Filhos de Gaia – Fic Interativa
4 Capítulo 4 - Consequências da Negligência
Notas iniciais
Cidade (Zona Comercial)
Com o intruso no território, o clã não podia dar-se o luxo de caçar na floresta e mostrar os pontos usados, pois poderia assim o intruso usar os mesmos e se manter mais tempo vivo. Assim, Wallace mandou seus caçadores à cidade, e comprar comida em um supermercado e ao mesmo tempo sendo um apoio a Kaosu e Luana que estavam em caçada.
A cidade estava tumultuada na parte comercial, com boates, restaurantes, etc. como se fosse dia. O mercado tinha um número considerável de pessoas. Louise e David entraram com um carrinho de compras.
Louise Oliver, 21 anos, 1,85 de altura, cabelos morenos e bagunçados meio escondidos por um chapéu de couro marrom parecido com de um cowboy, olhos castanhos escuros. Sobretudo, colete e camiseta em marrom, com um lenço enrolado em todo o pescoço de mesma cor. Ele empurrava o carrinho, tipicamente possuindo feições serias.
David Water Roonie, 17 anos, estatura normal para sua idade, cabelos castanhos arrumados por um gel, pele clara. Usando uma jaqueta jeans, camiseta roxa básica, jeans preto e sapatos de mesma cor. Seguia logo atrás de Louise.
–- Com licença senhores. Gostariam de uma amostra grátis? – Disse a atendente, oferecendo uma bandeja com algo parecido com cereal.
–- Não. – Louise continuou em frente.
–- Vou experimentar. – David pegou um dos recipientes e foi atrás de Louise.
David não comia comida de origem humana, pois repudiava o gosto. Todos os lobos puros (nascidos com a maldição) são criados com a comida que os próprios caçam, e não conseguem sobreviver com a maioria dos alimentos humanos, podendo até ficar doentes. Apesar disso, uma vez ou outra Dave experimentava, por curiosidade.
–- Não coma isso. – Lou tomou-lhe o cereal, e largou em qualquer prateleira.
–- Por quê?
–- Vai revirar seu estômago. Se você passar mal, vomitar vai ser o menor dos seus problemas. – Avisou. E ele estava certo. O clima na matilha não estava dos melhores, Wallace estava mais irritado que o normal, e aparentemente sem nenhuma razão.
Compraram como sempre uma boa quantidade de carne, de quase todos os tipos. A fila do caixa tinha pelo menos quatro pessoas na frente. David notou uma movimentação diferente na entrada, deixou Lou na fila e foi verificar.
Não era nada de mais, só aglomeração da boate em frente. O moreno apoiou-se na parede e assim ficou esperando pelo colega. A noite estava linda, a lua brilhava, com uma garoa leve, porém Dave não conseguiu apreciar a paisagem. Ele sentiu o cheiro de outros lobos, intrusos? Talvez. Eram oito parados na volta do carro que Lou e ele tinham chegado. Os lobos intrusos já tinham notado a presença de David, estavam atentos aos seus movimentos, mas nenhum se mexeu, eles aguardavam.
O estacionamento estava escuro, podia ter mais lobisomens em volta do mercado, mas com muitos no mesmo lugar o cheiro era muito forte para sentir a presença de outros. Lou saiu com as compras em mãos e notou o problema assim como Dave.
–- São muitos.. – Disse o mais novo.
–- Ir a confronto vai nos matar. A única opção é voltar ao mercado. — Louise ajeitou as sacolas cheias de compras nas mãos e voltou para dentro, seguido por David. Os homens lobos estranharam a ação, mas agiram de modo indiferente ficando parados exatamente onde estavam.
–- Tenho uma ideia, mas você não vai gostar. O mercado é o que tá mantendo eles longe, precisamos avisar os outros, então nos transformamos e corremos de volta. — Disse David tentando acompanhar o andar apressado de seu parceiro.
–- Essa é a sua ideia?! Sabe quantas pessoas tem aqui dentro? Mesmo que poucas, vai chamar muita atenção.
–- Eu disse que não ia gostar, mas é a nossa chance de sair daqui vivos! Vamos..
Louise não concordava com o plano, pois era um risco muito grande. Caçadores poderiam vir ao território, mas ao mesmo tempo ele queria sair vivo daquela situação. Ambos foram até o banheiro. Já lá dentro eles precisavam ter certeza que estava vazio, enquanto David olhava se haviam pessoas no ambiente. Louise largou as compras no balcão da pia e voltou até a porta entreaberta , observando o movimento, contando os clientes próximos e atento a qualquer movimentação suspeita.
David já estava checando a ultima porta e deu uma rápida olhada nos mictórios que ficavam um pouco atrás das privadas individuais, vazio. Ele assentiu para Louise, que fechou a porta, não havia chave, aquela porta era um perigo iminente, mesmo assim eles teriam que seguir o plano. O mais novo, sem perder tempo já estava tirando a camisa e a jaqueta. Louise fez o mesmo.
Logo ambos estavam despidos. Mesmo que a cena fosse de certa forma "vergonhosa", lobisomens se acostumam a este tipo de situação, afinal nem todos tem recursos para comprar roupas novas o tempo inteiro.
O silêncio reinava no ambiente, eles precisavam relaxar e se concentrar para iniciar a transformação. Embora mais difícil, não era impossível, alguns tinham facilidade em conectar-se com seu lado lupino por concentração, raiva, medo, etc.
O primeiro sinal, um estalar nos ossos. Segundos depois, mais estalos dessa vez eram os ossos mudando de forma. Ambos davam pequenas arfadas, era doloroso, porém o inicio era "leve". Os olhos começavam a brilhar em seu tom tradicionalmente amarelado, os dentes cresciam e os ossos começavam a se quebrar de maneira mais violenta. As pernas fraquejaram derrubando-os no chão, pés e mãos tornarem-se patas, ombros, braços alongavam-se. Era possível ver as protuberâncias dos ossos se ajeitando saltando da pele.
Com o tempo, as pessoas que passavam próximo ao banheiro ouviam os gritos abafados, mas ninguém se atrevia a entrar. Alguns outros clientes preocupados ou simplesmente querendo ver o "circo pegar fogo" foram à administração pedir ajuda, e também reclamações de que estavam transando no banheiro.
Sendo assim, uma empacotadora foi ao banheiro masculino, já que o segurança do turno da tarde havia ido embora mais cedo e seu substituto não tinha dado as caras ainda.
–- Mas.. — A moça congelou ao ver Louise e David no chão, seus ossos movendo-se dentro da pele e os berros agonizantes, logo os gritos se distorciam para rosnidos. Os rostos se estenderam formando focinhos. — E-e-eu.. — As palavras não saiam da boca da moça, ela ficou pasma e tudo que fez foi sair, fechar a porta e gritar por ajuda dos demais colegas.
No banheiro a mudança se completava, os pelos começavam a cobrir toda a pele, como se nunca tivesse existido. Em David, sua pelagem era totalmente branca. Já Louise, era em maioria negra com mechas de tom cinza. Tudo que estava no banheiro agora, eram roupas espalhadas e dois lobos de 71 cm de altura e 1,88 de comprimento. Mesmo depois de assumirem sua forma lupina, ambos choramingavam levemente, a dor passava aos poucos.
Passos eram ouvidos ao longe, se aproximando rapidamente. Obviamente a mulher apavorada conseguiu achar ajuda.
–- Se esconda.– Louise disse ao seu parceiro. David sacudiu-se livrando seu corpo da dor restante, e seguiu o mais velho para os mictórios que era a única parte que não podia ser vista ao abrir a porta de entrada.
Não demorou muito para dois homens entrarem em disparada, não eram lobisomens, e sim empregados humanos. Eles estranharam não ter ninguém dentro, somente roupas.
–- Eu acho que era no banheiro feminino. — Disse um dos homens.
–- Tem roupas aqui, vamos dar uma olhada nas privadas.
Era a distração que precisavam, correram em disparada porta a fora, sem serem notados pelos homens lá de dentro. Do lado das prateleiras eles viram ao longe a mulher que tinha entrado antes, ignoraram e correram para fora do estabelecimento, tentando não serem vistos por mais ninguém.
–- Onde.. eles estão?– David olhou para onde o carro estava estacionado, e não tinha ninguém próximo.
–- Eles nos ouviram, mas eu ainda sinto cheiro deles.– Lou andou cautelosamente até o carro, queria ter certeza que não era uma emboscada. E ele estava certo, quando deu um passo em frente três lobos cinzentos atacaram focando-se em David que estava mais atrás.
Eles eram "pequenos", então Louise logo deduziu que eram apenas lobos rastreadores ou de algum clã que não entrava em conflito. Lou não perdeu tempo e abocanhou o pescoço do mais próximo, sufocando-o, o lobo tentou desvencilhar-se debatendo seu corpo, Louise foi rápido e prensou seus dentes no pescoço do inimigo o cortando e resultando em sua morte.
David recebia mordidas e aranhões, os cinzentos lutavam em conjunto aumentando os ferimentos, David tentava afastar o que se aproximava da sua garganta e conseguia abrindo alguns buracos na face do agressor que estava determinado a continuar investindo mesmo machucado. Louise pulou por cima do lobo que tentava rasgar o pescoço de David, ambos rolaram para o lado afastando-se. Dave livre de um deles levantou-se rapidamente e se preparou para atacar, mas o lobisomem fugiu. Deixando de lado aquele que se afastava em disparada, David correu em direção a Louise para ajudar, cravando seus dentes no pescoço do agressor e com uma virada brusca acabou quebrando-o subitamente.
Louise e David mal conseguiram tomar fôlego e cinco outros vinham correndo. No entanto, esses eram maiores, guerreiros com certeza. Lou sabia que não tinha chance de lutar contra eles, assim como David. Sem pensar duas vezes correram na direção do acampamento, sua velocidade era superior e conseguiriam manter uma distância segura.
Rodovia
Luana acordava de maneira lenta, estava deitada no banco de trás do veiculo. Tudo que fez foi ficar olhando para o teto, repassando por sua mente como foi tão descuidada a ponto de ser esfaqueada. Seu corpo pedia repouso, comida e água, um dia inteiro de caça sem intervalos era desgastante e ser ferida no processo piorava a situação.
–- Você tá bem? — Kaosu olhava-a pelo retrovisor do carro, sua expressão era seria.
–- Acho que sim.. — Respondeu ainda meio avoada.
–- Eu sabia que era uma má ideia. Você podia ter morrido! Da próxima vez faremos do meu jeito.
–- Muito obrigada pelo "eu te avisei". — Luana se ajeitou na poltrona, sentando-se. Sentiu uma leve fisgada na perna. Quando olhou para baixo notou que tinha um tipo pano amarrado em volta do ferimento. — Esse.. você que fez?
–- Não, demos uma parada no médico. — Disse em um tom sarcástico. — Você tava sangrando muito quando eu tirei a faca, falando nisso você me deve uma camisa nova.
–- Era para ter curado agora.. Cadê a faca?
–- Aqui.. — Kaos alcançou-lhe a lâmina.
Luana passou a mão por cima do sangue, limpando a faca e revelando algumas marcas na arma.
–- Isso é.. prata!
–- As pessoas compram cada coisa.. — Kaosu não entendia bem o porque do espanto de sua colega, era só uma faca para ela.
–- Essas armas são usadas por caçadores. Como aquele cara conseguiu por as mãos numa dessas?
–- Caçadores? Uou.. Wallace vai ficar puto. — O sorriso abriu na face da mais nova, criando a cena em sua mente.
Continuaram conversando sobre a tal faca. Kaosu não ligava muito, Wallace é o responsável por ensinar tudo que ela precisa saber sobre o mundo, mas não era bem o tipo que contava histórias de todos os perigos contra lobisomens, basicamente ela era leiga, claro que quem procura acha, mas Kaos não sentia falta dessas informações, alguém sempre acabava falando.
A caminhonete seguia pelas estradas pouco iluminadas, o ar descontraído foi quebrado quando bateram em alguma coisa, instintivamente Kaosu pisou no freio.
–- O que foi isso?! — Luana tinha ficado surpresa com a parada repentina.
–- Eu vi.. — Kaos passou os olhos ao longe, não havia nada de extraordinário. Ela não iria deixar passar, abriu a porta e saiu do veiculo.
–- Kaosu? — A morena não entendia o que estava acontecendo, também saiu da caminhonete, esperando uma explicação.
Ao saírem, automaticamente sentiram cheiro de sangue e outro lobisomem, que vinha das rodas da frente. Olharam de perto e realmente tinha um lobo, que estrebuchava, ele estava agonizando por conta do atropelamento. Kaos foi em direção ao lupino, e o puxou para longe das rodas.
–- O que vai fazer? — Luana assistia a ação de sua colega e frequentemente olhava em volta, não queria ser pega de surpresa.
–- Descobrir quem ele é. — Ela ignorava o fato do lobo estar em agonia, isso a favorecia já que o mesmo ficara incapacitado de atacar.
Passou a mão na pelagem, sentiu o cheiro, não era o mesmo do hotel. Não demorou muito para o lobo voltar a sua forma humana, os pelos começaram a cair e os ossos voltavam a sua aparência humana, piorando a dor da pessoa. Revelando um adolescente que não passava dos 15 anos, um filhote.
–- Eu.. conheço ele. — Kaosu disse não muito certa, mas tinha quase certeza já te-lo visto.
Antes que Luana pudesse dizer qualquer coisa, sua atenção foi roubada para os barulhos que vinham da floresta. Passos, alguém estava correndo na direção delas. Seus olhos se focaram na direção do barulho. Kaos notou a expressão séria da colega e olhou na mesma direção, mas não ouvia nada, os sentidos de Luana conseguiam captar uma distância muito maior.
–- Amigo ou inimigo? — Kaosu ficou em pé e procurava qualquer movimentação nas folhas para que pudesse se guiar, estava dependendo de um sinal dela.
Luana respirou fundo, viera o cheiro forte do lobo morto atropelado, o de Kaosu e ao longe outro cheiro familiar, ela sabia à quem pertencia.
–- É o Joshua. — Disse Luana, seu o corpo já havia relaxado. Era alguém da alcateia.
Os passos se aproximavam até de dentro do matagal sair Joshua Donovan McClurckin. Um homem com seus 20 anos, pele clara, olhos verdes claros, cabelo ruivo, barba rala e algumas tatuagens no pescoço. Usava um óculos, camisa branca, calça jeans e tênis, seu estilo básico e desleixado. Seu corpo suava, respiração estava ofegante.
–- Ahn.. Drog.. Droga.. — Ele parou perto delas e se apoiou no carro, tentando recuperar o fôlego. — Eu.. estava correndo atrás.. dele.
–- Tenho certeza que iria alcança-lo. — Kaos cruzou os braços.
–- O que você tá fazendo aqui? — Perguntou Luana. Joshua, assim como Kaosu, era um defensor, porém era raro ele ser mandado para trabalhos na cidade. Sua obrigação era proteger o acampamento, mas ele estava bem longe.
–- Wallace sumiu. — Josh recuperou-se completamente. — Eu tava de vigia, tinha alguma coisa perto de casa, então eu voltei. Wallace não tava, fui onde o Fuyuki rondava, ele sumiu também.
–- Como assim sumiu? Ninguém some assim do nada. — Kaos se sentia injuriada com aquilo, ela só queria voltar e descansar, mas parece que a noite só estava começando.
Um uivo tomou conta do ambiente. O uivo longo e agudo de Louise que se misturava com o David deixando-o mais alto podendo ser ouvido a quilômetros, o uivo pedia ajuda e ao mesmo tempo avisava sobre a invasão do território. Vinha da parte mais próxima da cidade.
Kaosu, Luana e Joshua não perderam tempo e correram para a floresta, deixando o corpo e o carro no meio da estrada. Seguir na forma humana demoraria, e dentro da mata eles assumiram sua forma animalesca.
Josh era cinzento, uma mistura de tons claros e escuros de cinza, com algumas manchas brancas no focinho e patas, seu tamanho era de 95cm de altura e 1,96m. Lu tinha as costas negras, sua face era branca e havia várias outras mechas de mesma cor pela pelagem, 68cm e 1,70m. Kaos era na maioria pelagem negra, suas patas e ponta da cauda tinha detalhes incomum de roxo, suas medidas eram iguais a do ruivo. Os três se embrenharam no meio das árvores. Luana ia na frente por ser mais rápida e consequentemente sentiria o cheiro de invasores ou dos membros da alcateia numa distância maior que os dois defensores, ela guiava Kaosu e Joshua que seguiam logo atrás.
Limites do Território
Há algumas semanas Wallace estava recebendo avisos da alcateia de Pueblo, a matilha daquela cidade era pacifica, e uma vez ou outra pedia proteção. Wallace ignorava os pedidos de ajuda, porém veio uma ameaça completa, a mensagem dada por celular foi o seguinte: "Aproveite enquanto pode..". Aquilo foi a gota para Wall, ele estava se preparando para o que aconteceria em seguida, mas não queria alarmar o resto da matilha e proibiu o uso de eletrônicos.
O intruso foi a oportunidade que Wallace teve de marcar um encontro com o outro clã, ele tinha que rebater as ameaças e manter a segurança no território. Tinha arrastado Fuyuki, seu único guerreiro, consigo, sem dar nenhuma explicação.
Fuyuki Winter já com seus 21 anos, pele branca, cabelos negros até os ombros com uma franja caída no olho direito com as pontas azuis, olhos castanhos avermelhados. Com 1,95 de altura, corpo razoavelmente musculoso, magro. Usava uma camiseta larga de manga curta branca, calça moletom preta e um tênis azul detalhado em verde e preto.
Ambos estavam parados numa rua deserta, era quase a saída de Colorado Springs, o encontro precisava acontecer em um ambiente neutro e que não alertasse os outros membros do clã de Wallace. Fuyu estava quieto, apenas contemplava o horizonte, o SUV preto com os vidros fumê chamara sua atenção, e logo ele tinha sentido o cheiro de outros lobisomens dentro do veiculo. Sua reação foi preparar-se para o confronto.
–- Não.. — Wallace não se mexeu, mas sentiu a mudança de estado de Fuyuki.
–- O que? — Fuyu não entendia o que estava acontecendo.
–- Eu disse não.
O SUV parou um pouco afastado de onde Wall e Fuyu estavam. Quatro homens desceram do carro, e para a surpresa de Wallace não era o clã de Pueblo, eram desconhecidos.
–- Wallace! — Um dos homens veio na frente, estendeu os braços e tentou abraçar o alfa que reagiu segurando em seu pescoço. Seus olhos ficaram vermelhos e deixou os caninos amostra dando um rosnado ameaçador. Os homens que seguiam o desconhecido avançaram numa tentativa de intervir, mas o estranho ergueu a mão direita fazendo-os parar.
–- Quem é você? — Rosnou Wallace. Fuyuki estava atento aos três homens, ele sabia que em algum momento as coisas fugiram do controle.
–- Se importa? — O estranho disse sério. Wallace o largou e retornou a se parecer novamente humano. — Muito obrigado. — Ele ajeitou suas roupas. — Eu me chamo Cole.
–- Você é um mensageiro? — Wallace soou debochado. — Volte pra casa filhote, mande seu papai até aqui.
–- Meu clã se chama Moon Servants. Somos de pouco reconhecimento, agradeço ao meu pai por nos transformar nisso..
–- Foda-se você e sua merda de história. Meu acordo foi encontrar Dimitry aqui. — Wall estava prestes a explodir, mesmo que o sujeito estivesse na mais pura tranquilidade.
–- Dimitry? — Cole deu um sorriso de canto. — Esse alfa não existe mais. Pueblo pertence aos Servants. Pertence a mim.
Wallace da um passo em direção a Cole. Os homens atrás continuam imoveis. Fuyuki estava focado e no minimo movimento atacaria sem pensar.
–- Então você é um intruso no meu território. — Disse Wall, seus olhos se tornaram vermelhos novamente. Ele buscava a intimidação. E a palavra "intruso" fiz com que Fuyuki também mudasse seus olhos ao amarelo. Fuyu sabia como funcionava intimidação e todo o tempo que ficou na matilha sabia quando Wallace pedia "ajuda" para afugentar um lobo.
Cole gargalhou com a ação, ele já esperava que isso acontecesse em algum momento da conversa, respirou fundo retomando sua pose.
–- Você não vai fazer eu fugir com o rabo entre as pernas, meu velho. — A expressão do moreno se tornara uma mistura de deboche e seriedade. — Eu vim fazer um novo acordo.
Wallace não era bem um jovem, afinal já tinha 40 anos, mas estava muito longe de desistir da liderança, ou se submeter a aceitar ordens de um filhote recém chegado.
–- Intrusos não tem esse direito. — Fuyuki disse sério. Wallace não interviu.
–- A questão é que eu não sou um intruso, vocês são.
–- Se você-
–- Psiu.. Minha vez de falar. — Cole cortou Wallace. — É simples, os servants são.. pequenos de certa maneira. Então vamos expandir, tomando Colorado. E os silvers estão no caminho.
–- Venha pegar. — Desafiou Wall.
–- Bom.. Você vai sair, quando Colorado Springs não tiver quem defende-lo.
Os uivos de dentro do território começavam a ser ouvidos, distantes. Os pedidos de ajuda dos caçadores e as respostas dos defensores e rastreadora. Cole não podia ter sincronizado melhor o tempo, aquilo o ajudava dramaticamente a provar seu ponto. Ele sorriu vitorioso.
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