Notas iniciais
Os Super mutantes são tipo Orcs. Ois Mirelurks são algo próximo a um carangueijo mutante. Podem chegar a dois metros de altura e cuspir acido. A rainha deles pode ter mais de sete metros de altura. Vertbird são um hibrido de Helecoptero com Avião. Semelhantes ao Osprey.

O despertador toca. Enquanto eu procurava por ele, um som de palmas ecoou do outro lado do quarto. Quando eu o desliguei, pude escutar a respiração rápida da alferes. O quarto estava na penumbra. Mas não precisa ser inteligente para saber o que ela estava fazendo.

— Você faz flexões toda manhã?

— Sim...

Eu relaxo um pouco na cama antes de ir usar o banheiro. Quando volto, a alferes estava em abdominais no escuro. Eu acendo as luzes do quarto e ela continua seus exercícios de olhos fechados.

Não digo nada.

Vou até a cozinha e começo a separar as provisões. Carne seca, pão com "pasta secreta" e água. Haviam algumas torradas para comer agora. Eu tinha que encher as garrafas de água. Com às provisões ajeitadas, comecei a preparar os equipamentos.

Procurei nas coisas do MacReady por duas coisas: Uma luneta para rifles de precisão e um colete.

Ele sempre tinha duas miras para as armas dele. Apesar de custarem o olho da cara, eu acredito que devolverei ela inteira. Achei uma que estava em ótimo estado, em uma caixinha de aço e com o suporte para fixar na arma. Robert havia me explicado como ajusta a mira. Talvez não seja difícil se colocar em pratica.

O colete também estava lá. Era uma proteção balística militar da época pré-guerra. Foi diminuído e segmentado pelo próprio Mac para caber em uma criança.

"Se um dia eu encontrar algum pirralho que mereça uma vida melhor, eu irei treinar ele ou ela para ser melhor do que eu sou".

Sinto que ele dizia em sentido de caráter, também.

Ele disse que a ideia de cortar o aço em escamas quadradas e revestir a parte de dentro com couro aumentaria a mobilidade, conforto e a resistência em troca de um pouco mais de peso. Nunca havia sido testado. Seria perfeito para Sasha.

E por falar nela...

Sasha saiu pela porta da caverna usando a parte de baixo de seu uniforme e uma camiseta regata branca, de algodão. Eu seu braço direito estava o resto de seu uniforme.

—Que horas são? — Ela diz andando até a mesa.

—Umas quatro da matina.

—O que faremos agora?

—Por enquanto, coma as torradas. Irei pegar suas coisas. – Acabo de lembrar que tem um sobretudo do Robert. Era um pouco grande, mas dava para ajustar. — Esquenta a agua para um chá, eu já volto.

Vou a passos rápidos até o armário de Robert. Haviam varias bugigangas dentro de lá. Mas seu sobretudo estava a amostra. Eu o pego e vejo se estava limpo. Verifico se há alguma coisa nos bolsos. Estava bom para uso.

Quando volto para cozinha, Sasha estava com o rifle empunhado já com a mira fixada. Ela parecia estar admirando a arma.

—Terei mesmo que usar isso?

—Sim, algum problema?

—Parece robusto...

O que será isso? Medo de matar alguém? Ela mentiu sobre usar armas?

Sua expressão não dava pistas.

—Você sabe mexer com armas pelo menos. – Digo indo até o fogão para verificar a agua.

—Sim, tivemos aula sobre todo tipo de armamento. Mas, não os improvisados.

—Relaxa, quem fez as peças garante que não vai explodir. E eu confio nela.- Eu digo colocando o sobretudo, o colete, uma pistola e a faca serrilhada em cima da mesa. — Esses serão seus equipamentos.

—Esse R.J MacReady é alto... — Ela diz analisando o sobretudo.- Pra que serve isso?

—É para ajudar na camuflagem. Da para ajustar o tamanho na cintura. Sabe como funciona?

—Sim, serve para esconder meu contorno. Até parece que vamos para a guerra. – Ela diz apanhando uma torrada.

—E vamos. Estou esperando enfrentar uns quarenta vagabundos – Digo enquanto vasculhava um dos armários.

—QUARENTA!? Não é melhor chamar um Vertbird... Ou reforços?

—Relaxa, segundo meus cálculos, eles estarão sonolentos e chapados até chegarmos lá. E eu quero testar a armadura de combate.

Retiro do armário um bornal, munição de 9mm e uma bateria para a armadura. No bornal, havia três carregadores de pistola já municiados, um rádio com fone de ouvido e dois sinalizadores.

—Você é o mais experiente aqui... -Ela diz deixando o rifle na mesa e indo até a agua para preparar o chá — Você gosta mesmo de chá, não é?

—Sim, esse tem cafeína, mantem a gente ligado.

—Mesmo fazendo ele de forma errada a vida toda...

Comemos em silencio. Ela ficava olhando para seus equipamentos. Parecia ansiosa.

Nos preparamos em aproximadamente meia hora. Verifiquei se tudo o que eu precisava estava em minha mochila. A alferes colocou seus equipamentos sem dizer nada. Ela não precisou de ajuda. Peguei minhas armas e fomos até o elevador, eu ativei o sistema de defesa, e então subimos.

—Seguinte, quando eu começar a andar lento, você me recarrega com essa bateria. – Eu entrego o núcleo para ela.

—Deixa comigo...

—O colete esta confortável?

—Muito engenhoso – Sasha diz girando o tronco para mostrar que estava livre para se mover.

—Se for usar a pistola em alguém com muita proteção, não poupe munição. Gaste tudo se preciso. Ela esta com o recuo suavizado. Você não terá problemas para atirar – Olho para ela. Ela estava abrindo e fechando os punhos – E o mais importante... – Ela olha para mim — Não joga fora os carregadores.

—Pode deixar Cavaleiro Ronnan

—Ei... -Eu seguro o ombro dela e a chacoalho. – Está nervosa?

—Sim... Eu fui treinada para isso. Mas, ver esse momento se aproximando, me assustada.

—Olha, quando eu estava prestes a matar alguém, era em uma situação de vida ou morte. E ainda usei uma faca. Acho que matar uma pessoa olhando diretamente para ela, não é uma coisa legal. Você estará usando a sniper. MacReady me falou que a primeira vez que ele matou alguém, ele se sentiu mal por que a pessoa nem viu o que o atingiu. — Eu digo entrando na armadura.

—Era para eu me sentir bem com isso? — Ela diz olhando para a arma.

—Sim e não. Você estará na mesma situação em que eu e meu amigo estivemos. De vida ou morte e a de atirador. Respire fundo, atire. Lembre desse momento por que ele fará parte de sua vida. Só não trave depois de acertar o alvo. Você pode se impressionar com o estrago que uma arma faz.

—Eu já matei nec... Digo, ghouls antes. Fazia parte do treinamento de tiro ao alvo. Mas não é a mesma coisa.

—Não, não será...

Retiro as vigas de aço da porta e saímos. Peço a alferes que feche a porta enquanto verificava o perímetro. Subi no morro mais alto próximo ao bunker. Não havia sinal de tempestade radioativa. Estava tudo na escuridão. Porém, a armadura possuía visão noturna. Ao ativar, as coisas se tornarão um preto e branco brilhante. Onde eu podia enxergar tudo bem de longe.

—Teste de rádio...

—Estou ouvindo alto e claro. – Responde a Alferes. – Podemos partir?

Eu iria responder. Mas a única coisa que saiu foi uma longa bocejada.

Metralhadora empunhada, pistola no coldre, mochila nas costas; começo a descer o morro em direção a Sasha. Ela estava usando o sobre tudo que obviamente havia ficado grande. Tivemos que dobrar as mangas da roupa para ela usar. O rifle estava em suas costas e a pistola em mãos. Quando chego próximo, ela desliga o rádio.

—Primeiro, vamos ajustar a mira do rifle – Eu digo pegando uma caixa de madeira, uma roda e duas latas no chão

—Ok.

Ando cerca de trinta passos de distância para posicionar o alvo. Coloco o pneu em cima de uma pedra, as latas em cima do pneu e a caixa atrás das latas.

Quando volto para onde Sasha estava, acendo uma lanterna que havia ao lado direito do capacete para melhorar a visibilidade dela. Ela municia o rifle, ajoelha-se e depois senta com o joelho esquerdo levantado. A Alferes abraça o rifle de forma que a arma apoie em toda a extensão de seu braço esquerdo que, por sua vez, estava apoiado em seu joelho. Algo que eu nunca tinha visto.

Com quantos anos será que ela começou a ser treinada?

Sasha dispara. Com o coice, a Alferes vai um pouco para trás. O estampido ecoou por um longo tempo. O disparo acertou a beirada direita da caixa quase dois palmos de distancia da lata. A garota ajusta a altura girando uma engrenagem na parte superior da mira duas vezes e a direção realizando um giro na engrenagem ao lado da mira. Ela abre a janela de ejeção com um pouco de dificuldade. O estojo salta da arma fazendo um barulho agradável. Sasha recarrega o rifle e se prepara para outro disparo.

O segundo projetil atinge a lata da direita fazendo-a voar. Dessa vez, Sasha não perdeu o equilíbrio. Ela fica parada analisando o disparo por um tempo. Em seguida, ajusta novamente a altura girando alguns milímetros a engrenagem e prepara outro disparo.

Novamente, a lata sai voando e a caixa se desmonta. Sasha da um suspiro e se levanta satisfeita.

—Me responde uma coisa... — Eu pergunto desligando a lanterna e olhando para ela. – Por que vocês não podem andar armados? É para a segurança dos inimigos?

—É uma regra. — Ela responde colocando a arma nas costas. – Nós só podemos andar armados após concluirmos todo nosso treinamento.

—Não faz nem um sentido... – Respondo andando pela estrada.

—Não é mais perigoso andar a noite?

—Não se você estiver usando uma Armadura de Combate. Ninguém é maluco o bastante para enfrentar alguém que está utilizando uma. — Começamos a andar pela estrada em direção a leste — Não compensa, uma vez que para matar o usuário, teria que destruir a armadura. E para isso, seria gasto muita munição.

—Entendi.

Após vários metros, viramos à esquerda e pegamos o sentido norte.

—Quem são os Minutemens? — Sasha pergunta de repente. — Digo, qual a história deles?

—Eles eram bastante respeitados e numerosos até uns quinze anos atrás. O maior feito deles foi defender Diamond City de uma horda de Super Mutantes, em 2180. Se não fosse por eles, a comunidade seria totalmente diferente do que é agora.

"Como você disse, eles eram uma espécie de força policial. Possuíam um forte, que servia de base. Mas ao mesmo tempo era um centro comercial, um hospital e tudo em volta era convidativo para se viver próximo. Com eles, a comunidade caminhava por um bom caminho. Os Minutemens não cobravam nada pelo serviço. Por mais perigoso que seja. Mesmo assim, moradores de toda a comunidade colaboravam com eles com todo tipo de suprimento que precisassem."

"O declínio deles começou quando o General deles morreu. Uma praga de Mirelurks invadiu a base deles. O General se trancou no arsenal para impedir que qualquer um se aposse do armamento pesado que existe lá. Histórias dizem que ele era um líder brilhante e um ótimo estrategista. Sem ele, os Minutemens cometeram alguns erros, perderam soldados."

"Com o tempo, eles foram sumindo. Os que restavam, não aceitavam qualquer serviço e mais pareciam catadores de lixo. A criminalidade aumentou bastante e comunidade ficou meio que por conta própria. Porém, a uns três meses a trás, um tal de Garvey e um grupo de minutemens conseguiram de alguma forma recuperar o forte. A notícia se espalhou rápido e agora estão centralizando suas forças. Várias fazendas e até alguns vilarejos se empolgaram com a notícia. Provavelmente, dentro de alguns meses, veremos eles novamente andado pelas ruas."

—Wow... Muito legal. – Ela diz visivelmente impressionada. – Mas, por que eles não vieram falar com a gente ainda?

—Por que vocês são muito opressores! — Eu digo olhando para ela.

—Oque!? — Sasha para de andar.

—Vocês chegaram num fodendo dirigível com vários vertibird, dizendo: "Não tenham medo." – Eu digo em tom de deboche. — "Nós somos a Irmandade do Aço". Às pessoas da comunidade quase nunca veem uma Armadura de Combate. Quem dirá uma aeronave. E, do dia para noite, tinha um puta dirigível na cidade, centenas de soldados com armaduras e dezenas de "pássaros de aço" voando e atirando em quase tudo que viam pelo caminho. Se a ideia era impactar, vocês conseguiram.

Sasha esboçava um sorriso constrangida e volta a andar quieta.

—Mas, relaxa. – Eu digo dando um leve empurrão em suas costas. — Vocês assustaram o instituto também.

—E como é esse instituto? — Ela pergunta ainda meio sem graça.

—Quem sabe...? — Eu do de ombros. – Eles eram lenda urbana até uns meses atrás. O único sintético que todos sabiam que era um sintético, é um detetive que mora em Diamond City.

—Um detetive sintético?

—Uhum. Ele é muito gente boa. Apesar de algumas pessoas não gostarem dele. Elas acham que o detetive é uma espécie de espião. Mas, ele jura não se lembrar de nada do instituto. Varias histórias foram criadas a partir dele.

—Como por exemplo...?

—O pessoal da comunidade começou a ficar paranoico achando que o instituto abduzia as pessoas e as trocavam por robôs iguais às originais. Isso era motivo para matar qualquer membro da família. Muitos achavam que isso era desculpa para se livrar de alguém. Até eu acreditava nisso. Mas, um dia, eu me deparei com duas pessoas trocando tiros. Elas eram idendicas. Sabe o que eu fiz? — Perguntei olhando para Sasha que balança a cabeça negativamente. — Eu matei os dois. Foi uma decisão difícil. Mas, como eu saberia quem era quem? Os dois eram idênticos, sagraram, gemeram e morreram. Foi naquele momento que todos os meus pesadelos se tornaram reais. O instituto era real. Eu fiquei muito assustado.

Sasha ficou cabisbaixa absorvendo às informações.

—Fora isso... – Eu continuo. – De uns tempos pra cá, foram vistos grupos de robôs, semelhantes ao detetive, entrando em locais com armas a lêiser e matando tudo o que há dentro.

—E não tem nada para parar eles? Além de nós, é claro.

—Existe uma organização chamada de Os Ferroviários. Mas, eles são tão misteriosos quanto o próprio Instituto. Antes, eu acreditava que só inventaram eles para ter um "herói" nas histórias de terror. Mas, agora, eu acho que são reais.

Quando menos percebemos, já havíamos chegado na fazendo do senhor Abraham. Por mais que o sol estivesse começando a surgir, já havia movimentação em sua propriedade. Aparentemente, uma pequena caravana estava descansando no local. Havia uma fogueira com panela de sopão em frente ao barracão a onde algumas pessoas estavam reunidas. Dois Brahin pastavam próximo ao bosque de arvores mortas. E de longe, a quase um quilometro, era possível ver uma grande estrutura de metal que poderia ser a metalúrgica dos Forjadores.

Conforme fomos nos aproximando e saindo do bosque, eu mantive minha lanterna piscando para anunciar nossa chegada. O pessoal da caravana se levanta, aparentemente preocupados. O casal que estava mais próximo da casa se aproxima. O homem carregava o que foi um dia um rifle de precisão. Seu cano foi cerrado ao máximo e sua coronha estava quebrada. Transformando-o em uma espécie de pistola.

—Quem vem lá? — O homem pergunta apontando sua arma para Sasha.

—Sou o Cavaleiro Ronnan da Irmandade de Aço — Digo parando entre ele e a Alferes, realizando uma batida no peitoral da armadura com o meu punho.

—Me chamo Sasha, Cadete da Irmandade de Aço — Sasha imita meu movimento, pondo-se ao meu lado, sem se intimidar com a arma apontada para ela.

—Estamos aqui a pedido dos Minutemens -

—E deis de quando vocês são aliados deles? — O homem pergunta apontando a arma para mim.

—Ezra é um amigo meu. — Flinch abaixa a arma ao ouvir o nome. — A Irmandade e os Minutemens ainda não são aliados.

—Ah sim... Ele disse que mandaria alguém...

—Então... -Eu digo retirando o capacete. — Podemos conversar?

—Não há muito o que conversar senhor Ronnan. Só quero que acabe com esses saqueadores e traga de volta a minha espada.

—Mas, enquanto ao seu filho? Ele já esta bem?

—Meu filho está morto[...] -

—Pare com isso Abraham! — A esposa do Flinch falou surgindo de trás dele. — Jake está vivo! — Abraham Flinch abaixa a cabeça e balança ela negativamente. — Perdoe esse velho. Ele só esta magoado.

—Bom dia senhora Flinch – Sasha se apreça estendendo sua mão.

—Vocês podem me chamar de Abigail. — Ela cumprimenta a alferes – Por favor, tragam Jake de volta para casa. Ele só queria ajudar. — Ao fundo, Abraham resmunga "Ele quer ajudar roubando nossa fazenda". — Ele tem a minha altura, moreno e cabelo crespo curto. Ele é um bom garoto. Não faria mal a ninguém.

—Não se preocupe Abigail. – Eu respondo. – Nós faremos tudo o que estiver em nosso alcance.

—E mate todos aqueles bastardos filhos duma[...] — Abigail vira para encarar seu marido que se cala imediatamente. — Desculpe querida...

Atravessamos a fazendo dos Flinch rumo a fábrica. Passamos por um pequeno bosque de arvores petrificada. Eu coloco de volta o capacete e Sasha fica bem ao meu lado. Faço uma pausa e peço para que ela carregasse minha mochila. Ela não estava muito pesada. Havia apenas comida, um carregador em tambor de minha metralhadora e uma bandeira. Seria melhor manter os objetos longe do fogo pesado.

—Você acredita que ele esta vivo, Alferes? — Resolvo testa-la.

Voltamos a andar. Sasha demora um pouco a responder.

—Talvez. Porém, se ele estiver vivo, pode ter se tornado um deles.

—Bom raciocínio. O que faremos então? — Ela para de andar por alguns segundos antes de retomar a caminhada de cabeça baixa. Abrindo e fechando o punho.

—Acho que... Se ele se tornou um deles, a melhor opção é dizer que ele já estava morto. Ou que não o encontramos...

—Muito bem. Então, assim será.

Fico satisfeito com sua forma de pensar e sua conclusão. Será que todos os Alferes serão assim?

Chegamos próximo a base dos forjadores. A área da fábrica era cercada de uma grade enferrujada remendada em alguns locais. Haviam estruturas de madeira, semelhantes a torres, com sentinelas escorados em cima. Fogueiras foram acesas ao longo do perímetro para ajudar a enxergarem qualquer invasor. Porém nem um dos homens que estava de guarda aparentavam preocupação com um possível ataque.

—Esta vendo aqueles dois ali em cima? – pergunto apontando para o alto da fábrica. Espero a alferes encontrá-los com a mira. – Quero eles mortos até eu chegar lá embaixo. Boa sorte.

Começo a descer a passos rápidos até minha primeira vítima que estava distraída olhando para dentro de um carro. O forjador estava do outro lado da grade e, a frente dele, havia uma estrutura de vigia sem ninguém nela. Atravesso a cerca sem dificuldade. O barulho dela caindo não chamou a atenção de ninguém. Quando eu estava a alguns metros do vagabundo, Sasha realiza o disparo. A homem saltou com o susto. Eu o segurei pela nunca esmaguei sua cabeça no teto do carro. Os outros guardas olharam para mim assustados. Eu saquei minha metralhadora e fiz ela cantar.

A rajada podia ser vista numa linha reta e brilhante. Os primeiros disparos pegaram dois que estavam desprotegidos. Os outros procuraram cobertura e começaram a atirar em mim. Graças a armadura, pareciam pequenas pedras batendo em meu corpo.

Continuei a andar e disparar a metralhadora com curtas rajadas. Por causa da força que a armadura me proporcionava, minha precisão não era afetada pelo coice da arma. Os disparos alaranjados ricocheteavam e se espatifavam em quase tudo que atingiam, dando um tom de fogos de artificio para a ocasião.

Haviam três inimigos atrás de um carro próximo de onde eu estava. Corri até o veículo e o chutei com toda a força. O carro arrastou, depois girou e caiu em cima dos três. Coquetéis molotóv começaram a ser jogados contra mim. Todos erraram. Fui até a direção do foco. Dois forjadores estavam em baixo de uma das torres, protegidos por uma chapa de aço. Quando um deles me viu correr em sua direção, sacou uma espingarda de cano serrado e tentou disparar, tarde demais. Com a velocidade e a força, meu corpo colidiu com a estrutura, fazendo-a ceder em cima de nós três. Saio dos escombros como se nada tivesse acontecido.

Chamas começaram a me cobrir, vindas de trás. Eu me viro para confronta-lo porém, não conseguia enxergar nada. Tento disparar contra o agressor sem sucesso. A armadura estava esquentando muito, quando de repente, as chamas cessaram da mesma forma que começaram.

— Estou dando cobertura, não se preocupe – Sasha diz pelo rádio.

Eu olho para o operador do lança chamas e o vejo caído no chão sem o braço. Um maluco vem gritando da direção de onde estavam os forjadores que atiraram os coquetéis. Ele segurava um machado e passou por cima dos dois cadáveres preparando um ataque. Eu seguro a arma dele com uma mão e com a outra, soco a cara dele fazendo muito sangue jorrar. Seu corpo gira, bate no capô do caminhão e cai duro no chão. Olho para a direção da onde a alferes deveria estar e não a vejo. Mesmo assim, faço um “joia” com o polegar. Vejo dois inimigos correrem em direção a uma porta aberta. Um deles cai logo a pós o disparo do rifle de Sasha. O outro nem olha para trás.

Tudo ficou em silêncio. Nem tiro, gemido ou gritos

— Você está vendo alguém aí de cima?

— Não, tudo limpo.

— Beleza, desce aqui...

Sasha vem até mim correndo, com a pistola empunhada.

— Quantos você matou? – pergunto indiferente.

— Sete.

— Wow, já matamos uns quinze ou vinte deles. Você está se sentindo bem?

— Estou sim. O que é isso na sua mão?

— Ah droga! Parece que é cérebro, dá uma olhada. – Eu estendo a mão com os pedaços escorrendo, para mais perto da Alferes. – Está até um pouco assado. — Sasha põe uma das mãos na barriga e dá uma gorfada – tudo bem, eu vou limpar. Deve estar fedendo.

Vou até um forjador morto e uso a roupa dele para limpar minha mão e minha arma. Noto que ele e alguns outros estavam utilizando mascara e capuz. Olho para o rosto do cadáver e constato que ele não era Jake.

—Teremos que verificar todos os corpos, quando terminarmos. — Sasha não respondeu. Apenas silenciosamente olhou em volta. — Fica parada.

Retiro da mochila o carregador da metralhadora e guardo o que esta vazio. Minha bateria estava acabando. Era melhor trocar o núcleo. Pedi para que a Alferes trocasse minha bateria enquanto eu ajustava a bandoleira de minha arma para colocá-la em minhas costas. Após isso, fui até os escombros da torre e apanhei a espingarda 12 do forjador que tentou atirar em mim. Verifico se está a municiada, em seguida, pego o machado do chão e sigo em direção a Alferes.

—Sasha, fique com isso. — Entrego para ela um sinalizador e uma carta. — Caso as coisas saiam do controle.

—Ok. — Ela pega a carta, olha por alguns segundos e a coloca no bolso.

—O plano agora é o seguinte: Eu entro primeiro e você espera aqui, fora do corredor. Conforme eu for avançando, você me acompanha. Entendido?

—Sim senhor.

Empunhei a calibre doze em uma mão e o machado na outra. Estava na hora de economizar minha munição.

Ao abrir a porta, fui recebido com rajadas de disparos a direita e chamas a esquerda. Dei as costas para os atiradores e disparei contra o inimigo que segurava um lança chamas. Meu disparo atingiu a arma dele que estourou e encheu o corredor com o fogo. Tive que sair correndo em direção aos atiradores que haviam parado de disparar. Assim que as chamas se dissiparam, pude ver que estava apenas a alguns passos deles. Bastou eu estender a minha mão para eu agarra-lo e puxa-lo até mim. Percebo que eu estava no segundo andar da construção e que estava em uma espécie de ponte de aço meio enferrujado. Jogo o inimigo, que eu estava segurando, no primeiro andar e parto para cima do outro que continuava a disparar contra mim com uma metralhadora de ferrolho improvisada. Eu o atinjo com um golpe na lateral esquerda de meu machado e, apesar de estar utilizando proteção de aço, o golpe o lançou contra a parede da fábrica, caindo mortalmente ferido. Pude escutar uma dezena de disparos em sequência atrás de mim. Quando me viro, havia dois forjadores. Um deles ainda estava sendo alvejado e caindo, o outro já estava morto.

A Alferes fez um bom trabalho.

Paro na beirada da "ponte" de aço e analiso o local. Cinco metros a baixo, havia varias maquinas siderúrgicas ainda em funcionamento. Pude escutar alguns forjadores correrem e gritarem para fugir por alguma saída a baixo. O forjador que eu joguei estava se contorcendo no chão logo a baixo de mim.

Olho para cima e vejo que a fábrica possui mais um andar. Às escadas estavam do outro lado da fábrica. A estrutura que me sustentava contornava toda as paredes, subia, e passava pelo meio da construção. A parte feita de aço acabava numa ponte quebrada, remendada com madeira, fazendo ligação para uma porta na parede de concreto da fábrica.

Enquanto pensava em um plano de ação, eu andava com o machado empunhado, em direção as escadas. Sasha disse ainda coisa sobre “deixou cair” quando eu percebo a estrutura de metal balançar.

— Sasha, fique lá atrás. Meu peso pode derrubar tudo isso aqui.

Subo as escadas rapidamente, dobrando um pouco cada degrau pisoteado. Quando eu cheguei a ponte, tomei distância, corri e saltei todo o trecho que foi remendo com madeira. Quando eu toquei a estrutura novamente, a ponte de aço curvou um pouco para o centro. Apreço-me em chegar na porta, que tinha um piso de concreto. Corro até ela é a arrombo com o ombro. No mesmo instante em que eu entro no novo local, uma pessoa é decapitada com uma espada e cai a alguns metros de altura até uma espécie de poço de lava.

Demorou um pouco para assimilar as coisas.

Me encontro em uma sala grande com todo o chão feito em grade de aço seguindo uns três metros a frente antes de se dividir em duas partes simétricas que iam até a parede da construção, dobravam para a extremidade da frente, subiam em uma escada e se encontravam na extremidade o posta. A baixo da grade, aço derretido ardia a menos de meio metro dos meus pés.

Em cada escada, havia dois homens fortemente equipados com armaduras feitas em aço quase que improvisados. O da direita usava uma metralhadora do mesmo modelo que a minha. O da esquerda, possuía um rifle de lêiser automático. No centro, um forjador, que deveria ser o líder, trajava uma Power Amor semelhante à minha. Ele não usava capacete e possuía um uma estranha espada flamejante. Ao lado esquerdo ele, havia uma pessoa ajoelhada e outra de pé.

—Que porra é essa!? — O lider grita apontando a espada para mim – Como você chegou aqui?

—Olha... Até que foi mais fácil do que eu pensei. – Respondo procurando sem sucesso a bandoleira de minha metralhadora.

—De você eu cuido depois. — Os dois capangas apontaram suas armas para mim. — Jake! — Ele olha para o rapaz de pé. — Se você deseja ser um forjador, agora é a hora filho. Corte a cabeça desse desgraçado e junte-se a nós.

—Não... Isso está errado. – Jake responde. – Eu nunca quis que ninguém se machucasse. Esse era o acordo.

—Deixa de ser maricas moleque! Se você quer provar que é homem, mate esse cara. – O forjador tocou a espada na nuca do homem ajoelhado que gritou ao sentir o aço incandescente em sua pele.

—Jake! — Eu grito – Ainda há tempo para voltar a trás! Seus pais me mandaram para te resgatar.

Todos exclamaram um "OQUE!?" Surpresos pelo motivo de eu estar ali.

—Muito bem... – O líder fala andando em direção a Jake – de você eu cuido depois, moleque. — O homem passa ao lado de Jake empurrando-o contra a parede.

Começo a analisar a situação. Dois homens armados com armas de médio alcance e um com uma espada bizarra. O pouco que pude ver das Power Armor's é que elas são extremamente resistentes a disparos a lêiser. Por isso, decido dar as costas para o inimigo da esquerda e enfrentar o capanga e o líder de uma só vez. Com um machado.

Assim que eu começo a andar, sou alvejado por uma rajada de lêisers que me atingem da cabeça a cintura com grande velocidade. Apesar de eu não sentir dor, cada disparo esquentava um pouco mais a armadura. O mesmo não acontecia com projeteis. A cada disparo da metralhadora, era como um chute no peito me forçando a andar para trás. O forjador da arma a lêiser aproximava-se cada vez mais. O da metralhadora, se afastava. Desse jeito, eu não iria conseguir. Até que sua arma foi descarregada.

Corro em direção a escada ignorando o inimigo às minhas costas. O líder dos forjadores me fez o favor de chutar seu capanga escada a baixo em minha direção. Bastou um golpe do machado para ele não se levantar mais. Tento retirar a arma do corpo do inimigo puxando-a e arrastando o cadáver. Quase que tarde de mais, ergo o braço esquerdo para me defender do golpe da espada em chamas do líder forjador. A lamina penetrou na armadura de meu braço, queimando-o. Em meio a dor, desfiro vários golpes em seu abdômen. Ele puxa a lamina e prepara outro golpe, porém, eu o impeço segurando seu braço. Ficamos cara a cara, um tentando fazer o outro perder o equilíbrio em meio aos degraus da escada.

De repente, o som de uma metralhadora preenche o ambiente. No começo, pensei que o outro forjador havia pego a arma de seu parceiro morto. Mas, segundos após os disparos começarem, pude ver o inimigo caído no chão e ao lado dele, Sasha estava segurando firmemente minha metralhadora em sua cintura. Ela dispara contra eu e o líder forjador. A pesar da pouca precisão, e de alguns tiros terem acertado em mim, os disparos foram o suficiente para fazer com que a escória tivesse que proteger sua cabeça com um dos braços. Distração o suficiente para que eu o chutasse em direção a grade das escadas. Assim que ele atinge o corrimão, o metal entorta um pouco. A Alferes não dá trégua e recomeça a disparar contra ele. Com mais um chute, a grade se rompe derrubando o forjador na lava da fábrica dando um fim à luta.

Deixo-me cair nas escadas, encostando na parede. Seguro meu braço queimado na tentativa de aliviar a dor. Olho para Sasha e ela estava sentada ao lado da porta, segurando o ombro direito, tentando confortar suas dores.

—Cavaleiro Ronnan, essa arma é muito pesada... — Ela diz deixando a arma deitada no chão.

—Estou surpreso em ver que você não caiu usando ela.

Jake começa a descer as escadas parando quando chega em mim. Ele estava escorrendo suor por todo o corpo.

—Acabou...? — Ele pergunta estendendo a mão para mim.

—Sim. — Eu me levanto aceitando sua ajuda. Não que eu precisasse. — Cadê o outro refém?

—Ele passou correndo por mim, antes de eu entrar atirando. – Sasha diz apontando para fora.

— Vamos sair desse lugar antes que a gente cozinhe. — Eu digo indo em direção a saída.