Filhos da noite 2 – Sozinha

12 Capítulo 11 - NÃO POSSO FAZER ISSO


Ele me puxou para a pista de dança improvisada e começamos a dançar no ritmo da música. Ele mantinha seu corpo próximo de mim, mas não me tocava.

— Achei que esse fosse o último lugar que você viria.

— Digo o mesmo a você. Ou o que? Patch está se cansando e vai ser você o próximo a pegar Marcie?

— Patch não está "pegando" Marcie.

— Transando, namorando, ficando... Tem tantas alternativas.

— Nenhuma delas válida. — Ele respondeu se aproximando. — Ele está trabalhando.

— Trabalhando?

— Podemos falar de nós? — Ele se aproximou mais colando nossos corpos.

— Existe um "nós"?

— O que você queria aquele dia?

— O que ela estava fazendo lá?

— Ela já foi embora.

Fiquei em silencio só seguindo o ritmo da música.

— Vai me responder?

— Não te devo respostas. — Inclinei a cabeça para trás para poder encara-lo nos olhos.

— Você foi até lá. Devia ser grave. Pode me contar.

— Não hoje. Não aqui. Talvez um dia.

— Nikki...

— Ben. — Coloquei minhas mãos no seu peito e o empurrei para trás nos afastando. — Da um tempo.

— O tempo que for, mas se você precisar de ajuda. Estou aqui.

— Está mesmo?

"Você sabe que eu sempre estarei aqui por você, Anjo. Você é a única coisa nesse mundo que me prende a terra. É a unica coisa que eu amo mais que tudo!"

— Mas e os Arcanjos?

"Eles virão. Uma hora ou outra eles virão atrás de mim. Estou pecando de novo. Mas eu tenho esperança que meu castigo não seja tão severo. Eles sabem que a única coisa que pode me machucar é você. Sempre foi você"

— Nikki? — Vee veio correndo na minha direção.

— O que aconteceu?

— Você é boa com animais não é?

— Sou. Por quê?

— Então vem. — Ela agarrou meu braço e começou a me puxar.

Mas parou ao ver Marcie subindo as escadas.

— Oh merda! — Ela saiu correndo atrás de Marcie.

— O que está acontecendo? — Ben perguntou.

— Acho que está na hora de ir embora. — Murmurei.

— Vamos beber algo. — Ele falou segurando minha mão.

— As meninas precisam da minha ajuda.

— E eu preciso de você. — Ele puxou minha mão e eu bati no seu peito.

Seus lábios vieram para os meus e eu me derreti. Sua mão segurou minha nuca enquanto seu outro braço puxava meu corpo para si. Ele me ergueu do chão enquanto nos beijávamos.

Ben terminou o beijo com uma mordida em meu lábio e me colocou no chão de novo.

— Vamos sair daqui. — Ele sussurrou no meu ouvido dando um leve beijo na minha orelha.

Assenti.

Assim que sai na rua encontrei Patch parado com o boné na cabeça.

— O que aconteceu?

— Nora foi embora. — Ele murmurou lançando um olhar em volta.

— Eles estão aqui não é? — Perguntei.

— Sim. — Eles responderam juntos olhando na mesma direção.

Larguei a mão de Ben e ele me encarou.

— Não posso fazer isso. — Respondi antes de seguir para o Skyline.

Parei o Skyline ao lado de Nora que estava caminhando. Ela estava chorando.

Nora entrou no carro e eu acelerei seguindo de volta para a casa da fazenda deixei Nora no seu quarto e fui para o meu quarto. Vesti uma calça jeans e uma camiseta gola v preta de mangas compridas. Calcei minha bota de cowboy e peguei um moletom preto. Desci as escadas correndo e dirigi o Skyline até a minha fazenda.

Viktor me viu chegar, mas não saiu na rua para saber o que eu queria até por que segui direto para o enorme galpão onde estavam o cavalos. Peguei minha égua de pelagem negra e a montei antes de sair cavalgando em direção ao campo da fazenda.

Eu tinha comigo uma lanterna no bolso, mas a noite estava clara.

Eu perdi a noção do tempo, só cavalguei o máximo que Darkness conseguiu. Ela era muito veloz. Quando voltei a fazenda encontrei com Tyler no galpão me esperando.

— E o filho a casa torna? — Debochei e ele sorriu.

— Ele avisou que você esteve por aqui. Então resolvi o visitar. Ele disse que você tinha saído a essa hora. Eu iria atrás, mas achei que se você estava fazendo algo extremo assim era por que precisava ficar sozinha.

— Pensou bem. — Saltei com agilidade de Darkness e ele a levou para beber água.

— Quer conversar?

— Não é nada demais. — Respondi.

— Isso é tudo menos "nada demais". — Ele fez aspas com os dedos.

— Só é complicado, Tyler. — Peguei o celular e olhei a hora. — Já é quase meia noite. Preciso voltar.

— Se quiser me ligar qualquer dia para conversamos ou sairmos. — Ele me entregou um papel. — Somos amigos, Nikki. Não precisa fugir de mim.

— Eu não fujo de você.

— E aquele dia na batalha de bandas?

— Eu bati em Marcie e me colocaram para fora.

— Você bateu nela?

— Não é a primeira vez. — Ele riu. — A gente se vê por ai, Tyler.

— Com certeza. — Ele falou sorrindo e eu segui para o Skyline. — Tem uma festa na praia no Delphic amanhã. O que me diz?

— Ok. — Ele sorriu mais.

— Te pego as 9.

— Ok. — Respondi antes de entrar no carro.

Nora tinha conseguido um trabalho, o que era ótimo. E eu tinha que seguir em frente de algum jeito.

Vesti um vestido azul claro com mangas curtas e botões na frente, decote fechado e um pouco mais longo atrás, coloquei um cinto branco na cintura e calcei um sapato Oxford nude.

Tyler e eu nos sentamos na areia perto da fogueira. Ele pegou bebidas para nós.

— Não vai querer se misturar né?

— Nem um pouco. — Respondi e ele riu.

— Você não mudou nada.

— Na verdade eu mudei muito, Tyler.

Eu peguei a garrafa e bebi um pouco depois arregalei os olhos.

— Isso é vinho. — Ele sorriu.

— Sim. Ainda lembro das vezes que nós roubávamos do deque do seu pai e íamos tomar escondido no galpão.

— Se ele quisesse nos pegar era fácil. Ele não queria.

— Como você sabe?

— Papai sabia cada garrafa que tinha no deque. Quantas tinhas. E tudo mais.

— Essa é nova para mim. Achei que ele não sabia.

— Ele sabia, só não queria atrapalhar nossa diversão de adolescente. — Bebi mais um gole do vinho e entreguei a garrafa a ele.

Começou a chover e nós começamos a rir.

— Pessoal, o meu apartamento! — Scott gritou de algum lugar da multidão. — Estrada Deacon 72, apartamento trinta e dois. As portas estão destrancadas. Bastante cerveja na geladeira. Ah e eu mencionei que a minha mãe está no Bunco a noite toda?

Todos comemoraram.

Tyler e eu continuamos na chuva terminando de tomar nossa garrafa de vinho antes de levantar e seguir para o carro.

— Quer ir para casa do Scott?

— Pode ser. — Dei de ombros.

A casa estava lotada quando entramos.

No meio da multidão eu sabia que tinha uma briga rolando no quarto de Scott. Avancei entre as pessoas com Tyler junto de mim.

Tyler deu um chute na porta que abriu e eu entrei, mas Patch já estava saindo.

Scott se arrastou até sentar no chão.

— Vou deixar vocês a sós. — Fechei a porta e deixei Tyler no corredor.

Me apressei para encontrar com Patch.

— O que você quer afinal?

"Eu quero ela!"

— Bom então lute por isso. Mas não desse jeito. Sendo cachorrinho da Marcie. Você sabe o ódio mortal de ambas, por que fazer isso? Por que machucar tanto assim ela?

"Eu não escolhi isso. Preciso fazer um trabalho que envolve Marcie!"

— Então abre a boca e conte a verdade a ela. Ou você vai perde-la.

"Eu já a perdi!"

— Não. Você sabe que não. Mas você tem que fazer algo ou então a deixe. Suma da vida dela! Deixe ela ser feliz!

— Isso é um conselho? Ou o que?

— Leve como quiser.

— Bom, então escute o meu. Aquele garoto lá ele não é boa companhia.

— Já andei com gente pior.

— Não tão pior quanto Nephilins.

— Tyler não é um Nephilim. E outra coisa, isso é só o seu preconceito falando mais alto. Vocês dependem deles.

— Por isso não valem de nada para nós.

— Eu imaginei. São só gado para abate. — Ele assentiu e eu me afastei.

Encontrei com Tyler ainda no corredor.

— Tudo bem?

— Tudo. — Apertei meu nariz. — O que saiu era o ex da Nora e Scott...

— Eu conheço o Scott. — Ele falou e eu o encarei. — Ele estudou comigo alguns anos.

— Ah. Sim. — Falei. — Podemos voltar para a praia?

Ele riu.

Fomos para o carro e ele dirigiu até a minha casa. Eu abri a porta e nós entramos.

— Você está sozinha?

— Por enquanto, sim. E na verdade eu estou com você.

Fomos para a cozinha e fiz uma comida para nós.

— Eu não sabia que você sabia cozinhar.

Fiquei em silêncio por que tinha sido Ben que havia me ensinado.

— Quando se perde tudo, tem que aprender a se virar.

— Você não perdeu tudo. — Ele falou ficando na minha frente. — Você tem a Nora. E tem a mim. Eu fiquei muito feliz de ter reencontrado você, Nikki. Você sabia dos meus sentimentos por você. Sabe que eles não mudaram não é?

— Tyler... Olha, muita coisa aconteceu. Eu tive um relacionamento abusivo. Depois tive um relacionamento perfeito, mas não podemos ficar juntos. As coisas estão complicadas. Você não me quer pela metade.

— Na verdade eu quero. — Ele se inclinou e beijou meus lábios.

Eu recuei.

— Tyler, eu sinto muito. Somos só amigos.

— Ok. — Ele murmurou.

Fiquei o encarando e tive um pequeno arrependimento. Ele poderia fazer eu esquecer Ben.

Mas não era justo com ele. Não poderia brincar com os sentimentos de ninguém. Principalmente uma pessoa tão boa quanto ele era.

Não importava o que Ben e Patch falassem, eu sabia e sentia em cada célula do meu corpo que Tyler era uma boa pessoa.