Filhos de Morgana
3 Samuel Dawler - Aquele-que-não-deve-ser-nomeado está voltando
Notas iniciais
Samuel Dawler
[...]
Acordei cedo, o sol ainda nem havia surgido, talvez por não ter me acostumado com o ambiente ou pela pequena movimentação que ouvi do lado de fora do quarto.
Minhas irmãs e eu fomos acômodos ontem, elas ficaram com um quartinho só pra elas, já que a senhora Weasley estava nos esperando, porém Hermione havia chegado mais cedo, o que causou uns pequenos problemas quanto as camas.
Eu fiquei no quarto com Harry e Rony, mas percebi uma atitude um pouco hostil vindo dos dois, talvez por conta dos meus olhares nada discretos pra minha castanha.
Ainda ontem os senhores Wasley's nos contaram que seus filhos gêmeos viajaram pra cuidar de uma tia-avó, mas que retornariam na madrugada, pra que pudéssemos fazer uma pequena viagem. Minha mochila já estava pronta para essa pequena viagem desde ontem à noite.
Ronald e Harry depois que acreditaram que eu já estava dormindo começaram a fazer a deles.
Só espero que a das meninas também esteja pronta, odeio esperar!
Levantei silenciosamente e escolhi um conjunto de calça e camiseta social e um casaco azul, saindo do quarto sorrateiramente em direção ao banheiro minúsculo da casa onde tomei banho, fiz minha higiene e me vesti, voltei ao quarto tendo uma surpresa.
— Harry, acordaaa! — Mandou Hermione com sua voz melodiosa.
— Hermione... Tive um pesadelo. — Harry disse com a voz grogue.
— Anda Ronald levante. — Ela mandou ameaçadora fazendo Rony se sentar cobrindo-se envergonhando de mostra seu peito pouco exposto pela regata.
— Vamos meninos, sairemos em alguns instantes.
Só quando já estava saindo do quarto foi que ela me notou na entrada do mesmo.
— Ahh... Hm.. Bom dia! — Me cumprimentou toda sem graça, não sem antes me observar de cima a baixo e ficar completamente constrangida por eu ter percebido.
— Bom dia linda. — Respondi sorrindo, a deixando ainda mais sem graça.
Ficamos nos encarando por alguns segundos, olhando de perto os olhinhos dela são ainda mais bonitos, castanhos... castanhos claros, quase verdes, havia algumas sardinhas salpicando as bochechas gordinhas e o nariz arrebitado, os lábios cheios e bem vermelhos eram-me convidativos, mas acabei de sair do meu transe quando uma voz grave e alta soou.
— Vocês podem me dá licença. — Apesar da frase se até educada, ela me pareceu grosseira, mas não me surpreende já que quem falava era o caçula dos Wasley's, já vestido, porém com o rosto engordurado.
— Toda Ronald. — Respondi colocando Hermione no canto da porta de frente pra mim delicadamente, deixando espaço pra que ele passasse, mas é claro não sem antes esbarrar em mim.
— Eu também já vou. — Declarou ela um pouco constrangida.
Nos atrapalhamos um pouco quando ela foi sair, ficando mudando de lado e sempre acabávamos na frente um do outro, o que nos arrancou uma gargalhada até que decidi deixa-la ir.
— Cuidado Dawler... muito cuidado... ela não é qualquer uma e também não está sozinha. — Harry disse em um tom hostil, como que para me intimidar.
— Fique tranquilo Potter, eu já percebi o valor da Hermione. — Respondi com firmeza.
O observei sai do quarto com sua mochila nas costas enquanto me olhava intrigado. Decidi descer também só pra descobrir que os gêmeos estavam ali, e como era de se esperar babando por minhas irmãs, o que me deixou levemente enciumado.
— Bom dia! — Fiz minha presença ser notada enquanto me abaixava pra beijar o rosto de minhas irmãs que tinham o rosto corado por estarem rindo de alguma piada dos garotos.
— Você deve ser o Samuel, eu sou o Fred.
— E eu sou George.
Os dois fizer um coro que me confundiu um pouco, mas disfarcei e apertei a mão dos dois, recebendo sorrisos calorosos.
[...]
— Aonde estamos indo pai? — Perguntou Ronald ao senhor Weasley quando havia apenas vinte minutos que estávamos caminhando.
— Surpresa meu filho, surpresa. — Ele respondeu misterioso.
Valentina me olhou inquisidora, mas eu apenas dei de ombros observando o movimento que os quadris de Hermione fazia enquanto ela andava com toda sua graça.
— Para onde está olhando Samuel? — Questionaram os gêmeos sorrindo pra mim, acompanhando meu olhar.
— Lugar nenhum garotos. — Respondi sem me abalar.
— Cuidado, Harry e Rony são muito protetores com ela.
— E nós também, muito cuidado. — Ameaçaram-me os gêmeos, só não sei quem falou o que.
Fiz um movimento positivo com a cabeça sorrindo levemente, e continuei andando sem prestar muita atenção nas outras pessoas, mas somente em Hermione, que conversa com Gina tranquilamente sobre algo que eu entendi ser uma poção que a Weasley teve dificuldade.
Já conseguia ouvir a respiração pesada de Ronald quando o senhor Arthur anunciou que havíamos chegado, estávamos perto de uma chave de portal, vi como os olhos de Hermione brilharam, acho que seria sua primeira vez viajando como chave de portal, abaixamos próximos a bota velha e a seguramos, o senhor Weasley começou uma contagem regressiva, mas Harry não estava segurando a chave.
— Segure a bota Harry! — Gritei para que ele ouvisse em meio ao nevoeiro que começava a nós encobrir.
Assustado ele me obedeceu, e logo comecei a sentir um leve desconforto, mas nada muito ruim, e nada comparado a aparatar.
— Podem soltar crianças. — Mandou Arthur.
Todos relutaram, menos eu e minhas irmãs que soltamos a chave de portal tranquilamente, enquanto eles gritavam no ar agitados.
Flutuamos até a superfície junto a Arthur recebendo olhares desconfiados dos garotos, ainda caídos, me desloquei até Hermione que continuava caída, e a ajudei a se levantar, percebi que ela estava meio tonta, o que me fez a segurar por mais tempo.
— Dê-me sua mochila, eu à levo. — Antes que ela protestasse eu a tirei de suas mãos e comecei a caminhar, sendo seguido pela castanha, minhas irmãs andavam atrás de mim, por onde andávamos chamávamos a atenção, mesmo sendo só parte Veela ainda atraiamos atenção demais.
Ouvi Ana suspirar e acabei diminuindo o passo, colocando as mochilas em uma só mão, para apoiar meu braço no pescoço dela, depositando um beijo castro em sua testa no processo.
— Você está bem ? — Questionário preocupado, vendo que Valentina também se atentou ao suspiro dela.
Éramos os mais velhos, na verdade gêmeos, mas não idênticos, e Ana era nossa caçula, por isso tanta preocupação com seu bem estar.
— Sim, só estou um pouco cansada. — Ela me respondeu apoiando o rosto em meu braço.
Eu e Valentina éramos um ano mais velhos, mais isso já era suficiente para que pudéssemos descifrar nossa menina, sabíamos que ela estava chateada por ainda não ter encontrado seu companheiro.
— Nossa barraca e aqui crianças. — Anunciou Arthur, apontando uma barraca que aparentemente era pequena, entramos sem nos surpreender-nos por ela ser maior do que aparentava.
— Obrigada. — Hermione me agradeceu tímida enquanto pegava sua mochila.
Sorri sincero pra ela, percebendo que minha presença começava a deixar de intimida-la.
[...]
Descobrimos que estávamos na copa de Quadribol, na final para ser mais exato. Infelizmente, o astro Viktor não brilhou nessa noite, dando vantagem aos Irlandeses que ganharam a partida, voltamos para a barraca eufóricos, a muito tempo que eu e minhas irmãs não nos divertíamos assim, foi bom, muito bom.
Harry, Rony e eu acabamos nos aproximando quando descobrimos que éramos amantes de Quadribol, os gêmeos por fim deixaram de flertar com Valentina e Ana, enquanto Gina tentava ficar o mais próximo possível de Harry, que a via como uma criança ainda, mesmo assim a proximidade deixou Valentina irritada, super irritada.
Enquanto voltávamos para nossa barraca, encontramos Lucius e Draco Malfoy, e ali percebemos que Ana havia encontrado seu companheiro.
— Espero que em Hogwarts vocês percebem que há algumas pessoas melhores que outras. — Draco falou olhando para minha irmã e sorrindo, ela retribuiu.
— Nossa casa está aberta pra vocês Dawler. — Lúcios nos convidou.
Claro que éramos conhecidos no mundo bruxo, ricos e famosos eram nossos pais, e perseguidos por alguns comensais fanáticos, e por alguns deles meus pais foram mortos, só não respondi a altura a Lúcios, pois Valentina segurou meu braço e só então percebi que Ana e Draco conversavam amigavelmente.
Suspirei, tentando manter um diálogo amigável com eles, mais isso durou só até Harry, Hermione e os Wasley's nos encontram, os amigáveis Malfoy's se transformaram e após uma pequena discussão se foram, deixando uma Ana um pouco angustiada.
— Você o verá em Hogwarts. — Valentina sussurrou no ouvido dela, a deixando mais alegre.
[...]
Já era noite quando entramos na tenta, Rony foi direto para a cozinha, virando motivo de piadas, passei poucos minutos sentado quando os gritos estourarão e Arthur vai lá fora e volta pálido arrumando algumas coisas e nos instruí a ir para a chave de portal o mais rápido que conseguíssemos, deixando os gêmeos responsáveis por Gina, ele foram os primeiros a saírem, seguidos por Arthur.
Saímos os seis as pressas também, lá fora só havia o caos, gritos e luzes se apagando, corremos, eu segurava a mão de Ana com força, correndo o mais rápido que podíamos, mas ao olhar para o lado após alguns minutos de corrida percebi que o trio de ouro não nos acompanhava, Valentina sentiu minha apreensão e logo a compreendeu.
Apressados corremos mais rápido, chegando a chave de portal rapidamente, encontrando os gêmeos, Gina e o senhor Arthur lá.
— Onde estão os outros ? — Ele questionou.
— Nos separamos no meio do caminho. — Ana respondeu com a voz trêmula, ela estava apavorada.
A virei para mim e a fiz olhar em meus olhos.
— Nos iremos atrás deles, mas voltaremos em meia hora, fique calma.
— Não crianças, eu vou fiquem. — Mandou Arthur já saindo pra ao meio da confusão novamente.
Esperamos alguns segundos e deixamos Ana com os gêmeos, saímos também em busca de nossos companheiros, vagamos em meio ao acampamento agora destruído, tudo estava sem mais tantas pessoas, sem os gritos, eu e Valentina tínhamos nossas varinhas em punho prontos para nós defender, da ponta de cada uma sai uma luz fraca para não chamar a atenção, meu coração batia descompassado, o medo de perder minha companheira começava a me dominar e eu sabia que o mesmo estava acontecendo com Valentina.
Ouvi a voz de Hermione ao longe. Ela chamava alguém, minha pequena ligação com ela não me deixava escutar nitidamente, silenciosamente, puxei Valentina na direção dos gritos, que aos poucos ficavam mais altos.
— Harry! Harry!
Meu coração se acalmou, mas senti a de minha irmã aumentando.
Tapei a boca de Hermione a assustando.
— Calma, assim você só vai chamar mais atenção. — Pedi a ela que se debatia assustada. Aos poucos ela foi de acalmando.
— Onde está o Harry? — Perguntou minha irmã com a voz urgente e estrangulada.
— Nos o perdemos. — Rony Sussurrou assustado.
— O que aconteceu com você ? — Questionando com a voz mais dura do que pretendia, enquanto a virava pra mim e observava os lábios cortados, a testa com um machucado e as roupas sujas.
— Eu e Harry caímos, só que eu levantei e achei que ele estava atrás, mais...
— Calma, nos vamos acha-lo. — Sussurrei para acalma à ela e a minha irmã. Após algumas respirações profundas de Hermione seguimos, todos com as varinhas apostos.
Alguém corria em nossa direção e antes que eu o atacasse Valentina suspirou alto e ali eu entendi que era Harry.
Quando ele chegou mais perto Hermione correu para seus braços, eles se abraçaram e conferiram os machucados um do outro, só pra voltarem a se abraçarem, Ronald se juntou ao abraço, deixando-nos desconfortáveis.
Até que ouvimos mais passos, agora mais altos e mais fortes.
— Abaixem. — Mandou Valentina em voz baixa, porém altiva.
Um homem olhou para os lados antes de conjurar o feitiço que assustou a todos a quase quatorze anos atrás.
Um frio subiu pela minha espinha e Valentina apertou meu braço enquanto gritos surgiam fazendo o homem correr.
Impensadamente o trio de ouro se levantou, Hermione estava pálida enquanto Harry e Ronald olhavam a marca negra se transformando no céu.
— Abaixem! — Gritou Valentina, e por reflexo nos abaixamos segundos antes de de varias maldições jorrarem em nossa direção.
— Parem! Parem! Eles estão comigo. — Ouvimos os gritos de Arthur.
— Quem conjurou isso?
— Um homem que estava ali a pouco tempo. — Hermione respondeu prontamente.
Então o grupo de homens correu na direção à qual Hermione apontou ainda nos olhando desconfiados.
No caminho para a chave de portal, Arthur nos fez contar cada detalhe do que havia ocorrido, ele estava apreensivo, assim como eu e Valentina, nos sabíamos o que aquilo significa.
Aquele-que-não-deve-ser-nomeado está voltando, e novamente reunindo seguidores... O começo do fim está próximo...
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