Filhos da Noite

17 Capítulo 16 - FILHA DE LILITH


Parei escutando os pensamentos de Nora.

— Não, mas eu te segui ao fazer compras. Ataquei sua amiga e plantei pequenas pistas em sua mente, fazendo-a pensar que Patch a havia machucado. Não foi muito difícil. Ele não é exatamente inofensivo para começar. Estava no meu melhor interesse fazê-la ficar o mais assustada possível.

— Para que eu ficasse longe dele.

— Mas você não ficou. Você ainda está no nosso caminho.

— No seu caminho do quê?

— Vamos Nora. Se você sabe quem eu sou então sabe como isso funciona. Quero que ele consiga suas asas de volta. Ele não pertence à Terra. Ele pertence a mim. Ele cometeu um erro e eu vou corrigi-lo.

Avancei para a porta, mas parei pensando que faria barulho se abrisse ela. O que poderia fazer?

Pensa, Nicolle. Pensa!

— Enquanto você estiver por aí, Patch não retornará para mim.

— Acho que você está superestimando seus sentimentos por mim.

— Você acha que ele tem esses sentimentos por você? Todo esse tempo você achou... Ele não fica porque te ama. Ele quer te matar.

— Ele não vai me matar.

— Se é isso em que acredita você é apenas outra garota que ele seduziu para conseguir o que quer. Ele tem um talento pra isso. Ele me seduziu para conseguir seu nome afinal. Um toque suave do Patch foi tudo que precisou. Eu caí em seu feitiço e disse a ele que a morte estava chegando para você. E agora ele está fazendo a mesma coisa com você. Traição dói, não é?

— Não...

— Ele está planejando te usar como sacrifício! Vê esta marca? — Ela colocou o dedo no pulso de Nora. — Quer dizer que você é uma descendente feminina de um Nephilim. E não apenas qualquer Nephilim, mas Chauncey Langeais, o vassalo de Patch. Há um livro sagrado, O Livro de Enoque. Nele um anjo caído mata seu vassalo Nephilim ao sacrificar uma de suas descendentes femininas Nephilim. Você não acha que Patch quer te matar? Qual a coisa que ele mais quer? Uma vez que ele te sacrificar ele se tornará humano. Terá tudo que quiser. E não voltará para casa comigo. — Ela puxou um faca do bloco de madeira da bancada. — E é por isso que eu tenho que me livrar de você. Parece que de um jeito ou outro as minhas premonições estavam certas. A morte está vindo para você.

— Patch está voltando. Você não quer falar sobre isso com ele?

— Eu farei isso rápido. Sou um anjo da morte. Levo as almas até a pós vida. Assim que eu terminar levarei sua alma pelo véu. Você não tem nada a temer.

— Se você é um anjo onde estão as suas asas?

— Nada mais de perguntas.

— Quanto tempo faz desde que deixou o céu? Você está aqui embaixo há vários meses, certo? Não acha que os outros anjos notaram que você sumiu?

— Nem mais outro passo.

— Você está se encrencando muito por causa do Patch. Fico surpresa que você não se ressinta dele por te usar quando satisfaz os propósitos dele. Fico surpresa por você querer que ele consiga as asas de volta, afinal. Depois do que ele fez você não está feliz por ele ter sido banido para cá?

— Ele me deixou por uma humana sem valor!

— Ele não te deixou. Não mesmo. Ele caiu...

— Ele caiu porque queria ser humano como ela! Ele me tinha... Ele me tinha! Primeiramente fiquei magoada e brava e fiz tudo em meu poder para esquecê-lo. Então quando os arcanjos descobriram que ele estava tentando seriamente se tornar humano eles me mandaram aqui para fazê-lo mudar de ideia. Eu disse a mim mesma que eu não ia me apaixonar por ele de novo, mas que bem isso fez?

— Dabria...

— Ele nem ligava que a garota fosse feita da poeira da terra! Você, todos vocês, são egoístas e desmazelados! Seus corpos são selvagens e indisciplinados. Em um momento vocês estão no pico da alegria no seguinte estão à beira do desespero. É deplorável! Nenhum anjo sonhará com isso! — Ela limpou as lágrimas. — Olhe pra mim! Eu mal consigo me controlar! Estive aqui embaixo tempo demais submersa em sujeira humana!

Nora correu e eu não podia esperar mais. Só tinha a porta. Abri a porta o mais rápido que pude e corri na direção da cozinha. Dabria derrubou Nora e eu me joguei nela. Ela rolou no chão e eu vi a faca caída.

— O que? — Ela gritou.

Raiva estampou seu rosto e ela se arrastou para tentar pegar a faca, mas eu a puxei pela calça.

Com um movimento de mão ela me jogou longe e eu rolei no chão. Ela levantou e lançou um abajur em Nora que se esquivou bem na hora.

— Mova-se. — Ela falou e o banco da entrada deslizou bloqueando a saída de Nora.

Nora me encarou.

— Corre! — Mandei e ela correu para a escada.

O corrimão quebrou e ela quase caiu, mas conseguiu alcançar o corredor.

Levantei e me joguei em Dabria que estava rindo sadicamente.

Foi um segundo de luta e ela me arremessou longe de novo. Meu corpo bateu na parede fazendo a casa balançar e escorreguei até cair no chão.

Dabria foi para o andar de cima. Minha cabeça parecia doer. Toquei a nuca e senti sangue em minhas mãos. Fechei os olhos tentando ordenar meus pensamentos.

— Abra! — Dabria mandou e a porta foi aberta.

Pelos pensamentos de Nora a vi se escondendo na lareira.

— Nora! Sei que você está perto! Eu te sinto. Você não pode correr e não pode se esconder eu queimarei essa casa cômodo por cômodo se é isso que custa para te achar! E então queimarei o caminho pelos campos atrás. Não vou te deixar viva!

Levantei no chão precisando do apoio na parede e respirei fundo antes de subir para o andar de cima. Dabria estava colocando fogo no quarto de Nora.

Agarrei ela pelos cabelos. Ela tentou me jogar longe de novo, mas fui mais rápida em segurar seu pulso. Ergui meu joelho e tentei acerta-la, mas ela conseguiu se soltar.

Ela tentou me jogar longe de novo, mas consegui fazer uma proteção. Ela arregalou os olhos.

— É querida. Eu tenho uns truques nas mãos. E você mexeu com a pessoa errada.

— Eu já sabia dos seus poderes. Ben encontrou finalmente sua humana reencarnada. Ele sabe que você vai morrer de novo né? E desta vez é para sempre. — Ela sorriu. — Você não sabe nada sobre você não é criança tola? Nada!

— Eu não preciso saber. — Falei e ela riu.

— Eu duvido. No fundo você está curiosa. Quer as respostas que ninguém pode dar. O prazo final está chegando. Filha de Lilith.

— Do que você me chamou?

— São pessoas como você. Os Filhos da Noite. Os Filhos de Lilith. Sabe a história não é?

Fiquei em silencio e ela gargalhou.

— Chega! — Falei antes de correr na direção dela.

Ela arregalou os olhos quando a magia saiu das minhas mãos. Agarrei seu pescoço e ela se desequilibrou caindo sobre a janela. Nós atravessamos a janela e caímos da casa.

Dor me atingiu com tudo. Quando recuperei os sentidos ela já tinha sumido.

Ben apareceu ao meu lado.

— Eu vou entrar. — Patch avisou de algum lugar.

— Nikki? Você está bem? — Tentei focalizar meus olhos e vi Ben.

— Sim.

— O que você fez?

— Eu tentei... Tentei parar Dabria.

— Você quase morreu! Você está bem mesmo?

— Só dolorida. — Respondi e ele me ajudou a ficar em pé.

O barulho da polícia chegou até nós, Ben me ergueu nos braços e me senti no ar. Ben estava voando e me levando para longe daquele lugar.

— É verdade sobre Patch?

— Ele se apaixonou por ela sem ao menos notar. — Ben respondeu enquanto sobrevoava a cidade.

— Ele queria matá-la.

— Sim. — Respondeu pousando no alto de um prédio. — Mas acabou se apaixonando por ela.

— Isso é possível?

— Para o amor tudo é possível, você não acha?

O celular de Ben tocou e ele atendeu. Foram poucas palavras trocadas.

— Elliot, Erik e Jules estão com Vee na escola. Patch e Nora estão indo para lá.

— Ele vai matá-la.

— Elliot não parece fazer esse tipo nem mesmo Erik. E quem é Jules?

— É um cara alto que está sempre com eles.

— Não lembro dele. Você está bem? Eu vou lá para ajudar.

— Eu vou junto.

— Não, você já esta machucada o bastante. — Beijou meus lábios antes de correr para a beirada do prédio.

Logo ele sumiu voando na noite escura.

Não poderia ficar parada. Entrei no prédio e consegui um elevador. Assim que cheguei a rua e pedi um taxi tudo ficou escuro. Minhas mãos foram seguradas antes de ser amarradas e eu fui erguida do chão. Gritei me debatendo.

Meu corpo atingiu algo pequeno e eu fiquei encolhida. Respirei fundo para conseguir me concentrar. Era os pensamentos dos empregados de Edmundo.

Mas eu era muito azarada mesmo!

O carro parou e o porta-malas foi aberto. Meu corpo foi puxado e eu fiquei em pé meio cambaleando. O saco preto foi tirado da minha cabeça e eu pisquei tentando me acostumar com a claridade.

Olhei na direção de Edmundo que estava sorrindo.

— Olá de novo querida Nicolle.

Fiquei calada o encarando. Respirei fundo. Ele era um cara bonito. O cabelo escuro cortado curto agora e seu rosto com sardas, seus olhos verdes brilhavam. Edmundo era um cara novo e bonito. Ele poderia ser perfeito se não fosse seu único defeito.

O prazer em bater em mulheres.

— Me deixem a sós com ela. — Mandou.

Os dois homens entraram no carro e saíram da garagem, o terceiro homem saiu e fechou o portão trancando-o.

— A sós como nos velhos tempos. — Sorriu se aproximando e eu recuei batendo na parede.

Seu sorriso era de um felino pronto para a caça.

— Eu trouxe uma lembrança. — Puxou seu chicote que estava preso na calça jeans. — Lembra dele? Por que eu lembro? Isso é familiar não é?

— Você é um louco. — Falei.

— Sou louco por você. Completamente louco. — Se aproximou prendendo meu corpo contra a parede.

Senti nojo.

— Você é minha. Completamente minha.

— Eu vou fazer você mofar na cadeia. — Gargalhou.

— Eu sou rico. O dinheiro compra tudo. — Respondeu me encarando.

Não tinha resposta para isso por que eu sabia que era verdade. Se afastou e o chicote acertou minha coxa, mordi o lábio o encarando.

— Está tão vestida. — Falou colocando um dedo no botão da minha saia. — Infelizmente vai ser a última noite que eu possuirei esse corpo.

Chutei sua perna o fazendo se afastar de mim e ele sorriu.

— Vai lutar contra? Por que isso vai me deixar mais excitado, você sabe.

— Você é um doente. — Resmunguei.

O chicote acertou meu rosto e senti o sangue escorrer. Mordi os lábios freando um grito de dor. Já tinha aguentado dor maior. O chicote acertou de novo meu rosto e me desequilibrei caindo no chão.

Ele sorriu parando em pé na minha frente. Usei a magia para soltar as amarras e quando ele se preparou para acertar de novo o chicote o lancei longe.

Ele caiu de costas no chão. Agarrei o chicote e lancei em seu rosto.

Ele gritou.

— É bom não é? — Perguntei igual a uma louca e grudei de novo. — Dói não é? Mas dor é bom.

— Você sabe que eu já apanhei assim quando criança. — Respondeu-me.

— Bom, então relembra. — Falei grudando o chicote de novo nele que gritou e tentou se arrastar para longe.

Bati com o chicote nas suas costas três vezes até ele cair deitado no chão.

— Sabe o que o dinheiro não compra, Edmundo? — Perguntei virando seu corpo para ficar de frente para mim.

— O que aconteceu com você?

— Eu jurei que nunca mais deixaria você ou qualquer homem fazer isso comigo de novo. Jurei que mataria quem tentasse.

— Você não vai fazer isso.

— Você não me conhece. — Coloquei a mão no seu coração. — Dinheiro nenhum no mundo compra a vida.

Ele gritou e eu fechei os olhos. Os gritos só pararam quando seu coração saiu do peito e parou nas minhas mãos.

Sentei no chão começando a chorar. Larguei o coração dele no chão.

O que eu tinha feito?

Eu tinha matado alguém! A sangue frio. Sem dó. Sem piedade.

"Você é uma filha de Lilith!"

Notas finais
N.B.: Puta que pariu. Que final foi esse produção??? Estou chocada e maravilhada, sendo bem sincera, isso foi insano. Muito bom amiga, de verdade. Parabéns. Bjs, bjs. Fhany Malfoy. N.A.: Semana que vem posto o epilogo e um capitulo extra do casal favorito, Nikki e Ben. Espero que tenham gostado. E por favor deixem uma escritora feliz. Deixem um comentario. Mas se não quiserem deixar super entendo. Sem pressão! Obrigada!