Filhos da noite 2 – Sozinha

6 Capítulo 5 - ANDANDO COM NEPHILINS


Não consegui me concentrar na música. Não consegui tocar.

— Tudo bem? — Simas perguntou.

— Tudo. — Respondi.

— Não. Algo aconteceu. Você toca com paixão. Não estou vendo isso agora. Você está travada e errando muito. O que aconteceu?

— É melhor deixar isso quieto.

— Nikki quero que saiba que independente do que acontece na sua vida pessoal, você tem que deixar de fora ou colocar a raiva no violoncelo. Você precisa lidar com isso. Vai precisar sempre ou nunca vai conseguir alcançar a carreira que você quer.

— Vamos tentar de novo. — Falei e ele sorriu.

De fato eu descontei minha raiva e frustração no violoncelo e toquei muito bem.

— Isso. Parabéns! — Falou sorrindo. — Você tem um talento raro, Crawford. Precisa usá-lo. Mostrar isso ao mundo.

— Não sei se estou preparada para mostrar isso ao mundo.

— Você está pronta. Parabéns.

— Ok. Agora posso ter uma folga por hoje?

— Ok. — Resmungou, mas riu. — Nos vemos amanhã.

— Até. — Falei antes de pegar as minhas coisas e sair dali.

Assim que entrei no Skyline fiquei olhando para o volante. Só uma coisa iria me distrair. Dirigi até em casa e corri para o meu quarto. Me abaixei perto da cama e puxei meu skate que estava embaixo dela.

Assim que voltei para o carro dirigi até a pista de skate que havia no litoral. Andei de skate por horas fazendo manobras que eu quase tinha esquecido. A chuva começou e eu me sentei lá.

O que eu tinha feito para merecer tudo aquilo?

— Crawford? — Lancei um olhar para um garoto.

Eu mal conseguia vê-lo por causa da chuva. Mas conhecia aquela voz.

— O que está fazendo aqui? — Ele se aproximou mais.

Focalizei a visão nele e finalmente o vi.

— Tyler? — Perguntei e ele sorriu.

— Achei que não fosse me reconhecer.

Tyler era um garoto magricela que trabalhava na fazenda do papai e era o melhor amigo de Nico. Ele havia mudado. E mudado muito. Tinha criado alguns músculos. Os olhos verdes brilhavam me encarando. E o cabelo estava grande quase alcançando os ombros.

— O que está fazendo aqui? — Ele repetiu a pergunta.

— Depende. — Respondi. — Aqui nos EUA ou aqui na pista?

— Os dois.

— Eu moro aqui. — Respondi. — Eu moro com a tia Blyte agora.

Ele ficou calado me encarando então mordeu o lábio.

— Sinto muito. Quando fiquei sabendo eu não acreditei.

— Sei como é. — Murmurei.

— O que está fazendo aqui embaixo dessa chuva?

— Tentando pegar uma gripe. — Debochei e ele sorriu. — Tenho que ir. Foi bom encontra-lo.

— Realmente. — Sorriu. — Espero te encontrar de novo.

Me afastei e segui para o Skyline. Tyler era meu namoradinho da infância, devo admitir que quando éramos crianças eu tinha essa vontade. Mas ele cresceu e ficou magricela e eu cresci e já tive outros gostos, foi ai que ele tentou me beijar. Eu tinha uns 13 anos.

Até hoje tenho vergonha por tê-lo rejeitado. Mas apesar de tudo,, nos tornamos bons amigos. Fazia uns bons 2 ou 3 anos que não nos víamos. E era estranho reencontra-lo agora. Principalmente nessa situação.

Ele e Nico eram inseparáveis. Do mesmo jeito que Nora e eu. O Viktor, o pai de Tyler perdeu tudo no jogo e a mulher foi embora deixando ele bem pequeno com o pai falido. Meu pai o acolheu na fazenda. Seu pai trabalhava para o meu pai. Eu encontrei Viktor quando fui até a fazenda já que ele mora lá até hoje. Mas nunca perguntei por Tyler.

O que era uma grande burrice da minha parte. Ele não tinha mais ninguém além do pai. Onde ele estaria?

Voltei para casa encharcada, entrei e encontrei Nora sozinha.

— E a Vee? — Perguntei.

— Está com o Rixon. — Ela resmungou. — Diz que vem antes da meia noite para cá. Onde você estava?

— Andando de skate.

— A essa hora?

— Eu precisava me distrair.

— O que aconteceu?

— Nada de importante. É só os céus me castigando por nada. — Resmunguei. — E a luz?

— Acabou. — Ela resmungou segurando um castiçal com velas.

Ela ficou em silêncio enquanto se aproximava da janela.

— O que aconteceu?

— Achei que vi algo lá fora. Está escutando alguma coisa?

— Não. O que está acontecendo, Nora?

— Vi meu pai hoje.

— O que?

— Olha parece loucura, mas eu o vi. Mas ele sumiu.

— Para e conta tudo desde o começo que eu não estou entendendo nada.

— Segui Scott até a Costa e enquanto observava ele vi meu pai em uma loja. Entrei, mas ele sumiu. Era o meu pai, Nikki. Eu vi. Tenho certeza que era ele.

— Mas Nora...

— Eu sei. Ele está morto. — Ela resmungou.

O telefone da cozinha tocou.

— Alô?

Nada.

— Alô?

Nada de novo.

— Vee? Mãe?

Nora colocou o telefone no gancho depois pegou seu celular.

— Você já foi para Spring vale? — Nora tinha ligado para o Scott.

Franzi a testa a encarando.

— Andar comigo não é tão ruim afinal?

— Se você vai se vangloriar eu não vou.

— Calma Grey só estou brincando com você.

— Você vai me buscar ou o quê? Bem?

— Eu passo aí depois das sete.

— Tem importância de uma amiga ir junto?

— Amiga?

— A Nikki. — Fiz sinal de "não" para ela.

— Sem problema. — Ele respondeu e eu arregalei os olhos.

— Você só pode estar brincando. — Falei depois que Scott tinha desligado. — Eu vou te matar Nora.

— Por favor, faz isso por mim.

— Mas eu não quero. — Murmurei.

— Por favor.

— Você quer que o Patch apareça como um anjo da guarda para te proteger. Eu não vou participar disso.

— Vai só por diversão. — Ela pediu e eu mordi o lábio.

— Ok. Mas você vai ficar me devendo essa. — Resmunguei e ela sorriu.

Spring vale era uma pequena cidade pesqueira.

— Vou subir para trocar essa roupa. — Resmunguei.

Vesti uma camiseta gola v lilás, um canguru cinza claro, minha calça jeans com a boca mais larga e calcei minha bota de caubói.

Assim que Scott chegou com seu mustangue eu avisei que o seguiria no Skyline e ele não se importou com isso. Nora foi com ele e eu dirigi os seguindo. Estacionamos na SINUCA Z.

Scott saiu do carro e se afastou. Liguei para Nora.

— Onde ele foi?

— Procurar um caixa eletrônico.

— Começamos bem a noite. — Murmurei.

Nora e eu descemos do carro e ficamos embaixo da projeção da construção.

Nora estava observando Scott se afastar e eu a encarei.

— Nem pense em segui-lo. — Falei.

— Eu não estava... — Ela revirou os olhos quando me encarou sabendo que eu estava lendo a mente dela. — Vamos entrar.

— Ok. — Resmunguei.

Nós entramos no Z. Era quase igual ao Fliperama do Bo o lugar. Tinha o mesmo cheiro de suor e fumaça de cigarro. Não havia janelas então o plano de Nora espiar Scott pela janela tinha dançado.

Caminhamos pelo local até a parte de trás. Nora foi até a porta traseira e sumiu quando me preparei para ir atrás dela alguém agarrou meu pulso e me virou. Era Ben.

Do lado de fora era Patch que estava com Nora. Respirei mais aliviada.

— O que está fazendo aqui? — Ben perguntou.

— Estou...

— Ela está comigo. — Virei na direção da voz e me surpreendi por ser Tyler. — Algum problema?

Ben ficou segurando meu pulso e vi ódio estampado nos seus olhos além disso também vi nojo.

Por que ele teria nojo de Tyler?

— Vamos para casa. — Ben falou para mim.

— Não. — Respondi.

— Acredite em mim você não quer estar aqui. — Ele suavizou a voz.

Lancei um olhar ao Tyler e empurrei Ben para o lado para conversarmos mais a sós.

— Qual o problema?

— De onde você o conhece?

— O pai de Tyler cuida da fazenda do papai. Eu o conheço desde criança. Por quê?

— Vamos para casa. Esse lugar não é para você. Eu te vi chegando com Nora. Não mente para mim.

— Eu vim com Nora e Scott ok?

— Scott? Ele é um Nephilim vocês tem noção disso? A primeira geração pura.

— Nós já desconfiávamos.

— E mesmo assim quiseram andar com ele? O que vocês tem na cabeça?

— Nora me pediu para vir junto.

Ele estalou a língua.

— E como sempre você não pensa nas consequências. — Ele resmungou. — Olha. As coisas estão começando a se complicar. Tem uma sociedade de Nephilim que querem se libertar dos Anjos Caídos durante o Cheshvan. Estão recrutando membros para lutar contra os anjos caídos. Há uma guerra territorial acontecendo e se caso eles ficarem mais fortes os Anjos Caídos vão recuar e fazer de humanos seus vassalos.

— Por que eles já não fazem isso? — Perguntei curiosa.

— Não são fortes, nem resistentes quantos os Nephilim. Uma possessão durante duas semanas os matara. Nikki presta atenção. 10 mil humanos morreram em todo Cheshvan.

— Me desculpe, Ben. Mas acho que qualquer pessoa tem que ter seu direito de escolha sendo ela humana ou Nephilim. Não tiro o direito deles de quererem lutar. — Ele estalou a língua.

— Acredite, esse lugar é barra pesada. Vá para casa. Metade desses caras aqui estão armados. Por favor, não faça eu te carregar a força.

— Ok. — Respondi seguindo para a porta com ele ao meu lado como um escudo.

Antes de sair ainda olhei para tras e vi Tyler erguendo as sobrancelhas.

Desvirei e sai daquele lugar. Ben foi rápido em puxar a chave do bolso do meu moletom e seguir para o Skyline.

Notas finais
N.B.: Esse capítulo me deu um ranço ainda maior do Ben, porra Ben, eu pensei que ia gostar de você. E você fica fazendo isso comigo. Bjs, bjs. Fhany Malfoy N.A.: Ben ainda vai te fazer ter muito ranço dele kkkkkkk Espera que tem muita agua para rolar ainda. Bjs. CM Winchester