Filhos da Noite
9 Capítulo 8 – PASSADO
— Você...
— Sim. Sou seu Anjo da Guarda. Te protejo. Te observo.— Espera... Você tem me observado durante a noite?— Sim. Durante qualquer hora do dia. — Meu rosto começou a ficar vermelho.— Eu tenho algum minuto de privacidade? — Sorriu.— Não fico espiando você no banheiro.— É, mas... Mas no quarto... — Fiquei muda.Benjamin sorriu e se inclinou ficando próximo de mim.— Vamos dizer que você é minha tentação.— Isso não é proibido?— Por isso que é uma tentação.Continuei muda e o encarando. Não sabia o que fazer. O que responder.— Vê-la semi nua ou nua... Não poder toca-la quando a muito tempo toquei. — Se afastou puxando o fôlego. — Você não sabe o tamanho da minha excitação quando vejo você usando aquele consolo. Devia ser eu ali.— Deus! Pare, por favor. Me dê uma noite sozinha, por favor. — Pedi. — Amanhã passe aqui as 9 horas e me leve para algum lugar para conversar. — Sai do carro o mais depressa possível e corri para a varanda.Se eu pudesse faria igual a um avestruz e esconderia a cara em um buraco.Que vergonha!Agora eu entendia por que sempre me sentia observada. Era ele.Era informação de mais.Eu mal consegui dormir. Rolei na cama de um lado para o outro. Quando não aguentei mais levantei e fui tomar um banho. Vesti uma camiseta gola v preta de mangas compridas, uma legging preta, uma saia jeans. Calcei meu tênis da Adidas e peguei meu boné preto.Desci as escadas e fui para a cozinha. Fiz um chá de camomila e algumas torradas. Nora ainda estava dormindo quando terminei meu café.Deixei um bilhete na geladeira escrito: Sai com o Ben. Qualquer coisa me liga.Peguei um canguru moletom estampado de rosa, preto e azul e fui para a varanda. As 9 em ponto Ben estacionou em frente à casa.Respirei fundo antes de seguir até o carro.— Oi. — Falei entrando e ele sorriu.— Bom dia. Dormiu bem?— Não consegui dormir nada. Culpa sua. — Falei.— De vergonha ou de tesão? — Grudei meu boné nele que riu.— Muita informação. Para onde vai me levar?— Minha casa.— Sua... Casa? — Perguntei.— Está com medo, Anjo?— Não. E não me chama assim. — Sorriu.Benjamin dirigiu até um prédio e descemos do carro. Seguimos para o elevador e ele apertou o botão da suíte mais alta. O elevador se abriu e já estávamos na sala.Era tudo muito chique.— Você é rico?— Milênios nos abrem portas.— Você tem milênios?— Não são muitos. Só um.— Você tem um milênio?— Muito velho para você? — Debochou indo em direção a cozinha.— É claro. — Murmurei o seguindo.Abriu a geladeira e pegou água. Me serviu um copo depois se conduziu para a sala onde se atirou em um sofá enorme que tinha uma tela plana na frente. Segui até ele e me sentei ao seu lado.— Então... Como isso aconteceu?— É uma história bem longa.— Temos o dia todo. — Respondi.— Primeiro, vamos assistir algum filme?— Não.— Quer escutar alguma música?— Não. Eu quero as respostas.— Hum... — Ele estalou a língua e cruzou os braços me encarando. — Quando eu cai a primeira vez.— Caiu?— Quando pequei e cai dos céus. Perdi as asas. Foi por você. Eu a vi tão linda. Os cabelos estavam um pouco mais curtos. Mas era a mesma. Desci dos Céus, e a cortejei. Você tinha um gênio diferente por causa da época. Quando a beijei fui levado a julgamento. Perdi as asas. E um Ceifador a matou.— Um Ceifador?— Anjo da Morte. — Explicou e eu assenti. — Vivi séculos e mais séculos sozinho. Me amaldiçoando por ter pecado. Por ter sido estúpido. Até que a encontrei de novo. No século passado.— E então?— Então? Eu a vi. — Ele sorriu. — É claro que fui atrás de você. Que quis você de novo.— E ai?Ficou em silêncio por um tempo.— Vivemos uma vida longa e feliz o quanto pudemos. E eu a perdi de novo.— Como me reencontrou de novo?— Há mais de um ano. Foi antes do acidente de carro.— Espera, você disse que caiu. Mas você me disse que é meu anjo da Guarda.— Foi eu que te trouxe a vida depois do acidente. Por isso você sobreviveu. E como eu te salvei ganhei as asas de novo. E com isso virei seu Anjo da Guarda.— Nossa.— Isso foi a nossa história resumida. — Ele ergueu a mão. — Um toque. A cada toque que você quiser. Vai ver nossas vidas juntos. Nós dois.— Não me importo com o que vivemos, Ben. Estou me importando com o agora. — Falei. — Estou me importando com o que vamos viver agora. — Me estiquei para ele que ficou me encarando. — Vai ficar só me olhando ou vai me beijar?Sorriu e se aproximou. Seus lábios tocaram os meus suavemente depois se abriram e eu senti sua língua brincar com a minha. Uma mão foi para a minha cintura e a outra desceu para a minha coxa.Minha mente viajou de novo para nós dois no passado. O beijo era tão bom. Eu podia ver que era ele, um Anjo. Anjo como ele é agora. Só que tinha algo de diferente. No de antes.Me afastei de Benjamin que ficou me encarando.— Tenho que aprender a controlar isso. — Sorriu.— Achei que seria mais complicado contar essa história. Para a outra foi complicado. Acho que você evolui quando reencarna.
— A outra podia fazer o que eu posso?— Não. — Balançou a cabeça. — Nenhuma delas fazia isso. Algo mudou desta vez. Eu só não entendo o que.— Está preocupado?— Não. — Balançou a cabeça. — E você?— Também não. — Falei antes de beija-lo de novo. — Patch também é?— O que? Anjo? — Assenti. — Não. Ele é uma Anjo caído. Convivi com Patch no Paraíso. Eu cai primeiro. Quando ele caiu, nos reencontramos. Somos amigos.— Então ele sabe que você é Anjo agora.— É o único que sabe. Os outros estão começando a desconfiar. Eles não gostam muito dos que tem asas. Particularmente também não gosto. Mas tem um lado bom.— Qual?— Poder ficar perto de você. — Sorri. — Mas tem uma coisa que eu preciso saber.— O que? — Perguntei.— A sua história. Toda ela.— Ben... — Murmurei me afastando.— Eu sei que você tem medo de relacionamento. E tem muitos medos. Eu perdi algumas partes da sua vida enquanto arrumava meu retorno para cá.— Eu realmente não quero falar sobre isso.— Você precisa se abrir comigo. Precisa contar para mim o que está acontecendo. Eu vi você e Nora conversando. Quem está atrás de você?— Quando eu tinha 14 anos conheci Edmundo. Ele era amigo do meu pai. Conhecia minha família. E era rico. Muito rico. Ele tinha 18 anos. E é o jovem mais rico de Londres, claro, tirando aqueles atores famosos. Ele se interessou por mim assim que nos conhecemos. Eu claro idiota descobrindo o amor achei que ele fosse perfeito. Ele mandava flores. E tudo mais. Meus pais sempre deram valor para o que eu queria. Nico foi o único que desaprovou."Edmundo me apresentou a sua casa. Foi com ele que perdi minha virgindade. Foi ele que me ensinou tudo o que sei sobre sexo. Foi ele que me apresentou aqueles brinquedinhos. Mas ele me apresentou outro lado do sexo. O sexo sadomasoquista. E eu gostei. Não me importava em apanhar desde que ele me fizesse gozar depois. E ele fazia. Nós passávamos horas transando. Eu não me importava com isso. Na verdade eu só queria sair do meu mundinho de tocar violoncelo, ser ginasta, estudar. Eu queria ser diferente. Ele sempre me dava o que eu queria. Na época eu não usava meus poderes. E eu lia na mente de Edmundo que ele me queria."Eu só não entendia a diferença entre amor e obsessão. Comecei a ver isso depois quando ele começou me controlar. Não me deixava sair com meus amigos. Me proibia de tudo. Um dia ele me viu com um amigo na rua. Estávamos conversando sobre um trabalho de química. Edmundo parou o carro e desceu. Eu sorri para ele, mas ele foi totalmente estúpido. Ele agarrou meu braço e me levou a força para dentro do carro. Desta vez eu apanhei muito. Mas a raiva inundou meu cérebro aquele dia."Foi a primeira vez que a magia saiu de mim. Eu o lancei longe. Ele estava tão cego de ódio que nem deve ter notado. Sua cabeça bateu no sofá e ele desmaiou. Eu aproveitei para fugir. Meu pai claro ficou furioso. Ele seria capaz de matar Edmundo aquele dia se eu não tivesse impedido. Eu so não queria meu pai preso. Não deixei que denunciasse Edmundo. Mas eu deixei claro que não o queria perto de mim. Ele tinha muito medo do meu pai para acatar esse pedido. Só que ele sabe que meus pais morreram. Ele foi no funeral. E esteve no hospital me visitando. Ele deixou uma promessa que eu seria dele a todo custo. Sorte que meus pais tinham deixado um testamento que exigia que fosse tudo sigiloso.— Você tem medo que ele venha atrás de você?— Ele virá. Uma hora ou outra. Não importa o tempo que leve, ele virá atrás de mim.— Olhe para mim. — O encarei e segurou meu rosto entre as mãos. — Se ele tentar encostar em um fio de cabelo seu, ele vai morrer Nikki. Sou seu guardião e vou protege-la para sempre. Ele nunca mais vai tocar em você. Isso é uma promessa.Pela primeira vez eu me senti segura. Abracei Benjamin e apertei meus braços ao seu redor enquanto ele me abraçava de volta. Fechei os olhos sentindo aquela sensação boa.Ele me fazia sentir em casa. Nunca tive coragem de contar a ninguém essa história. Mas ele conseguiu. Não tinha explicação. Eu só me sentia segura. O sentimento que eu tinha por Benjamin era diferente do sentimento que eu tinha por Edmundo.Eu me sentia leve. Eu mesma. Eu seria capaz de agarrar o mundo com as minhas próprias mãos. Encarei Benjamin nos olhos e sorri. Me aproximei e o beijei. Desta vez não vi nada do nosso passado. Só senti sua língua na minha enquanto puxava seu corpo para cima do meu. Deitamos no sofá nos beijando. Eu o sentia em todas as partes.Ele se afastou e deitou a cabeça em meu peito. Seus olhos se fecharam e ele sorriu.— O que? — Perguntei.— É tão bom ouvir seu coração bater. Sentir você. — Encarou meus olhos. — Você não sabe quantas décadas procurei por você tendo a certeza que em algum lugar do mundo você tinha reencarnado de novo. Que nos reencontraríamos de novo. Que eu teria você em meus braços de novo.Não pude deixar de sorrir.Minha barriga roncou e ele riu. Fiquei vermelha.— Desculpe por isso.— O que você quer comer?— Qualquer coisa. Você cozinha?— Sim. — Falou saindo de cima de mim. — E você?— Mais ou menos. Sei o básico. — Riu antes de me ajudar a levantar.Fomos para a cozinha e sentei na bancada enquanto observava ele fazer o nosso almoço. Ele fez uma lasanha bem recheada com carne, queijo e molho.Me servi de lasanha e arroz enquanto ele fazia o mesmo.— Você não gosta muito de verdura né?— Não. Mas acho que sou descendente asiática. Amo comida chinesa ou japonesa. Amo peixe.— Peixe?— Sim. Meu único defeito é que amo doce. Sou chocólatra doente. Do tipo que preciso comer chocolate todos os dias.— Como você consegue comer tudo isso e não engordar? — Ri.— É. Todos fazem a mesma pergunta. Evito comer fritura. E tomar refrigerantes. E acho que tenho uma genética muito boa. — Dei de ombros.— Uma genética perfeita. — Lançou um olhar para o meu corpo.A tarde passou tão maravilhosa que eu mal notei a chuva caindo lá fora. Mal notei as horas passarem.Em alguma hora da tarde meu celular tocou.— Nora, eu estou...— É a Vee. — Empurrei Ben de cima de mim e ele me encarou assustado.Estávamos deitados no sofá olhando filme. Sentei.— O que aconteceu?— Ela foi atacada.
Notas finais
N.B.: PQP. Quantas revelações, de fato, isso é interessante. Leitores fantasmas, comentem e façam uma escritora feliz. Crítica construtiva, dizer se está gostando, se está odiando, seja bem-vindo a opinar, sem ofender. Bjs, bjs. Fhany Malfoy.
N.A.: É, me fariam muito feliz! Mas mesmo assim agradeço a quem esteja acompanhando a historia. E fico torcendo que estejam gostando. Obrigada. E desculpem a demora pelos capitulos. Era niver do meu baby e eu estava na correria. Bjs. Bjs. CM Winchester
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