Filhos da Noite

6 Capítulo 5 – IMAGENS


No outro dia acordei bem cedo e pedi um táxi para casa. Ele reclamou da distância, mas dei uma gorjeta gorda que o fez se calar.

Precisava de um banho e vestir as minhas roupas. Vesti uma camiseta listrada de preto e bege gola v, calça jeans boyfriend, canguru moletom azul e calcei meus tênis da Nike azul com branco.

Fiz uma trança raiz no cabelo antes de pegar minha mochila e sair correndo.

Encontrei com as meninas no Enzo's Bistrô. Me joguei na cadeira ao lado delas.

— O que vai querer? — O garçom perguntou.

— Um chocolate quente e... Um pedaço de torta de limão. — Falei e assentiu anotando.

— Você não vai querer chá? — Vee perguntou impressionada.

— Posso mudar às vezes. — Dei de ombros.

O meu pedido chegou logo depois e bebi um pouco do chocolate quente. Fechei os olhos me deliciando.

— Não olhe agora, Nora. — Vee falou. — Mas o Sr. Suéter Verde fica olhando para cá estimando suas longas pernas pela sua calça jeans... Ah! Ele acabou de me saudar. Não estou brincando. Uma saudaçãozinha militar de dois dedos. Que adorável. — Eu mal prestei atenção até por que estava comendo um pedaço de torta. — O Sr. Suéter Verde parece normal, mas o companheiro dele parece um bad boy da pesada. Emite um certo sinal não-mexa-comigo. Diz que ele não parece com a cria do Drácula. Diz que eu estou imaginando coisas.

Continuei comendo sem me dar ao luxo de virar para olhar. Eu tinha coisas mais importantes para fazer como... Comer.

— Você está imaginando coisas. — Nora falou.

— Você deixou passar os olhos inexpressivos? A linha capilar em V? O porte alto e esbelto? Ele talvez até seja alto o bastante para mim. Está bem, qual o problema? Você ficou toda incomunicável. Isso não é por causa da rachadura no para-brisa é? E daí que você atingiu um animal? Podia acontecer a qualquer um. Claro, as chances seriam muito menores se a sua mãe se mudasse do mato.

Nora me lançou um olhar. Enruguei o nariz e voltei minha atenção para o chocolate quente.

— Hmm, dá uma olhada nisso. — Vee falou. — O Sr. Suéter Verde está saindo do seu assento. Agora, esse é um corpo que frequenta a academia regularmente. Ele definitivamente está caminhando na nossa direção seus olhos procurando a propriedade isso é a sua propriedade.

— Olá. — Encarei o cara que parou ao meu lado. Era loiro com os cabelos bagunçados e tinha olhos azuis.

— Olá para você. — Vee falou. — Eu sou Vee. Aquela é a Nikki. E esta é Nora Grey.

Ele puxou a cadeira do meu lado e a virou sentando com os braços apoiados no encosto depois estendeu a mão para Nora.

— Eu sou Elliot Saunders. — Nora apertou a mão dele. — E esse é Jules. — Ele sacudiu o queixo na direção do outro.

Ele era muito alto. Sentou ao lado de Vee bem na hora em que outro cara apareceu. Esse era parecido com Elliot só que usava suéter azul.

— E esse é meu irmão, Erik. — Elliot falou e o cara puxou uma cadeira sentando ao meu lado.

Devia estar no banheiro quando Vee os viu por que não tinha outro lugar para ele ter saído.

— Acho que você é o maior cara que eu já vi. — Vee falou para o Jules. – Sério, quanto você mede?

— Dois metros e oito. — Jules murmurou cruzando os braços.

Elliot limpou sua garganta.

— Posso pedir algo para as damas comerem?

— Estou bem. — Nora falou levantando minha xícara. — Eu já pedi.

— Ela vai querer um sonho recheado de creme de baunilha. — Vee falou. — Na verdade três.

— Lá se foi a dieta hein? — Nora perguntou.

— Hein para você. A fava de baunilha é uma fruta. Uma fruta marrom.

— É um legume.

— Você tem certeza disso?

Jules fechou os olhos e apertou a ponta do nariz.

— Eu passo o sonho recheado. — Falei.

— Quer outro pedaço de torta então? — Erik perguntou me encarando.

Ele colocou uma mão no encosto da minha cadeira.

— Não, obrigada. — Falei.

Elliot andou até o balcão.

— Você mora por aqui? — Vee perguntou ao Jules.

— Hmm.

— Vai para escola?

— Kinghorn Prep.

— Nunca ouvi falar.

— Escola particular. Portland. Começamos as nove. — Ele ergueu a manga e olhou o relógio.

Vee mergulhou o dedo na espuma do seu leite e o lambeu. Eu quase vomitei.

— É caro? — Ela perguntou e eu arregalei os olhos.

Como ela conseguia ser tão idiota?

— Você é rico? Aposto que é. — Ela falou quando ele a encarou.

Ele recuou sua cadeira para longe de nós.

Elliot retornou com uma caixa com meia dúzia de sonhos.

— Dois de creme de baunilha para as damas. — Ele falou empurrando a caixa para Nora. — E quatro com confeitos para mim. Acho que é melhor eu me encher agora, já que não sei como é a lanchonete na Coldwater High. — Vee quase cuspiu o leite.

— Você frequenta a CHS?

— A partir de hoje. Acabei de me transferir da Kinghorn Prep.

— Nora, Nikki e eu frequentamos a CHS. Espero que aprecie sua boa sorte. Qualquer coisa que precise saber incluindo quem deve convidar para o Baile da Primavera é só perguntar. Nora, Nikki e eu não temos pares... Ainda.

Nora olhou o celular.

— É melhor irmos para escola Vee. Temos um teste de biologia para o qual estudar. Elliot, Erik e Jules foi bom conhecê-los.

— Nosso teste de biologia é só na sexta. — Vee falou.

— Certo. Eu quis dizer teste de inglês. As obras de... Geoffrey Chaucer. — Ela mentiu. — Espero que tenha um ótimo primeiro dia e talvez vejamos você no almoço. — Nora e eu arrastamos literalmente Vee pelos cotovelos para a porta.

— Primeiro. — Falei encarando Vee quando chegamos na rua. — Você é muito... Argh! Segundo. Eu não tenho par. E nem quero ter, obrigada. Não sou uma mercadoria para ser oferecida. Nora também não é.

Virei e fui até o Skyline. Entrei e fui para a escola. Ainda estava com fome o que me deixava de mau humor. Sorte a minha que tinha uma barra de chocolate na mochila.

No intervalo encontrei com Simas.

— Hey Professor? — Chamei e ele parou de caminhar.

Me aproximei dele que ficou me esperando.

— Srta. Crawford? — Cruzou os braços me encarando.

— Eu aceito participar do recital. — Sorriu abertamente.

— Agora sim. Você tem talento, Nicole. Pode chegar onde quiser. Vamos ter aula todos os dias depois da aula, pode ser?

— Dois ou três dias depois da aula por semana.

— Três! Segunda, quarta e sexta, pode ser? Ou Sexta você costuma sair?

— Por enquanto eu estou de molho. Pode ser assim. Uma hora por dia.

— Você não abre negociações.

— Não. — Respondi e ele riu.

— Ok. Fechado.

Acenei com a cabeça e segui para o refeitório.

Depois fomos para a aula de biologia.

Me joguei na minha cadeira e fiquei mexendo nos meus papéis. Tinha que fazer uma lista das músicas mais ouvidas pelas pessoas atualmente para o eZine. Claro que eu escolhi as músicas que eu escutava mais quando não estava escutando música clássica.

Aqui ninguém gosta de música clássica.

— Olá. – Virei-me para Ben que me encarava com um sorriso no rosto.

— Oi.

— O que você está escutando? — Apontou para o meu fone de ouvido e o tirei.

— Música clássica. — Respondi. — Você não deve gostar.

— Como você consegue fazer uma lista de música sendo que você está escutando outro tipo de música?

— Eu meio que sei as minhas favoritas de cor. — Sorriu.

— Acho que vou prestar atenção nisso quando for ler. — Falou sorrindo. — Ainda tem alguns detalhes de você que eu não sei.

— O trabalho já foi entregue. — Lembrei e ele sorriu se inclinando para mim.

— Eu quero te conhecer melhor, além daquele trabalho idiota. — O encarei.

O sinal tocou.

— Coloquem seus livros de lado. — O Treinador falou. — Vou dar um teste de treinamento para aquecê-los para o verdadeiro dessa sexta. — Ele parou mais à frente e lambeu os dedos tentando separar os papeis. — Quero quinze minutos de silêncio enquanto respondem as perguntas. Então discutiremos o capítulo sete. Boa sorte.

Me concentrei em responder as perguntas. Lancei um olhar para Benjamin que estava me observando. Meu rosto se avermelhou e eu virei para frente. Me assustei com isso, por que nunca tinha ficado vermelha.

O Treinador soprou o apito.

— O tempo acabou. Passem seus testes para frente. Esperem perguntas similares nessa sexta. Agora... — Ele juntou as mãos. — Para a lição de hoje. Senhorita Sky, quer declarar o nosso tópico?

— S-e-x-o.

Eu mal prestei atenção na aula até por que já entendia aquela matéria melhor que qualquer um ali.

Quando o sinal tocou me demorei arrumando a minha mochila, mas isso não impediu Benjamin de ficar me esperando. Fechei o zíper da mochila de supetão e o encarei abertamente.

— Quer sair comigo no sábado?

— Passo.

— Posso só saber o motivo? Até onde eu sei, namorado você não tem.

— Não tenho namorado. — Concordei. — Mas não estou aberta a um.

— É só uma saída, não estou te pedindo em namoro.

— Posso só saber o porquê da insistência? — Perguntei.

— Eu tenho o meu direito de me sentir atraído por uma garota assim que a vejo.

— Benjamin...

— Pode me chamar de Ben. — Repetiu. — E não diga que não sente o mesmo.

— Eu não sinto.

— Você mente muito mal, sabia?

— Não. Normalmente eu minto muito bem. — Falei sorrindo abertamente. — Bem mesmo. Agora se você me der licença. — Levantei e fui passar por ele.

Quando seus dedos se fecharam em meu pulso foi como se eu levasse um choque.

E então, parecia estar em outra realidade. Era estranho. Era eu. Pelo menos se parecia comigo só que com um vestido antigo. Meus cabelos estavam presos e usava um chapéu. E ao meu lado sorrindo para mim estava Benjamin, também usando roupas antigas. Ele se aproximou e beijou meu rosto enquanto deslizava suas mãos pela minha cintura.

Foi mais que um choque e eu recuei para trás esbarrando na carteira ao lado. Os dedos de Benjamin se soltaram do meu pulso e arregalei os olhos o encarando.

— Tudo bem? — Levantou parando ao meu lado.

— Não me toque. — Pedi erguendo uma mão e ele ficou me encarando.

Encarei seus olhos verdes e tentei pensar o que poderia ter acontecido. O que era aquilo? Uma visão não poderia ser por que parecia em outro século. Uma outra época.

— Eu preciso ir. — Me apressei para a porta da sala.

Sai para o corredor e fui em direção ao banheiro. Precisava tomar uma água. Precisava de ar.

Larguei a mochila na bancada ao lado da pia e me inclinei lavando meu rosto.

As imagens pareciam tão reais. O beijo parecia tão real. Era como se fosse verdade.

Mas não poderia ser verdade.

Notas finais
N.B.: Oi, oi. Como assim produção?? Visões de um passado distante... Apesar de já saber algumas coisas, curiosa estou. Parabéns. Bjs, bjs. Fhany Malfoy N.A. Oie. Sim visões do passado. Tem muita coisa para desvendar sobre a Nikki ainda. E sobre o Ben tambem. Obrigada. Bjs. CM Winchester