Filhos da Noite

13 Capitulo 13 - Elos de Correntes


[Residência dos Belmont – Alexander]

— Você estava pensando em que? Eu só fiz um pedido, só passei uma regra pra você e você conseguiu não só quebrar a regra, você fingiu que não me ouviu e fez de lá um parque de diversões! – Finalmente era o momento de disparar todas as palavras que Archie precisava urgentemente ouvir. — Entrar num combate sozinho, sem equipamento e despreparado, quase morrer, tirar nossa família do anonimato pra sabe-se lá quantas sociedades vampíricas na Europa, e no processo quebrar a confiança que eu tinha em você. – Tudo que ele não ouviu no caminho de volta, agora as claras. Ele só ficou ali, sentado no sofá, a cabeça baixa e o silencio. – Não vai dizer nada? Pra fazer merda foi com tudo e agora pra me dizer apenas o motivo dessa idiotice fica mudo! Por que Archie? Por que se arriscar a morrer dessa forma?

— Eu queria mostrar que estava pronto! – Ele disse sem levantar a cabeça.

— Só mostrou que não está! – Respondi. – Não tem planejamento, não teve o culhão pra pedir ajuda ou analisar tudo que poderia acontecer... Ser caçador não é colocar a vida em risco como se ela não tivesse importância.

— Eu não tenho medo de vampiros. – Ele me olhou nessa hora. – Eu combati e fui pego de surpresa, se tivesse mais equipamentos eu teria vencido! Eu tenho coragem pra enfrentar quantos forem...

— Mesmo que você tivesse o meu traje e meu equipamento, você não teria vencido. – Interrompi. – Coragem não é ausência de medo seu tapado! Eu tenho mais que o dobro do seu treinamento e ainda sim eu tenho medo, porque há muito mais em jogo que só a sua vida quando se é um caçador Archie. – Eu dei as costas a ele. – Você foi egoísta, estava tão focado no seu ego e no seu objetivo que não pensou que se eles se irritassem, seria fácil eliminar todos os humanos naquele prédio e toda essa culpa iria ficar contigo Archie, acha que conseguiria viver com isso na consciência? – Ele continuou em silencio. — Está de castigo permanentemente até segunda ordem, não vai nem chegar perto do equipamento de combate entendeu! – Dei uma pausa, não era justo tirar tudo dele, mas, ele não estaria perto da ação tão cedo. — Você vai dominar a teoria, filosofia, história, conceitos... Tudo que o oficio engloba e que não está relacionado a caça. Eu vou pedir pro Padre Lucas vir algumas vezes por semana, vai te fazer bem focar nos outros pontos do nosso oficio familiar.

— Alexander! – Ele reclamou ficando em pé.

— Você perdeu o direito de treinar o combate quando tomou aquela decisão. – Respondi. – Se quer ser tratado como adulto, tem que entender que suas ações tem consequências e quem vai arcar com elas é você!

— Eu não queria que fosse daquele jeito. Por favor...

— Nenhum de nós queria muitas coisas..., mas, elas acontecem mesmo assim e precisamos seguir em frente da maneira que for possível. – Foi minha última frase antes de sair.

[Adrienne – Local desconhecido]

Eu seguia com meu interrogatório para Katrina. Depois de voltarmos e garantirmos que Archie estava bem e em plenas condições de uma bronca, eu pedi para ela me encontrar, precisávamos de mais informações agora que havíamos sido comprometidos.

— Pela quarta vez Adrienne. – Defendeu-se. – Eu não tenho nenhum vampiro trabalhando em um hotel na Romenia, por incrível que pareça, ser rainha não me faz conhecer todos os vampiros ainda existentes e saiba que se fosse possível eu não teria vampiros em cada lugar do mundo respondendo a mim. – Ela se sentou. – Eu prezo meu anonimato.

— É difícil acreditar na Rainha de uma espécie inteira nessa hora. – Respondi. – Eles ameaçaram meu irmão... Eu não vou esquecer do meu próprio desespero vendo aquilo tão cedo. Talvez Alexander e os outros estejam certos e a sua espécie não tem lugar nesse mundo... – Eu sabia que era cruel, contudo, as palavras já estavam ditas.

— Isso é preconceito sabia. – Ironizou ela. – Eu vou culpar o seu momento de ansiedade e pressão, então tudo bem. – Ela ponderou por um momento. — Eu darei um jeito nas coisas, pelo menos nessa cidade posso garantir que ninguém vai incomodar se eu der a ordem. Mas, saiba que não há muitos vampiros aqui, a maioria virá de fora e nesse caso será como um alerta para eles, eles podem me desobedecer caso achem que vale a recompensa da caça. – Explicou. – Talvez vocês precisem considerar se manter muito, muito fora do radar nesse momento. – Provavelmente foi com essa calma e frieza que ela se manteve anônima e rainha em todos esses anos.

—Eu agradeço. – Pelo por hora eu poderia ser grata. – Agora, mais uma dúvida. O vampiro que prendeu meu irmão... Ele mencionou uma tal de Lady Lilian para o Archie. – Lembrei. – Não tenho registros com os caçadores sobre nenhuma “Lady Lilian” – Enfatizei o nome com o sinal de aspas com os dedos. — Sabe me dizer quem é ela? Onde atua? Poderes? Alguma coisa útil. Nada tira da minha cabeça que foi ela a vampira que chegou antes de partirmos.

— Tem certeza que ele disse isso? – Ela ficou apreensiva. – E vocês simplesmente foram embora? Como garante que não foram seguidos ou quem sabe marcados?

— Magias vampíricas não funcionam conosco e eu tenho certeza que não fomos seguidos usamos mais de um Uber, usamos o trem e nos misturamos as multidões pra que nosso odor também fosse mascarado quando retornássemos. Acho que já teríamos enfrentado alguém a essa altura. – Respondi. – Agora... Pra você ficar tão apreensiva, deve significar que ela é perigosa.

— Vocês não iriam vence-la. – Falou Katrina. – Ela não é uma vampira comum e mesmo entre os incomuns e nobres ela é um destaque. Fique longe dela, eu vou resolver isso antes que chegue a vocês.

— Eu digo essa próxima frase com todo respeito possível Katrina. Você não é exatamente a pessoa em quem eu planejo confiar numa situação dessas. – De novo, isso era cruel, mas, era verdade ao menos. – Nós vamos nos preparar, Alexander não é fraco e eu já o vi derrotar vampiros poderosos e numerosos sozinho, com o preparo certo e auxilio ele pode derrotar ela.

— Você não é a primeira Belmont a pensar nisso e com certeza não vai ser a última. – Ela respondeu seria. – Não deem bandeira e estejam preparados, me contate durante seus dias e peça aos seus irmãos para fazerem o mesmo com você. – Ela não estava com o semblante normal. — Confie em mim, o motivo da sua família ainda estar viva é pela minha intervenção.

— Katrina. Por favor, só me explica quem é ela e por qual motivo ela é tão perigosa assim. Até você que é a rainha está assustada com ela. – Eu definitivamente não poderia entender os motivos para tratar essa vampira com tanta hesitação.

— Adrienne, escute quando eu digo o perigo que ela representa, nenhum de vocês consegue imaginar ou enfrentar. Tem um motivo pra eu ter cuidado para que ela assim como eu, fosse excluída da história, das mentes, das lendas.

— Isso não me ajuda em nada, só vai servir pra aumentar a ansiedade.

— Ela era conhecida como Krigsdatter no passado, a Filha da Guerra, sempre guiando os vampiros, os seres da noite, legiões de seguidores... – Ela tinha um semblante misto durante as frases, hora como raiva, hora como uma admiração, as vezes carinho e então frustração, vampiros conseguem ser confusos até quando apenas conversam. — Vocês não vão estar seguros nem sob a luz do Sol, ela é imune a ele. – Essa era uma informação importante. Uma vampira que pode andar de dia, não deveriam existir nem de brincadeira. — Se for para estarem seguros eu recomendo que sua casa esteja bem abençoada ou que tenham um esconderijo cercado de água benta.

— Temos onde ir. – Respondi pronta pra sair. – Eu vou voltar e avisar os dois e eu vou continuar a cooperar contigo Katrina. Então por favor, não faça com que eu me arrependa.

— Isso não é do meu feitio Adrienne. Posso te garantir. – Respondeu ela. – Agora vá e vá depressa!

[Torre Vermelha – Katrina]

— Fico feliz por ter conseguido me colocar em sua agenda. – Agradeci assim que Lilian entrou, novamente pelo teto...

— Sempre tenho tempo para a minha rainha. – Respondeu ela ajoelhando. – O que precisa?

— Eu tenho que ter um motivo para querer minha família perto de mim?

— Claro que não, minha querida. – Ela sorriu se aproximando. – Só não é um evento que ocorre todos os dias.

— Minha culpa eu admito. – Sinalizei para que ela se sentasse.

— Nesse caso o que minha rainha gostaria de conversar hoje?

— A sua caçada aos Belmonts que está acontecendo nesse momento. – Fui direta para a surpresa dela. – Eu falei para deixar pra lá, não precisamos de mais matança.

— AAhhh é claro que você descobriu... – Respondeu rolando os olhos. – Você me proibiu de contar ao Adamas e eu o fiz. Ele não sabe deles e nem saberá. Entretanto, vossa alteza nunca me negou a caça a eles.

— Claro, usando nossa conversa contra mim... Por que não estou surpresa? – Ironizei. – Eu também sei da sua reunião com os outros lordes vampiros!

— Kwimer e sua língua grande! – Reclamou Lilian. – Vou dar um jeito nele em nosso próximo encontro.

— Não vai fazer nada! Ele ao menos lembra o que lealdade significa. Todos sabem que não devem entrar em conflito com a humanidade dessa forma. – Expliquei novamente. – Não posso fazer nada quanto a Maximilian, ele nunca vai superar seu abandono e sempre fara o possível para te agradar...

— O amor é um sentimento complicado. – Disse ela sem ânimo.

— Como pode fazer isso comigo? Logo você? – Minhas questões eram verdadeiras. – Eu não esperava que você fosse agir nas minhas costas. Ou pelo menos eu não queria acreditar nisso.

— Eu estou fazendo isso pela nossa espécie Katrina! – Respondeu se levantando. – Eu sei o rosto deles agora, irei passar aos vampiros sob meu comando, eles iram encontrar esses Belmonts e então eu mesma darei um fim nisso. – Contou sorrindo. – Nem você e nem adamas precisam se preocupar.

— Eu já pedi antes e volto a pedir Lilian. – Segurei seu rosto perto do meu. – Esqueça isso e os deixa viver suas vidas. A nossa guerra já acabou e você tem que superar isso, o passado é passado e nós somos imortais! Precisamos evoluir, escapar desse círculo de mortes que nos cercam. Um dia você colocou meu filho pra dormir e disse que preferia encarar a raiva dele do que perder mais alguém da nossa família. O mesmo vale aqui, eu não quero ter que descobrir que você morreu, que se feriu contra um caçador... Eu não quero te perder e Adam nem pode sonhar com essa possibilidade. Já estamos todos tão separados, não podemos nos perder ainda mais.

— Eu não posso esquecer Katrina! Eu não posso superar. – Ela se afastou. – Eles mataram Dracula, eles mataram Nefertari e nós seremos os próximos se formos deixando.

— Eles nem sabiam que nós ainda existíamos até você iniciar essa caça! – Tudo bem que parte disso era mentira, mas, era verdade que até então, eles nem imaginavam a nossa presença.

— Eles têm que pagar pelo que fizeram. – Ela estava irritada. – Não só os Belmont, todos eles, todo esse gado que fez a nossa espécie de alvo, praticamente nos obrigando a permanecermos longe, escondidos, reduzidos... Quantos vampiros você acha que ainda tem no mundo? – Questionou ela gesticulando exageradamente e sem me dar tempo para responder. – Se estivermos em quinhentos estamos sonhando alto.

— Você está se ouvindo? Vamos voltar quantas vezes a essa conversa? Não foram eles, não foram esses humanos que fizeram isso, não foram esses Belmonts que o mataram e definitivamente não foram estes que caçaram a Nef. – Eu sabia que se a conversa continuasse, eu também iria perder a paciência. – Você será exatamente como eles se continuar a descontar o frenesi de uma geração na seguinte como se fosse uma reparação pelo que aconteceu a mais de 700 anos!

— Não vamos chegar a lugar nenhum nessa discussão. – Ela respondeu me mostrando suas presas, as asas estavam saltadas também.

— Vamos parar de agir dessa forma. Esqueça essa caçada fútil, pare de conspirar debaixo do meu nariz e pensar que eu não descobriria. E também saia dessa pose, não vai levar a lugar algum um embate entre nós duas! Apenas fara com que adamas odeie mais a vencedora...

— Eu não quero lutar com você Katrina. – Ela recolheu as asas. – Mas, eu não posso desistir.

— Se continuar com isso eu terei de te tornar a inimiga. Nós sabemos quem são os inimigos e você e eu não temos nem que sonhar em ficarmos uma contra a outra. – Massageei minha cabeça. – Por favor, eu estou pedindo novamente nessa conversa e assim como já te pedi no passado. Chega de mortes.

— Eu te peço perdão adiantada então minha irmã. – Foram as últimas palavras dela antes de alçar voo e quebrar parte das janelas superiores, permitindo que a luz do sol invadisse a sala, me obrigando a me esconder nas áreas que ainda possuíam sombras.

— Merda! – Tudo que eu queria evitar está pra acontecer. Removi a presilha dourada do meu cabelo, ela tinha a forma de um escaravelho, adornado com olhos de esmeralda. Apenas um pouco de concentração e então ela estava viva. – Vá até Kwimer e o avise para ficar pronto, pois, a partir desse momento, a Europa Vampírica vai a guerra!