Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.

9 Por que estranhos são aqueles que são normais demais. - Destiny/S. e Philipe. -


Notas iniciais
Alguns dias passou-se desde que os três conheceram Cadius e Beatrice. Os contatos dos dois foram guardados, para eventuais emergências e assim é feito enquanto todos eles se conhecem. Mas logo eles estarão de volta. (Boa leitura.)

Narração Destiny/Savannah Rose Armor (16 anos) :

Abro meus olhos e encaro um teto que precisava ser limpo e com vários pôsteres de alguma banda além de desenhos á caneta. Os observo por alguns instantes, ainda tranquila despertando da boa noite de sono. De repente, olhando para a cômoda ao lado, meu coração dispara. Esse com certeza não é o meu quarto, nem nenhum cômodo que conheço. Sento-me na cama e, enquanto prendo meu cabelo ruivo ondulado com um elástico que estava no meu pulso, tento lembrar como fui parar ali. Sinto um movimento na cama larga do quarto e olho de relance, e hesitante, quem era... Salto do meu lugar e encaro apavorada para o garoto de uns 18 anos dormindo. Ele tinha os cabelos loiros escuros, pele levemente bronzeada e sem camisa, até onde pude ver. Um completo desconhecido! Saio do quarto aos gritos quando ele começa a despertar, me certificando de que ainda estou com um pijama. Só penso em sair daquele lugar. Chego á porta e esta trancada firmemente e com uma ou duas tabuas a atravessando. Ouço passos rápidos atrás de mim e me viro vendo Faith Stella, uma de minhas irmãs de 12 anos, me encarando com os olhos azuis-gelo e dizendo decepcionada:

–Ah... É você Destiny, que coisa.

Atrás dela sua gêmea idêntica,Hope Angeline, aparece esfregando os olhos:

–Rosie? O que esta acontecendo?- ela parece bem perturbada com o que estou fazendo.

–Meninas?!- sussurro.- Temos que sair daqui... Éh... Eu não sei o que esta acontecendo. Vamos me ajudem!

Só conseguia pensar em sequestro, de mim tudo bem, mas com as minhas irmãs isso estava assustador a cada minuto. E ainda havia uma risadinha caçoadora na minha cabeça o tempo todo me perturbando.

–Savannah? O que esta acontecendo?- O garoto confuso surge atrás das duas, que parecem não se importar com a presença dele.

–Ela não é a Savannah. -Diz Faith desanimada. — Estou com fome, vou ver se tem alguma coisa na cozinha.

–Espera. Como assim não é a Savannah? Faith!- a menina já sumia pelos cômodos da casa aparentemente abandonada.

–Esta é a nossa irmã, Derek, Destiny. Savannah surge de vez em quando, mas seu surgimento nunca demorou tanto como ontem.

Minha irmã, que é muito parecida comigo, começou a me explicar o que aconteceu junto com Derek na sala empoeirada em que estávamos e que recebia a iluminação da manhã. Falaram-me que eu, como Savannah, fiz Derek ajudar-nos a fugir de um investigador que queria apenas nós levar para um abrigo, já que o nosso pai havia morrido no ataque á nossa antiga escola ao tentar me salvar, e a nossa mãe estava muito distante em outro continente e nunca ia voltar. E Savannah impulsivamente imaginou que o homem se tratava de um habitante d'O estado que veio atrás dos que sobreviveram aos ataques nas escolas para levar e estudar. Eu ainda não conseguia encarar Derek, e muito sem jeito perguntei por que acordei na mesma cama que ele. Ele riu de mim de forma que tivesse um segredo em mãos, mas logo admitiu que não aconteceu nada naquela noite. Ele apenas estava fascinado pela Savannah e não resistiu quando ela pediu que ele ficasse com ela durante a noite, como medida de proteção. As verdadeiras palavras dela ecoaram na minha cabeça: "Derek, você pode ficar na poltrona me admirando e de guarda nesta noite. E se surgir inimigo... mate-o por mim."Porém de alguma forma ele não ficou lá.

–Ei Derek não tem nada aqui pra comer. — Faith apareceu, com seus cabelos laranja curtos balançando e desaprovando.

Ele resmungou pensando antes de comentar:

–É a casa de um antigo amigo meu. Esta abandonada, não deve ter nada mesmo.- ele me olhou.- Acho que vamos ter que sair para achar algo.

Por sorte Savannah, ou uma das minhas irmãs, havia arrumado uma mochila com roupas, mas não as que costumo usar. Vesti-me com as roupas que se adequasse minimamente á mim: uma meia calça preta grossa, saia jeans, um suéter com decote — a peça que menos gostei, mas era única que tinha- e por fim o coturno que Savannah permaneceu usando. Mal espero poder me vestir adequadamente. Ainda me sinto exposta, mas é melhor do que sair de pijama.

Narração Philipe Pires (16 anos):

Era uma boa manhã os pássaros voavam sobre minha cabeça e sob as copas das arvores do parque. Algumas pessoas que se exercitavam passavam por mim e me encaravam, até parece que nunca viram alguém em um banco acomodado de pernas no encosto das costas e costas na onde deve se sentar. Ficar assim ajuda a pensar e a ver o mundo de uma forma diferente, e até mais bonita.

Fineu é meu primo e temos a mesma idade. Ele me prometeu chocolates ontem a noite e o espero para que cumpra a promessa. Costumo encontra-lo frequentemente neste lugar e sempre tenho que esperar, então leio o que tiver na mochila, na verdade um mesmo livro que gosto muito.

Até agora ele não apareceu. Talvez ele tenha sido capturado por algum animal mutante do parque ou atacado por esquilos, afinal nunca se sabe quando aquelas criaturas de olhos escuros e que encaram escolhem suas vitimas.Ainda mais se essa pessoa tiver chocolates consigo.

–Ei Di-pires! O que esta fazendo aqui sozinho?- Derek surge já com o meu costumeiro apelido na língua. — Socializando com seus únicos amigos?-ele olha sugestivamente as arvores ao lado do banco. O encaro rapidamente e volto ao livro.

–Não o perturbe. — ouço Fineu dizer ao o irmão enquanto chega. Abandono minha leitura para vê-lo. Ele cumprimenta as três meninas ruivas que acompanham Derek, que eu não tinha percebido, e oferece para elas o meu chocolate. Volto novamente a minha leitura no momento de socialização dos cinco.

–O que você esta fazendo?- pergunta uma das meninas menor de uns doze anos e ruivinha.

–Lendo. — digo tranquilo e a observo de cabeça pra baixo, ela permanece com um olhar intrigado e gozador ao mesmo tempo. As duas meninas parecem clones, ou reflexos. Será que às vezes elas não se perguntam: se é quem são, ou se são a outra? Eu me questionaria.

Vejo as conhecidas mãos o de Fineu pegar o livro e vira-lo em minhas mãos, pois estava de cabeça pra baixo pra mim. Mas era o jeito que eu queria lê-lo, só assim para conhecer "bem" o livro. O observo e ele parece levemente irritado por me passar de doído e ser o motivo de Derek estar gargalhando. Fineu o corta perguntando onde eles estão indo.

–Arrumar um café da manhã. — diz prontamente a mesma garotinha que me perguntou.

–E depois vamos procurar uma organização que quer combater os ataques às escolas. Ouvimos uma transmissão há algumas semanas. E queremos nos juntar a eles. — Responde a garota mais velha, que é muito parecida com as irmãs, com exceção dos cabelos bem mais longos.

Então eles vão para uma organização que combate criaturas e soldados com armamentos e preparação muito mais avançada. Isso parece chamar a atenção de Fineu e infesta-lo com algum sonho de heroísmo.

Fineu me chama para ir com eles, só ainda não sei se é para o café da manhã ou para a organização, mas, como gosto de estar com esse garoto, levanto do banco e os sigo. Sou deixado pra trás facilmente enquanto o grupo conversa e caminha para fora do parque.E mesmo assim fico muito feliz em estar no meio deles.

Meu passado não foi nada de mais até a uns dois anos atrás. Eu tinha quatorze anos quando meus pais foram assassinados por um canibal afetado pela paranoia de estar possuído pela alma de um urso e felinos. As pessoas não costumam acreditar nisso quando eu conto. Não sei dizer o porquê, mais é verdade. Eu estava lá enquanto ele realizava o ato e rugia. Fui salvo pelo grupo de policiais que invadiram a casa e o executaram ali mesmo na cozinha. Depois disso fui para casa do meu tio. Lá é um péssimo lugar, onde sou mais insignificante do que o peixinho da minha prima Ormelia. Porém agora é a minha casa. E apesar de ter que aturar Derek, que me inferniza todos os dias, sei que vou ter o pouco de felicidade e o amor com Fineu, que parece ser o único que gosta de mim, sobre o mesmo teto. Embora não tenha tanta certeza do que Fineu sente por mim, nem do que sinto por ele. Quando estou lá só consigo pensar que ter alguém que me de atenção é melhor do que não ter ninguém.

Notas finais
Blablablá, eu sei desculpe. A semana não tava divertida e inspiradora... A segunda parte vem a seguir. Éh sou louca, e gosto de capítulos sem exagero.