Filhos da Noite
7 Capítulo 6 – PRESA
Vee e Nora me encontraram sentada no chão do banheiro com a cabeça entre as pernas.
— Hey tudo bem? — Nora perguntou se ajoelhando na minha frente.— Só estou um pouco enjoada.— Você está grávida? — Vee perguntou.— Não. Minha menstruação está certa e eu tomo pílula e uso camisinha. — Respondi.— Você não é mais virgem? — Ela me encarou com os olhos arregalados e eu me permiti rir.Apoiei as mãos no chão e levantei já começando a limpar minha calça. O chão daquela escola precisava ser limpo urgentemente.— O que vocês vão aprontar? — Perguntei pegando a minha mochila.— Descobri que o sobrenome do Patch é Cipriano. — Vee falou sorrindo.— E? — Perguntei.— Todos sabem que os estudantes devem registrar remédios na enfermaria. Igualmente todos sabem que a enfermaria está convenientemente localizada no lado de dentro do escritório principal onde as fichas estudantis também são mantidas. Vamos fazer uma investigação?— Eu to fora. — Falei. — Vou para casa.Quando Nora chegou em casa foi direto ao meu quarto, eu estava deitada na cama olhando o teto.— Eu esperei o dia todo. — Ela falou e a encarei.— Pelo que?— Pelas respostas.Franzi a testa por um segundo e depois entendi o que ela queria.— Ok. — Me arrastei e sentei na cama em posição de lótus.Sentou-se na minha frente e me encarou.— Isso que eu vou te contar é segredo. Segredo de família. — Falei e ela assentiu. — Você tem que jurar que não vai contar a ninguém, nem mesmo a Vee. — Ela ergueu a mão direita.— Eu juro pelo meu pai.— Ok. — Falei e respirei fundo. — Não sei bem, até por que nunca consegui acessar os registros que tem escondidos na casa da fazenda daqui. E não tive muito tempo de descobrir. Meu pai sempre me falava que era por causa do nosso sangue. Que Nico e eu éramos mais que humanos. Mas nunca explicou realmente o que nós éramos. Os poderes apareceram quando tínhamos 13 anos. — Ergui a mão e a magia verde passou entre os meus dedos. — Primeiro começou a telepatia. Depois começou a telecinese. E com isso podíamos mover as coisas. Era de certa forma legal. Era diferentes. Nora, eu não sei o que é isso. Não sei se é bom ou ruim. Quando eu fizer 17 anos vou me elevar. É so isso o que eu sei. Eu sei que é complicado controlar todo esse poder. E o que me preocupa é que eu não conheço mais ninguém assim nesse mundo.— E seu pai nunca falou?— Iríamos vir para cá para acessar os registros. Estávamos indo para o aeroporto aquele dia. E Nico e eu teríamos todas as respostas. Quando vim para cá a primeira coisa que fiz foi ir lá, mas não adianta. Não consigo acessar o lugar.— Como não consegue?— Fica no porão da casa isso é o que sei. Só que eu só poderei acessar quando me elevar, acho. Por enquanto minha magia não funciona lá.— Você é um tipo de bruxa?— Não. Só uma humana... Pelo menos acho que seja isso. Não sei. Tem muita coisa que não consigo entender.— E você pode ler a mente de qualquer um?— Sim, quer dizer, quase todos. Ben e Patch não consigo. Mas não me importo. Tem pessoas que tem pensamentos mais reservados que são difíceis de ler. Outros tem pensamentos gritantes e irritantes. Você é uma que eu mal consigo ler seus pensamentos. E não dou bola para isso por que acho que é invadir a privacidade das pessoas.— Isso com certeza é. Nossa! — Ela falou sorrindo. — Eu acho isso muito legal.— O que?— O que você faz. — Falou sorrindo. — Pode contar sempre comigo.Sorri e a abracei.— Você sempre foi uma grande amiga, Nora. Obrigada por tudo. — Ela sorriu.— Agora vai se arrumar que vamos comer comida mexicana.— Não sou muito fã de comida mexicana.— Nossa isso é épico. Você não gostar de alguma comida. — Lancei meu travesseiro nela que riu. — Vamos?— Sim. — Respondi.Tomai um banho e vesti um top azul, um canguru preto meio transparente, uma calça jeans preta e calcei meu tênis da Adidas preto com listras brancas.Encontrei com as meninas no restaurante Bordeline. Me encaminhei até elas e sentei ao lado de Nora.— Já pedi um taquito vermelho para você. — Nora murmurou e assenti.— Valeu.— E já avisei que você iria pagar o que comer. — Sorri.— Não se preocupa, Nora. — Falei. — Então não me contou sobre a ficha.— Que ficha?— Do Patch?— Shhh! — Ela olho em volta depois me encarou. — Ele trabalha aqui.— Que inconveniente.— Eu esqueci. — Ela resmungou. – Enfim, não tinha nada na ficha dele. Nem mesmo uma ficha médica. O que é estranho.— Está preocupada que ele não tenha tomado as vacinas direito ou que tenha alguma DST? — Debochei sorrindo e ela revirou os olhos.Na saída entreguei o dinheiro a Nora e fui para a rua. Era cedo e ainda poderia ligar para o meu advogado. Estava caminhando distraída enquanto mexia no celular até que esbarrei em alguém.Olhei para cima e vi Ben.— Oi. — Falou sorrindo e eu recuei um passo guardando o celular no bolso de trás da calça.
— Oi.— Esta bonita. — Murmurou me observando. — Gostei do casaco.— O que faz aqui?— Dando uma passada para comer algo. Já está de saída?— Sim.— Não sabia que gostava de comida mexicana. De coisa apimentada.— Eu amo coisa apimentada. — Rebati sorrindo e ele sorriu abertamente.— Nunca duvidei disso.Segui na direção do Skyline e ele me seguiu.— Enfim você pensou no que eu te perguntei?— Sobre? — Rebati a pergunta de volta.— Sobre sairmos no sábado. A Delphic Seaport reabre nesse sabado. Poderíamos ir.— Você não se cansa de ouvir não?— Talvez um dia você diga sim. — Falou sorrindo e se aproximando de mim.Suas mãos seguraram minha cintura e me ergueram. Me colocou sentada em cima do capô do carro e ficou entre as minhas pernas.— É só dizer que sim.— Ai vai ficar fácil. — Sorriu.— Sabia que você se fazia de difícil.— Não é que eu seja fácil ou que me faça de difícil. Se eu não estou afim de alguém eu simplesmente digo "não".— Ok. Mas nós dois sabemos que você está afim aqui. O que está impedindo de dizer um "sim"?— Que seria fácil demais. E logo perderia a graça para você. — Ele sorriu.— Nicolle desde o dia que coloquei meus olhos em você eu sabia que queria você.— Ben... É sério, não estou pronta para isso.— Um relacionamento? Eu espero.— Cara você me conhece a pouco tempo, como consegue pensar em relacionamento?— Se chama amor à primeira vista. Não conhece?— Não.— Certeza? — Se aproximou quase encostando nossos rostos.— Por que eu?— Por que não seria você?— Benjamin, a minha vida é ferrada demais para você querer viver nela.Ele ficou me observando até que respirou fundo ainda próximo demais.— Só uma saída. Como amigos. No sábado.— Você quer tudo, menos ser meu amigo.— Você tem razão. Mas antes vamos fazer do seu jeito.— E quando for do seu? — Sorriu e se aproximou mais, nossos lábios quase se tocando.— Eu tenho certeza que você vai gostar.Ele se afastou um pouco e lançou um olhar por cima do ombro.— Boa noite Nora e Vee. — Falou antes de se afastar completamente.Meu rosto estava mais vermelho que um tomate, saltei para o chão e segui para a porta do Skyline.Minhas mãos estavam tremendo quando consegui abri a porta. Lancei um olhar para Ben que estava sorrindo. Entrei no carro e sai dali o mais rápido possível.Em casa quando tinha colocado meu short-doll Nora bateu na porta do quarto e entrou em seguida.— Não quero conversar sobre isso.— Mas eu preciso saber. Está rolando alguma coisa entre vocês?— Nora, você mais do que ninguém sabe que eu não posso.Sentei na cama e ela sentou ao meu lado.— Você precisa seguir em frente. Precisa parar de pensar no passado ou ficará prisioneira dele. O passado pode doer. Você tem duas escolhas: deixar ele tomar conta de você ou levar isso como um ensinamento.— Eu levei isso como um ensinamento, Nora. E isso me assusta, você sabe.— Ok. Mas não estou falando sobre não sair com alguém. Te conheço o bastante para saber que você adora uma farra. E você precisa voltar a fazer isso. Não estou dizendo que precisa namorar. Mas sair com alguém vai te fazer bem.— Ótimo conselho, por que você não segue ele?— Bom, eu não quero sair com ninguém. Você quer.— Você está mentindo na primeira parte.— A conversa não é sobre eu.— Não sei por que se tornou sobre eu.— Por que você precisa parar de se trancar. Sei que você sente falta de um cara. — Lançou um olhar para a gaveta do meu criado mudo.Naquela gaveta havia um consolo com vibrador.Aquilo era extremamente vergonhoso.— Eu não sei se você o usa ou não. E sinceramente não quero saber. Mas eu acho que você sente falta de um cara de verdade.— Eu sinto.— Então se dê uma chance.— Você também, se dê uma chance. — Falei.Ela segurou a minha mão.— Ele não vira atrás de você. Não precisava ficar com medo. Nunca terá como encontra-la aqui. E se vir atrás de você, nós vamos colocá-lo na cadeia, Nikki.Fiquei em silêncio a encarando.Precisava parar de ter medo que toda pessoa fosse igual. Precisava parar de ter medo que um dia ele viesse atrás de mim. Ele nunca teria como me encontrar. A informação de quem ficaria responsável por mim era estritamente confidencial. Ninguém teria acesso aqueles registros.Eu estava livre. Mas por que não me sentia livre?Nora tinha razão. Eu estava presa demais ao passado.E tinha que aprender a esquece-lo.
Notas finais
N.B.: Só consigo pensar, PQP. Chocada estou. Fiquei ainda mais curiosa. Gente, maravilhoso demais. Bjs, bjs. Fhany Malfoy.
N.A.: Obrigada. Tera muitas surpresas ate o final ainda. Bjs CM Winchester.
Queria agradecer a Thally Bradbury por ter favoritado a minha historia original Um Sonho no Campo. Caso você esteja acompanhando essa aqui, deixo meu muito obrigado. E estou imensamente feliz que você tenha gostado.
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