Filhos do Éden - O Jardim & A perdição
3 Nrç. Thomas Névoa do medo part. 1
Notas iniciais
–Que horas são?
Foi a primeira coisa que pensei depois de ouvir um barulho infernal vindo do lado de fora de minha cabana.Me levantei bem devagar,pois minha cabeça está meio estalando de tanta dor.- Calem a boca!! — gritei sem saber para quem. Deve estar acontecendo alguma festa,só pode.
A vida aqui no Jardim tem lá seus lados bons. Abandonamos nossas escolas e um pouco de nossa vida social para vim ao fim de mundo. Aqui ganhamos diplomas(não sei como são obtidos a licença aqui), a vizinhança aqui é boa.
Para ser sincero nunca pensei em vir para cá. Só quando minha mãe me explicou todas as coisas envolvendo o mundo celestial,que me vi totalmente entrelaçado com esse Jardim,com está vida.
Me dirijo ao banheiro,entro no box,e abro a água gelada.Tiro meu short,sinto um arrepio percorrendo meu corpo,sinto um vento adentrando toda a residência. Lembro de quando entrei para o Jardim.
Minha família é pertencente a tribo de Magdala. É incerto saber como nossa família conseguiu resistir durante todo esse tempo. Em umas de nossas gerações,um anjo chegou até a minha família,anunciando a boa nova à todas as tribos que proclamavam a vinda de Jesus. Nossa família foi abençoada com o dom de cura. Digamos que,não podemos ser charlatões,não podemos viver de nossos dons,e não.Não temos poderes mágicos,nem super poderes. É só um dom.Não acontece na hora,não sei explicar. Acontece.
O Jardim é repleto de jovens. Alguns anjos resolveram depois da Luta das Trevas ficar na superfície. Daí,com o tempo,adquiriram aspectos humanos. Veio a época de procriação e assim os descendentes. O Jardim foi um lugar desde os antigos escolhido como um local para o encontro com Deus. Ele muitas vezes foi se perdendo, mas o nosso instrutor, o sr. M, achou e o conseguiu organizar e aqui estamos.
Fechei o chuveiro e me direcionei a sala. O barulho do lado de fora continuava,mas eu não estava afim de sair. O quentinho da cabana,não o troco por nada.Mas o som estava me soando estranho.Como baderna.Mais além.Como luta. Uma coisa que aprendi aqui foi que...espadas são úteis.
Peguei meu 'espadinha' e segurei firme. Aquilo era herança hereditária.Botei a primeira coisa que vi como camisa e me lancei contra porta. Foi aí que vi que Deus sempre nos protege e sabe quando é ou não nossa hora. Foi meu corpo tocar contra o frio e gelado chão que minha cabana foi totalmente destruída. O som percorreu meu ouvido e me deixou meio surdo por alguns minutos.
Eu vi toda confusão. Gárgulas estavam atacando o local e não sei dizer como eles conseguiram passar pela cabana principal que é a única entrada.
Cheiro de sangue estava no ar. Alguns de meus conhecidos estavam em chão. Alguns se debatendo,outros já falecidos. O lugar estava tomado por uma névoa grossa e que me deixava quase sem visão. Me acalmei e recitei um mantra antigo para casos de não achar seu caminho...
"A vós Mestre,peço-lhe uma luz"
Um ponto azul escuro brilhante surgiu em meio a névoa.Sabia que aquilo iria me indicar um caminho seguro. Decidi ir ao encontro do ponto quando fui atacado. Uma criatura das sombras,aparência humana, mas com força das trevas,conseguiu me por no chão. Dei-lhe um chute no estômago,enquanto procurava minha espada. A criatura socou minhas costas,e eu cai no continuei no chão cheio de dor. Ele arranhou minha perna,e pegou meu pescoço com tanta força quer pensei estar morto. Uma força tomou conta de mim. Consegui me livrar daquela coisa e achar minha espada,ela serviu para perfurar o peito da criatura. Ela se contorceu e virou cinzas,e das cinzas...uma fumaça negra subiu aos céus.
Os sustos estavam só começando.
Ao notar que minha perna tinha sido machucada,também ouvir um grito. Grito feminino,de horror. Fiz o que pude para ir ao encontro daquele grito. O grito ecoava pela neblina e me fazia ficar tonto.
O que me aguardava era maior que estava imaginando.
Minha perna começou a latejar enquanto tudo girava sem parar.
Um medo sem fim me pegou,algo estava ao meu redor,mas meu lado cheio de medo me cegou e não vi o que estava na minha frente. Sorte que meu amigo estava ao meu lado.
"Esta tão cego de medo que se esqueceu de todo o estudo,não é Thomas?"
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