro.

Notas finais
Comentem o que acharam, povos lindos!