Ben ligou para Patch.

— Perdemos ele. — Ben falou. — E Nora?

— Ela está em coma. Não consigo alcança-la. Traga Nikki aqui.

— Já estamos indo. E Marcie?

— Alterei a mente dela e fiz Dabria a levar para casa.

— Dabria? Desde quando confia em Dabria?

— Estou meio sem opções. Podem vir rápido? — Ben desligou e me encarou.

Nós voltamos correndo para a escola e Ben assumiu o volante do Skyline. Ele dirigiu até um prédio e o encarei confusa.

— Patch não mora embaixo do Delphic?

— Morava. Ele se mudou.

Nós entramos no apartamento de Patch que estava nos esperando. Ele nos conduziu até o quarto e eu encontrei Nora. Ela estava toda azul.

— Não consigo acessar a mente dela. — Patch falou. — Por favor, me diga que você pode fazer algo?

— Eu não sei. — Sentei na cama e olhei a ferida ainda aberta.

— Como não sabe? Você é uma bruxa! — Ele gritou e Ben o encarou furioso.

— Magia negra não é o meu departamento. — Resmunguei o encarando furiosa. — Baixa a bola, Patch! Estou tão preocupada quanto você.

— Desculpe. — Ele murmurou sentando na cama e colocando as mãos na cabeça.

Lancei um olhar para a ferida e mordi o lábio.

Ele tinha razão, eu era uma bruxa. A magia fazia parte de mim. Esse era um caminho sem volta. Coloquei meus dedos na ferida sabendo que por dentro ela sentiria.

Fechei os olhos e forcei a magia a sair do corpo dela. Senti ela penetrando meu corpo e duelando com minha magia. Era o bem contra o mal.

Eu não sabia o que isso faria com o meu corpo. Mas não podia parar e pensar nas consequências.

Quando finalmente o corpo de Nora estava livre da magia eu senti o meu mole, Ben me agarrou antes que eu atingisse o chão.

— Nikki? — Ele perguntou.

— Estou bem. Me leve para a casa da fazenda.

— O que está acontecendo?

— Preciso colocar essa magia para fora do meu corpo. — Ele me ergueu nos braços.

Quando cheguei a casa da fazenda ele me ajudou a descer as escadas para o porão. O movimento na casa chamou a atenção dos moradores que levantaram e vieram atrás.

Sentei no chão e coloquei minhas mãos abertas ali. Senti a magia saindo de mim, fechei os olhos e deixei.

Quando acabei meu corpo caiu no chão e deixei que meus olhos se fechassem.

Acordei com o sol batendo no meu rosto e um corpo deitado ao meu lado. Lancei um olhar para Ben que estava virado para mim. Toquei seu rosto e ele abriu os olhos.

— Como você está?

— Estou bem.

— Viktor está preocupado. O que você fez foi loucura.

— Eu sei, mas não tinha escolha.

Ele segurou minha mão e beijou meus dedos.

— Não faça isso de novo. Vai corromper sua alma, Nicolle. Não posso perde-la.

— Eu estou bem. — Falei antes de me inclinar e beija-lo.

Puxei seu corpo para cima do meu.

Nora ligou algumas horas depois.

— Como você está? — Perguntamos juntas.

— Estou bem. — Respondemos juntas.

— Tarefa de sábado. Limpar o quintal. Minha mãe quer saber de você.

— Estou na casa da fazenda. E já estou indo ai.

— Ok. — Ela desligou e encarei Ben.

— Tenho que viver uma vida humana e sem graça também. — Ele sorriu antes de me beijar.

Vesti uma calça de moletom cinza, um cropped larguinho preto com capuz e calcei meu tênis da Nike. Fiz uma trança e dirigi até a casa de Nora.

Quando cheguei no quintal Nora veio me abraçar.

— Está bem mesmo? — Perguntamos juntas.

— Estou bem, Nora. Não se preocupa. E você?

— Estou bem também. — Ela sorriu. — Hoje enquanto Dante e eu estávamos treinando vimos alguns Anjos Caídos nos espionando.

— Na floresta?

— Sim. — Ela respondeu e mordi o lábio. — Vamos trabalhar.

Estávamos na metade do jardim quando um carro estacionou na rua. Scott desceu do carro.

— E ai, Grey? Crawford? — Ele pegou as luvas que estava no bolso de trás do jeans e as colocou. — Eu vim ajudar. Coloque-me para trabalhar. Eu sou seu escravo por um dia. Tudo bem que quem deveria estar aqui é o seu garoto, Dante.

— Eu não entendo. Como você ficou sabendo sobre a limpeza do jardim? — Nora perguntou apoiada no seu arado.

— Quem mais seria? — Debochei passando a mão na testa.

— Pela sua nova melhor amiga. — Scott respondeu.

— A Marcie te recrutou? — Nora perguntou.

— Ela disse que precisava de ajuda com as tarefas. Ela é alérgica e não pode trabalhar fora de casa.

— E fui ingênua o suficiente para pensar que ela realmente iria ajudar.

— Não sei quem foi mais ingênuo: ele por acreditar nessa mentira da Marcie ou você por acreditar que aquela preguiçosa fosse ajudar. — Debochei.

Scott pegou as outras ferramentas e veio nos ajudar.

— Vamos fazer uma grande pilha e jogar nela. — Scott propôs e eu sorri.

— Isso não ajudaria em nada. — Nora falou e Scott sorriu dando um tapinha no ombro dela.

— Mas seria divertido. — Ele falou.

Marcie saiu para a varanda e sentou nos degraus cruzando as pernas.

— Oi, Scott.

— Hey.

— Obrigada por vir ao meu resgate. Você é meu cavalheiro de armadura branca.

— Oh, vômito. — Nora falou revirando os olhos.

— A qualquer hora. — Scott falou. — Eu não podia recusar atormentar a Grey. — Ele colocou um monte de folhas dentro da camiseta dela.

— Hey! — Nora gritou antes de pegar algumas folhas e jogar nele.

Ele foi rápido em jogar Nora no chão espalhando as folhas por todo o lado. Ele começou a encher a camiseta e os bolsos da calça dela de folhas. Eu apoiei as mãos no arado e fiquei observando a cena enquanto ela não conseguia parar de rir.

— Scott. — Nora falou.

— Arrumem um quarto. — Marcie resmungou.

Scott finalmente soltou Nora.

— Que pena que você tem alergia. — Nora falou. — Limpar o quintal pode ser muito divertido. Eu me esqueci de mencionar isso? — Ela fuzilou Nora com o olhar depois entrou dentro de casa.

Ergui a mão e Nora deu um tapa.

— Um ponto para a Grey. — Debochei. — Agora voltar ao trabalho!

— Sim, senhorita. — Scott bateu continência e depois sorriu.

— Idiota!

Colocamos as folhas em sacolas de lixo laranjas fazendo-as parecer abóboras e deixamos enfeitando o pátio. Entramos para comer algo. Enquanto eles tomavam leite eu peguei uma xicara de chá. Comemos os biscoitos de chocolate com menta que Blyte tinha feito.

— Acho que deveríamos fazer uma festa de Halloween aqui. — Marcie falou.

— Não se ofenda, mas essa família não é muito fã de festas. — Nora falou.

— Acho que é uma ideia maravilhosa, Marcie. — Blyte falou. — Não temos feito muitas festas aqui desde que Harrison morreu. Posso passar na loja de fantasias mais tarde e ver o que eles tem de decoração.

Nora lançou um olhar para Scott e eu. Nós dois demos de ombros em sincronia.

— Pode ser legal. — Scott falou.

— Você tem um bigode de leite. — Nora falou e passou a mão limpando depois esfregou no braço dela. — Eeee! — Ela gritou o empurrando.

— Acho que deveríamos ter um tema. — Marcie falou. — Como casais famosos da história e pedir para todos virem em casais.

— Isso já foi feito antes. — Nora falou. — Tipo um milhão de vezes!

— O tema deveria ser um personagem favorito dos filmes de Halloween. — Scott falou sorrindo.

— Sério. Voltem pra cá. Todo mundo... Se acalmem! — Nora falou erguendo as mãos. — Mãe, você se dá conta de que teríamos que limpar toda a casa né? — Blyte riu.

— A casa não está suja, Nora.

— Vai ser "traga sua própria cerveja" ou nós vamos bancar? — Scott perguntou.

— Nada de cervejas. — Blyte e Nora falaram juntas.

— Bom, eu gosto da ideia de casais famosos. — Marcie falou. – Scott, deveríamos ir juntos.

— Poderia ser Michael Myers e você uma das babás mutilada?

— Não. Iremos como Tristão e Isolda.

Nora mostrou a língua.

— Uma forma de ser original. — Ela debochou.

— Bom, oi, pequena senhorita feliz. — Scott falou.

— Vamos juntas a loja de fantasias, senhora Grey. — Marcie falou. — E depois poderíamos passar pela papelaria pra gente comprar convites. Quero uma coisa horripilante e festiva, mas também sentimental. — Ela balançou os ombros. — Isso vai ser muito divertido. — Ela gritou.

— Quem você vai convidar pra festa, Nora? — Blyte perguntou e Nora pressionou os lábios.

Marcie sorriu.

— Anthony Amowitz tem uma queda por você.

— Oh, me conta mais sobre esse Anthony. — Blyte falou.

— Ele estava na nossa turma de educação física ano passado, toda vez que jogávamos Softbol, ele jogava como recebedor e ficava olhando de boca aberta para as pernas de Nora o tempo todo enquanto dava as rebatidas. Ele não pegava nenhum lançamento de tão distraído que estava.

— Nora tem umas pernas lindas.

Nora ergueu o polegar apontando para a escada.

— Vou pro meu quarto bater a cabeça na parede algumas milhares de vezes. Qualquer coisa é melhor do que isso.

— Você e Anthony poderiam ser Scarlett e Rhett. — Marcie gritou. — Ou Buffy e Angel. E Tarzan e Jane?

— E você, Nicolle? — Blyte perguntou. — Vai chamar o Tyler?

— Não... Eu... Estou com o Ben, tia Blyte.

Ela segurou o sorriso por um segundo depois desanimou.

— Por que ele não tem vindo?

— Por que sabe que não é bem-vindo.

— Eu nunca disse que ele não poderia vir aqui.

— Mas ele sabe que a senhora não gosta muito dele. Eu vou subir também. Quero tomar um banho.

Quando cheguei no quarto encontrei Nico nele. Fechei a porta rapidamente.

— O que está fazendo aqui?

— Você saiu e não conversamos direito. Como você está?

— Estou bem.

— Viktor está preocupado. Você não podia ter feito aquilo!

— Eu não tinha muita escolha, Nico.

— Sua magia foi contaminada agora, Nikki. Você não é completamente pura.

— Eu não me importo com isso, Nico.

— Mas devia! Isso vai afetar muito você agora.

— Eu estou bem.

— Eu sei, mas você tem que entender que existem duas magias dentro de você agora.

— Eu liberei ela.

— Não. Sempre ficará um pouco de resíduo em você. Elas estão ligadas agora.

Sentei na cama e o encarei. Pela primeira vez a preocupação estava tomando conta de mim.

— O que pode acontecer?

— Uma delas vai ter que predominar no seu corpo. Temos que torcer para que a magia boa consiga ganhar essa batalha.