Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
100 Um golpe final.
Notas iniciais
Lado a lado, os combatentes contra o Estado encararam aqueles cidadãos, enquanto eram exibidos como criminosos. Flecher estava entre Cadius e Beatrice, e depois dela estava Dukan, como o ultimo do lado o direito do grupo. Na outra ponta da fileira os últimos eram Philipe e Charlie. E nesse momento, diante de uma execução, Téo se perguntou sobre Destiny. Ao lado dele estava Taz, que também estava a esquerda de Cadius, e Diana d lado esquerdo do ex-soldado.
No pódio atrás deles, Jess continuava discursando sobre as terríveis intensões do grupo, o que incluiu criativos objetivos de saquear os bens de toda nave, apagar todos os avanços das pesquisar cientificas e transformar os habitantes em escravos, para vendê-los na terra primitiva que a maioria das pessoas de lá imaginavam que havia abaixo. Coisas terríveis para imagens deles.
Flecher e os outros tentava planejar algo para sair daquela situação durante o silencio que faziam. Infelizmente os que tinham alguma habilidade útil para o sucesso de algum plano estavam com as mentes dopadas, e todos estavam com as mãos presas e sem armas. Então o moreno deu uma olhada para aquele grupo que o seguiu para aquele lugar, buscando a inspiração para não ceder ao cansaço que lhe tomava facilmente e perder a esperança do sucesso. E subitamente quando piscou se perdeu nos pensamentos vagos, sua força sumiu e ele caiu de joelhos quase permitindo que seu corpo descansasse de vez. Porém quando tocou o chão com as mãos, pode sentir uma vibração contínua, que não era gerada pelos autofalantes com a voz do comandante e nem pelas pessoas. Uma ideia usou da consciência fraca que ele mantia, se esforçou para ficar de pé novamente e perguntou o quem estavam do seu lado onde estariam os motores daquela nave — devia ter motor em algum lugar.
Cadius, com a mente desajustada por toxinas, não compreendeu as palavras de Flecher, mas foi com aquilo que ele começou a usar sua habilidade consigo mesmo, organizando os pensamentos e contendo boa parte da “dormência mental” gerada pela substância que injetaram. Depois, em vez de tentar falar, Cadius apenas entrou na mente de Flecher e descobriu o que ele queria saber, então buscou as informações naqueles que estavam por perto e quando teve a resposta a transmitiu para mente do outro: Os propulsores estavam em todos os lados da nave (incluindo os propulsores principal, e mais potente de todos, que um dia elevou a nave da terra), mas tudo estava ligado à sala de maquina/motores, que estava bem abaixo deles. Flecher sorriu fino para o garoto de cabelos escuros e olhos azul piscina, que estranhou a expressão, então levantou as mãos algemadas cutucando a cabeça e no mesmo instante Cadius compreendeu a deixa para bisbilhotar a mente do outro e descobrir o plano sem que outros soubessem.
Beatrice (que se sentia completamente sonolenta) e Dukan estavam prestando atenção neles desde que Cadius começou a trocar olhares com Flecher , e não entendiam porque depois daquele gesto a expressão de Cadius foi mudando para uma de espanto.
—Isso tem grande chance de ser impossível. Não pode fazer isso com você. —Cadius disse perplexo e sério para Flecher. — Não vai resistir!
—Só, transmita para todo mundo. Destiny e Lucas precisam ser encontrados depois, independentemente da consequência.
Cadius engoliu em seco o olhando por mais um tempo e depois encarou diretamente Beatrice, ajudou-a a conter a toxina que agia no cérebro, fazendo-a se sentir bem melhor, e só pra ela disse o plano de Flecher. A jovem morena era a peça mais importante do plano, e talvez, se o que fizessem não fosse fora do limite dos dois, a chance de Flecher sobreviver.
E logo a seguir Bea encarou Flecher da mesma forma que Cadius tinha feito ao saber e depois se virou para Dukan. Os olhos verdes escuros e inocentes de todo o plano a observaram da mesma forma: fixo, sério e preocupado. Mas ela voltou a olhar para Flecher, que esperava uma aceitação, e ela concordou com um gesto de cabeça decidido.
Alguns dos combatentes se assustaram com a súbita narração de Cadius do plano particular deles. Taz se moveu querendo encarar Flecher de perto, e quem sabe fazer algo para que mudasse de ideia, mas Téo a segurou no lugar indicando os soldados de olho neles, atentos a qualquer ação de rebeldia para usar suas armas.
—Ele não pode fazer isso! —sussurrou ela para o maior de cabelos prata com o coração já tão agitado e apertado quanto ela podia aguentar.
—Ele pode fazer o que puder para concluir a missão dele e deixar a maioria de nos vivos. —respondeu o outro. —Sei que é complicado, Taz, mas não temos muitas saídas. São muitos contra poucos e nem mesmo temos armas.
—Beatrice, não faça isso! Sério... Eu faço qualquer coisa, mas você não vai participar disso!
A morena encarou o loiro, séria e convicta demais para ceder a suplica no olhar dele:
—Eu te amo muito, mas não vamos ter futuro se não fizermos nada. É justamente por nós que eu vou fazer isso. Não tem o que você possa fazer.
—Dukan. — Flecher lhe chamou a atenção, falando em tom sério e voz fraca. —Preciso que vão atrás dos dois, e, por favor, sigam o plano e tente manter todos seguros quando isso chegar lá embaixo.
Assim que terminou de falar Flecher se abaixou subitamente, repetindo a cena da sua ultima queda, mas dessa vez permaneceu ajoelhado com as mãos apoiada nas coxas. Concentrou-se o melhor que pode, revisando na mente os mecanismos, a nave e o todo ambiente. Antes de tocar o piso, seguindo o instinto que vinha de dentro, olhou para Taz, que o encarava com toda atenção e preocupação que a pequena ranzinza tinha, e ele se permitiu perceber com o aquilo ia ser ruim para ela, mas antes que a dor não física o tomasse, desviou o olhar. Era por isso que não queria se envolver com eles, ou com ela. Sua ação ia gerar desconcentração naqueles que gostavam dele, a luta ainda não tinha terminado e ele certamente não ficaria bem para ajuda-los. Flecher inspirou, fechou os olhos e esvaziou o pensamento de tudo — por mais que sua mente quisesse faze-lo refletir mais. Não tinha muita energia, mas tocou o chão e as faixas neons-verdes se espalharam opacas e fracas, desaparecendo á pouca distancia do toque dele, completamente insuficiente mesmo se esforçando e usando tudo o que tinha. Mas logo Beatrice deu um passo para perto de Flecher, sendo assistido por Dukan, e tocando no ombro dele, se concentrou para conduzir a energia para aquela parte que manipulava e coordenava a habilidade mutante dele, mesmo ela não sabendo se isso era possível. E foi no mesmo instante que Flecher teve o corpo tomado pelos feixes de neon e o ponto do chão em que tocava se tornou brilhante e muito mais forte. Os veios de luz renovada, que se encontravam e se separavam como o circuito de uma maquina, se espalhou como uma onda para todos os lados do piso e subindo pelas paredes, até sumir de vista, dessa forma calando o discurso empolgado do comandante Jess.
Segundos depois do silencio súbito Flecher caiu desacordado sendo seguido por Bea, mas ela foi segurada por Dukan. A seguir houve um tranco brusco e repentino em toda a nave, que fez a multidão cair em cima dela mesma. Uma coleção de rangidos soou por todo o espaço e o desespero se espalhou, pois as pessoas não sabiam o que estava acontecendo e começaram a correr em fuga. Na confusão os soldados ficaram atrapalhados e preocupados. Téo aproveitou para correr até Flecher para leva-lo dali com a ajuda de Cadius com Taz o seguindo.
Brian Jalaska percebeu a movimentação então transformou o corpo em aço e forçou as algemas até que estourassem, mas logo um dos soldados lhe apontou uma arma e ele não perdeu tempo para segurar a saída do projetil e deixar que a arma se explodisse com o disparo, depois atingiu o soldado com um soco no rosto o tirando facilmente da luta. Brian pegou a segunda pistola no cinto do inimigo e entregou para Marlene, que estava próxima e junta de Yan, e foi lutar contra outros soldados que chegavam. Ainda algemada a garota atirou em alguns soldados mais distantes, depois correu para a lateral do palco onde havia uma coluna de metal para se abrigar indicada por Yan. Quando estavam protegidos Lene mirou para o meio das algemas dele e deu um tiro o libertando, depois continuou mirando nos soldados que via.
Aaron ainda estava um pouco tonto pelo sedativo, mas depois que assistiu Brian se mover, se livrou das algemas criando um pequeno campo de força na tranca até abri-la, e em seguida fez a mesma coisa para soltar Philipe, Charlie e Diana, que estavam próximos e se esquivando dos tiros que eram disparados contra eles. Subitamente um dos projetis atingiu Aaron no flanco, fazendo-o trincar os dentes, e ele virou-se irritado para seu agressor, logo o envolvendo com o campo de energia e o jogando brutalmente contra uma coluna, e fez o mesmo com alguns outros soldados que deram intenção de ataca-lo.
Toda a nave Estado inclinou-se lentamente junto do rugido crescente das poderosas chamas do maior dos propulsores. Em todos os lugares luzes vermelhas piscavam agitadas, e ecoando por toda a colônia uma voz eletrônica calma avisava: “Sistema de regresso automático à Terra ativado. Sigam o protocolo e dirijam-se a estação de segurança para a viagem”. A estação de segurança era uma área que possuía as paredes reforçadas e eram preenchidas por cadeiras com cintos para que os habitantes das naves ficassem em segurança durante qualquer manobra.
Escondido atrás de uma mureta na beira do palco, Cadius, Taz , Dukan e Téo, com Beatrice e Flecher, desacordados se escondiam sem conseguir armas para lutar. De repente ouviram um piar agudo sobressalente em todo o som confuso do lugar, e assistiram uma ave negra de rapina descer sobre um soldado que tinha surgido na lateral do palco, mirando-os. A ave fincou as garras poderosas no pescoço do homem até derruba-lo no chão, então Clark voltou a ser cão, pegou uma pistola do soldado abatido e correu em direção á Yan, do outro lado do palco com Marlene, Diana, Aaron, Philipe e Charlie, passando direto pelo grupo.
Taz e os outros ouviram um baque perto deles, enquanto assistiam Clark se afastar, e ao se virarem encontraram Lucas depositando uma bolsa de armas perto deles, com a expressão séria, não os olhando e o rosto vermelho. Depois de uns segundo é que Dukan e Taz se espantaram levemente ao notarem que o garoto estava acompanhado por um par de asas escuras e altas, e ficaram o encarando. Ao contrario deles Téo e Cadius não deram tanta atenção para aquele detalhe, e logo puxaram a bolsa para se equiparem e se livrarem das algemas para revidar os tiros. Téo encontrou uma pistola de bala comum, ainda algemado puxou as mãos de Dukan e deu um tiro entre as duas pulseiras, pedindo depois que o loiro o ajudasse a ficar livre também.
Sem se livrar das asas ainda, Lucas se agachou e revirou a mochila junto com Taz, que separava para si a coleção de facas de lançamento. Ele jogou para Cadius (já livre das algemas) um par de espadas, pois sabia que o garoto usava bem aquelas lâminas, assim como ele que tinha sua espada especial. E no meio disso Brian Jalaska se uniu ao grupo para ajuda-los.
A nave decaia de volta aonde veio, e do outro lado do palco onde os combatentes lutavam, Diana, Aaron, Philipe, Charlie, Yan, Marlene e Clark, se protegiam e atiravam nos últimos soldados que insistiam em conte-los, e do outro lado deste mesmo palco estavam Dukan, Taz, Téo, Cadius, Brian e Lucas, se protegendo atrás de uma mureta de concreto e acompanhados de Beatrice e Flecher inconscientes.
Quando Téo se lembrou do comandante Jess, o homem já não estava mais em seu posto de discurso. E com raiva ele buscou um sinal do homem, mas não achou. O comandante era aquele que mais menosprezava o filho mestiço de uma cobaia, desejava sua morte prematura desde que era apenas uma criança e tornava difícil o sonho de ele ser um soldado da nave como qualquer outro.
Dukan aproveitou a diminuição de inimigos para finalmente sair do esconderijo e ir em direção aos grandes elevadores, levando Beatrice junto. Seus companheiros o seguiram, pois era parte do plano, e logo o grupo de Yan percebeu que era hora de prosseguirem e se prepararam para se unir ao loiro do outro lado palco.
No hall do elevador, Lucas se desfez de suas asas retirando a sua espada preferida do estojo que carregava. Téo e Dukan posicionaram Flecher e Bea no fundo do elevador enquanto Taz, Cadius e Brian davam cobertura da porta de ferro, revidando os tiros dos soldados e os mantendo longe até que Yan e os outros chegassem para finalmente embarcarem na ampla cabine do elevador em direção as cobaias e a dominação da navegação.
Fale com o autor