Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
82 Invadindo escola e salas.
Notas iniciais
Yan não podia acreditar com certeza no que o soldado estava falando, mas se havia alguém que podia saber mais que eles sobre os ataques e a própria nave, era Vinte.
–Precisa avisa-los do que esta acontecendo Yan. E também precisa me deixar ir.
–Posso avisa-los, eu acho. -disse incerto. -Mas você vai ter que ficar.
–Avise primeiro Yan. -insistiu o soldado sem paciência para ficar discutindo a segunda parte.
Os dois saíram do quarto-prisão e seguiram pelos corredores até a sala de monitoramento. Em um dos cantos havia um equipamento para se comunicarem que nunca tiveram que usar antes, já que ninguém ficava para trás, e quando Yan tentou usa-lo a estática o impediu.
–Isso é mal. –murmurou o garoto. –Se isso não esta funcionando, nem mesmo o relógio-comunicador de Leno está.
– Talvez seja parte do plano do Estado... Me de as coordenadas, talvez eu e Phantom possamos chegar a tempo de avisar.
–Flecher não confia em você. E... -algo se iluminou na mente de Yan, então surgiu a desconfiança. -E você pode muito bem estar apenas atrás de uma forma de voltar...
–Não! Não mesmo, Yan. Eles me condenariam a morte se voltasse. Eu percebi o que estão fazendo. Aqui é melhor mim, e quero ajuda-los, mesmo que o Flecher não confie. -Yan ainda o encarava desconfiado e pensativo. –Entenda: lá na nave eles me odiavam, ao ponto que aquela minha primeira missão foi de nível bem alto e carregar o teletransporte era apenas para me manter longe da luta, devem estar felizes de eu não ter voltado. Além disso, todos só falavam comigo para me lembrar de que eu não fazia parte daquele lugar e nem da terra. A única coisa que eles me ajudaram foi a me deixar mais confiante para ser o melhor, e ser o indivíduo único que eles tanto ressaltavam. Mas aqui... encontrei pessoas parecidas comigo, todos com algo especial, e a maioria não se importou tanto com como eu nasci ou meu passado. Eu quero ajudar vocês. -a expressão de Yan permanecia a mesma, então vinte disse mais firme, sério e sem paciência: –Se você for me dizer não mais uma vez, é bom ter uma armar ai e atirar parar matar.
Os dois garotos se encararam por alguns minutos, então, para a surpresa de Vinte, Yan puxou uma pistola do cós da calça e apontou para ele. Espantado o soldado recuou um pouco para trás, mas então parou e mudou a expressão.
–É bom me acerta direito, pois se errar... eu vou te deixar desmaiado e vou sozinho.
Por mais algum tempo Yan manteve a arma erguida, observando o rosto o do soldado com atenção. Vinte se cansou da perda de tempo e se aproximo até que a arma tocasse-o sobre o coração.
–Atira. -mandou.
–Eu não vou fazer isso. -Disse Yan finalmente abaixando arma e a guardando. –Desculpe apontar isso pra você, mas eu precisava ter alguma prova de que estava falando serio. Sabe, o corpo fala a verdade mais facilmente. -e deu de ombros. -Acho que não tem outro jeito, vou ter que confiar em você.
*******
O helicóptero branco-perola sobrevoou entre as nuvens por alguns minutos, passando sobre os bairros mais afastados do centro de Runa e a seguir pela curta área de floresta preservada antes de chegarem ao local do ataque.
A escola ficava no que chamavam de distrito Consul, uma parte da cidade de Runa, mas tão afastada do centro que podia ser entendida como uma minicidade isolada. O distrito era um lugar cercado por colinas, pacifico e ligado à natureza a sua volta, e possuía apenas uma escola: o Colégio Marktown. O colégio se destacava na frente de uma colina íngreme e verde, era um prédio de três andares, gasto pelo tempo, de arquitetura reta e simples, que claramente possuía um jardim interno com arvores altas. Diante da entrada, em uma área asfaltada, estavam estacionados vários ônibus amarelos que a escola usava para trazer seus alunos, já que seu endereço era nas bordas do distrito.
Quando Flecher, na pilotagem do transporte com passageiros pela primeira vez, analisava o que estava acontecendo e onde seria seguro pousar, um vulto cinzento passou muito rápido sobre o helicóptero e curvou-se para o meio das nuvens acima. Por um momento ele desestabilizou a aeronave, sem entender o que era, e ainda tenso ignorou as perguntas do que era aquilo, depois chamou Marlene, que estava senta atrás, pedindo que ela que pegasse o binoculo na bolsa e procurasse por algo diferente. Lene obedeceu e logo confirmou a presença do Totem, ao encontra-lo com a visão de calor do binoculo.
–Acima, á leste. Ainda está distante. -informou ela observando através do binoculo.
Logo depois Aaron indicou um lugar na paisagem cheia de arvores onde eles podiam pousar antes da chegada da nave.
–O que era aquilo que passou por nós Flecher?- Brian perguntou perturbado, enquanto o grupo caminhava em direção à escola, já que tinha pousado a certa distância.
–Eu não sei, mas estejam preparados para qualquer coisa.
Assim que chegaram à frente do prédio perceberam que o colégio parecia mais normal do que qualquer coisa, com o som das salas ecoando pelo lugar que deveria ser silencioso. O grupo entrou na portaria e o porteiro, já com uma boa idade, estranhou-os de sua bancada, vendo todos eles olharem intrigados e hesitantes para dentro da escola.
–Posso ajuda-los?- perguntou o homem.
Brian Jalaska, o mais próximo do estranho, conteve um riso rápido da imaginação do velho homem os ajudando a derrubar o Totem ou caçar uma criatura. Então olhou-o carismático dizendo:
–Estamos verificando umas coisas. Há alunos estudando aqui? Agora?
O porteiro respondeu um sim, suspeitando da inteligência do menino por ter perguntado aquilo.
–Se dividam. -Falou Flecher de repente. –Tentem mandar todos irem embora. Avisem o que vai acontecer. Quanto menos gente aqui quando a nave chegar, melhor.
–Espera. –e Taz segurou o braço de Brian que já seguia em direção a porta mais próxima. -Tem certeza de que esta é a escola?
Ela, Lucas, Philipe, Aaron, Marlene e até mesmo o porteiro, que não sabia como reagir com aquele grupo, encararam Flecher.
–É claro que tenho Taz. –respondeu ele sério. Então o som do trovão ecoou ajudando-o a confirmar. -Viu.
Taz apenas observou o olhar com leve convencimento de Flecher antes de seguir a direção em que Brian ia, uma passagem á esquerdada na portaria que dava em uma escada. Marlene seguiu Aaron pelas grandes portas afrente deles que levava ao pátio jardim interno arborizado e as salas do térreo, e Philipe com Lucas acompanharam Flecher pela passagem à direita. O porteiro ficou confuso do que dizer ou quem tentar impedir de entrar, e acabou indo para a secretaria atrás de ajuda.
Brian entrou na primeira sala sendo seguido de Taz, que segurava sua besta pronta para a ação começar.
–Todos fora! Vão! Estão dispensados se não querem morrer! -gritou ele na sala que estava em completo silêncio.
Diversas cabeças se viraram em direção á porta, onde ele estava parado como se fosse alguém importante, mas todos continuaram imóveis. Alguns poucos risos foram abafados, pois a professora de cabelos cacheados pintados de vermelho encava raivosamente cada possível risonho.
–Quem vocês pensam que são para invadirem minha aula!- exclamou ela fuzilando Taz e Brian com um olhar de maquiagem escura. -Saiam!
Brian recuou um pouco sendo encarado pela professora sem paciência e controladora que encontraram.
–Estamos aqui para salvar a vida deles! –Taz gritou em resposta, no mesmo tom de voz, e se aproximando da professora, que ficou cada vez mais vermelha de raiva por ser afrontada. –Todos pra fora!
Os alunos tremeram um pouco com a cara séria e a besta armada que a garota pequena carregava, e começaram a se mexer juntando o material e se levantando das carteiras.
–Fiquem onde estão!- mandou a professora e os alunos obedeceram.
Taz olhou indignada os alunos submissos, depois encarou a professora e apontou a besta carregada para ela, pronta para dizer seus últimos argumentos antes de ter que atira (alguns alunos ganharam um brilho no olhar ao ver a cena). Mas Taz não pode dizer uma única palavra, pois houve uma explosão no corredor que foi seguida de gritos distantes. Então os alunos se levantaram bruscamente, convencidos e assustados, e começaram a sair da sala com pressa, empurrando Brian para fora e prendendo Taz lá dentro.
–Taz! -gritou Brian de algum lugar do corredor, que era também como uma varanda com vista para o jardim interno. -Estão soltando os Difusores!
–Brian! Vai cuidar desse!- instruiu Taz enquanto empurrava alguns alunos tentando sair.
Quando ela finalmente chegou ao corredor, se encostou à parede esperando a correnteza de aluno passar e tentando ver alguma coisa, já que sua altura não ajudava, até que conseguiu ver Brian quando o corredor ficou menos lotado.
O garoto tinha perdido sua bazuca no meio da confusão, e se empenhava em manter o Difusor no fim do corredor, próximo da sala destruída pelo tiro do Totem, que já estava posicionado sobre o jardim interno da escola. Brian já tinha o corpo transformado em aço quando desviou de uma patada da criatura e a seguir acertou-a na testa encouraçada com um soco de metal. O Difusor ficou desorientado e tentou alcança-lo com os tentáculos das costas, mas os espinhos das pontas se arrastaram sobre seu corpo completamente protegido.
Jalaska notou quando Taz se aproximou atirando algumas flechas que ricochetearam na proteção da criatura, e pediu para ela encontrar sua bazuca. Ela logo achou a arma no canto do corredor e jogou-a para Brian deslizando-a por sobre o piso e mantendo a ótima distância da criatura.
Brian aproveitou um momento, antes do difusor se virar para dar-lhe uma caldada, e pegou a arma, pôs a munição e atirou. Mesmo a criatura estando protegida com a armadura externa, a munição atravessou-a, chegando ao seu interior e então explodiu de dentro para fora. Depois Brian tirou, com nojo, um filé de Difusor de decima dele.
Enquanto isso, Flecher não tinha tido muito crédito quando informou os alunos da sala de informática, mas depois de dar um tiro em um dos computadores o professor e os alunos resolveram obedece-lo. E quando ele, Lucas e Philipe iam para a próxima sala, eles notaram a presença do Totem, que não perdeu tempo em atirar, abrindo um espaço no prédio do lado oposto ao que estavam, para liberar a primeira criatura, a seguir a tirou em uma sala do corredor onde estavam e lançou a segunda, e uma terceira foi escorregada para cima da cobertura da quadra, ao fundo do jardim interno com arvores altas e plantas, para cair no pátio.
Flecher viu Marlene sair de uma sala no térreo, perdida de Aaron, e aviso-a sobre o Difusor no pátio.
–Flecher tem uma coisa estranha!- gritou a voz de Aaron vindo de próxima da portaria. E quando o moreno olhou notou facilmente: Aaron tinha ido tentar evitar que todos fossem eletrocutados, mas os alunos saiam da escola e corriam em fuga pela longa estrada de acesso sem serem impedidos. A escola não estava isolada, apesar do som de trovão ter ecoado.
Não sabendo se devia ficar aliviado ou preocupado com isso, Flecher ia guiar Philipe e Lucas para ir atrás do Difusor mais próximo, mas um zumbido rápido o interrompeu, e um o projetil de grosso calibre cortou a copa das arvores e atingiu a parede pouco a frente deles. A explosão próxima lançou estilhaços pesados para longe e jogou Flecher e os dois garotos contra o chão sem estarem preparados.
Quando a poeira ainda caia e ouvindo mais dois tiros pela escola, Lucas ajudou Flecher a se levantar e seguiu Philipe para dentro de uma sala, assim ficaram fora da vista de quem disparou.
Ainda com um zunido ecoando no ouvido Flecher limpou a poeira do rosto e o sangue que já escorria de algum corte, que um Philipe prestativo se apressou para cuidar.
–O que foi isso?- perguntou o moreno um pouco confuso.
–Era uma nave menor e mais rápida. -disse Lucas, bem tenso por ser sua primeira vez em um luta contra o Totem.
Flecher começou a entender rapidamente que só poderia ser uma guerrilha, a nave de batalha do Estado, e ao mesmo tempo em que ele encaixava as peças, Lucas já as narrava:
–Deve ser essa nave que passou perto do helicóptero. E acho que não é algo simples como pensou, Flecher.
Após um xingamento rápido pra si, por ter levado todos para isso, Flecher pediu para Philipe encontrar Taz, avisa-la sobre a nave menor e leva-la para a portaria, onde ele pretendia reunir todos para elaborarem algum plano melhor.
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