Filhos da noite 2 – Sozinha
14 Capítulo 13 - APOIO MORAL
— O que tem para comer? — Nora perguntou.
— Macarrão. — Respondi. Eu tinha acabado de fazer e estava sentada comendo.— Não tinha parmesão?— Não. Só cheddar. — Respondi ainda comendo.Nora se serviu e se virou, mas parou.— Como entrou aqui? — Nora perguntou e eu virei para Patch.— Vocês poderiam querer manter a porta trancada. Especialmente quando estão sozinhas em casa.— Eu esqueci de trancar a porta. — Murmurei depois levantei pegando meu prato. — Vou deixá-los a sós.— Você pode ficar. — Nora falou.— Sim, mas não quero. — Respondi antes de passar por Patch e seguir para as escadas.Já tinha terminado de comer e estava mexendo no meu notebook quando Nora entrou no quarto.— Vou sair.— Você vai onde?— Vou fazer uma coisa. Eu volto logo.— Quer a chave do Skyline?— Eu não tenho dinheiro para abastecer.— Mas eu tenho. — Respondi jogando a chave para ela.Tomei um banho e voltei ao quarto. Estar sozinha já era quase uma rotina. E eu nunca estive realmente acompanhada. Eu sabia que a maioria das pessoas gostavam de andar ao meu lado por que eu tinha dinheiro e fazia o que eu queria da minha vida.Por isso sempre considerei Nora como uma amiga por que ela me enxergava de verdade. Ela me via como uma garota normal que passava todo verão aqui. E mesmo não gostando tanto de Vee, ela também me considerava como uma garota qualquer.E era por isso que eu gostava de vir para cá. Era meu mundo particular. Eram os melhores meses da minha vida.As coisas não mudaram por aqui. Mas eu havia mudado. Eu tinha subido para o posto de órfã rica que morava com a amiga da mãe. Eu não me importava com isso. Mas às vezes tinha raiva do olhar de piedade que lançavam a mim.Os primeiros dias, na verdade os primeiros meses foram horríveis. Eles me olhavam como eu fosse uma coitada. Até mesmo Nora e Blyte. Mas contando tudo que tinha acontecido. Elas estavam no mesmo patamar que eu.Estava deitada escutando música e revendo alguns vídeos de ginástica artística quando Nora entrou no meu quarto.Ela estava chorando.— Nora? — Falei tirando os fones de ouvido e ela correu para me abraçar. — Nora o que aconteceu?— Minha mãe... Eu vou para casa da Vee. Quero que venha junto. Vamos para lá. Por favor.— O que? Tia Blyte está bem?— Ela está ótima! Marcie acabou de me dizer que ela tem um caso com o pai dela.— O que? Espera, não entendi. Sua mãe e o pai dela...— Nikki não vou aguentar olhar na cara dela. Isso faz anos.— Mas você não tem certeza. — Respondi.— Mas faz sentido. Uma vez Vee e eu vimos o carro dele. Ela traiu meu pai. Ela me traiu!— Nora. — Murmurei a abraçando forte. — Vamos para a minha casa. Viktor é uma boa pessoa. Podemos ficar lá.— Eu vou para casa da Vee. Não posso ver minha mãe.Deixei Nora chorando e desci as escadas, fiz um chá de maracujá e subi as escadas de novo. Ela fez careta no começo, mas bebeu todo. Juntamos nossos colchões no chão e nos deitamos. Deixei Nora chorar até dormir só depois consegui dormir.Acordei sendo sacudida e olhei assustada para Nora.— Vem comigo.— O que você vai fazer?— Espionar Scott.— Nora você está mexendo com fogo.— Você vai me ajudar ou não?— Ok. Vou.— Já falei com a Vee.Levantei e fui para o guarda-roupa. Vesti uma calça boyfriend, uma camiseta preta gola v de mangas compridas e meu tênis Nike.— Afinal para que tudo isso?— Hank é um Nephilim. Patch me contou no sonho, mas eu o expulsei. Ele é o anjo da guarda da Marcie, acredita?— O que? — Parei nas escadas e a encarei. — Está falando sério?— Não. — Ela segurou meu braço e me forçou a voltar a caminhar. — Ele tem que proteger Marcie para que ninguém pense em fazer com ela o que tentaram fazer comigo. Mas tem uma coisa também.— O que?— Ele quer me proteger. Tem alguém procurando o assassino do Jules. Só que eu não quero a ajuda dele. Quero descobrir se é verdade do Mão Negra. Essa é a minha prioridade.— E qual desculpa você vai usar para entrar na casa de Scott?— Já usei. Liguei para a Sra. Parnell e pedi para falar com o Scott. Disse que ele tinha um teste para uma banda. Vamos com o neon ok?— Ok. — Respondi.— Ela deve estar chegando.Saímos para a rua e logo o neon apareceu. Nós entramos no carro.— Eu acho que devemos parar em Skippy para pegarmos cachorros-quentes antes de fazermos isso. — Vee falou quando entramos no carro. — Eu não sei o que é que tem nesses cachorros-quentes, mas eles são como uma fonte instantânea de coragem. Me sinto como se pudesse fazer qualquer coisa depois de comer um cachorro quente. — Isso é porque você fica alta com todas as toxinas que estão dentro dessas coisas. — Como eu disse, acho que devemos passar no Skippy. — Eu já comi macarrão no jantar. — Massa não enche muito. — Massa enche muito. — Sim, mas não com uma saborosa mostarda. — Vee falou.— Eu topo o cachorro quente. Ainda to com fome. — Falei e Vee sorriu.
Pegamos os cachorros-quentes grelhados, uma caixa de batata fritas que elas comeriam sozinhas e 3 copos de milk-shake de morango.— Eu odeio esse tipo de alimento. — Nora falou. — Não é saudável. — Então é como a sua relação com Patch, mas isso não a impediu.— Vee pode maneirar por favor. — Pedi. — E Nora tem razão. Vou ficar so com o Milk shake mesmo. Eca. Que gordura.— Você é chata hein? — Vee resmungou.— O sujo falando do mal lavado. — Retruquei. — Estamos com um problema. — Falei quando chegamos no bairro da casa do Scott.— Estamos em céu aberto. — Nora resmungou. — Você vai ter que dirigir para fora da estrada e estacionar atrás dos arbustos.— Isso é um fosso entre mim e os arbustos? — Não é muito profundo. Confie em mim nós vamos passar. — Parece-me bem fundo. Este é um Neon de que estamos falando não um Hummer. — O Neon não pesa muito. Se ficar preso eu vou para fora e empurro. Vee colocou o carro no drive e foi para fora da estrada.— Acelera ma-mais. — Nora falou gaguejando por causa do balanço do carro.O carro inclinou para frente e correu para a vala. Os pneus da frente bateram e o carro parou.— Eu não acho que vamos fazer as pazes. — Vee falou tentando fazer o carro andar de novo. — Eu preciso tentar de um outro jeito. — Ela tentou manobrar e acelerou de novo.O carro entrincheirou e caiu para frente.— Cuidado com a pedra. — Tarde demais.O neon foi direto para um pedra meio grande, ela pisou no freio, mas o motor morreu. Nós descemos do carro.— Algo não parece certo. — Vee falou. — Já viu uma coisa dessas? — Nora bateu com a cabeça no tronco de uma arvore. — Então nós temos um plano. E agora?— Continuaremos com o plano. Vou vasculhar o quarto de Scott e você vai continuar na retaguarda. Quando eu voltar você vai chamar Rixon. — E dizer-lhe o quê? — Que vimos um veado e você desviou-se para não acertá-lo. Foi quando caiu com o Neon na vala e depois bateu numa pedra. — Eu gosto dessa história. — Vee falou. — Isso me faz soar como uma amante excitante. Rixon vai gostar disso. — Alguma pergunta?— Não, acho que entendi. Devo te ligar assim que Scott sair do condomínio. Ligar novamente se ele voltar para você cair fora de lá.— E para que eu vim mesmo? — Perguntei.— Para dar apoio moral. — Nora falou e eu enruguei o nariz.— Você vai para escalar o prédio e subir no meio de uma janela? — Vee perguntou. — Porque você ter que calçar um tênis para isso. Suas sapatilhas de balé são bonitas, mas não práticas. — Eu vou pela porta da frente. — O que você vai dizer para a mãe de Scott? — Isso não importa. Ela gosta de mim. Vai me deixar entrar. — Nora estendeu o cachorro quente para Vee. — Você quer isso? — De jeito nenhum. Você vai precisar dele. Se algo ruim acontecer apenas dê uma mordida. Dez segundos depois você vai sentir toda aquecida e feliz por dentro. Nora saiu correndo e nós ficamos escondidas. Logo Scott passou de carro por nós.— A águia voou do ninho. — Vee avisou.— Eu sei. — Nora respondeu no viva voz. — Fiquem onde estão. Eu vou pra dentro. — Ela desligou.— Isso é loucura. — Murmurei.Alguns minutos depois Nora ligou de novo.— Com que a maconha se parece? — Nora perguntou.— Cinco folhas. — Vee respondeu.— Scott está cultivando um pé de maconha aqui. Sob a sua cama. — Você está surpresa?— É, isso não é novidade. — Murmurei.— Eu ligo de volta se eu encontrar outra coisa.O celular da Vee tocou e ela me encarou.— É o Scott.— Atende. — Falei.— Oi. — Ela falou. — As indicações do armazém?...— Eu sou a namorada. Não sei onde vai ser as audições....— Eu não sei também. — Ele desligou e eu apertei meu nariz.— Avisa a Nora que ele está voltando. — Falei.Ela tentou ligar, mas Nora não atendia nunca.— Inferno! — Falei quando o carro passou por nós.— Vee. — Nora falou.— Sai daí! Scott ligou novamente e pediu indicações para o armazém, mas eu não sabia que você disse a ele armazém. Eu meio que fiquei parada e disse que eu era apenas a namorada, e eu não sabia onde a banda realizou suas audições. Ele pediu o armazém que eles ensaiavam e eu disse que não sabia tampouco. A boa notícia é ele desligou então não preciso mentir mais. A má notícia é que ele está a caminho de casa. Agora. — Quanto tempo eu tenho? — Como ele já voou por aqui a cerca de uma centena de quilómetros por hora, eu acho que tem um minuto. Ou menos. — Vee! — Não me culpe você é que não estava respondendo suas chamadas! — Persiga-o e ganhe tempo. Preciso de mais dois minutos. — Persegui-lo? Como? O Neon tem seu próprio plano.— Com seus próprios pés!— Você quer dizer exercício? Eu me larguei correndo atrás do carro.
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