Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
84 Mediador
Notas iniciais
No corredor externo Diana atirou suas facas, mirando no calcanhar do soldado alguns metros à frente, até que uma delas atingiu o homem que caiu de cara no chão. O soldado se virou, ficando deitado de costas, e começou a procurar outra arma na roupa, mas Diana foi mais rápida e lançou um dos dardos tranquilizantes da zarabatana fazendo-o parar quieto. Ela se aproximou para olha-lo de cima, então se ajoelhou ao lado dele e falou das lembranças de sua mãe que aquilo estava lhe trazendo, e como estava claro o motivo dela querer a queda da nave; Para impedir que mais pessoas sofram perdendo alguém que é importante.
O homem a encarou irritado, então notou o sangue e a mutação afiada de Diana, e seus olhou voltaram a olha-la com uma expressão desdenhosa e risonha. Ela ficou um pouco mais irritada com aquilo.
–Diana, você esta bem?
Ela ouviu a voz de Beatrice, e se virou para vê-la, notando que Bea indicava os espinhos de seus braços.
–Isso incomoda um pouco... -resmungou em resposta e testando a ponta de um dos espinhos que facilmente feriu seu dedo.
O soldado se moveu um pouco, botando as mãos para o bolso da calça, e a atenção de Diana voltou para o inimigo. Então, subitamente, o homem conseguiu se mexer como antes e acertou um tapa no rosto de Diana, e ela caiu para o lado com a mão no rosto.
Antes que o soldado ficasse de pé e fugisse, Beatrice reagiu ao golpe e atirou uma de suas facas acertando-o bem na cabeça, finalmente o inimigo ficou sem vida. Depois ela observou Diana, acompanhada de três bolotas-brancas amassadas no chão e começando a se deitar sobre o piso, perdendo a consciência.
***
Vinte vestia-se com seu colete resistente de soldado após convencer Yan de que era necessário para sua proteção. A blusa e o jeans ainda eram os mesmos de sempre, acompanhados da bota. E Yan não lhe forneceu, ou permitiu, levar arma alguma, já que ele devia apenas informar os outros.
Assim que estavam prontos, ele e Phantom levantaram voo e seguiram por uma passagem oculta do galpão que os fez sair no meio de um lugar cheio de arvores.
O mediador grunhiu se irritando com a luz alaranjada do sol que começava a se pôr em um horizonte desforme. E Vinte, também de olhos fechados pelo incomodo da luminosidade que há muito tempo não via, pediu desculpas por leva-lo àquela hora do dia para voar, e só após alguns minutos ele abriu os olhos para ver pra onde eles estavam indo. Phantom já tinha ganhado altura no teto quase sem fim da terra, passando á metros das coberturas dos prédios abaixo; e o Mediador ia cada vez mais para cima, buscando o refresco e sombras das nuvens.
Vinte admirou tudo o que via com perplexidade. Era uma imagem que ele nunca imaginou que existia. Conhecia apenas aquela atmosfera isolada da nave e seus ambientes artificiais. E cada vez mais ele gostava do céu azul celeste que mudava gradativamente para outra cor, sem ser controlado por ninguém, assim como admirava sem se cansar a paisagem a baixo, disforme e fora de esquadro com seus morros e vales e tudo o mais que a compunha. Nesse voo, mais que antes, ele virou para o lado dos combatentes. A nave não era lugar para se estar, enquanto havia um lugar único como aquele, e a existência do Estado se tornava errada e desnecessária nos pensamentos de Vinte.
De repente suas reflexões foram cortadas quando Phantom manobrou bruscamente para a esquerda, se esquivando de um equipamento rápido que passou por eles. O tempo tinha se passado rápido, e guiar Phantom na direção certa foi algo automático para Vinte. Eles estavam chegando, mas encontraram uma guerrilha sobrevoando o lugar.
Após a nave pequena passar por eles, o soldado-combatente instigou o Mediador em direção à nave, que desacelerava, pois os tinha notado. Antes de a guerrilha ficar de frete para eles, Phantom parou o voo e estabilizou, e, com um toque de Vinte sobre seu pescoço, ele engoliu algo que não existia em sua boca, para logo depois disparar um projetil estranho de entre suas mandíbulas.
A coisa cinza-escura que atingiu a frente da nave, que era muito menor que o Mediador, era gosmenta e gasosa ao mesmo tempo. Um tiro perfeito. A guerrilha começou a atirar sem mirar, pois não via Phantom através da massa estranha incrustada nas janelas. E o Mediador apenas seguiu seu rumo, deixando que seu estranho disparo de munição biológica começasse a secar, fazendo cada vez mais peso e amassando a superfície em quem estava grudada enquanto reduzia de tamanho. Assim a guerrilha se desestabilizava e rachava, liberando fumaças escuras, até que se direcionou ao chão sem o controle de seus tripulantes.
Mais a frente, já podendo ver o Totem sobre a escola Marktown, Vinte e Phantom encontraram outra Guerrilha. Eles estavam alguns metros acima dela, que seguia para o mesmo lugar e sem pressa. Então Phantom apenas mergulhou, batendo as asas uma ou duas vezes para ganhar velocidade, enquanto o soldado tentava não ser levado pelo vento forte. Subitamente o Mediador abriu as asas, mirou a garras das patas traseiras e agarrou a nave em pleno ar, exatamente com um gavião pegando um pássaro. A Guerrilha disparou alguns tiros, mas os canhões eram sob a nave e nenhum deles os atingiu. Logo Phantom se cansou do peso e forçou as garras a se fecharem, esmagando partes da nave. Com outro mergulho menos íngreme, ele impulsionou a nave estragada em direção ao solo distante e a soltou. A guerrilha rodopiou em volta de si até que sumiu em meio a um mar de arvores-verdes e explodiu em fagulhas e fumaça.
Depois de destruir a segunda guerrilha eles finalmente chegaram ao Colégio. Phantom pousou rapidamente, e silenciosamente, na frente da entrada para deixar Vinte, mas antes de retornar ao ar ele ouviu o som de seu prato favorito no jardim interno da escola, e pulou para o telhado para espiar, ignorando a presença do Totem ou o aviso de Vinte de que era perigoso.
***
Marlene com ajuda de Taz estava terminando de ajeitar Cadius junto com os outros que foram atingidos, e Destiny com Lucas levaram Aaron para o mesmo lugar.
–Agora só restamos nós. -rosnou Taz, assistindo da portaria o Difusor no pátio, andando entre as arvores e olhando o alto atrás de um ou dois alunos que tinha escalado. -Temos que terminar isto sozinhos.
A seguir o barulho de telhas se partindo acima deles e um rugido alto, chamou a atenção das três garotas e de Lucas.
–Ah. Espero que não sejam mais inimigos. -falou uma Taz sem paciência.
–Não, é só o Phantom. -disse casualmente Vinte, entrando na portaria e correndo até perto de Taz para ver o seu Mediador descer no jardim, agarrar o Difusor, se esquivar de um tiro do Totem e sair voando levando sua refeição para algum lugar distante.
A pequena o olhou surpresa, e logo desviou o olhar para a ruiva, numa tentativa inconsciente de saber a reação dela ao ver ele ali.
–O que você esta fazendo aqui?- Marlene perguntou confusa, sabendo que Yan devia ficar de olho nele.
–Fiquei preocupado...
–Você?! Há há ha. –interrompeu Beatrice carregando Diana para perto dos outros. -Não me faça rir numa situação dessas, criatura.
–Claro que não fiquei assim por alguém como você. -respondeu Vinte e continuou a se explicar para Marlene: – A mensagem que vocês receberam já avisava que esse Totem teria a companhia de Guerrilhas. E eu já tinha estranhado quando Yan me contou, pois estamos em um período da lua que o Estado não recebe energia suficiente para ficar se comunicando com as naves na terra, ou mesmo envia-las, então os ataques são suspensos. A não ser que seja algo importan...
–Eu já devia ter atirado alguma coisa em você. -o comentário frio de Beatrice o interrompeu momentaneamente, o olhar deles se cruzaram, dois pares de olhos azuis, ela séria e ele desinteressado, pois já notou que a ajuda de Cadius funcionou, do contrario ele estaria em sangue e ferimentos naquele momento.
–... A não ser que seja algo importante. –terminou ele. -E no caso, acho que eles estão aqui exclusivamente para capturar vocês.
–Claro. -Lucas começou com um cochicho para si, observando um canto do cômodo sem ver ao pensar. -A escola é na região onde Flecher e vocês impediram os ataques, afastada de tudo, assim eles puderam não isolar a escola e o Difusor dentro, pois se ele escapar, como aquela vez da catedral, não vai causar muito problemas. E também explica a munição que estão usando: querem desabilitar os que tiveram modificação para que eles possam simplesmente captura-los sem resistência e então lidariam apenas com os humanos comuns, do qual eles não teriam tanto interesse para estudar.
Quando Lucas voltou a olhar em volta, todos o encaravam com atenção, pois ele acabou aumentando o volume da voz. Agora eles compreendiam melhor o que estava acontecendo com as conclusões de Lucas.
–Você é esperto garoto. -disse Vinte quebrando o silencio que ficou depois. -Então qual a estratégia de vocês?
Beatrice apenas continuou encarando o soldado, querendo acerta-lo sem ter a vontade; Taz e Destiny cruzaram os olhares rapidamente, e todos deram uma olhada na situação à volta deles. Era Flecher que estava dando as ordens e guiando-os, agora eles não tinha quem desse as instruções.
–Na verdade não sabemos o que fazer. -comentou Destiny por fim.
O soldado analisou a ruiva antes de passar os olhos em cada um, todos o observando.
–Certo, se insistem que eu de as ideias, vamos lá. Enquanto estava vindo derrubei duas guerrilhas, mas parece que ainda temos duas aqui. E ainda temos o Totem e os Difusores, foram...?
–Foram liberados três. — informou Marlene. — Brian matou um, o outro o Lucas cuidou e o ultimo seu bichinho levou.
–Três? Talvez o estado esteja em falta de Difusor... -pensou alto o soldado, e então ficou mais sério. –Seguinte: a situação não é tão boa. O Totem vocês ainda podem dar um jeito atingindo os pontos fracos, mas tem que tomar cuidado quando ele cair. E infelizmente ninguém aqui pode dar um jeito nas guerrilhas, são rápidas demais para se mirar com as armas que vocês têm do solo e também são armadas...
Depois de alguns segundos Vinte foi até os combatentes desacordados e os revirou atrás de armas. Pegou a arma maior de munição elétrica de Flecher, a pistola de bala comum de Aaron e as facas restantes de Diana, as ajeitando no colete com alguns bolsos.
–O que é isso?- perguntou ele curioso sobre a bazuca de Jalaska deixada em um canto, e Marlene o respondeu mais rapidamente. Então a pegou. -Alguém sabe usar isso?- todos negaram. –Mesmo assim, alguém pode tentar. Pode ser eficaz contra o Totem.
Então ele jogou a arma para Lucas, claramente sabendo que as meninas não ia conseguir manusear uma arma grande como aquela.
–Meu plano: vocês cuidam do Totem... -e o som de gorgolejar veio de fora, chamando a atenção dele. O quarto Difusor havia sido liberado no pátio. -...e dessa criatura. E eu... -ele desviou o olhar um pouco pesaroso. –Eu vou com Phantom atrás das guerrilhas. Acho que no caso somos os únicos que podem lidar com elas.
Era a única forma, a dupla já tinham pegado duas naves, seriam mais duas, porém era um nível de dificuldade muito maior, por que as naves sabia que o Mediador estava ali. Não tinha o elemento surpresa para usar.
–Isso é perigoso demais para você. – disse Destiny com preocupação.
–Eu sei disso.
–Porque esta fazendo isso?- Beatrice ficou intrigada. –Cansou-se de estar do lado errado do xadrez?- o soldado sorriu e concordou presunçoso.
–Tomarem cuidado, posso sentir falta de alguns. – e Vinte caminhou em direção à porta, mas com um gestou de mão chamou apenas Destiny para acompanha-lo.
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