Filhos da Noite

15 Capítulo 14 - O PASSADO BATE A PORTA


Acordei desorientada. Pisquei meus olhos e vi que eu estava dentro do Skyline. A porta estava aberta e Ben estava me encarando.

— Oi. — Sorriu-me. — Você está bem?

— O que aconteceu?

— Você desmaiou quando eu ia chegando. Tudo bem?

— Cadê meu celular? — Pedi ficando assustada.

— Aqui. — Me entregou. — O que aconteceu, Nikki?

— Ele... Ele me encontrou.

— Quem te encontrou?

— Edmundo. Meu ex namorado. Ele me encontrou, Ben. Ele me encontrou. Ele vai vir atrás de mim. E vai me machucar de novo. — Comecei a chorar.

— Hey. Hey. — Ben agarrou meu rosto entre as mãos e o encarei. — Já disse que vou te proteger. Ninguém vai tocar em você. Eu o matarei antes que chegue a isso.

— Você não o conhece. Ele é muito influente. Ele consegue tudo que quer.

— Eu também. E te garanto, sou mais influente que ele. — Falou. — Ele não vai chegar até você, Nikki. Eu prometo. — Ben beijou meus lábios de forma doce e eu fechei os olhos tentando acreditar que isso fosse verdade.

Ben dirigiu o Skyline até em casa. Estava tudo vazio. Ele me ergueu nos braços e me carregou para dentro da casa. Dentro do quarto ele me deixou sentada em minha cama.

— Vou te dar um tempo para você tomar banho e voltar. — Assenti e ele deitou na minha cama.

Levantei e fui tomar banho. Vesti meu pijama e voltei para o quarto. Deitei na cama ao seu lado e ele virou para mim segurando a minha mão.

— Vou trocar meu número com você. E pegar um novo para mim. Assim você ficará mais tranquila.

— Eu tenho que avisar Nora e Blyte sobre Edmundo.

— Se você acha necessário, avise. Eu estarei de olho na cidade.

O final da semana se passou tranquilo. É claro que eu esperava por Edmundo a qualquer momento. Avisei Nora. Depois liguei para os advogados dos meus pais e os deixei de sobre aviso.

Eu não teria como colocá-lo na cadeia agora. Não tinha provas e naquela época eu tinha um contrato com ele. Claro que nada que chegasse à algo tão horrível quanto o que ele fez comigo.

O sábado choveu o dia inteiro e eu fiquei de bobeira tomando chocolate quente e escutando música enquanto colocava meus deveres em dia.

— Você vai sair com Patch? — Perguntei olhando por cima da xícara para Nora.

— Eu não sei. Acho que sim. — Ela falou olhando para o relógio do hall.

— Aproveite. Eu vou me arrumar.

— Vai sair com o Ben?

— É claro.

— O que realmente está acontecendo entre vocês? É sério?

— Eu acho que é. Não tenho certeza. — Murmurei e depois terminei meu chocolate quente. — Vou subir.

Coloquei um vestido cinza escuro com mangas compridas e um decote v, coloquei um cinto marrom para marcar a cintura e um cachecol no pescoço, calcei um sapato Oxford preto sem salto.

Desci as escadas e Nora ficou me encarando.

— O que?

— Está linda. — Falou sorrindo e eu sorri.

— Obrigada.

Ouvi a buzina de Ben e acenei para Nora enquanto pegava minha bolsa carteira e pendurava no ombro.

Desci as escadas correndo e entrei no carro que estava com a porta aberta.

— Nossa. Que produção. — Falou sorrindo. — Que pernas. — Colocou a mão na minha coxa e sorriu.

— Para onde vamos?

— Quer jogar uma sinuca antes de comermos algo?

— Pode ser. — Falei.

Ele dirigiu até o Fliperama do Bo e pagou as entradas. Todos estavam nos encarando quando descemos as escadas.

— Se deu bem. — Alguém gritou.

Outro assoviou. Meu rosto ficou vermelho.

Ben estalou a língua.

— Não dá bola para eles. — Sussurrou para mim.

— Acho que você que vai dar bola para eles. — Retruquei o encarando.

Ele me olhou de cima a baixo e passou a língua nos lábios.

— Tem razão. Mas eu gosto que eles vejam a mulher que eu tenho.

— Ben. — Resmunguei e ele beijou minha bochecha.

— Relaxa e curte. — Beijou meus lábios e se afastou.

Estávamos jogando sinuca e eu estava indo bem quando meu celular tocou. Eu tinha deixado a bolsa no carro e entregado o celular para Ben colocar no bolso então ele me entregou.

— Oi.

— Marcie foi espancada quarta.

— Espera. O que? — Perguntei me encostando na mesa de sinuca. — O sinal está ruim. O que aconteceu?

— O detetive Basso esteve aqui. Eu te contei que tive uma pequena discussão com Marcie na biblioteca quarta.

— Sim. Você a chamou de Porca anoréxica. — Gargalhei.

— O problema é que ela foi espancada. E acham que fui eu.

— Eu não acredito. — Murmurei.

— Eu preciso desligar, Patch acabou de chegar.

— Ok. A gente se fala melhor depois. — Desliguei e encarei Ben.

— O que aconteceu? — Ben perguntou me encarando preocupado.

— Marcie e Nora andaram discutindo na biblioteca quarta. Ela foi espancada logo depois e agora estão achando que foi Nora que fez isso.

— Espancada?

— Aposto que foi a mesma pessoa que fez isso com Vee.

— Mas por quê?

— Eu não sei. Não estou entendendo qual é dele. Bater em Vee é ameaçar Nora. Mas bater em Marcie é incrimina-la. Tudo indica que ele quer o mal dela. Mas quem é essa pessoa?

— Hoje eu vou falar com o Patch.

— Não. Se tiver que alguém falar. Tem que ser a Nora.

— Ok. Você tem um ponto ai. — Sorri.

Voltamos ao nosso jogo e quando eu estava comemorando que finalmente tinha vencido vi Nora e Patch aparecerem.

— Vamos ir comer algo agora? — Ben perguntou e eu assenti.

— Pode ser. — Falei.

Nós saímos e corremos para o carro. Estava chovendo bastante.

Ben dirigiu até um restaurante de comida italiana e eu arregalei os olhos.

— Oh glória! Como você sabe que eu amo comida italiana?

— Hum.. Eu diria que é sorte. Mas você sabe que eu te conheço como ninguém. — Sorri. — Isso vem da sua vida passada. Você morava na Itália na outra vida, mais precisamente em Palermo.

— Pelas imagens eu imaginei que fosse lá. — Saltei do carro me segurando para não dar pulos de felicidade.

Eu amava muito comida italiana. E dificilmente Nora e Vee vinham aqui por que era caro.

— Você conheceu a Itália já? — Ben perguntou.

— Não. Eu passava muito de Londres para os Estados Unidos. Conheço boa parte dos Estados Unidos por causa da competições de skate.

— Você participava então.

— Eu participei quando era criança, mas meus pais achavam que era perda de tempo. Eles preferiam que eu tocasse violoncelo. Ou praticasse ginástica Artística. Tentei hipismo, mas não rolou. — Sempre gostei de cavalos por que me sentia livre correndo nos campos da fazenda. No verão nós podemos ir lá dar uma volta. Vai estar quente.

— Quem cuida da fazenda por você?

— Tem um caseiro de confiança do meu pai que cuida do local. Viktor mantém o lugar limpo e os cavalos bem alimentados. Não pode fazer mais do que isso. Meu pai também deixou um dinheiro para ele se manter até eu resolver o que fazer com a fazenda.

— Você já tomou alguma decisão?

— Eu pensei em tentar Julliard. Mas caso não dê, quero voltar a Inglaterra e ingressar na Oxford.

— Quer mesmo? — Perguntou e eu ri.

— Não sei. Francamente eu tenho 16 anos. Ainda tenho muitas decisões para tomar na vida. — Debochei e ele sorriu.

— O que eu mais amo em você de agora é esse seu jeito.

— Qual jeito?

— O de não pensar no futuro. A maioria das meninas ou estão focadas em arrumar um namorado ou estão focadas na faculdade. E você não. Tudo o que você pensa é no agora. Tem algum motivo para isso?

— A vida é um sopro. Um dia você está vivo e no outro ninguém pode saber. Para que fazer planos para o futuro se eles podem mudar do dia para noite?! Eu vivo o agora. Agarro as oportunidades agora. O que tiver que ser no meu futuro, será.

Comemos e ele me levou de volta para casa. Beijei sua bochecha e peguei a minha bolsa e meu celular.

— Só um beijo de vovó?

— Blyte está na janela. Pelos seus pensamentos ela já entrevistou Patch e não gostou. Acho melhor não ter uma segunda decepção por uma noite.

— Isso foi insultante Srta. Crawford.

— Outro dia, Sr. Archibald. — Sorri e sai do carro.

Fui até a porta e entrei na casa. Como eu já sabia, Blyte estava me esperando.

— Podemos conversar Nikki?

Olhei o relógio do celular eram 10 e meia.

— Ok. — Murmurei.

Fomos até a sala e me sentei em um sofá.

— Você arrumou um namorado?

— Não sei dizer o que ele é ainda. Mas estamos nos encaminhando para isso.

— E ele... É como seu ex?

— É claro que não. Eu não cometo o mesmo erro duas vezes.

— Isso me deixa mais tranquila. E como ele é?

— O Ben é... Um cara legal e atencioso. — Respondi.

— Ele participa de alguma coisa na escola?

— Ele se mudou faz pouco tempo. Ainda não se decidiu o que vai fazer.

— Sobre o Edmundo. O que você vai fazer?

— Falei com o advogado. E troquei o número de celular. Mas será pouco tempo até ele me achar.

— E o que você pretende fazer?

— Estou aterrorizada. — Baixei a guarda. — Mas estou pronta para encontra-lo. Se ele vier para fazer mal, bom ele vai para a cadeia desta vez.

— Você não tem medo do que ele pode fazer desta vez?

— Eu tenho medo, tia Blyte. Mas para ele pagar pelo que me fez eu preciso de provas. Do passado elas foram apagadas com o tempo. Só tenho algumas cicatrizes, mas cicatrizes não são provas agora.

— Você tem coragem para encara-lo frente a frente?

— Eu preciso ter. — Respondi. — Não adianta fugir. Não adianta mudar de cidade. Eu me mantive no escuro todo esse tempo. Evitei qualquer tipo de rede social ou qualquer coisa do tipo e ele me encontrou. Ele vira atrás de mim. Só preciso ter coragem o bastante para enfrenta-lo. Ou ele vai ficar livre para fazer com outras o que fez comigo. E eu não posso deixar isso acontecer.

— Se ele aparecer, ligue para a polícia. Não tente nada perigoso. — Assenti.

— Obrigada. Boa noite. — Falei antes de levantar.

Subi as escadas correndo e fui direto para o quarto de Nora.

— E ai? — Perguntei depois de bater na porta e entrar. — Foi legal?

— Patch tem uma cicatriz de v invertido nas costas.

— O que? — Perguntei franzindo a testa.

— Um v de cabeça para baixo, é muito estranho não é?

O que eu ia falar? Uma cicatriz que ele provavelmente ganhou por ter caído dos céus.

Notas finais
N.B.: OMG, gente, adoro essa forma de demonstrar que ali já existiu uma asa, eita que a dona Blyte é leoa e detetive rsrsrsrs. Só fico pensando como ela não gostou do Patch, puta Deus grego maravilhoso e misterioso rsrsrsrs. De verdade, estou adorando. Bjs, bjs. Fhany Malfoy N.A.: Boa pergunta. Mas do Ben ela gosta. Ah se ela soubesse... kkkkkk Obrigada. Estamos entrando na reta final de Filhos da Noite. Bjs. CM Winchester